Mag-log inEla está parada perto do balcão das enfermeiras, segurando um copo de café com as duas mãos, como se precisasse de algo em que se apoiar. Quando me olha, meus pés parecem travar no lugar. — Amy — diz, quase num sussurro. Dante endireita os ombros ao meu lado. Aperto a mão dele uma vez, num gesto breve, e ele entende. Solta meus dedos e dá um passo para trás, se afastando sem tirar os olhos de mim. — Posso falar com você? — ela pergunta, se aproximando devagar. — Só um minuto. Quero dizer não. Meu corpo todo quer dizer não. Mas alguma coisa me impede de responder. Talvez seja o jeito como ela segura o copo, com os dedos apertados contra o papelão. Ou talvez seja apenas porque, apesar de tudo, ela ainda é minha mãe. E odeio que isso continue significando alguma coisa. — Um minuto — respondo, por fim. Ela solta o ar e sorri de leve. — Obrigada. Desvio os olhos para Dante, parado a alguns metros de distância. Sua expressão deixa claro que basta um gesto meu para
Já faz vinte minutos que tento me despedir dos meninos, mas sempre invento alguma desculpa para ficar mais um pouquinho. Primeiro, inventei de ajeitar a mantinha do Leo. Depois, precisei conferir se Caleb estava confortável. Em seguida, decidi que os dois mereciam mais um beijo, porque, aparentemente, os que dei há menos de dois minutos já não eram suficientes. Agora, não vejo mais nenhuma desculpa para ficar aqui um pouco mais, porque os dois já voltaram para as incubadoras e dormem tranquilamente. Leonardo está com a mãozinha fechada debaixo do rosto. Caleb, com a boquinha entreaberta e a barriguinha subindo e descendo em respirações curtas. Os fios e aparelhos já não fazem mais parte da rotina deles. Agora, eles precisam ficar aqui até ganharem peso suficiente para ir para casa, mas saber que estão bem não torna a espera mais fácil de suportar. — Eles estão bem, Piccola — Dante diz atrás de mim, em voz baixa. — Eu sei. — Então por que está há dez minutos olhando para eles
Uma semana depois… Existem coisas que a gente imagina tantas vezes que acaba acreditando que sabe exatamente como será quando finalmente acontecerem. Amamentar meus filhos é uma delas. Durante a gravidez, imaginei como seria segurá-los junto ao peito, sentir suas mãozinhas na minha pele e vê-los adormecer depois de se alimentarem. Na minha cabeça, tudo parecia tão natural que nunca me ocorreu ter medo desse momento. Até agora. Respiro fundo, olho para Dante, que está com Caleb no colo, e sorrio. Há alguns dias, começamos o método canguru, e ainda não encontrei palavras suficientes para explicar o que senti quando pude segurar meus filhos pela primeira vez. Tão pequenininhos, tão leves, que fiquei com medo até de respirar fundo demais. Meu marido, por outro lado, quase entrou em colapso. Foi engraçado ver o homem que consegue fazer uma sala inteira ficar em silêncio com apenas um olhar ficar completamente perdido diante de dois bebês. — Amor, apoia a cabeça dele — sussurro.
“Amy Ferretti” O relógio do celular marca 3h47 quando desisto de permanecer deitada na cama. Afasto a coberta com um movimento brusco e me sento, apoiando os pés no chão frio. Pego o celular e saio do quarto. Quando chego ao corredor, percebo que a casa inteira está em silêncio. Isabella e nonna dormem no quarto de hóspedes, alheias ao fato de Dante ter ido ao endereço que Dylan mandou. Me sento no sofá, desbloqueio o celular e releio a última mensagem de Dante. “Estamos a caminho, Piccola. Não estou sozinho.” A mensagem foi enviada às 20h31. Já se passaram mais de sete horas. — Droga, Dante — murmuro, respirando fundo. Ligo para ele pela terceira vez. Levo o aparelho ao ouvido e espero, pressionando os dedos da mão livre contra a coxa. Um toque. Dois. Três. A ligação cai na caixa postal. Abaixo o celular devagar e encaro a janela, tentando me convencer de que, se tivesse acontecido alguma coisa, eu já teria ficado sabendo. Notícias ruins chegam rápido. Sempre chegam. E é
O grito do paramédico parece atravessar o barulho da chuva. Dylan dá um passo na direção da ambulância antes mesmo de perceber que está fazendo isso. — Mãe… Seguro seu braço quando ele tenta avançar novamente, mas, dessa vez, não preciso fazer muita força. Porque logo ele para, com o olhar fixo no interior do veículo, como se pudesse obrigar alguém a encontrar uma solução simplesmente por não desviar os olhos. Dentro da ambulância, um dos paramédicos sobe na maca e posiciona as mãos no peito de Juliet. O outro conta em voz alta, num ritmo seco e constante. — Um, dois, três, quatro… A luz amarelada sob a maca ilumina o rosto de Juliet entre os movimentos. A cabeça balança a cada compressão, como se não pertencesse mais ao resto do corpo. — Preparando para desfibrilar! O outro paramédico afasta a jaqueta de Juliet, rasga a blusa e posiciona os eletrodos no peito dela. O aparelho emite um zumbido agudo e crescente. — Carga no desfibrilador — o segundo paramédico pede. — Afaste
"Dante Ferretti" A chuva continua forte quando finalmente chegamos ao local do acidente. À frente, as luzes das viaturas iluminam a estrada, refletindo no asfalto molhado e nas árvores que cercam o acostamento. Saio do carro ao lado de Dylan. Depois de poucos passos, avisto um sedã velho na lateral da pista. Ou o que sobrou dele. O veículo está destruído, com o teto colado ao chão e os vidros espalhados pelo asfalto. — Merda — ouço Hoffman murmurar atrás de mim. Paro, observando os destroços. — Mãe! Dylan dispara à minha frente, correndo em direção ao carro, mas um policial intercepta seu caminho antes que ele consiga se aproximar. — Senhor, precisa ficar para trás! — Ela está lá dentro! — Dylan grita, tentando se soltar. — Minha mãe está lá dentro! — Dylan! Chamo por ele, mas o rapaz sequer olha para mim. Continua tentando avançar, puxando o braço com tanta força que o policial precisa segurá-lo com as duas mãos. Me aproximo e agarro seu ombro. — Olha para mim.







