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2. Tudo Começou numa Massagem

ผู้เขียน: Sylvvia
last update วันที่เผยแพร่: 2026-03-05 03:19:28

O verão em Verticália era pegajoso.

Embora se situasse no Distrito Central, a clínica ficava a poucas quadras de onde morávamos. Por isso, íamos a pé. Camila seguia à frente, com os passos de quem sabe o que quer da vida. Eu tentava aproveitar cada pedacinho de sombra pela calçada, torcendo para que suor não colasse a blusa nas minhas costas. A fachada da clínica era discreta: uma porta verde-clara com uma placa, onde se lia "Espaço Ombros Leves". Um nome para não atrair tarados nem afugentar donas de casa.

Por dentro, o ambiente era modesto. Duas poltronas de vime na recepção, almofadas floridas, um difusor em seu trabalho de aromatizar o ambiente. Além disso, quadros de anatomia misturados a ilustrações de flores, mãos entrelaçadas e frases de empoderamento.

Tudo ali era feminino e feminista.

Minha sala era a última do corredor. De paredes claras, uma maca no centro, uma estante com óleos e toalhas dobradas — tudo que eu precisava para trabalhar. Uma pequena janela com cortina de renda deixava a luz do dia entrar sem, no entanto, incomodar a vista. Com um pano úmido deslizando sobre o couro, comecei a limpar a maca em movimentos automáticos. Era o único momento do dia em que me sentia no controle — menos dos meus pensamentos, que pareciam presos ao passado.

A campainha tocou.

Pouco tempo depois, passos de salto alto ecoaram pelo corredor. Primeiro, uma leve batida; logo em seguida, a porta se abriu. A mulher, que surgiu à minha frente, trazia um bronze bonito na pele; seu cabelo caía pelos ombros em cachos volumosos; em seu corpo, um vestido de alças com estampas de rosas. Era bonita de um jeito que poderia ser uma modelo. Só que sua atitude não era de quem dominava as passarelas, mas de quem comandava tudo dos bastidores.

 — Boa tarde — saudei, em tom profissional. — Eu sou a Isadora. Seja bem-vinda.

 — Boa tarde, sou Amélia — seu olhar curioso analisava cada detalhe do ambiente.

 — A massagem dura cerca de cinquenta minutos. Uso óleo aquecido e movimentos de relaxamento profundo. Se sentir qualquer desconforto, é só me avisar. O toalete fica ali. Você pode se despir e voltar de lingerie.

A cliente assentiu e seguiu na direção indicada. Respirei fundo, buscando me concentrar no zumbido do ventilador. Quando voltou — completamente nua— , deitou-se na maca com naturalidade. Cruzou os braços sob a cabeça, deixando os seios mais expostos. Sua pele bronzeada ficou ainda mais dourada sob a luz. Relaxada, de olhos fechados, como os de quem se prepara para dormir.

 — Com final feliz, né? — pediu.

Não foi a primeira vez que recebi aquele pedido, nem seria a última. Ainda assim, cada vez era um pequeno terremoto. "Foco, Isadora", ordenei a mim mesma. "Até uns meses atrás, isso não seria um problema." A feição dela demonstrava que não estava brincando, nem provocando — só pedindo, com a certeza de que tinha o direito. Me apeguei ao valor da sessão: três vezes mais. Se todas as clientes sempre pedissem por isso, eu desocuparia o quarto do Noah em pouco tempo. Refleti sobre o que podia controlar — e no que estava muito além do meu controle.

 — Vamos começar com a cervical — expliquei, passando uma boa quantidade de óleo nas mãos. — Depois, passamos para a lombar.

Um sorriso estampou seu rosto; seu corpo se entregou ao toque. Sua expressão emanava confiança e consentimento. "Será que um dia vou conseguir voltar a me entregar assim? A quem eu quero enganar? Eu sei que não", viajei em pensamentos. Ela abriu os olhos por um instante.

 — Você tem mãos tão firmes. Boas para massagem, também ótimas para manusear armas.

Parei por um segundo, querendo entender o significado daquela frase. Depois, continuei o movimento — não era como se eu tivesse escolha. Mas, por dentro, algo se acendeu: um arrepio na espinha que pareceu um alerta. Aquela mulher não tinha ido ao spa só para contratar meus serviços — disso, eu tinha certeza. Só que, naquele dia, eu não tinha como adivinhar qual era seu verdadeiro motivo.

Hoje, sei bem: ela desejava conhecer a mulher que sobreviveu a Jonas Guerra.

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