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Contratei um Mafioso sem Querer
Contratei um Mafioso sem Querer
Auteur: Sylvvia

1. Voltar a Ser Completa

Auteur: Sylvvia
last update Date de publication: 2026-03-05 03:17:14

ISADORA GUERRA

Sim, contratei um acompanhante sem saber que era um mafioso.

Só depois do encontro, soube que se tratava de Don Lorenzo Maranzano.

Então, ele se achou no direito de me sequestrar.

O odiei por isso, mesmo sendo para minha proteção.

Agora? Olha para mim aqui: tô meio bêbada, assistindo a seu casamento com outra... ah, não, Lorenzo, depois de me fazer te amar?

Não mesmo. Isso não vai ficar assim!

***

Umas Semanas Antes...

Despertei com o som de uma galinha cacarejando.

Até passou pela minha cabeça a ideia de estourar o celular na parede. Felizmente, lembrei que escolhi aquele alarme de propósito: de tão irritante, era capaz de me arrancar dos pesadelos com meu ex, Jonas. Apesar da irritação, era melhor do que acordar com os gritos dele. Ou com o silêncio de quando ele me trancava no quarto, por vários dias. Mutei o aparelho e encarei o teto decorado com adesivos fotoluminescentes, em formato de estrelas. Durante o dia, absorviam a luz e, à noite, brilhavam. Na manhã seguinte, voltavam a desaparecer na cor branca do gesso.

"Por que só no escuro as estrelas conseguem brilhar?", filosofei brevemente, afinal, filosofar não pagaria minhas contas.

Com grande esforço, me sentei na cama. Às vezes, meu corpo parecia prestes a se partir, como se eu fosse uma boneca de porcelana jogada no lixo.

As paredes do quarto eram pintadas num tom azul-bebê. Também eram repletas de adesivos: foguetes e astronautas numa missão secreta. Havia ainda uma estante de livros infantis e bonecos de super-heróis: era o quarto de Noah, filho dela, que passava uma temporada com o pai, na Rússia. Em breve, ele voltaria.

Havia alguns meses que eu morava no apartamento de Camila, desde que fugi de Jonas e ele foi preso. Ela, a amiga da faculdade com aquela vibe de mãezona, me acolheu sem fazer muitas perguntas. E eu precisava me mudar antes do pequeno Noah regressar. Não queria ser a amiga intrusa. Precisava trabalhar o dobro para levantar uma grana e vazar o quanto antes.

Ao sair do quarto, como nos desenhos animados, cheguei a ver o cheiro de torradas me puxando para a cozinha. E me deixei ser levada para encontrar Camila cantando uma música em inglês. Ela dançava enquanto esperava a cafeteira apitar.

 — Acordou, Bela Adormecida? — brincou, sem olhar na minha direção. — Sonhou com príncipes ou com sapos?

 — Com boletos atrasados. E, pra ser sincera, tô preferindo sapos falantes a príncipes.

Apenas riu em resposta. Mesmo em um moletom velho, com o cabelo preso de qualquer jeito e de pés descalços, parecia mais firme que o prédio antigo onde morávamos.

 — Tem cliente hoje. Pediu diretamente por você.

 — Diretamente? Como assim?

 — Disse que ouviu falar das suas mãos milagrosas num meeting de empresárias. Está passando por problemas difíceis e acredita que uma massagem com... sensibilidade... poderia ajudar. E, antes que você pergunte: é mulher. Relaxa.

Como relaxar se, nos últimos dias, minha vontade era correr até sumir?

 — Seria muita sacanagem você me pedir para massagear homens, depois do que passei, né? Não tô pronta. Nem sei se estarei um dia.

 — Eu nunca faria isso. — Me fitou com um olhar maternal, sem deixar, no entanto, sua visão de empresária. — E, de certa forma, o spa é seu também. Você me ajudou a montar tudo. Se quiser atender só mulheres, ótimo. Se quiser ficar na recepção também. Só não se sabota no meio do caminho.

Permaneci observando o vapor do café, até que soltei:

 — Eu não tô me sabotando. Tô só... testando o terreno. Passo a passo, não é isso que diz a música que você estava cantando?

 — Além de testar o terreno, você está carregando um bote inflável, um GPS e um sinalizador. Gosto muito do sinalizador, inclusive. Fica mais fácil de eu te encontrar. O importante mesmo é que você tá indo. Seguiremos juntas e não vamos parar!

 — Você acha que voltarei a ser uma profissional completa? Melhor dizendo, uma pessoa completa?

 — Eu acho que você já está sendo, só não percebeu ainda.

Assenti, como se concordasse cem porcento. Embora fosse reconfortante ouvir aquelas palavras, eu me sentia bem longe de ser completa.

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