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48. Vem morar comigo

last update Data de publicação: 2026-08-19 20:46:59

Belinda

Estou sentada na beirada da cama king-size, com os pés descalços afundados no tapete felpudo da cobertura, observando os movimentos precisos de Pablo diante do espelho.

— Pablo, vamos conhecer aquele bistrô que inaugurou duas quadras daqui? — pergunto, antes de dar um gole na caneca.

Ele ajeita os punhos da camisa social, vira-se devagar e abre aquele sorriso discreto que sempre desarma qualquer resquício de mau humor.

— Quando você quiser, meu bem — ele diz, caminhando até mim. Ele se
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Último capítulo

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   118. Você venceu

    BelindaAfasto o meu corpo devagar, descolando minha testa da dele.Olho nos olhos amendoados de Pablo, sentindo o carinho do toque dele ainda queimar na minha pele, mas a firmeza volta aos meus ossos num estalo.— Não, Pablo.O vinco na testa dele reaparece no mesmo segundo, desfazendo a expressão afetuosa.— Belinda...— Eu não vou abrir mão da fundação — digo, a voz soando calma, mas sem margem para recuo. — Eu não vou me trancar aqui dentro.Pablo solta o ar com força pelo nariz. Ele passa a mão na nuca, dando dois passos de lado no escritório antes de se virar para mim com os braços abertos num gesto de incredulidade:— Você ouviu o que eu acabei de falar? Eu não estou te pedindo isso por capricho. Estamos falando de fuzis de guerra na mão dos Conchiglias! De franceses querendo explodir o centro histórico para tomar as rotas! — E eu estou falando de sanidade, Pablo! — elevo o tom, dando um passo à frente. — Você quer me transformar em quem? Na minha mãe? Quer que eu viva com med

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   117. O nosso bebê

    BelindaDeixo o quarto da minha mãe com o coração mais leve, mas com os passos firmes no chão de pedra. Subo direto para a ala oeste do segundo andar.Não vou adiar mais.Paro diante da pesada porta de madeira do escritório particular de Pablo. Bato duas vezes com os nós dos dedos.— Entra — a voz grave dele soa de dentro.Empurro a porta. Ao ouvir o clique da fechadura, ele ergue os olhos. O vinco tenso na testa dele se desfaz no mesmo instante.Ele tira os óculos, pousando-os sobre os papéis.— Belinda? — ele dá a volta na mesa devagar, os olhos atentos e suaves varrendo o meu rosto. — Você está pálida. A dor de cabeça não passou?Fecho a porta atrás de mim. Permaneço parada no centro da sala, apertando a alça da bolsa onde o teste continua guardado.— Não era enxaqueca, Pablo — digo, a voz saindo baixa, mas firme.Ele para a um passo de mim, inclinando a cabeça com um cuidado genuíno:— O que foi, então? Você está se sentindo mal?— Não é doença — respiro fundo, puxando o ar até a

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   116. O medo ainda está aqui

    BelindaFecho o notebook no quarto de Lauren e respiro fundo. Lauren apoia a mão no meu ombro antes de eu me levantar.— Vai dar uma volta? — ela pergunta.— Preciso falar com a minha mãe. Desço a escadaria monumental em passos silenciosos. O saguão está vazio.Cruzo o arco do térreo em direção à ala dos fundos, onde Ginevra instalou Aurora e Angélica. A porta do quarto da minha mãe está entreaberta. Bato de leve com a ponta dos dedos na madeira.Aurora está sentada perto da janela com vista para o jardim lateral. Ela segura uma xícara de chá entre as mãos trêmulas, com um xale escuro sobre os ombros e os cabelos grisalhos presos num coque frouxo. Ao me ver na soleira, ela apoia a xícara no pires sobre a mesa pequena e se ajeita na poltrona.— Belinda... — a voz dela sai baixa, cautelosa. — Você quer entrar?Entro no cômodo, puxo a cadeira de madeira estofada à frente dela e me sento. Cruzo os dedos sobre o colo, sentindo o arrepio do vento que passa pelas frestas de vidro.Ficamo

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   115. Contraste

    BelindaAcordo no dia seguinte com a boca amarga e o peso do teste de gravidez queimando na gaveta da minha cabeceira. O sol da manhã entra pelas frestas das cortinas pesadas, mas não traz calor nenhum para o quarto.Assim que abro a porta para ir ao banheiro, dou de cara com Pablo no corredor. Ele veste calça social escura e uma camisa de linho cinza com as mangas dobradas até a metade dos antebraços.Ele para no mesmo instante, os olhos escuros descendo pelo meu rosto com atenção redobrada.— Bom dia — a voz dele soa grave, mas cuidadosa. — A dor de cabeça passou? Você mal saiu do quarto ontem.Desvio o olhar rápido para o chão, dando meio passo para trás em direção ao batente.— Tô bem melhor — respondo num tom seco, forçando a voz a não tremer. — Só... preciso de um banho e de um café.Ele dá meio passo à frente, erguendo a mão para afastar uma mecha solta do meu cabelo:— O médico da família está disponível se você ainda estiver indisposta com a fundação —— Eu já disse que estou

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   114. O mesmo ciclo

    Belinda11h42.Os ponteiros dourados do relógio de parede no gabinete de restauração parecem se arrastar.— Esta coleção de gravuras florentinas do século dezesseis requer cuidados específicos de temperatura — a voz monótona do curador-chefe ecoa pelas estantes de carvalho. Ele aponta com uma pinça para o catálogo aberto sobre a mesa. — A senhora compreende a importância da conservação dos manuscritos?— Perfeitamente — respondo no automático.Minha mão direita repousa sobre a bolsa no meu colo, apertando o zíper onde o bastonete com as duas linhas vermelhas continua guardado. A cada respiração, sinto o tecido do vestido apertar contra o meu estômago.— Podemos encerrar por hoje? — pergunto, cortando a fala do homem antes que ele abra o terceiro volume. — Tenho compromissos na propriedade.O curador pisca, surpreso com o corte abrupto, mas se curva num aceno respeitoso.— Claro, senhora. O carro da escolta já foi notificado.Levanto-me sem olhar para trás. Cruzo o corredor de piso enc

  • Cláusulas para Não se Apaixonar   113. Dois traços

    BelindaO gosto amargo queima o fundo da minha garganta. Apoio as duas mãos na parede do corredor, sentindo as pernas bambas ameaçarem ceder.— Belinda! — a voz de Pablo soa atrás de mim, os passos pesados dele se aproximando rápido.— Não encosta em mim — balbucio, limpando a boca com as costas da mão trêmula.Não olho para trás. Ignoro a expressão petrificada de Angélica e o olhar assustado da minha mãe no saguão. Agarro o corrimão de ferro da escadaria monumental e começo a subir os degraus de dois em dois, arrastando o corpo com o pouco de ar que me resta. A cada passo, o estômago se contorce em nós secos e a cabeça gira em ondas de calor.Passos rápidos e leves sobem a escada logo atrás de mim.Empurro a porta do meu quarto na ala leste e entro tropeçando no tapete. Vou direto para a pia do banheiro integrado, abrindo a torneira com força para enxaguar a boca e jogar água gelada no rosto.Lauren entra no quarto e bate a porta com o calcanhar, trancando a fechadura.Ela para na s

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