Se connecterValerius Von ValkisLos Angeles, Califórnia.Passava da meia-noite quando entrei no quarto. A iluminação estava reduzida ao mínimo, apenas o brilho difuso dos balizadores embutidos no rodapé de concreto, desenhando linhas fracas pelo piso. O vento das colinas batia contra a fachada externa, mas a espessura dos vidros blindados isolava o interior em uma calmaria absoluta.Thalia não estava deitada. Ela permanecia sentada na poltrona perto da janela de correr, observando a escuridão do desfiladeiro. Ela não usava mais os curativos pesados no ombro, apenas uma proteção leve de gaze que eu mesmo havia revisado horas antes. Sua postura estava visivelmente modificada; a fraqueza que a obrigava a se apoiar nos travesseiros havia cedido lugar a uma firmeza discreta. Seus ombros estavam alinhados, e a respiração movia seu peito com uma cadência saudável.A velocidade de sua recuperação continuava a surpreender os médicos no subsolo, mas para mim, aquilo era apenas a confirmação de que o isolam
Thalia D'Ávila O crepúsculo transformava as colinas de Los Angeles em uma sequência de silhuetas escuras contra um céu de tom violeta. Dentro do quarto, o perfume dos novos buquês de jasmins e rosas parecia mais denso com a queda da temperatura externa. Eu permanecia imóvel na cama, observando o teto de concreto polido, ouvindo o silêncio quase absoluto daquela fortaleza.Sob os lençóis de algodão, a realidade do meu corpo era muito diferente daquela que os médicos de Valerius registravam em seus relatórios. A queimação sob a minha pele havia cessado; as fibras musculares rasgadas e os vasos sanguíneos danificados pelos instrumentos de Victoria estavam praticamente reconstruídos. Minha herança de loba trabalhava sem descanso no escuro, soldando cada lesão com uma eficiência que desafiava a ciência humana. Ao mesmo tempo, a linhagem de bruxa que corria em minhas veias restabelecia o fluxo da minha energia latente, limpando os últimos vestígios dos bloqueadores sintéticos.Eu estava qu
Valerius von valkisO sol da Califórnia batia contra os painéis de vidro blindado do corredor com uma intensidade que eu ainda considerava incomum. Em Nova York, a luz da manhã precisava lutar contra a barreira cinzenta dos arranha-céus e a fumaça da cidade antes de tocar o chão. Aqui, ela simplesmente caía, limpa e quente, sobre o concreto polido da propriedade.Abri a porta do quarto com menos rigidez do que nos dias anteriores. O doutor Harris havia assinado o relatório matinal confirmando que os níveis do supressor químico no organismo de Thalia tinham caído para a margem de segurança. Ela não precisava mais ficar confinada ao leito, ligada aos fios e monitores que eu tanto insistira em manter por precaução. O isolamento havia cumprido sua função médica; agora, começava a fase da recuperação física real.Thalia estava sentada na ponta do colchão. Ela vestia uma roupa simples, de algodão macio, que eu mandara comprar em uma loja local para substituir as vestes hospitalares que a l
A claridade nas colinas de Los Angeles mudava de tom de forma muito mais rápida do que em Nova York. Através das frestas da persiana blindada, vi a luz dourada do amanhecer dar lugar a um tom mais claro, quase branco, que cortava o quarto em linhas retas. O cheiro dos novos buquês de flores vermelhas e brancas espalhados pelos cantos ainda era intenso, misturando-se com o aroma do sabão neutro dos lençóis limpos.Eu estava acordada há algum tempo. Sob as cobertas, movi meus dedos e contraí os músculos do abdômen com cautela. A queimação interna nas minhas costelas havia diminuído consideravelmente. Minha linhagem lupina estava fazendo o trabalho pesado no escuro, soldando os tecidos que os cientistas de Victoria haviam danificado com suas ferramentas de metal. Eu conseguia sentir a coceira típica da carne se reconstituindo sob a pele. No entanto, externamente, eu precisava manter a rigidez. Se eu me levantasse ou demonstrasse que conseguia suportar meu próprio peso sem dor, os médico
Valerius Von ValkisColinas de Los Angeles, Califórnia.O monitor principal do meu escritório tático piscou em vermelho. Gideon entrou no ambiente sem esperar minha permissão, segurando um terminal portátil isolado. A rigidez em seus ombros indicava que a trégua forçada pela distância havia terminado.— Senhor — disse Gideon, estendendo o aparelho. — Conseguiram quebrar o primeiro nível do nosso bloqueio de dados. É uma tentativa de transmissão direta de Nova York.Olhei para a tela. O código de autenticação na parte superior pertencia ao terminal pessoal de Victoria. Minha mãe estava usando canais de contingência de alta prioridade, aqueles reservados para crises financeiras globais da fundação, apenas para forçar uma abertura na minha rede privada.— Ela não está usando força militar — continuou Gideon. — Os intermediários dela enviaram um aviso prévio junto com o sinal. Victoria quer uma chamada confidencial. A justificativa oficial é reajustar o controle dos investimentos na costa
Thalia D'AvilaColinas de Los Angeles, Califórnia.Minhas pálpebras pesavam como placas de chumbo. Havia uma névoa densa e química obscurecendo minha mente, um rastro persistente dos sedativos que os cientistas de Victoria injetaram nas minhas veias durante dias. Eu tentava puxar o ar, esperando aquela queimação familiar na garganta, mas algo estava diferente.Não havia o zumbido mecânico dos servidores industriais. Não havia o cheiro estéril de ozônio purificado, nem o odor metálico de sangue antigo que impregnava o subsolo de tortura em Nova York. O ar que entrou nos meus pulmões era quente, seco e carregava um toque quase imperceptível de poeira e terra crestada pelo sol.Abri os olhos devagar, piscando contra a claridade. A luz que cortava as frestas das cortinas grossas não vinha daquelas lâmpadas fluorescentes brancas e impiedosas do laboratório. Era uma claridade dourada, suave, que desenhava linhas longas pelo chão de concreto polido e móveis de madeira escura.Eu não estava m







