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Capítulo 4

Autor: J.Guima
last update Data de publicação: 2026-06-22 12:03:00

Quando a porta do elevador abriu, Kaily deu um passo para fora, os saltos ecoando suavemente pelo chão.

Ela parou diante da única porta do andar, um pouco descrente, então olhou para o cartão em sua mão.

Ainda relutante, pensando ter entendido errado as palavras do barman, ela passou o cartão pelo leitor, e a porta se abriu.

Assim que atravessou a entrada, seus olhos se perderam no espaço ao redor… O lugar era absurdo.

As paredes eram de vidro, do chão ao teto, revelando a cidade iluminada ao redor, como um espetáculo de luzes. Acima, o céu noturno se estendia amplo e limpo.

Kaily caminhou lentamente até a janela, o ar fresco tocando sua pele.

“— Isso que ele quis dizer com ‘uma noite no céu’?”

O pensamento veio espontâneo.

Ela continuou andando, passando a mão de leve sobre uma superfície aqui, observando um detalhe ali.

“Os funcionários daqui têm suas vantagens…” —pensou, olhando mais uma vez ao redor, quase desacreditada.

Contudo, o tempo começou a passar, e com ele a coragem começou a se dissolver.

Kaily parou no meio da sala, cruzando os braços por um instante, como se tentasse se conter.

O silêncio começou a pesar, e sua mente a trabalhar.

“E se ele não vier?”

“E se aquilo tudo não passou de uma brincadeira?”

Não. Impossível. Ele não teria ido tão longe por causa de uma brincadeira.

O fato de ela estar ali provava isso.

“E se ele vier? O que devo fazer?”

Ela soltou o ar devagar, passando a mão pelos cabelos, inquieta.

Longe do bar, da música e da adrenalina, a situação parecia muito mais real e constrangedora.

“Talvez eu deva ir embora antes que ele chegue?... Não, não.”

A conclusão veio acompanhada de um súbito pensamento.

Ela olhou em direção à cozinha, e foi até a geladeira, passando os olhos rapidamente pelo interior.

“Só tem cerveja aqui?”

Kaily ranziu levemente o nariz. Ela nunca gostou do amargor da bebida.

Ainda assim, pegou uma lata e abriu.

O primeiro gole desceu desagradável, como ela ainda se lembrava.

Ela fez uma careta discreta, abaixando a lata.

— Grrr, sem chances.

Seu olhar vagou pela cozinha até parar na adega embutida em uma ilha.

Sem pensar muito, ela deixou a cerveja de lado.

Ao abrir a adega, escolheu um vinho suave e se serviu.

A moça levou a taça aos lábios e bebeu tudo de uma vez, sentindo um sabor incomparavelmente mais agradável.

Serviu-se novamente, dessa vez girando o líquido antes de beber, desacelerando seu ritmo ao se sentir mais paciente.

Ela havia acabado de dar o segundo gole quando ouviu o click suave da trava da porta.

Seu corpo reagiu automaticamente, virando-se na direção do barulho.

O constrangimento a atingiu assim que o viu encostado na entrada, observando-a.

“O que eu faço agora?” — ela pensou.

Com calma, ele retirou a jaqueta, pendurando-a com naturalidade, enquanto dizia:

— Pensei que você tinha fugido.

Kaily ergueu levemente o queixo, sustentando o olhar dele sem hesitar. Por mais que seu coração estivesse acelerado e essa ideia realmente tivesse passado por sua mente, ela não queria transparecer nenhuma hesitação.

— Você demorou para que desse tempo de eu fugir?

Ele riu.

Não foi uma risada alta, mas carregava uma naturalidade quase insolente, como se a conclusão dela não fosse absurda.

Em vez de responder, ele caminhou na direção dela sem pressa alguma.

— O que você está bebendo? — perguntou, com interesse.

Kaily ergueu levemente a taça.

— Um pouco de coragem líquida — brincou.

Ele se aproximou mais, invadindo o espaço dela sem pedir permissão.

Sem quebrar o contato visual, ele pegou a taça de sua mão e bebeu completamente o líquido restante.

— Você também precisa de coragem? — ela questionou.

Ele limpou discretamente o canto dos lábios com o polegar, e deixou um sorriso malicioso escapar.

— Se você beber muito, vai acabar esquecendo o que não deve.

— Não é pra tanto. Estou completamente bem.

— O vinho é uma bebida traiçoeira… Uma hora você está bem, mas de repente começa a perceber os efeitos — disse, olhando para a garrafa, que parecia estar pela metade.

— Então vai depender de você tornar isso inesquecível.

A provocação saiu facilmente, quase automática, o que foi uma surpresa até para ela.

Os olhos dele se ergueram imediatamente para os dela. Dessa vez, não foi só interesse.

Enquanto ele a observava, o questionamento do seu amigo lhe voltou à mente.

“— Não é por ela parecer com aquela garota?”

Noah o conhecia muito bem. Sabia sobre a garota por quem Adrian fora apaixonado no passado. Sabia também que todas as mulheres com quem ele já se envolveu o faziam lembrar especificamente dela.

Ele a observou em silêncio, e algo antigo atravessou sua mente: algo desejado, mas proibido.

Ele travou o maxilar quase imperceptivelmente.

Agora que Adrian a via mais claramente, a impressão inicial que ele teve se confirmou. As duas realmente tinham algumas semelhanças. Mas eram as diferenças que ele tentava acentuar: o tom de voz distinto, as atitudes, alguns aspectos físicos…

“Elas não são tão parecidas… ainda assim…” — ele pensou.

O silêncio, ainda que curto, foi suficiente para incomodar Kaily.

Ela inclinou levemente a cabeça, estreitando os olhos.

— O que foi?

Ele ficou em silêncio por mais um instante antes de dizer:

— Não importa o quanto eu olhe… você parece problema.

A frase soou mais como um desabafo do que como uma provocação. Kaily arqueou uma sobrancelha, sem compreender exatamente.

— Isso é algo negativo?

Com um leve sorriso, ele levou as mãos à cintura dela e a ergueu com facilidade, colocando-a sobre o balcão de mármore, o frio da superfície contrastando com o calor do corpo dela.

Kaily soltou um leve suspiro de surpresa, os dedos se contraindo instintivamente contra o tecido da camisa dele.

Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço entre as pernas dela.

— Depende… — disse, levando a mão ao ombro dela para tirar a mecha de cabelo que ali caía, roçando os dedos sobre sua pele exposta com uma lentidão tentadora. — No momento, isso é algo positivo.

— No momento? — ela inclinou levemente para frente e depositou os braços ao redor do pescoço dele. — Depois pode se tornar um arrependimento?

Adrian arrepiou ao sentir o hálito dela contra sua pele.

Ele sabia que ela estava um pouco nervosa, ainda assim, tentava agir de acordo com o que a situação exigia.

— O problema não é o arrependimento… é continuar desejando algo que você sabe que não pode ter.

Por mais que não tivesse a intenção, não era realmente da mulher à sua frente que Adrian falava.

Enquanto a olhava, outra pessoa lhe vinha à mente como uma sombra do passado, que insistia em permanecer ao longo dos anos.

Dormir com ela naquela noite, seria como jogar mais lenha em uma fogueira cuja brasa ainda queimava.

Ainda que fracamente, ainda havia uma brasa.

Contudo, Adrian não estava disposto a recuar.

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