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Vitória Valenza
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Novel-novel oleh Vitória Valenza

O CEO e a boiadeira

O CEO e a boiadeira

Cátia cresceu com a poeira no rosto, a rédea na mão e o coração fincado na Fazenda Sabiá-Laranjeira. Foi ali que ela e o seu pai se ergueram após a perda da sua mãe. Mas uma tragédia inesperada devastou o sustento da família da noite para o dia, deixando dívidas astronômicas e uma única saída dolorosa: vender a propriedade. Fernand é um CEO frio, pragmático e acostumado a dominar a selva de pedra. Ao comprar a Sabiá-Laranjeira por uma pechincha, seu objetivo é simples: apagar as memórias do lugar e erguer um resort de luxo. O que ele não contava era com o gênio indomável da jovem boiadeira, nem com a obrigação de mantê-la na propriedade durante a fase de transição. A convivência diária vira um campo de batalha. Cátia odeia cada centímetro do empresário que invadiu o seu mundo. Fernand não consegue tirar os olhos da mulher que o enfrenta sem piscar. No entanto, quando os verdadeiros interesses por trás da falência da fazenda começam a se revelar, Fernand percebe que o perigo está mais perto do que imagina. O CEO terá que fazer a sua maior escolha: continuar no topo do seu império ou se render à poeira do campo para não perder a única mulher que aprendeu a amar.
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Chapter: 36
FernandA mesa de centro da sala de Bianca sumiu sob bandejas de prata e caixas de veludo.Sento-me na ponta do sofá, os nós dos dedos apoiados nos joelhos. Do outro lado do tampo de mármore, Bianca separa amostras de doces com uma pinça dourada, examinando cada acabamento sob a luz do lustre.— O pâtissier francês mandou essas três opções de macarons perolados — ela diz, sem erguer os olhos. — Acho que o recheio de champanhe com pétalas de rosa harmoniza com o tom dos arranjos da entrada. O que acha?—— A Alessandra é confeiteira independente. Provei na semana passada. Um copinho de chocolate com creme cítrico e amora fresca, e outro de avelã com praliné. A textura e o equilíbrio de açúcar superam qualquer doce de catálogo.Bianca ergue as sobrancelhas. Ela solta uma risada curta, estridente, balançando a cabeça em pura incredulidade.— Confeiteira independente? Fernand, por favor! É o casamento do ano. A imprensa inteira vai cobrir a mesa de doces. Você quer que eu sirva quitute cas
Terakhir Diperbarui: 2026-09-09
Chapter: 35
CátiaO caminho até a Sabiá-Laranjeira me dá borboletas no estômago. E acho que não é só pela terra. Minha cabeça não para de pensar em Fernand.Entro na sala de jantar da sede. Duas pranchetas e um rolo de papel vegetal cobrem a mesa de cavaletes. Fernand está curvado sobre a planta, os antebraços apoiados na madeira, a manga da camisa dobrada até os cotovelos.O meu coração dá um pulo.Ele ergue os olhos quando minhas botas estalam no assoalho. A postura dele enrijece.— Cátia — ele diz, a voz baixa.— Bom dia.Artur surge pela porta da varanda, a tela do tablet acesa sob os dedos. Ele para ao lado da mesa e joga uma caneta sobre o papel.— Nove e cinco. Vamos direto ao ponto — Artur desliza o indicador pela tela. — O alvará saiu. O plano é derrubar todas as paredes internas deste bloco para abrir o lobby principal do resort.Não me mexo. Olho para Fernand.— O contrato me dá direito a voto no levantamento do patrimônio histórico.Artur bufa, revirando os olhos para o teto.— Voto c
Terakhir Diperbarui: 2026-09-06
Chapter: 34
CátiaInácio me ofereceu a fuga. Ofereceu o mar, a prancha e a promessa de uma vida sem o peso do barro. Falou com a urgência de quem descobriu a própria vocação e acreditou que me resgatava de um naufrágio.Prender Inácio à minha indecisão é covardia. Ele tem pressa de água salgada e eu tenho raízes fincadas aqui. Sei o que preciso fazer. Depois de olhar Estela por alguns instantes, chego a conclusão que é injusto prendê-lo aqui sem ser sincera com o que sinto.Cruzo a porta da cozinha. A luz da bancada projeta uma faixa amarela no corredor. No último degrau da escada externa, Inácio está sentado.— Inácio.— Perdeu o sono? — Ele sorri para mim.Desço os degraus e sento-me a dois palmos dele.— Pensei no que você falou — digo, sem rodeios. — Sobre o litoral. A seletiva.— E aí? Você vem comigo?Os olhos dele brilham com uma animação infantil.— Não vou, Inácio.— Por causa do seu pai? A gente dá um jeito, Cátia.— Não é só pelo meu pai. — Olho firme para ele. — É por nós dois. A gent
Terakhir Diperbarui: 2026-09-06
Chapter: 33
CátiaEstou passando óleo na sela de Estela quando Inácio se aproxima com duas garrafas de cerveja gelada. Ele me entrega uma, senta-se ao meu lado no fardo de feno e estica as pernas.— A terra de vocês vai render, Cátia — ele diz, dando um gole demorado. — Seu pai já está com quase tudo certo para a mudança.— Graças a Deus — respondo, sentindo o alívio que essa nova chácara traz. — Vai dar trabalho no começo, mas pelo menos é um chão nosso de novo.Inácio fica em silêncio por alguns segundos. Ele apoia a garrafa entre os joelhos, vira o corpo para mim e coloca a mão na minha perna.— Cátia... eu preciso te falar uma coisa séria.Olho para ele, estranhando o tom repentino de gravidade.— Pode falar, Inácio.— Eu só voltei para cá por causa do incêndio e de você. Quando soube do galpão e do hospital, não pensei duas vezes. Mas... eu não pertenço mais a este lugar. Não pertenço mais à roça.Franzo a testa, surpresa.— Como assim não pertence? Você nasceu aqui.— Nasci, mas a minha cab
Terakhir Diperbarui: 2026-08-26
Chapter: 32
CátiaAs samambaias penduradas na varanda balançam de leve com o vento da manhã, enquanto dona Vera enxuga as mãos no avental florido, descendo os degraus de madeira para espiar a movimentação na sua propriedade.Ouvir o relincho estridente e familiar de Estela vindo do piquete dos fundos traz um alívio que quase me faz esquecer as últimas semanas de caos.A rampa do caminhão desce com um estalo metálico. Rodrigo salta da cabine vestindo jeans surrado e chapéu de palha, abrindo um sorriso largo ao me ver aproximar.— Bom dia, boiadeira! — Rodrigo acena com a mão espalmada. — Como prometido, os dois novos companheiros da fazenda chegaram em perfeito estado.— Bom dia, Rodrigo! — respondo, sentindo o peito leve pela primeira vez em muito tempo.Meu pai e Inácio saem da oficina de ferramentas ao ouvir o barulho do motor. Oswaldo ajeita o chapéu marrom na cabeça, os olhos miúdos brilhando em pura descrença ao ver o tratador descer primeiro o tordilho cicatrizado e, logo em seguida, o pot
Terakhir Diperbarui: 2026-08-26
Chapter: 31
CátiaAcordo antes mesmo do primeiro cantar do galo.Fico alguns minutos imóvel na cama, encarando o forro de madeira clara, sentindo o peito apertado. A lembrança do calor da boca de Fernand, do jeito que ele segurou meu rosto e do recuo assustado dele logo em seguida não saem da minha cabeça.Amigos.Foi o melhor a fazer. Fernand tem a vida desenhada na capital, uma noiva e um mundo ao qual eu nunca vou pertencer. Eu tenho o Inácio, meu pai e um recomeço do zero para construir. Colocar um freio ontem foi questão de respeito próprio.Levanto e lavo o rosto na água fria da pia do banheiro. Quando desço a escadaria de madeira, o aroma de café fresco e pão de queijo quentinho já toma conta da cozinha do casarão.— Bom dia, madrugadora! — Mariana me recebe com um sorriso caloroso, tirando uma assadeira fumegante do forno com um pano grosso. — Achei que a gente da capital é que acordava cedo por causa de trânsito, mas o pessoal da roça não dá trégua nem em dia de folga.— Bom dia, Mariana
Terakhir Diperbarui: 2026-08-26
Cláusulas para Não se Apaixonar

Cláusulas para Não se Apaixonar

Na noite em que esperava ouvir um pedido de casamento, Belinda vê a própria irmã anunciar que está grávida do seu namorado diante das duas famílias. Traída, expulsa de casa e humilhada, ela encontra abrigo no pequeno apartamento das melhores amigas, Lauren e Lorena. Juntas, são três mulheres sem sorte no amor. Um ano depois, ela recebe um convite debochado para o casamento da irmã. “Vai ser em Noronha, pena que você não tem dinheiro”, diz o bilhete que acompanha o envelope. Sem dinheiro nem para trocar a resistência do chuveiro, Belinda resolve esquecer o passado da única forma que restou: vestida de coelhinha em uma despedida de solteiro cheia de empresários. Lá, movida a alguns copos de uísque, ela faz uma proposta absurda a um estranho: — Vai como meu namorado milionário? Você é bonito. Ia ser tão bom ver a cara daquela... O que era para ser uma piada vira um negócio oficial. Dias depois, Pablo envia um contrato formal assumindo o custeio de todas as despesas da viagem para ela e as amigas. Em troca, exige cláusulas rígidas de confidencialidade: sigilo absoluto sobre sua vida, proibição de fotos do seu rosto e a regra estrita de que o relacionamento é apenas uma farsa. Agora, cercadas por luxo e seguranças armados, as três amigas tentam descobrir a verdade: ele é um legítimo CEO poderoso ou alguém envolvido em negócios perigosos? Afinal, quem é o homem misterioso que Belinda está levando para o casamento da própria irmã? E por que o seu coração começou a bater mais forte por ele?
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Chapter: 123. Serviu melhor em você
LaurenEu poderia perfeitamente ter entregado isso para o Hugo.Poderia ter deixado em cima da bancada da cozinha, jogado na cadeira do escritório de Pablo ou até pedido para uma das funcionárias deixar na vila de Tálita na próxima viagem de suprimentos. Seria limpo, prático e me pouparia de entrar em um carro blindado para chegar até aqui. Mas não. Aqui estou eu, dirigindo um carro emprestado para devolver um casaco.Está lavado. Uma mulher educada devolve as roupas que pega emprestadas e agradece quando não é morta no meio da noite. Ponto. Não há nenhum outro motivo.Estaciono o carro, e passo pela cerca baixa e pela cachorra animada que corre no gramado. Não parece ter ninguém em casa, mas escuto um ruído rítimico de metal contra metal na lateral da casa.Caminho até lá.Rômulo está sozinho perto de uma bancada de ferramentas improvisada. Ele segura uma chave inglesa, ajustando a suspensão de uma moto velha desmontada. Os músculos das costas e dos braços flexionam a cada puxão
Terakhir Diperbarui: 2026-09-09
Chapter: 122. Florescer
BelindaAurora está sozinha, curvada sobre um canteiro. Ela segura um pequeno regador de metal envelhecido, despejando um fio de água sobre uma florzinha silvestre de pétalas miúdas, em um tom azulado suave.Ao escutar o estalo do cascalho sob as minhas sapatilhas, ela interrompe o movimento devagar e se levanta.— Essa aqui nasceu teimosa — minha mãe comenta num tom brando, pousando o regador na terra úmida e olhando para as pétalas azuis. — No meio de tanto espinho que tinha por aqui, ela conseguiu encontrar luz.Paro ao lado dela, encarando a florzinha solitária.— Às vezes as coisas boas nascem onde ninguém espera, mãe.Aurora vira o rosto na minha direção.— Você está bem, minha filha?Respiro fundo, buscando coragem no fundo do peito. Viro o corpo devagar, ficando de frente para ela.— Mãe... eu vim aqui porque preciso te contar uma coisa.Aurora franze as sobrancelhas, atenta à seriedade da minha voz.— O que foi, Belinda? Aconteceu alguma coisa com o Pablo ou na fundação?— Na
Terakhir Diperbarui: 2026-09-09
Chapter: 121. Migalhas de atenção
BelindaPreciso contar para a minha mãe. Depois da conversa que tivemos sobre escolhas, medo e o passado que ela tentou enterrar, sinto que ela merece saber. Cruzo o corredor do térreo em passos calmos e sigo até a ala dos fundos. A porta do quarto de Aurora está apenas encostada. Ergo a mão para bater, mas escuto o som abafado de um choro. Empurro a madeira devagar. Não é a minha mãe sentada na cama. Angélica está encolhida na beirada do colchão, com os ombros curvados para frente e os pés descalços apoiados no tapete. Entre os dedos finos e trêmulos, ela segura um pedaço de papel desgastado nas bordas.Ao ouvir o estalo da porta, ela tenta esconder a foto contra o colo num reflexo rápido, limpando as lágrimas com as costas do antebraço.Pelo movimento, consigo ver a imagem: Adélio em pé na calçada do nosso antigo prédio, vestindo aquela regata puída de sempre e exibindo um relógio dourado no pulso.Fico parada na soleira, sustentando o olhar vermelho e inchado da minha irmã.—
Terakhir Diperbarui: 2026-09-06
Chapter: 120. Água com limão
BelindaA tela do celular quase cai dos meus dedos quando o grito fino de Lorena explode do outro lado da linha.— MENTIRA! — ela berra, com as mãos espalmadas nas bochechas, os olhos arregalados quase colados na câmera. — Belinda, não brinca com isso! Você tá grávida de verdade?!— Tô, amiga... — respondo, deixando escapar um riso frouxo no meio do choro. — Fiz o teste ontem. Mas hoje... hoje começou o pesadelo. Eu quase vomitei em cima de uma caixa de doces franceses na fundação.O sorriso eufórico de Lorena murcha na hora, sendo substituído por uma careta de pura solidariedade física.— Ai, Bê... nem me fale — ela solta um suspiro pesado, tombando a cabeça contra a almofada do sofá. — Se serve de consolo, eu não tenho um único conselho milagroso para te dar. Eu só tô aguentando firme aqui porque não tem outro jeito.Arregalo os olhos de leve.— Espero que seja diferente com você, mas aqui eu vomito até passar o dia à base de soro por conta da hiperêmese — Lorena desabafa com um ris
Terakhir Diperbarui: 2026-09-04
Chapter: 119. Doces franceses
BelindaApoio os cotovelos sobre a bancada de madeira escura da sala de restauração do segundo andar, com um catálogo de gravuras renascentistas aberto diante de mim. Minhas mãos suam frio contra o papel encorpado. Uma onda quente e enjoativa sobe pelo meu estômago.Do outro lado da mesa, Alejandro confere uma planilha de inventário com a caneta entre os dedos. Os olhos frios do meu tio se desviam dos papéis e cravam no meu rosto com uma lentidão desconfortável. Ele apoia a caneta sobre a madeira com um estalo seco.— Você está verde, sobrinha — a voz dele sai carregada da costumeira arrogância. — E está encarando essa mesma página há quase vinte minutos sem virar uma única folha. Engulo a saliva amarga com esforço, puxando o ar entre os dentes para disfarçar o tremor no queixo.— Apenas o ar abafado da sala, Alejandro — forço uma voz firme, mesmo sentindo a cabeça girar. — As janelas poderiam ficar mais abertas com esse calor.Alejandro estreita as pálpebras, me medindo de cima a b
Terakhir Diperbarui: 2026-09-04
Chapter: 118. Você venceu
BelindaAfasto o meu corpo devagar, descolando minha testa da dele.Olho nos olhos amendoados de Pablo, sentindo o carinho do toque dele ainda queimar na minha pele, mas a firmeza volta aos meus ossos num estalo.— Não, Pablo.O vinco na testa dele reaparece no mesmo segundo, desfazendo a expressão afetuosa.— Belinda...— Eu não vou abrir mão da fundação — digo, a voz soando calma, mas sem margem para recuo. — Eu não vou me trancar aqui dentro.Pablo solta o ar com força pelo nariz. Ele passa a mão na nuca, dando dois passos de lado no escritório antes de se virar para mim com os braços abertos num gesto de incredulidade:— Você ouviu o que eu acabei de falar? Eu não estou te pedindo isso por capricho. Estamos falando de fuzis de guerra na mão dos Conchiglias! De franceses querendo explodir o centro histórico para tomar as rotas! — E eu estou falando de sanidade, Pablo! — elevo o tom, dando um passo à frente. — Você quer me transformar em quem? Na minha mãe? Quer que eu viva com med
Terakhir Diperbarui: 2026-09-02
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