LOGINNa noite em que esperava ouvir um pedido de casamento, Belinda vê a própria irmã anunciar que está grávida do seu namorado diante das duas famílias. Traída, expulsa de casa e humilhada, ela encontra abrigo no pequeno apartamento das melhores amigas, Lauren e Lorena. Juntas, são três mulheres sem sorte no amor. Um ano depois, ela recebe um convite debochado para o casamento da irmã. “Vai ser em Noronha, pena que você não tem dinheiro”, diz o bilhete que acompanha o envelope. Sem dinheiro nem para trocar a resistência do chuveiro, Belinda resolve esquecer o passado da única forma que restou: vestida de coelhinha em uma despedida de solteiro cheia de empresários. Lá, movida a alguns copos de uísque, ela faz uma proposta absurda a um estranho: — Vai como meu namorado milionário? Você é bonito. Ia ser tão bom ver a cara daquela... O que era para ser uma piada vira um negócio oficial. Dias depois, Pablo envia um contrato formal assumindo o custeio de todas as despesas da viagem para ela e as amigas. Em troca, exige cláusulas rígidas de confidencialidade: sigilo absoluto sobre sua vida, proibição de fotos do seu rosto e a regra estrita de que o relacionamento é apenas uma farsa. Agora, cercadas por luxo e seguranças armados, as três amigas tentam descobrir a verdade: ele é um legítimo CEO poderoso ou alguém envolvido em negócios perigosos? Afinal, quem é o homem misterioso que Belinda está levando para o casamento da própria irmã? E por que o seu coração começou a bater mais forte por ele?
View MoreBelindaAfasto o meu corpo devagar, descolando minha testa da dele.Olho nos olhos amendoados de Pablo, sentindo o carinho do toque dele ainda queimar na minha pele, mas a firmeza volta aos meus ossos num estalo.— Não, Pablo.O vinco na testa dele reaparece no mesmo segundo, desfazendo a expressão afetuosa.— Belinda...— Eu não vou abrir mão da fundação — digo, a voz soando calma, mas sem margem para recuo. — Eu não vou me trancar aqui dentro.Pablo solta o ar com força pelo nariz. Ele passa a mão na nuca, dando dois passos de lado no escritório antes de se virar para mim com os braços abertos num gesto de incredulidade:— Você ouviu o que eu acabei de falar? Eu não estou te pedindo isso por capricho. Estamos falando de fuzis de guerra na mão dos Conchiglias! De franceses querendo explodir o centro histórico para tomar as rotas! — E eu estou falando de sanidade, Pablo! — elevo o tom, dando um passo à frente. — Você quer me transformar em quem? Na minha mãe? Quer que eu viva com med
BelindaDeixo o quarto da minha mãe com o coração mais leve, mas com os passos firmes no chão de pedra. Subo direto para a ala oeste do segundo andar.Não vou adiar mais.Paro diante da pesada porta de madeira do escritório particular de Pablo. Bato duas vezes com os nós dos dedos.— Entra — a voz grave dele soa de dentro.Empurro a porta. Ao ouvir o clique da fechadura, ele ergue os olhos. O vinco tenso na testa dele se desfaz no mesmo instante.Ele tira os óculos, pousando-os sobre os papéis.— Belinda? — ele dá a volta na mesa devagar, os olhos atentos e suaves varrendo o meu rosto. — Você está pálida. A dor de cabeça não passou?Fecho a porta atrás de mim. Permaneço parada no centro da sala, apertando a alça da bolsa onde o teste continua guardado.— Não era enxaqueca, Pablo — digo, a voz saindo baixa, mas firme.Ele para a um passo de mim, inclinando a cabeça com um cuidado genuíno:— O que foi, então? Você está se sentindo mal?— Não é doença — respiro fundo, puxando o ar até a
BelindaFecho o notebook no quarto de Lauren e respiro fundo. Lauren apoia a mão no meu ombro antes de eu me levantar.— Vai dar uma volta? — ela pergunta.— Preciso falar com a minha mãe. Desço a escadaria monumental em passos silenciosos. O saguão está vazio.Cruzo o arco do térreo em direção à ala dos fundos, onde Ginevra instalou Aurora e Angélica. A porta do quarto da minha mãe está entreaberta. Bato de leve com a ponta dos dedos na madeira.Aurora está sentada perto da janela com vista para o jardim lateral. Ela segura uma xícara de chá entre as mãos trêmulas, com um xale escuro sobre os ombros e os cabelos grisalhos presos num coque frouxo. Ao me ver na soleira, ela apoia a xícara no pires sobre a mesa pequena e se ajeita na poltrona.— Belinda... — a voz dela sai baixa, cautelosa. — Você quer entrar?Entro no cômodo, puxo a cadeira de madeira estofada à frente dela e me sento. Cruzo os dedos sobre o colo, sentindo o arrepio do vento que passa pelas frestas de vidro.Ficamo
BelindaAcordo no dia seguinte com a boca amarga e o peso do teste de gravidez queimando na gaveta da minha cabeceira. O sol da manhã entra pelas frestas das cortinas pesadas, mas não traz calor nenhum para o quarto.Assim que abro a porta para ir ao banheiro, dou de cara com Pablo no corredor. Ele veste calça social escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até a metade dos antebraços.Ele para no mesmo instante, os olhos escuros descendo pelo meu rosto com atenção redobrada.— Bom dia — a voz dele soa grave, mas cuidadosa. — A dor de cabeça passou? Você mal saiu do quarto ontem.Desvio o olhar rápido para o chão, dando meio passo para trás em direção ao batente.— Tô bem melhor — respondo num tom seco, forçando a voz a não tremer. — Só... preciso de um banho e de um café.Ele dá meio passo à frente, erguendo a mão para afastar uma mecha solta do meu cabelo:— O médico da família está disponível se você ainda estiver indisposta com a fundação —— Eu já disse que estou






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