Mag-log in“Juliet Whitmore”O absurdo que ouço é tão grande que perco dois segundos só para desviar os olhos para o meu filho.“Quem ele vai ser.”Quase rio.Só agora meu filho descobriu que escolher é uma opção. Eu nunca quis que ele escolhesse. Quis que ele servisse e serviu muito bem.Até hoje, pelo visto.Os faróis se aproximam, me obrigando a olhar para fora novamente.Pelo vidro rachado, vejo os carros parando em fila, as portas se abrindo, as lanternas, os coletes…E, descendo de um SUV preto, um homem alto, de casaco escuro.Dante.Ele não corre. Não grita. Apenas para ao lado do carro e olha para a casa como quem olha para um problema que já resolveu.E é isso que me dá raiva. Não as viaturas, nem a traição do meu filho.A calma desse bastardo.Tanto tempo dedicado a derrubá-lo, e o homem sequer parece cansado.— Você contou a ele — murmuro, voltando a olhar para Dylan. — Você me vendeu.— Eu não vendi nada — responde, calmo. — Você que me trocou por uma bolsa que nem estava aqui.Ele
Juliet não desvia os olhos de mim, como se esperasse que eu finalmente admitisse que estou mentindo. Quando percebe que não vou dizer nada, ela respira fundo e volta a se sentar, esfregando a mão no rosto. — Filho, não é hora de brincadeiras. Realmente preciso desse dinheiro. Então, ainda com a mão sobre o rosto, ela começa a tremer os ombros, e as lágrimas descem, na hora certa, claro. Já vi esse choro antes, em uma reunião do conselho, quando ela convenceu todos de que me colocar à frente da empresa seria o último desejo do meu avô. Funcionou naquela época. E funciona agora, pelo menos na parte de mim que ainda quer acreditar. Que pena que essa parte seja tão pequena agora. — Sei que estou errada em te pedir isso, Dylan — continua, enxugando uma lágrima. — Errei em fazer o que fiz, mas foi desespero! Seu tio me roubou tudo. Ele acabou com a minha vida. Passo a língua pelos lábios e desvio os olhos por um instante. Conheço essa versão da história. Sempre a ouvia quando ela
“Dylan Whitmore”A estrada de terra virou um rio.Percebo isso tarde demais, quando as rodas escorregam e o carro desliza para o lado.— Porra… — murmuro, apertando o volante com força na tentativa de estabilizar a direção.Reduzo para trinta, depois para vinte.A chuva cai com força, e os faróis iluminam apenas lama, capim encharcado e uns trinta metros de estrada antes de tudo desaparecer na escuridão.Não há postes, casas ou outros carros por perto.É exatamente o tipo de lugar que a minha mãe escolheria.O relógio do painel marca 20h44. Cheguei dezesseis minutos antes do combinado.Sei exatamente quanto tempo tenho porque passei o dia inteiro fazendo essa conta. Passei as mesmas horas me perguntando se deveria ou não continuar com isso.No fim da estrada, em meio às árvores altas, encontro uma casa velha de madeira escura, com o teto curvado para baixo, como se fosse desabar a qualquer minuto.Uma luz fraca brilha em uma das janelas. Uma só.Desligo o motor, mas não saio do carro
“Dante Ferretti” O celular está sobre a mesa, com a tela virada para cima. Faz dez minutos que encaro o aparelho como se isso fosse suficiente para fazer alguma coisa mudar. Mas nada. Nenhuma notificação. Nenhuma chamada perdida. Só o relógio marcando 8h07 de domingo e a foto dos gêmeos ao fundo, no papel de parede. Esperei uma ligação o dia inteiro ontem. Às seis da manhã de sábado, já estava de pé, com o café esfriando ao lado do aparelho. Ao meio-dia, Hoffman ligou. Um dos homens responsáveis por vigiar o prédio de Dylan o viu receber um delivery. À meia-noite, apaguei a luz da sala e fiquei olhando para o celular no escuro. Mas Dylan não ligou. Não falou absolutamente nada. O sábado terminou sem uma única mensagem dele. Hoje começou do mesmo jeito. — Isso está frio demais — a nonna resmunga, do outro lado da mesa, com o dedo dentro da xícara. — Mamma, se não tivesse levado cinco minutos para decidir qual xícara usar, talvez o café ainda estivesse quente. — Demorei porq
Caleb fica em silêncio por alguns segundos, ainda com os olhos úmidos. Então limpa o rosto com a mão livre e solta um suspiro exagerado. — Certo. Pronto. Chega de emoção por hoje. Estou tentando me recuperar de um tiro, não de uma sessão de terapia. Rio baixinho. — Você começou a chorar antes de mim. — Calúnia. É efeito da sua anestesia isso. — Ah, claro. A anestesia está me fazendo ver coisas também? — Provavelmente isso. Balanço a cabeça, rindo, e aperto a mão dele. Caleb volta a observar as fotos no celular, passando de uma para outra com cuidado, como se quisesse guardar cada detalhe na memória. — Eles são lindos, Amy — murmura, me puxando para perto. — Obrigado. — Eu que agradeço. Quando nos separamos, a televisão continua ligada, mas nenhum de nós presta atenção nela. Caleb me devolve o celular e me olha de um jeito diferente, mais cuidadoso. Sinto o ar mudar. — Amy, eu… vi as notícias quando acordei. Engulo em seco. É claro que esse momento chegaria.
Tento adivinhar para onde estamos indo, mas nenhuma possibilidade parece combinar com o perfil cuidadoso do meu marido. Ele nunca me levaria a um lugar que pudesse colocar minha recuperação em risco. Muito menos agora, depois de tudo o que aconteceu. Vinte minutos depois, o carro para em frente a um prédio branco e alto, com uma cruz vermelha. Meu coração dá um salto. — Você me trouxe para ver meu irmão? — pergunto, sorrindo. — Sim. Liberaram a visita pela manhã — Dante explica. — Então imaginei que te trazer aqui aliviaria um pouco o peso que você sentiu hoje. — Obrigada — murmuro, tentando manter a voz firme. — É o mínimo que você merece, Piccola. Meu marido se inclina e beija meus lábios devagar. Quando saímos do carro, uma enfermeira já nos espera na entrada com uma cadeira de rodas. Dante me ajuda a me sentar, com cuidado, e empurra a cadeira. Passamos pelo saguão, pelo elevador, por dois corredores… Dois seguranças nos acompanham a dois passos de distância, discretos







