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Capítulo 3

Autor: J.Guima
last update Data de publicação: 2026-06-22 11:47:34

Ela ficou em silêncio por um instante, não acreditando no que estava ouvindo.

Aquela situação parecia ser boa demais para ser verdade.

— Vocês fornecem esse tipo de serviço aqui também? — perguntou, tentando manter a postura.

— É claro que não… Estou abrindo uma exceção especial para você — disse, inclinando-se em direção a ela, uma expressão falsamente inocente estampada em seu rosto enquanto parecia dizer um segredo.

Kaily sustentou o olhar dele por mais tempo do que pretendia. Havia algo ali que a prendia, não apenas na sua ousadia, mas na forma como ele dizia as coisas, como se já soubesse qual seria a resposta dela antes mesmo que ela se decidisse.

Ela apoiou o cotovelo no balcão, aproximando-se um pouco mais, diminuindo deliberadamente a distância entre os dois.

— Você tem certeza disso? — perguntou, a voz mais baixa, carregada de desafio — Ou fala isso para todas que aparecem aqui?

Um canto do lábio dele se curvou, lento, como quem aprecia um jogo ficando mais interessante.

— Você é a primeira, é claro.

A resposta veio sem hesitação.

Kaily soltou uma pequena risada nasal, desviando o olhar por um segundo, apenas para voltar a encará-lo logo em seguida. Era visível que as palavras dele não pareciam sinceras. Contudo, isso realmente não importava para ela.

Não naquelas condições, afinal, ele estava oferecendo exatamente o que ela procurava ali.

— Você parece confiante demais para quem está abrindo uma única exceção — provocou.

Ele não respondeu de imediato. Em vez disso, inclinou-se mais sobre o balcão, invadindo o espaço dela com naturalidade.

O cheiro dele chegou antes mesmo das palavras, inundando-a com uma sensação de nostalgia. Era um cheiro familiar, embora ela não soubesse identificar claramente.

— Quer uma prova de confiança?

A pergunta a atingiu de um jeito inesperado.

Kaily manteve o olhar firme.

Por um instante, o barulho da música pareceu distante, abafado por aquela proximidade.

Kaily respirou fundo, sentindo o próprio coração acelerar de um jeito que não tinha nada a ver com a música, ou com a raiva que sentia há pouco.

Então, sem quebrar o contato visual, ela moveu a taça que estava entre os dois, como se aceitasse o jogo.

— Certo, me convença.

A mão dele tocou de leve o queixo dela, guiando seu rosto alguns centímetros para mais perto. O gesto foi lento o bastante para que ela pudesse recuar… mas ela não recuou.

Quando os lábios deles estavam prestes a se tocarem, ele desviou o rosto dela para o lado, saindo da frente sem se afastar completamente, apenas o suficiente para ela ver algo atrás dele:

“Atenção! É estritamente proibido o flerte entre clientes e funcionários.”

Assim que seus olhos se fixaram na placa, Kaily começou a rir, então se afastou, voltando a se sentar corretamente.

— Ok, você me convenceu — ela disse, ainda com um leve sorriso nos lábios — Mas agora ficarei com a consciência pesada. E se você for repreendido por minha culpa?

— Ninguém precisa descobrir que vamos quebrar as regras.

— E como vamos fazer isso?

Os olhos dele brilharam com algo mais intenso, mas, dessa vez, ele não respondeu de imediato.

Ele a observou por alguns minutos, como se estivesse avaliando até onde ela iria.

Kaily sustentou o olhar, sem recuar. Então o canto do lábio dele se curvou de novo, satisfeito.

Só então ele se afastou, o suficiente para alcançar algo atrás do balcão.

— Aqui… me dê sua mão — ele estendeu a mão para ela.

Ele tomou a mão dela com calma e depositou um cartão de acesso em sua palma, fechando seus dedos ao redor dele.

— Último andar — disse, o tom baixo, soltando a mão dela devagar. — Eu não vou demorar aqui.

Por um instante, ela não se moveu.

Olhou para o cartão em sua mão, sentindo o peso da decisão e do que estava prestes a fazer.

Decidida a não voltar atrás, ela pegou a taça, terminou o restante da bebida em um único gole e a colocou de volta no balcão com um leve toque seco.

Em seguida, alcançou uma nota de dinheiro na bolsa e a deslizou sobre o mármore.

Mas, antes de se levantar, inclinou-se levemente na direção dele, o suficiente para que só ele pudesse ouvir:

— Espero que você seja melhor do que a bebida.

Sem esperar por uma resposta, ela se levantou e seguiu em direção ao elevador.

Atrás dela, o barman a seguiu com o olhar até que ela entrasse no elevador.

— Oh, você nunca deixa de me surpreender, Adrian — um rapaz, na banqueta ao lado, disse — Como seus funcionários vão seguir suas regras, sendo que na primeira oportunidade você as quebrou?

Adrian sorriu, dando de ombros enquanto pegava a taça deixada no balcão e a entregava para uma funcionária que passava atrás dele.

— Tem algo que eu quero testar, então não pude perder a oportunidade, Noah — respondeu, com naturalidade.

Noah franziu o cenho, intrigado com a fala do amigo.

— Testar? Como assim?

— Dizem que sexo com mulher traída é inesquecível.

A feição séria de Noah logo se desfez. Um sopro de sorriso escapou de seus lábios.

— É só isso? Não é por ela parecer com aquela garota?

— Ela é meu tipo. Apenas isso.

— Sim. Seu único tipo — ironizou, dando um gole na sua bebida.

Adrian sorriu de canto, mas não negou.

— O pessoal da reserva chegou?

— Sim. Chegaram há pouco. Vim te avisar que seu primo estava te procurando, mas eu não quis interromper.

Adrian soltou um suspiro pesado e esfregou a própria têmpora.

— Péssimo dia… Não estou nem um pouco a fim de ver o Erick hoje.

— Consciência pesada? — Noah provocou.

— Por forças maiores… Já ouviu falar que algumas forças você simplesmente não combate? — disse, olhando de relance para Noah — Quanto mais você tenta ir contra, mais elas puxam de volta.

— Está usando a física para justificar sua “atração”?

— É apenas algo impossível de evitar… mesmo com a consciência pesada — disse, em tom descontraído.

— Pelo menos está admitindo — Noah riu — E o que você está fazendo aqui, que essa força ainda não te puxou para seu apartamento?

— Já estou indo… Me faça um favor. Diga ao Erick que hoje é por minha conta, mas infelizmente não vou poder me reunir com ele.

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