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CAPÍTULO 89

last update Data de publicação: 2026-07-15 19:46:56
O amanhecer no hospital trouxe uma luz cinzenta e fria que atravessava as grandes vidraças da sala de espera VIP. Eu não tinha pregado o olho. Minhas roupas ainda carregavam a umidade da tempestade da noite anterior, e meus músculos doíam pelo cansaço e pela tensão acumulada. Mas o meu peito estava infinitamente mais leve: Lucas havia sobrevivido à cirurgia. Ele estava respirando com a ajuda de aparelhos na UTI de observação, estável, lutando como o guerreiro que sempre foi.

Eu estava sentada
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    Capítulo 45 — O Peso do AlvorecerMayaA luz pálida do amanhecer começou a rasgar a névoa grossa que cobria o jardim de Avelar, projetando sombras compridas sobre o chão do quarto. Eu não havia dormido quase nada. Depois que voltamos do quiosque de pedra, ficamos deitados em silêncio naquela cama enorme. Lucas mantivera o braço firme ao redor da minha cintura durante toda a madrugada, me prendendo ao seu peito como se o mundo lá fora pudesse nos engolir a qualquer momento. Sentir o pulsar constante do seu coração contra as minhas costas fora o meu único porto seguro contra os resquícios do pesadelo.Quando o despertador mudo da luz do dia finalmente invadiu a suíte, Lucas já estava de olhos abertos, encarando o teto de gesso. O rosto dele parecia esculpido em mármore frio: o maxilar tenso, as olheiras marcadas pela exaustão e o olhar perdido em um turbilhão de pensamentos indigestos.Sentando-me no colchão, passei os dedos suavemente pelos cabelos escuros dele, afastando os fios que c

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    Capítulo 44: Remendos e Histórias MayaA brasa na ponta acendeu-se em um alaranjado vivo e intenso. A fumaça quente invadiu meus pulmões, e eu a segurei por um instante antes de soltá-la devagar, em um jorro denso e cadenciado que subiu em direção às vigas de madeira do quiosque. Não me engasguei. Não tossi. Não hesitei por um único milissegundo.Quando abri os olhos, encontrei Lucas me encarando com as sobrancelhas erguidas no topo da testa. A expressão fria e distante que ele ostentara a noite toda dera lugar a uma rara e genuína estupefação.— Eu tive que sobreviver e encontrar algumas saídas de muitas formas, Lucas — comentei suavemente, mantendo o cigarro entre o indicador e o médio, observando o fio de fumaça que subia. — Quando a vida te joga num canto escuro muito cedo, você aprende que a moralidade pura não enche barriga e nem acalma o pânico. Naquelas noites em que a dor parecia maior do que a minha capacidade de respirar, eu encontrava escapes onde podia. O cigarro, uma do

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    Capítulo 43 — Pesadelos e Fumaça MayaO silêncio daquele quarto de hóspedes na mansão de Victor não era um silêncio comum; ele possuía uma densidade física, um peso sufocante que parecia achatar meu peito contra o colchão. Abri os olhos de sobressalto, o ar faltando na garganta em um hausto doloroso. Minha respiração vinha em arfadas curtas e desordenadas, enquanto o coração martelava feito um louco contra as costelas, ameaçando rasgar a pele.O suor frio colava vários fios de cabelo na minha testa, e o tremor que me dominava não vinha do vento gélido da madrugada de Avelar. Vinha do subconsciente. De um pesadelo tão visceral que a sensação tátil de pavor ainda repousava viva sobre os meus braços.O sonho me arrastara, sem piedade, de volta para o fundo do poço. Para a noite em que meu mundo ruiu.Na memória distorcida pelo sono, o som ainda era assustadoramente nítido: o ranger seco da madeira da porta sendo arrombada, o estalo metálico da tranca cedendo e a invasão daqueles passos

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    Capítulo 42 — A fumaça e as cinzasLucasO frio da madrugada de Avelar me atingiu como uma lâmina assim que cruzei a porta de vidro que dava para o jardim dos fundos. A névoa espessa repousava sobre a grama úmida, e o silêncio da propriedade era absoluto, quebrado apenas pelo sussurro do vento entre as copa dos pinheiros.Caminhei até o quiosque de pedra, longe do alcance das luzes da mansão. Minhas mãos tremiam sutilmente — não pelo vento gelado que cortava o tecido fino da minha camisa escura, mas por uma tempestade interna que ameaçava rasgar o meu peito ao meio.Enfiei a mão no bolso do sobretudo que pegara no cabideiro do hall antes de sair. Meus dedos tocaram a caixinha de papelão rígido e o maço de metal.Eu estava tentando parar. Havia quase um ano que eu não acendia um único cigarro, uma promessa silenciosa que fiz a mim mesmo quando decidi organizar minha vida em Veridia, quando comecei a acreditar que poderia ter um futuro limpo. Mas hoje... hoje a razão não tinha força suf

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    Capítulo 41 — O Lado Escuro do EspelhoMayaO ar no ambiente da sala de jantar parecia ter sido sugado por um vácuo absoluto. O silêncio que se seguiu à fala entrecortada de Isadora não era apenas tenso; era sufocante, denso como a fumaça de um incêndio reprimido.Victor levantou-se em silêncio e fez um sinal discreto para Theo. O garoto, percebendo que tocara em uma ferida antiga e exposta, não protestou. Abaixou a cabeça e seguiu o pai para fora da sala, deixando para trás apenas a fresta de uma porta fechada e o eco da própria revelação.Lucas permaneceu imóvel. Cada músculo do seu corpo estava rígido, a mandíbula travada com tamanha força que me fez temer que seus dentes fossem rachar. Os olhos castanhos, que há pouco brilhavam com o calor do nosso amor e a leveza da sobremesa, haviam se tornado duas lâminas de gelo cravadas na irmã.— A nossa mãe — Lucas disse. A voz não era um grito; veio num sussurro baixo, cavernoso, mais perigoso do que qualquer explosão de raiva. — Você colo

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    Capítulo 40 — O Eco da CeiaMayaO tilintar dos talheres de prata contra a porcelana fina tentava, a todo custo, preencher o espaço onde a minha vergonha ainda ecoava. Eu mantinha os olhos fixos no prato, concentrada em cortar a carne assada com uma precisão cirúrgica, enquanto o calor nas minhas bochechas finalmente começava a dar trégua.Apesar do meu início desastroso, o jantar fluiu com uma leveza acolhedora. A mesa estava farta com pratos caseiros refinados: assados suculentos, risoto de cogumelos e saladas coloridas que exalavam aromas reconfortantes. A conversa girava em torno de assuntos cotidianos, amenidades sobre a rotina de Avelar e os avanços da Fundação Maya, permitindo que o clima de celebração se estabelecesse de forma natural.Theo era o motor daquela mesa. O garoto não parava de falar um segundo, transitando de histórias sobre a escola para teorias mirabolantes sobre jogos de videogame, sempre pontuando suas falas com tiradas afiadas que faziam até mesmo a postura rí

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