FAZER LOGINAcordo com o corpo inteiro dolorido. Não é ruim, só… diferente. Como se eu tivesse usado músculos que nem sabia que existiam.
Por um segundo, fico parada, de olhos fechados. Então as memórias voltam de uma vez só. O pub. O hotel. Dante. O jeito como ele me segurava enquanto eu gritava o nome dele contra os lençóis. Abro os olhos rápido demais e encaro o teto desconhecido. — Deus… que ele já tenha ido embora — sussurro, rouca. Viro o rosto para o lado, com medo de encontrar ele ainda dormindo. Mas o lugar ao meu lado está vazio. O lençol está bagunçado, frio. Me sento devagar, segurando o lençol contra os seios enquanto meu corpo protesta com cada movimento. A ardência entre minhas pernas faz minhas bochechas queimarem instantaneamente. — Meu Deus, eu realmente fiz isso. Minha primeira vez. Com um homem que conheci num bar. Solto uma risada baixa. Se alguém me contasse isso ontem, eu chamaria de surto. Antes que eu consiga me afundar na vergonha, a voz dele chega da varanda. Fria. Controlada. Assustadora de tão calma. — Não me importa o que ele prometeu. Resolva isso antes da reunião ou eu mesmo resolvo substituindo você. Congelo. A voz dele ao telefone é completamente diferente daquela que gemeu no meu ouvido ontem à noite. Ouço mais algumas palavras antes de ele desligar sem elevar a voz, sem repetir ameaças. Me levanto rápido demais e quase tropeço no próprio lençol. Depois me aproximo devagar da varanda, tentando não fazer barulho. Dante está de costas, apoiado no corrimão da varanda, usando apenas a calça social escura. O sol ilumina parte das tatuagens no antebraço dele. Mesmo agora, sóbria, ele continua intimidante. Bonito demais para ser real. Os cabelos castanhos escuros estão levemente bagunçados, e a barba baixa parece mais marcada do que ontem. Como se sentisse meu olhar, ele vira o rosto na minha direção. Seus olhos avelã descem pelo meu corpo enrolado no lençol, devagar, quase possessivos. Sinto o calor subir pelo pescoço. — Você encara todo mundo assim depois de transar com eles? — pergunto antes que o silêncio me engula viva. Ele inclina a cabeça levemente, com um meio-sorriso perigoso. — Só as que fingem que querem fugir, mas ainda estão molhadas só de me olhar. Reviro os olhos e me afasto dele antes que minha cara entregue o efeito absurdo que a voz dele continua tendo em mim. Encontro meu vestido dobrado perfeitamente sobre uma cadeira. — Até depois de destruir meu corpo esse homem continua organizado — murmuro, mordendo o lábio. Pego o vestido rápido demais, segurando o lençol contra a pele por um segundo antes de perceber o ridículo da situação. Ele já viu meu corpo inteiro. — Amy — Dante chama atrás de mim. — Para de agir como se tivesse matado alguém. Não precisa dramatizar a situação. Solto uma risada seca enquanto começo a me vestir. — Fácil falar quando sua vida provavelmente não virou do avesso nas últimas doze horas. — Então parece que minhas suspeitas estão certas. — Que suspeitas? — pergunto, levantando a sobrancelha. — Que você foi traída. Minhas mãos param no zíper do vestido enquanto observo Dante se sentar na beira da cama. — Você não sabe nada sobre mim. — Sei que entrou naquele bar querendo ser escolhida por alguém depois de ser descartada. Desvio o olhar imediatamente, terminando de vestir o vestido rápido demais. Dante se senta na beira da cama, mantendo os olhos em mim, esperando que eu me defenda. — Não precisa bancar o psicólogo, nem sentir pena de mim — murmuro, por fim. — Foi só sexo. — Pra mim foi. — Ótimo! Pra mim também. Você cumpriu muito bem o que eu precisava. Aliás, obrigada por isso, Dante. Pego os sapatos rápido demais e caminho até a porta antes que ele perceba meu rosto vermelho de raiva. Ou vergonha. Talvez os dois. — Posso chamar um carro — diz, sem se levantar da cama. — Não precisa se preocupar. — Não estou preocupado, mas é o certo. — Eu sei que provavelmente é — respondo, sem desviar o olhar. — Mas continua sendo não. Calço os sapatos sem me sentar, equilibrada em uma perna só, provavelmente parecendo ridícula, mas não vou dar a ele a satisfação de me ver procurando uma cadeira. Quando endireito a postura, ele ainda me observa do mesmo jeito. Abro a porta e paro com a mão ainda na maçaneta, mas sem me virar. — Espero que seu dia seja… menos complicado que o meu, Dante. — Com o sobrinho que tenho, provavelmente não vai ser — ouço-o resmungar. Nem me dou ao trabalho de questionar o comentário. Apenas saio sem olhar para trás. Quando as portas do elevador finalmente se fecham, solto o ar que estava prendendo. Dante. Sem sobrenome, sem número, sem nada. Deveria ser exatamente o que eu queria. Então por que algo dentro de mim diz que isso ainda não acaba aqui?Me viro e vejo uma senhora de uns cinquenta e poucos anos se aproximando.Cabelos claros presos em um coque elegante, vestido preto impecável e um olhar que passa por mim sem qualquer pressa.Ela não estende a mão nem sorri, apenas me observa.— Buonasera — digo, tentando ser educada.Ela arqueia uma sobrancelha, surpresa.— Parla italiano?Dante nega com a cabeça, respondendo algo em italiano. Ela suspira e tenho quase certeza de que só não revira os olhos por educação.— Chiara Ferretti — ela finalmente se apresenta, em inglês. — Prima de Isabella.— Amy. É um prazer conhecê-la.— Espero que sim.Chiara dá um gole no champanhe lentamente, sem tirar os olhos de mim.— Então, o que exatamente você pretende fazer aqui? — ela pergunta, sem rodeios.— Aqui?— Na Itália. Nesta família. Com Dante.A pergunta parece simples, mas o tom de voz dela transforma cada palavra em uma acusação.— Pretendo ficar — respondo, firme.— Mesmo?— Mesmo.Ela olha para minha barriga. Depois volta para o me
Dante solta uma risada baixa. — Essa é toda a sua autoconfiança? — Estou sendo realista. — Piccola… — Dante, estou prestes a entrar numa casa cheia de pessoas que provavelmente vão me analisar da cabeça aos pés, questionar sua escolha e descobrir em cinco minutos que meu italiano se resume a algumas palavras que você me ensinou. — Você sabe mais do que algumas palavras. — Sei dizer ciao, grazie, amore e vaffanculo. Ele fecha os olhos. — Eu definitivamente deveria ter pensado melhor antes de ensinar essa última. — Por quê? É uma palavra legal; a pronúncia parece… um elogio. Dante abre os olhos e me encara, assustado. — Por favor, não use esse elogio durante um jantar de família, ok? — Isso vai depender do comportamento da sua família. Ele ri alto e finalmente descemos as escadas. A casa está estranhamente vazia. Provavelmente, Teresa e Isabella já foram para o jantar, o que basicamente significa que demorei muito para me arrumar. Perfeito. Chegaremos atra
O cheiro de café fresco toma conta da sala de jantar, mas nem isso consegue afastar o sono que decidiu aparecer justamente agora.Passei a noite inteira revirando na cama, sem conseguir dormir direito.Agora, isso cobra seu preço.Tudo por culpa de um jantar. Por não saber o que me espera hoje à noite.Pelo menos minha sogra não está aqui para piorar meu nervosismo só com sua presença.E, aparentemente, não sou a única inquieta hoje.— Vocês dois também estão nervosos? — sussurro, olhando para a barriga.Passo a mão pelo ventre quando sinto um movimento mais forte do lado direito.O gesto é involuntário, distraído, mas Teresa percebe na hora.— Estão agitados hoje?— Estão.— Sabe por quê?— Imagino que seja alguma coisa que comi ontem.Teresa me encara por cima da xícara, nada convencida.— Ou é porque a mãe deles está uma pilha de nervos.Dante para de passar a geleia na torrada e olha para mim de lado.Sinto meu rosto esquentar.— Eu não estou…— Amy — ela interrompe, baixo —, seu
Assim que saímos da sala, finalmente consigo respirar direito. Dante segura minha mão e me leva de volta pelo corredor. — Você poderia ter me avisado. — Sobre o quê? — Sobre… isso. Que eu teria que enfrentar um tio-avô agindo como um segurança de aeroporto. Dante ri baixo. — Isso é o jeito carinhoso dele de dar boas-vindas. Paro de andar e encaro meu marido. — Você está brincando. — Um pouco. Giuseppe é direto demais. Sempre foi. — Direto? Ele praticamente anunciou que amanhã vai me colocar no centro de um tribunal familiar. — Não é um tribunal, Piccola. — Tem certeza? Porque ele falou “quando todos estiverem olhando” com uma tranquilidade que me fez sentir que deveria contratar um advogado. Ele solta uma risada e passa o polegar sobre os nós dos meus dedos. — Giuseppe gosta de testar as pessoas, mas você não precisa provar nada. Nem para ele, nem para ninguém. — Fácil falar. Não é você que vai estar sentada no meio de uma família italiana tentando descobrir se é digna
Franzo as sobrancelhas. — Antes que essa pessoa me encontre primeiro? Dante não responde imediatamente. O que, obviamente, só faz minha curiosidade aumentar. — Quem é essa pessoa? — insisto, tentando decifrar a expressão dele. — Você vai ver. — Dante, isso não é justo. — A vida raramente é, Piccola — ele responde, com um meio sorriso que não chega a aliviar nada. Permaneço parada no lugar enquanto ele segue em direção à porta. — Você está fazendo isso de propósito — murmuro, estreitando os olhos para ele. — Talvez. — Odeio quando você faz isso. — Não odeia. — Odeio, sim. — Você vai sobreviver. Ele inclina a cabeça, apontando para a porta. — Agora vamos lá. Vou te levar até ele. Solto um suspiro resignado e ando até ele, que ignora completamente meu olhar de “isso não vai ficar assim”. Dante me puxa para fora da sala e, instantaneamente, algumas pessoas levantam os olhos quando saímos, mas, dessa vez, tento não prestar atenção. O que é consideravelmente mais fácil qua
Valentina continua parada perto da porta.Eu permaneço olhando para ela.E Dante olha para nós duas como se estivesse tentando descobrir em qual momento exatamente sua manhã resolveu virar um problema.— Valentina — ele quebra o silêncio, num tom cuidadosamente neutro. — Não sabia que você estaria aqui hoje.— Estou aqui desde que voltei, há algumas semanas, Dante — ela responde, como se fosse óbvio. — Pensei que o Victor tinha comentado. Ele deve ter esquecido.— Ou eu não dei muita importância.Valentina arqueia levemente as sobrancelhas, mas o sorriso não vacila nem um pouco.No entanto, assim que desvia os olhos para mim, o sorriso diminui. Ela me olha de cima a baixo, demorando um pouco mais na barriga.— Amy, Milão realmente está te fazendo bem — diz, num tom falsamente doce. — Está até mais corada.— Talvez seja o clima — respondo, mantendo o mesmo sorriso educado.— Talvez.Dante continua em silêncio, observando nós duas.— Valentina, precisa de alguma coisa? — ele pergunta, s







