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Capítulo 6

last update publish date: 2026-08-25 07:45:40

Estava tomando café da manhã, quando recebi uma mensagem de Ana. Pedia para que eu ligasse para ela. Achei estranho, então fiz a chamada.

— Alô amiga. Podemos nos encontrar? Preciso falar com você.

— Alô! Claro, mas você está bem?

— Estou sim. Falamos quando estivermos juntas. Pode ser agora?

— Estou terminando meu café da manhã. Depois vou me vestir e vou encontrar você.

— Estou esperando no Café Azul, na esquina da minha rua.

— Eu vou até aí. Até já.

O que será que estava acontecendo? Estranhei o encontro tão repentino. Me apressei o máximo que consegui e saí para encontrá-la.

— Oi. — dei um beijo na testa dela. — Como você está?

— Oi. Na verdade, estou um pouco preocupada. — ela baixou bastante o tom de voz.

— O que aconteceu? — senti-me imediatamente alarmada.

— Adriana desapareceu. — olhou para mim. Lágrimas começaram a se formar em seus olhos.

— Desapareceu como?

— Ela não atendeu o celular durante dois dias, então fui até a casa dela.

— A mãe abriu a porta e estava chorando. Me contou que a filha tinha sido levada.

— Levada? Mas como assim? Por quem? — minha preocupação aumentava cada vez mais.

— Aqui não. Vamos sair.

Ela se levantou para pagar, e fomos para uma rua transversal.

— Por favor, Ana. Me explica melhor essa história.

— Ela foi levada por alguém do governo.

— Mas por qual motivo? — assim que fiz essa pergunta, lembrei-me da reação de meu pai quando contei o que tinha acontecido no restaurante três semanas atrás.

— Ela desrespeitou uma regra, lembra? — olhou para os dois lados da rua, certificando-se de que ninguém estava nos ouvindo.

— E o que vai acontecer com ela?

— Ninguém fala sobre o assunto. Não se sabe o que acontece. Nem é conveniente questionar.

— Não. Isso não está certo. Vou perguntar ao meu pai. Acho que ele sabe de alguma coisa. Quando contei para ele o que tinha acontecido, ele ficou preocupado demais.

— Ele deve apenas saber que as pessoas desaparecem.

— Ela vai voltar?

— Eu não sei. Espero que sim.

Nós nos abraçamos e choramos durante algum tempo.

— E Vitória, já sabe disso?

— Ainda não. Liguei para você primeiro. Mas penso que ela já foi para sua casa com o bebê.

Passamos o resto do dia juntas. Faltava alguma coisa. Sabia que Ana sentia exatamente o mesmo, mas nenhuma de nós tocou mais no assunto.

Papai me ligou perguntando se eu queria jantar com ele no restaurante perto de seu trabalho. Não estava com muita disposição, mas aceitei.

— Oi Mel, minha filha. O que você andou fazendo hoje?

Assim que me sentei à sua frente, ele notou que alguma coisa não estava bem.

— Estive com a Ana. Ela foi à casa de Adriana porque ela não atendia o celular.

A expressão dele mudou imediatamente. Claramente ficou nervoso.

— Então, ela está doente?

— Não, papai. Ela foi levada.

— Mel, podemos trocar de assunto? Como está meu neto? Um pouquinho maior hoje?

— Eu quero falar sobre isso. Preciso fazer uma pergunta para você.

— Filha… em casa. — pousou a mão sobre a minha e olhou nos meus olhos, como se quisesse que eu entendesse.

— Está bem.

— Vocês já escolheram o nome ou já conversaram sobre o assunto?

— Eu pedi ao Renato para colocarmos Valen. Ele disse que ia pensar.

— Bonito nome! Você tem que explorar mais o monitor, Mel.

— Vou fazer isso hoje.

Eu estava ansiosa para poder conversar com ele sobre Adriana.

Assim que chegamos em casa, sentei-me no sofá, esperando que ele começasse o assunto. Em vez disso, ele foi para o quarto tomar banho. Pareceu-me que estava tentando adiar.

— Você não vai se refrescar?

— Pai, por favor! Você sabe que temos uma conversa pendente.

Ele suspirou e se sentou à minha frente.

— É verdade. Eu sabia que algo assim iria acontecer. O que você quer saber?

— Primeiro, quero saber se você já conheceu alguém que quebrou alguma regra.

Não respondeu imediatamente. Pensou bastante antes de falar.

— Sim, eu conheci…

— Quem?

— Uma pessoa. Não interessa… você nem conhece. — ele estava muito na defensiva.

— O que aconteceu?

— A pessoa quebrou uma regra e também foi levada.

— Você viu isso acontecer?

— Vi, sim. Foi bem na minha frente.

— E depois? Voltou? Correu tudo bem? O que aconteceu com ela?

— Minha filha, tenha calma. Ninguém sabe o que acontece ou o que fazem com as pessoas que são castigadas. Quando elas voltam, nem se lembram. Mas nunca mais quebram regras. Isso eu posso garantir para você. Sua amiga vai voltar. É só algo temporário.

Senti que ele estava escondendo alguma coisa. Não insisti. Eu o conhecia bem. Ele não ia contar.

Fui para o meu quarto e recebi uma mensagem de Vitória. Ela me pediu para que contasse quando soubesse alguma coisa sobre Adriana. Ela já estava instalada em sua nova casa e não podia vir se encontrar conosco.

Tirei o monitor da gaveta e observei meu filho. Ele estava flutuando. Iniciei a exploração do aparelho. Tinha seu IC, seu peso e seu tamanho. Reparei que tinha aumentado mais um centímetro desde o dia anterior. Entrei no chat com Renato e decidi enviar uma mensagem para ele.

— Boa noite. Espero que você esteja bem. Você já pensou no nome do bebê?

Esperei dez minutos, até que ele respondeu.

— Boa noite. Sim, eu pensei. Sinceramente, quanto mais penso no nome Valen, mais gosto dele.

— É sério? Fico muito feliz. Então vai ser esse o nome dele?

— Sim.

— Muito obrigada, Renato. Isso significa muito para mim.

— Eu sei.

Meu celular recebeu uma nova mensagem. Muito estranho. Não tinha nenhum número nem registro. Apenas o texto:

“Cuidado com o que você procura…”

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