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Contrato de Desejo: O Homem que Eu Devia Esquecer
Contrato de Desejo: O Homem que Eu Devia Esquecer
Autor: J.Guima

Capitulo 1

Autor: J.Guima
last update Fecha de publicación: 2026-06-22 11:04:08

O escritório ficou em silêncio de repente.

Adrian inclinou levemente a cabeça para o lado e franziu o cenho, os olhos estreitando-se com desconfiança, como se tentasse confirmar se havia realmente ouvido o que pensava ter ouvido, ou se sua mente estava lhe pregando uma peça.

À sua frente, Kaily permaneceu completamente imóvel. A postura ereta, os ombros firmes, o olhar cravado nele sem qualquer hesitação. Não havia traço de dúvida em sua expressão, apenas determinação, o que tornava tudo ainda mais perturbador.

Ele a observou por alguns segundos antes de finalmente quebrar o silêncio:

— Eu entendi bem? — ele deu um passo em direção a ela — Você está me propondo um casamento por contrato?

— Você ouviu perfeitamente.

A resposta veio firme, e isso fez com que o ambiente pesasse ainda mais.

Adrian ficou em silêncio outra vez, agora analisando-a com mais profundidade.

Seu olhar percorreu o rosto dela em busca de qualquer sinal de hesitação: um tremor, um desvio de olhar, qualquer indício de que aquilo pudesse ser apenas um impulso. Mas não encontrou nada.

Kaily sustentava o olhar dele com uma frieza impressionante. Não piscou mais do que o necessário, não moveu um músculo sequer…

Era uma proposta pensada com antecedência.

Quando a realidade finalmente o atingiu, Adrian soltou uma risada seca e curta, quase ofensiva. Com um sorriso debochado nos lábios, ele perguntou:

— Por que eu? Se quer um casamento falso, pode propor isso a qualquer um.

— Porque você é a minha melhor opção.

O sorriso nos lábios de Adrian desapareceu no mesmo instante, como se nunca tivesse existido. Aquelas palavras, que à primeira vista poderiam soar como um elogio, não só o ofendiam, feriam-no profundamente.

Seus olhos escureceram levemente, e a tensão em sua mandíbula tornou-se visível enquanto ele a contraía, segurando qualquer resposta mais impulsiva.

“Agora eu sou sua melhor opção?” — o pensamento ecoou em sua mente com amargura.

Ele não precisava nem perguntar qual o motivo por trás daquele pedido inusitado.

Com certeza, ela foi motivada a fazer essa proposta absurda por causa de Erick.

Adrian respirou lentamente, como se tentasse controlar algo que ameaçava escapar, e então voltou a encará-la com um olhar mais afiado, carregado de intenção.

— O que fizemos já não foi suficiente para você se vingar? — perguntou, com tom de voz insinuativo.

Kaily engoliu em seco, e pela primeira vez sua firmeza vacilou, ainda que de forma sutil.

Seus dedos se tensionaram ao lado do corpo, e seu olhar perdeu o foco por um breve instante.

A lembrança daquela noite atravessou sua mente como um relâmpago. Um episódio que ela vinha tentando esquecer.

*Alguns dias atrás*

A música era alta demais. Ao redor, corpos se moviam e se chocavam, risadas explodiam, lábios se encontravam. Era o tipo de lugar perfeito para pôr em prática um plano de vingança: uma noite com um desconhecido, que facilmente poderia ser esquecida depois, mas que ainda assim traria o sentimento de conforto que Kaily precisava naquele momento.

Kaily girava lentamente o líquido no copo de vidro. Por mais que o ambiente parecesse exigir, ela apenas bebia um coquetel não alcoólico.

— Você parecia mais decidida antes de chegar aqui. Está arrependida? — a voz da amiga veio carregada de leve irritação, puxando-a de volta para a realidade.

— É claro que não… Hoje eu não vou sair por baixo — respondeu, com firmeza.

A amiga soltou uma risada desacreditada, balançando a cabeça.

— Você tem certeza? Por mais que eu te apoie, não quero que faça algo de que vá se arrepender depois… Esse tipo de atitude não combina com você.

Kaily não respondeu. E foi exatamente isso que confirmou tudo.

Por um segundo, ela hesitou. Era inegável que ela estava nervosa.

E então a lembrança a atingiu outra vez, sem aviso: porta do quarto entreaberta, revelando mais do que deveria; os gemidos que não faziam questão de ser contidos; e, no centro daquela cena que parecia cruel demais para ser verdade, Erick e Cíntia.

Seu namorado e sua irmã transando na cama onde, tantas vezes, ele a havia abraçado, onde sussurrava promessas de amor com uma naturalidade que agora parecia irreal.

O que mais a destruiu não foi apenas o ato em si, mas a forma como tudo parecia natural demais. Como se aquilo já estivesse acontecendo havia muito tempo, como se ela fosse a única peça deslocada naquela história.

Seu estômago revirou novamente ao reviver a cena, a náusea subindo pela garganta como se estivesse novamente no momento em que descobriu tudo.

A música da boate voltou com força, puxando-a para o presente. A lembrança, em vez de quebrá-la, alimentou sua determinação.

— Eu já estou arrependida, — disse, finalmente — não tem como piorar.

— E o que você pretende fazer? Você não vai conseguir nada ficando aqui parada.

Os olhos de Kaily se moveram pelo ambiente, avaliando as possíveis opções. Alguns homens olharam de volta, interessados, uns até fizeram um convite com os olhos. Mas ainda faltava algo.

Não nas pessoas ao redor, mas nela mesmo.

Talvez um pouco de atitude ou… coragem.

— Ainda não sei — murmurou.

A própria resposta fez seu coração bater mais rápido, não de indecisão, e sim de raiva.

De raiva de si mesma por não fazer nada, mesmo com toda aquela determinação.

Ela abaixou o olhar para o copo em sua mão, observando o líquido enquanto as luzes da balada dançavam em sua superfície, criando reflexos distorcidos.

“Quem vem a uma balada para beber algo assim?” — ela pensou, zombando de si mesma.

Kaily colocou o copo sobre a mesa com um leve toque seco.

— Eu vou ao bar.

Sua amiga abriu a boca, talvez para impedi-la, ou para questioná-la, mas Kaily já estava de pé antes que qualquer palavra fosse dita.

Ela se moveu, desviando das pessoas com certa dificuldade. Contudo, não precisou andar muito para deter seus passos. Seus olhos encontraram uma figura que fez seu corpo inteiro enrijecer: Erick.

Ele estava ali.

Instintivamente, Kaily recuou o suficiente para não ser vista, o coração batendo forte contra o peito. Ainda assim, não resistiu e olhou novamente, como se quisesse confirmar que era ele mesmo.

Sim, era ele. E não estava sozinho.

Alguns amigos o acompanhavam, e todos foram conduzidos por um funcionário em direção a uma sala privada, longe da pista principal.

“— Filho da put@. Ele teve a cara de pau de me dizer que iria encontrar um amigo que estava voltando de viagem.”

O sangue ferveu em suas veias ao vê-lo ali. Seus dedos se fecharam em punhos, e por um segundo ela considerou ir até lá confrontá-lo, acabar com aquela farsa ali mesmo, mas conteve o súbito desejo.

Ela não podia armar um escândalo ali.

“Se acalme, Kaily.”

Ela apertou os punhos, tanto que os nós dos seus dedos ficaram brancos. Foi nesse momento que ela decidiu que não deveria voltar atrás da sua decisão.

Sem hesitar novamente, virou-se e seguiu em direção ao bar.

O balcão iluminado contrastava com o restante da pista, as garrafas organizadas brilhando sob a luz.

Ela puxou uma banqueta e se sentou, mantendo a postura rígida.

Havia um barman de costas para ela, um pouco distante, ocupado com outra coisa, mas era o único que parecia disponível naquele momento.

Kaily respirou fundo mais uma vez, tentando estabilizar a própria voz, antes de falar:

— Eu preciso de uma bebida.

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Último capítulo

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