
Cláusulas para Não se Apaixonar
Na noite em que esperava ouvir um pedido de casamento, Belinda vê a própria irmã anunciar que está grávida do seu namorado diante das duas famílias. Traída, expulsa de casa e humilhada, ela encontra abrigo no pequeno apartamento das melhores amigas, Lauren e Lorena. Juntas, são três mulheres sem sorte no amor.
Um ano depois, ela recebe um convite debochado para o casamento da irmã. “Vai ser em Noronha, pena que você não tem dinheiro”, diz o bilhete que acompanha o envelope.
Sem dinheiro nem para trocar a resistência do chuveiro, Belinda resolve esquecer o passado da única forma que restou: vestida de coelhinha em uma despedida de solteiro cheia de empresários. Lá, movida a alguns copos de uísque, ela faz uma proposta absurda a um estranho:
— Vai como meu namorado milionário? Você é bonito. Ia ser tão bom ver a cara daquela...
O que era para ser uma piada vira um negócio oficial. Dias depois, Pablo envia um contrato formal assumindo o custeio de todas as despesas da viagem para ela e as amigas. Em troca, exige cláusulas rígidas de confidencialidade: sigilo absoluto sobre sua vida, proibição de fotos do seu rosto e a regra estrita de que o relacionamento é apenas uma farsa.
Agora, cercadas por luxo e seguranças armados, as três amigas tentam descobrir a verdade: ele é um legítimo CEO poderoso ou alguém envolvido em negócios perigosos?
Afinal, quem é o homem misterioso que Belinda está levando para o casamento da própria irmã? E por que o seu coração começou a bater mais forte por ele?
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Chapter: 118. Você venceuBelindaAfasto o meu corpo devagar, descolando minha testa da dele.Olho nos olhos amendoados de Pablo, sentindo o carinho do toque dele ainda queimar na minha pele, mas a firmeza volta aos meus ossos num estalo.— Não, Pablo.O vinco na testa dele reaparece no mesmo segundo, desfazendo a expressão afetuosa.— Belinda...— Eu não vou abrir mão da fundação — digo, a voz soando calma, mas sem margem para recuo. — Eu não vou me trancar aqui dentro.Pablo solta o ar com força pelo nariz. Ele passa a mão na nuca, dando dois passos de lado no escritório antes de se virar para mim com os braços abertos num gesto de incredulidade:— Você ouviu o que eu acabei de falar? Eu não estou te pedindo isso por capricho. Estamos falando de fuzis de guerra na mão dos Conchiglias! De franceses querendo explodir o centro histórico para tomar as rotas! — E eu estou falando de sanidade, Pablo! — elevo o tom, dando um passo à frente. — Você quer me transformar em quem? Na minha mãe? Quer que eu viva com med
Última atualização: 2026-09-02
Chapter: 117. O nosso bebêBelindaDeixo o quarto da minha mãe com o coração mais leve, mas com os passos firmes no chão de pedra. Subo direto para a ala oeste do segundo andar.Não vou adiar mais.Paro diante da pesada porta de madeira do escritório particular de Pablo. Bato duas vezes com os nós dos dedos.— Entra — a voz grave dele soa de dentro.Empurro a porta. Ao ouvir o clique da fechadura, ele ergue os olhos. O vinco tenso na testa dele se desfaz no mesmo instante.Ele tira os óculos, pousando-os sobre os papéis.— Belinda? — ele dá a volta na mesa devagar, os olhos atentos e suaves varrendo o meu rosto. — Você está pálida. A dor de cabeça não passou?Fecho a porta atrás de mim. Permaneço parada no centro da sala, apertando a alça da bolsa onde o teste continua guardado.— Não era enxaqueca, Pablo — digo, a voz saindo baixa, mas firme.Ele para a um passo de mim, inclinando a cabeça com um cuidado genuíno:— O que foi, então? Você está se sentindo mal?— Não é doença — respiro fundo, puxando o ar até a
Última atualização: 2026-09-02
Chapter: 116. O medo ainda está aquiBelindaFecho o notebook no quarto de Lauren e respiro fundo. Lauren apoia a mão no meu ombro antes de eu me levantar.— Vai dar uma volta? — ela pergunta.— Preciso falar com a minha mãe. Desço a escadaria monumental em passos silenciosos. O saguão está vazio.Cruzo o arco do térreo em direção à ala dos fundos, onde Ginevra instalou Aurora e Angélica. A porta do quarto da minha mãe está entreaberta. Bato de leve com a ponta dos dedos na madeira.Aurora está sentada perto da janela com vista para o jardim lateral. Ela segura uma xícara de chá entre as mãos trêmulas, com um xale escuro sobre os ombros e os cabelos grisalhos presos num coque frouxo. Ao me ver na soleira, ela apoia a xícara no pires sobre a mesa pequena e se ajeita na poltrona.— Belinda... — a voz dela sai baixa, cautelosa. — Você quer entrar?Entro no cômodo, puxo a cadeira de madeira estofada à frente dela e me sento. Cruzo os dedos sobre o colo, sentindo o arrepio do vento que passa pelas frestas de vidro.Ficamo
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: 115. ContrasteBelindaAcordo no dia seguinte com a boca amarga e o peso do teste de gravidez queimando na gaveta da minha cabeceira. O sol da manhã entra pelas frestas das cortinas pesadas, mas não traz calor nenhum para o quarto.Assim que abro a porta para ir ao banheiro, dou de cara com Pablo no corredor. Ele veste calça social escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até a metade dos antebraços.Ele para no mesmo instante, os olhos escuros descendo pelo meu rosto com atenção redobrada.— Bom dia — a voz dele soa grave, mas cuidadosa. — A dor de cabeça passou? Você mal saiu do quarto ontem.Desvio o olhar rápido para o chão, dando meio passo para trás em direção ao batente.— Tô bem melhor — respondo num tom seco, forçando a voz a não tremer. — Só... preciso de um banho e de um café.Ele dá meio passo à frente, erguendo a mão para afastar uma mecha solta do meu cabelo:— O médico da família está disponível se você ainda estiver indisposta com a fundação —— Eu já disse que estou
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: 114. O mesmo cicloBelinda11h42.Os ponteiros dourados do relógio de parede no gabinete de restauração parecem se arrastar.— Esta coleção de gravuras florentinas do século dezesseis requer cuidados específicos de temperatura — a voz monótona do curador-chefe ecoa pelas estantes de carvalho. Ele aponta com uma pinça para o catálogo aberto sobre a mesa. — A senhora compreende a importância da conservação dos manuscritos?— Perfeitamente — respondo no automático.Minha mão direita repousa sobre a bolsa no meu colo, apertando o zíper onde o bastonete com as duas linhas vermelhas continua guardado. A cada respiração, sinto o tecido do vestido apertar contra o meu estômago.— Podemos encerrar por hoje? — pergunto, cortando a fala do homem antes que ele abra o terceiro volume. — Tenho compromissos na propriedade.O curador pisca, surpreso com o corte abrupto, mas se curva num aceno respeitoso.— Claro, senhora. O carro da escolta já foi notificado.Levanto-me sem olhar para trás. Cruzo o corredor de piso enc
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: 113. Dois traçosBelindaO gosto amargo queima o fundo da minha garganta. Apoio as duas mãos na parede do corredor, sentindo as pernas bambas ameaçarem ceder.— Belinda! — a voz de Pablo soa atrás de mim, os passos pesados dele se aproximando rápido.— Não encosta em mim — balbucio, limpando a boca com as costas da mão trêmula.Não olho para trás. Ignoro a expressão petrificada de Angélica e o olhar assustado da minha mãe no saguão. Agarro o corrimão de ferro da escadaria monumental e começo a subir os degraus de dois em dois, arrastando o corpo com o pouco de ar que me resta. A cada passo, o estômago se contorce em nós secos e a cabeça gira em ondas de calor.Passos rápidos e leves sobem a escada logo atrás de mim.Empurro a porta do meu quarto na ala leste e entro tropeçando no tapete. Vou direto para a pia do banheiro integrado, abrindo a torneira com força para enxaguar a boca e jogar água gelada no rosto.Lauren entra no quarto e bate a porta com o calcanhar, trancando a fechadura.Ela para na s
Última atualização: 2026-08-30
Chapter: 33CátiaEstou passando óleo na sela de Estela quando Inácio se aproxima com duas garrafas de cerveja gelada. Ele me entrega uma, senta-se ao meu lado no fardo de feno e estica as pernas.— A terra de vocês vai render, Cátia — ele diz, dando um gole demorado. — Seu pai já está com quase tudo certo para a mudança.— Graças a Deus — respondo, sentindo o alívio que essa nova chácara traz. — Vai dar trabalho no começo, mas pelo menos é um chão nosso de novo.Inácio fica em silêncio por alguns segundos. Ele apoia a garrafa entre os joelhos, vira o corpo para mim e coloca a mão na minha perna.— Cátia... eu preciso te falar uma coisa séria.Olho para ele, estranhando o tom repentino de gravidade.— Pode falar, Inácio.— Eu só voltei para cá por causa do incêndio e de você. Quando soube do galpão e do hospital, não pensei duas vezes. Mas... eu não pertenço mais a este lugar. Não pertenço mais à roça.Franzo a testa, surpresa.— Como assim não pertence? Você nasceu aqui.— Nasci, mas a minha cab
Última atualização: 2026-08-26
Chapter: 32CátiaAs samambaias penduradas na varanda balançam de leve com o vento da manhã, enquanto dona Vera enxuga as mãos no avental florido, descendo os degraus de madeira para espiar a movimentação na sua propriedade.Ouvir o relincho estridente e familiar de Estela vindo do piquete dos fundos traz um alívio que quase me faz esquecer as últimas semanas de caos.A rampa do caminhão desce com um estalo metálico. Rodrigo salta da cabine vestindo jeans surrado e chapéu de palha, abrindo um sorriso largo ao me ver aproximar.— Bom dia, boiadeira! — Rodrigo acena com a mão espalmada. — Como prometido, os dois novos companheiros da fazenda chegaram em perfeito estado.— Bom dia, Rodrigo! — respondo, sentindo o peito leve pela primeira vez em muito tempo.Meu pai e Inácio saem da oficina de ferramentas ao ouvir o barulho do motor. Oswaldo ajeita o chapéu marrom na cabeça, os olhos miúdos brilhando em pura descrença ao ver o tratador descer primeiro o tordilho cicatrizado e, logo em seguida, o pot
Última atualização: 2026-08-26
Chapter: 31CátiaAcordo antes mesmo do primeiro cantar do galo.Fico alguns minutos imóvel na cama, encarando o forro de madeira clara, sentindo o peito apertado. A lembrança do calor da boca de Fernand, do jeito que ele segurou meu rosto e do recuo assustado dele logo em seguida não saem da minha cabeça.Amigos.Foi o melhor a fazer. Fernand tem a vida desenhada na capital, uma noiva e um mundo ao qual eu nunca vou pertencer. Eu tenho o Inácio, meu pai e um recomeço do zero para construir. Colocar um freio ontem foi questão de respeito próprio.Levanto e lavo o rosto na água fria da pia do banheiro. Quando desço a escadaria de madeira, o aroma de café fresco e pão de queijo quentinho já toma conta da cozinha do casarão.— Bom dia, madrugadora! — Mariana me recebe com um sorriso caloroso, tirando uma assadeira fumegante do forno com um pano grosso. — Achei que a gente da capital é que acordava cedo por causa de trânsito, mas o pessoal da roça não dá trégua nem em dia de folga.— Bom dia, Mariana
Última atualização: 2026-08-26
Chapter: 30.FernandCátia está sentada a menos de um palmo de mim. O calor que vem do corpo dela compete com as brasas da lareira, e cada respiração que ela puxa parece roubar o pouco oxigênio que me resta. Olho para a boca dela. Os lábios estão entreabertos, avermelhados pelo vinho, e a forma como ela me encara acaba com qualquer tentativa de autocontrole.Eu passei a vida calculando riscos, prevendo cenários, assinando papéis que decidem milhões. Mas aqui, agora, não existe cálculo. Só existe ela.Deslizo a mão pelo encosto do sofá até tocar a lateral do seu pescoço. A pele de Cátia arrepia sob os meus dedos. Ela solta um suspiro baixo, e o som atinge o centro do meu peito com a força de um soco.— Fernand... — ela sussurra, mas não se afasta.Não há recuo. Não há medo. Cátia apenas sustenta o meu olhar com uma intensidade desarmante, o peito subindo e descendo rápido, acompanhando o ritmo descompassado do meu.Inclino o corpo para a frente, sentindo o ardor da respiração dela contra a minha pe
Última atualização: 2026-08-24
Chapter: 29.CátiaMariana encosta a cabeça de leve no ombro de Rodrigo, soltando um bocejo que tenta disfarçar com a mão. Rodrigo sorri, passando o braço ao redor dela antes de olhar para nós dois.— Pessoal, o dia foi puxado e a Mari precisa descansar da viagem — Rodrigo avisa, já apontando na direção do anexo externo. — Nós vamos subir. Tem uma lareira acesa na edícula no fim da varanda caso vocês queiram esticar a conversa mais um pouco. Tem mais vinho na adega e vocês podem ficar completamente à vontade. Já deixei os quartos de hóspedes organizados lá em cima.— Muito obrigada por tudo, Rodrigo, Mariana — agradeço, com um aceno sincero.Rodrigo e Mariana sobem as escadas de madeira, e o silêncio do casarão logo se mistura ao som da chuva que, lá fora, enfraquece até virar uma garoa mansa e contínua contra a vidraça.Fernand olha para a taça pela metade sobre o balcão e depois para mim.— Eu estou sem sono — ele diz, passando os dedos pelo nó solto da camisa. — Vou continuar tomando vinho ali
Última atualização: 2026-08-21
Chapter: 28FernandRodrigo puxa a rolha da garrafa com um estalo seco e inclina o gargalo na direção da minha taça sobre a bancada de peroba-rosa.Ergo a mão espalmada, bloqueando o movimento.— Não, cara. Eu tô dirigindo. Preciso pegar a rodovia de volta para a capital ainda hoje.Rodrigo para com a garrafa suspensa no ar. Ele solta um riso curto pelo nariz e aponta o queixo para a grande janela de vidro da sala. Lá fora, o céu escureceu de vez, tingido por um cinza chumbo pesado, e os primeiros pingos grossos começam a estalar com força contra a vidraça. Um trovão surdo faz o chão vibrar sob nossos pés.— Olha lá para fora, Fernand — Rodrigo insiste, sem recolher a garrafa. — A serra tá fechando em questão de minutos. Você conhece essa estrada: meia hora dessa água e a descida vira um sabão. Descer serra no escuro com pista enlameada é loucura. Bebe, cara. Relaxa. A gente tem quarto de sobra aqui no casarão para abrigar vocês dois com todo o conforto.Cátia está encostada na bancada ao meu lad
Última atualização: 2026-08-18