FAZER LOGINA chuva batia suave contra a janela da suíte do hospital, como se o céu também estivesse à espera. Havia meses que Isadora sentia o tempo correr, mas agora, tudo parecia desacelerar. Ou talvez fosse apenas o mundo se curvando para assistir ao que estava prestes a acontecer: o nascimento dos dois pequenos corações que haviam mudado tudo.Lorenzo estava ao seu lado desde o início daquela madrugada. Tão calmo por fora, e ao mesmo tempo, com os olhos cheios de emoção contida. Ele segurava sua mão com força e ternura, como se pudesse transferir um pouco da paz que ela precisava.— Eu não sei se estou pronta. — Isadora sussurrou entre as contrações, os olhos marejados.— Você nasceu pronta, meu amor. — ele respondeu, e beijou sua testa com carinho — Você é a mulher mais forte que eu já conheci. E eu vou estar aqui o tempo todo. Até o fim. Até o começo.As palavras dele ecoaram dentro dela como um cântico antigo, um feitiço quebrando os últimos medos. Era verdade: ela tinha sobrevivido a dor
A manhã amanheceu silenciosa, como se o mundo respeitasse a importância do que estava por vir. Lorenzo caminhava pelos corredores do prédio antigo que abrigou, por décadas, o império da família Salvatori. Era a primeira vez que ele pisava ali desde que havia se afastado da presidência. Os passos ecoavam pelas paredes carregadas de história e legado, e com cada porta que passava, uma memória do avô surgia, o olhar exigente, as mãos firmes, a voz grave dizendo que “sentimentos não fazem parte dos negócios”.Mas naquela manhã, Lorenzo não estava ali como Ceo. Estava como neto. Como homem transformado por um amor que desafiou tudo o que lhe foi ensinado.Ao entrar no escritório que antes pertenceu ao avô, a luz da janela desenhava contornos suaves sobre o couro antigo das poltronas e os livros ainda empilhados na estante. O cheiro era o mesmo: madeira encerada, papel antigo e uma pitada de saudade.Sobre a mesa, havia um envelope amarelado com seu nome escrito à mão.“Lorenzo.”A caligraf
O quarto mês de gestação chegou com uma mistura de felicidade e novas inseguranças para Isadora. A barriga começava a se destacar sob os vestidos leves que ela usava em casa, e Lorenzo a observava com olhos apaixonados sempre que ela passava. Eles estavam em uma bolha de amor desde o casamento, mas naquela manhã, o dia não começou como os outros.Isadora acordou com uma dor aguda no abdômen, que a fez se curvar na cama. Seu rosto perdeu a cor, e o suor frio escorreu pela testa. Lorenzo, que havia acordado mais cedo para preparar o café, correu ao ouvir o grito abafado vindo do quarto.— Coelhinha?! O que aconteceu? — perguntou, ajoelhando-se ao lado da cama e segurando sua mão trêmula.— Uma dor... muito forte... aqui. — ela apontou para a barriga, com a respiração entrecortada.Sem perder tempo, Lorenzo a ajudou a se vestir e a levou ao hospital. O caminho até lá foi silencioso, mas cheio de tensão. Ele segurava a mão dela com força, como se pudesse transferir segurança por meio do t
O jardim da mansão estava envolto por uma atmosfera de sonho. Pequenas luzes pendentes balançavam suavemente sob a brisa da noite, refletindo no lago próximo como estrelas gêmeas no espelho da água. Uma fogueira simbólica ardia em um canto, lançando estalos suaves que se misturavam à música instrumental que preenchia o espaço com uma serenidade quase etérea.Isadora observava tudo com um sorriso emocionado. O vestido de noiva havia sido trocado por um vestido fluido, em tons pérola, que se movia com o vento como se dançasse sozinho. Os cabelos soltos, adornados por pequenas flores, a faziam parecer parte da paisagem. Lorenzo se aproximou, com o blazer desabotoado e o olhar mais doce que ela já havia visto.— Me concede a primeira dança da sua nova vida, senhora Salvatori? — perguntou ele, estendendo a mão.Isadora riu, aceitando o convite.— Se for com os pés descalços na grama, sim.Eles caminharam até o centro do jardim, onde a grama estava levemente umedecida pelo orvalho da noite.
O sol estava baixo no horizonte, o céu com um laranja e rosa lindo enquanto a mansão Salvatori se preparava para o evento mais esperado de todos: o casamento de Isadora e Lorenzo. A calma da manhã contrastava com a agitação silenciosa nos corredores. A cada momento que passava, Isadora sentia a ansiedade crescer em seu peito, misturada a uma sensação de gratidão imensa. Seu corpo, com a barriga levemente arredondada pelos gêmeos, estava cansado, mas o coração estava mais forte do que nunca.Quando o despertador tocou, Isadora demorou um pouco para abrir os olhos. Estava cansada, mas o peso do amor que crescia dentro dela a mantinha acordada. Sentiu o enjoo leve, habitual da gravidez, mas respirou fundo e se obrigou a se levantar. Levou uma das mãos à barriga, sorrindo sozinha enquanto as lágrimas formavam-se em seus olhos. A realização estava ali, à sua frente, às portas de um recomeço.Antes de se vestir, olhou para a janela, para o céu que ainda se mostrava calmo, e se lembrou de tu
A manhã amanheceu com uma brisa leve que dançava entre as cortinas de linho branco da mansão. O aroma suave de flores frescas já tomava conta dos corredores e varandas, lírios, lavandas e jasmins haviam sido dispostos em arranjos por cada canto, como se a natureza estivesse se preparando para testemunhar o amor.Isadora despertou lentamente, sentindo o peso doce da gravidez e o calor de um novo dia especial. Estavam a poucas horas do tão esperado “sim”. Ainda não era o grande momento, mas a véspera carregava um brilho próprio, o brilho da espera, do quase, do coração que não sabe se chora ou dança.Ela desceu as escadas com passos calmos, vestida com uma camisola longa de seda branca e o cabelo preso de forma displicente. Ao chegar ao jardim dos fundos, onde o sol dourava o gramado e a mesa de madeira rústica já estava posta, parou surpresa.Lorenzo estava ali, com um sorriso sereno e o olhar apaixonado que fazia seu coração se aquecer. A mesa estava cuidadosamente arrumada com frutas







