FAZER LOGINValéria:
Optei por um vestido vermelho curto, justo ao corpo, com um decote profundo que valorizava meus seios e deixava minha pele ainda mais clara sob a luz do quarto. A maquiagem era leve, mas estrategicamente pensada: olhos marcados, boca suave, nada exagerado. Estava me sentindo linda.
Perdi quase tudo na vida… menos a centena de vestidos de marca que eu tinha. Ainda bem que minhas roupas e sapatos ficaram comigo. Pequenas vitórias.
Assim que chegamos à boate, Cami me puxou para o começo da fila — que, por sinal, era imensa — mostrou o convite dourado e nossa entrada foi liberada de imediato.
A fachada da The Lux brilhava como um farol no meio da noite de Manhattan. O som grave atravessava as paredes, vibrando no peito antes mesmo de entrarmos.
— Amiga do céu, me convide sempre, esse lugar é magnífico!
Logo na chegada, a recepcionista pediu o convite dourado e nos entregou uma explicação rápida sobre as pulseiras. Poderíamos escolher entre três cores: verde, amarela ou vermelha.
Verde significava que você estava disposta a tudo.
Amarela, que aceitava uns amassos. Vermelha, indisponível.Achei genial. Quantas vezes em baladas precisei lidar com caras inconvenientes?
A moça ainda explicou que, mesmo usando verde, a palavra “não” seria respeitada. Regra da casa.
— Amiga, pega a verde, combina com seus olhos, quem sabe assim você não se livra do selo — disse Cami, rindo.
Fiquei vermelha igual ao meu vestido. Mesmo assim, peguei a pulseira verde. Bufando.
— Por que você não faz um anúncio, sua louca? Grita aos quatro ventos que sou virgem!
— Ah, para, foi brincadeira! A moça nem ligou. Vamos pro bar, você precisa relaxar.
A boate era absurda. Lustres modernos, iluminação estratégica, pessoas lindas por todos os lados. A área VIP era toda de vidro, com mesas sofisticadas e um bar exclusivo. Luxo puro.
Assim que sentamos, senti como se estivesse coberta de mel. Os homens não paravam de encarar e oferecer bebidas. Neguei todas. E ninguém insistiu. A pulseira verde era um ímã, mas também funcionava como um código claro.
Pedi um vinho. Cami pediu caipirinha. Nunca fui forte para bebidas e não queria perder o controle.
Decidimos subir para a área VIP superior, já que o convite dava acesso a mais três andares. Cada nível parecia mais sofisticado que o anterior.
Sentamos em um dos sofás de couro claro. Logo percebi que Cami não tirava os olhos do bar. Um homem absurdamente bonito a encarava.
— Amiga, pelo jeito você já tem companhia. Vai lá. Não se preocupa comigo.
— Será que devo? Não quero te deixar sozinha.
Antes que eu respondesse, uma sombra pairou sobre nós.
Um arrepio percorreu minha espinha.
— Olá, meninas, podemos nos sentar com vocês?
A voz era grave. Segura.
Levantei o olhar.
E por um segundo, achei que tinha morrido e ido para algum tipo de paraíso proibido.
O homem que falava era alto, elegante, olhar intenso. E não estava sozinho.
Ao lado dele estavam mais três homens igualmente lindos.
Não. Não era possível.
— Meu nome é Salvatore. E esses são meus irmãos: Lucca, Enrico e Dante.
Irmãos.
Claro que eram.
A semelhança era sutil, mas estava ali. A postura, o olhar dominante, a confiança.
Era muita beleza concentrada no mesmo lugar.
— Prazer… eu sou Valéria. E minha amiga Cami você já conhece.
Cumprimentei Salvatore, que se sentou ao lado de Cami. Quando fiz o mesmo com os outros três, foi como se uma corrente elétrica tivesse atravessado meu corpo. A pele deles era quente. Firme. O toque firme demais para ser casual.
Eles se sentaram ao meu redor.
Fiquei vermelha igual pimentão.
Olhei para Cami.
Ela já estava aos beijos com Salvatore.
O que perdi no meio do caminho?
Os dois se levantaram, rindo, e minha amiga disse que iria dançar.
Sério.
Ela me deixou ali com três deuses gregos e simplesmente foi embora.
— Não se preocupe, Valéria. Não mordemos… a não ser que peça.
Dante sorriu de canto.
Meu estômago deu um salto.
— Vejo que está usando a pulseira verde… porém dispensou todos os caras — Lucca comentou, com um sorriso sedutor.
— A idiota da Cami me convenceu. Mas assim que sentei no bar me arrependi.
— Está arrependida agora? — Enrico perguntou.
Fiquei vermelha de novo. Meu corpo inteiro começou a se arrepiar. Uma onda quente desceu pela minha barriga.
Caramba.
O que está acontecendo?
Minha boceta latejava de tesão.
Três, Valéria?
Não podia ter sido só um?
Quando resolvo perder a virgindade, me aparecem três homens absurdamente lindos e confiantes.
Ah, Minha Nossa Senhora das virgens excitadas.
— Valéria?
A voz de Dante me puxou de volta.
Ele sorria. Malicioso.
Senti minha calcinha umedecer.
— Desculpa… me distraí.
— Vai responder? Está arrependida de usar a pulseira verde? — Enrico insistiu.
— Na-não.
Minha voz saiu falha.
Os três trocaram um olhar rápido.
— Que bom… nostra Valéria — Dante murmurou.
Nostra.
Minha.
Aquilo deveria soar arrogante.
Mas soou possessivo.
Intenso.
Errado.
Perigoso.
E absurdamente excitante.
Para, sua louca.
Aproveita.
Um é pouco.
Dois é bom.
Três é… demais.
A virgem pervertida dentro de mim estava acordando.
— Que tal nós três levarmos você para conhecer mais um pouco da boate? — Lucca sugeriu. — Além dos dois primeiros andares, há mais dezoito esperando por você.
Minha respiração ficou pesada.
Olhei o relógio.
11:30.
Eu tinha uma hora.
Uma hora para viver alguma coisa que talvez nunca mais acontecesse.
— Eu topo.
Disse com mais firmeza do que eu imaginava ter.
Os três sorriram.
Sorriso de predador.
— Ótimo, Valéria. Essa noite você conhecerá os dois primeiros andares da Black List. Da próxima vez… mostramos o restante.
Black List.
Então era assim que chamavam a parte exclusiva.
Eles explicaram que, a partir do quinto andar, apenas sócios tinham acesso.
Sócios.
Definitivamente não era o meu mundo.
“Vai sonhando, garanhão. Eu, lascada como estou, nunca mais boto os pés aqui.”
Pensei.
Mas, enquanto me levantava entre eles, cercada pelos três, sentindo seus corpos próximos demais, suas mãos discretamente posicionadas nas minhas costas…
Uma parte de mim sabia.
A noite estava só começando.
Aline:Ou parte da família, claro. Um dos meus irmãos seguia preso, e o outro atualmente gostava de mim ainda menos do que antes — já que, aparentemente, Ryder andara no passado chantageando-o com relação à infidelidade descarada dele com a esposa. Mas eu tinha a minha mãe; a Christie, que era minha irmã do coração; Taylor, que já era também uma grande amiga; e meu sogro — que atualmente era muito presente na vida do filho e dos netos.Sem contar todos os amigos da casa de repouso, que para nós eram parte da família. Tanto que David já chamava todos os funcionários de "tio" e "tia" e todos os internos de "vô" e "vó".Logo que chegamos, fomos recebidos com muita alegria. A churrasqueira já estava a postos, e todo o quintal gramado estava tomado por mesas e cadeiras. Com o passar do tempo, alguns membros novos se uniram àquela família, assim como alguns infelizmente haviam partido, deixando muitas saudades e lembranças boas.Após cumprimentarmos todo mundo, Ryder e eu nos sentamos lado
Ryder:Iniciou-se um falatório, todos dizendo sobre o quanto nosso filho era bonito. Uns comentando que se parecia comigo, outros que era a cara de Aline.Eu sabia que logo alguma enfermeira entraria ali para pedir para todos se retirarem, já que Aline e David precisavam descansar. Por isso, aquele era o momento de eu seguir com uma adaptação dos planos que eu tinha para aquele dia.Peguei o celular de Aline, entregando-o para o meu pai e pedindo para que ele continuasse filmando. Então, segurei a mão daquela que já era minha esposa e comecei, tendo as pessoas mais especiais como testemunhas.— Line, eu sei que nosso começo foi meio errado. Bem, era muito errado quando lembramos que você era só uma criança quando cismou que era apaixonada por mim... E depois tudo mais o que aconteceu quando você se declarou... E os anos que passamos nos odiando... E as outras coisas que só você, eu e algumas pessoas aqui sabemos...Preferi omitir o fato de nosso casamento ter acontecido apenas como um
Ryder:Eu faria questão de tornar aquele dia ainda mais especial. No bolso do meu casaco, estava uma caixinha com um anel. Aline e eu já havíamos trocado alianças um ano antes, mas eu queria fazer tudo certo dessa vez. Para os outros, seria uma ‘renovação de votos’. Para nós, uma cerimônia de casamento que começaria da forma certa: com verdade e amor.Eu pretendia fazer o pedido logo que ela encerrasse o seu discurso.No momento, o presidente do conselho da empresa estava no palco do auditório, falando algumas palavras sobre o falecido Ralph Bennet e sobre os princípios que nortearam a criação da RB. Ele encerraria tudo chamando Aline, que tinha preparado um discurso de agradecimento a todos que a apoiaram em todo o processo de reerguer a empresa. Quem conhecesse a RB agora jamais diria que, há um ano, aquele fosse um negócio à beira da falência.— Esse cara não para de falar... queremos ver a Aline... — John resmungou, falando novamente um pouco mais alto do que seria educado.Aquilo
Ryder:Samantha gritou, histérica. Vi Aline respirar aliviada. William, no entanto, apesar de surpreso, sequer moveu o braço que mantinha esticado com a arma apontada para a minha esposa.— Como você entrou aqui? — ele indagou, logo mexendo a cabeça como se quisesse dizer que aquilo não importava. — Não era para você se meter nisso, Ryder Reynolds. É um lance de família.— Sua noção de família me parece meio deturpada. Já disse: pare agora de ameaçar a minha esposa, antes que eu atire na sua.— Obedece ele, Will! — Samantha gritou, desesperada. — Baixa logo essa arma, ou ele vai me matar.Que coisa... ela era bem descontrolada mentalmente para uma pessoa que se sentia tão à vontade para ameaçar uma grávida.William, por sua vez, parecia tranquilo demais para alguém que via a esposa sob a mira de um revólver.— Não precisa disso, Reynolds — ele falou, calmamente. — Tudo o que preciso da minha irmã é um vídeo.Aline se manifestou, olhando para William:— É, um vídeo acusando nosso outro
Aline:— Eu não vou gravar nada.— Samantha, vá até a cozinha e pegue uma faca — ele ordenou.— O quê? — falei, assustada.— Se você gravar o vídeo, ao final nós te levaremos para outro lugar e darei um tiro certeiro em sua cabeça, você não sentirá dor alguma. Mas, já que você não quer, vou ter que ir mais devagar... te fazer gritar e sangrar até a morte... começando pelo seu ventre, para você sentir seu bebê sofrer até perdê-lo.— Devo pegar a faca? — Samantha perguntou, sarcástica.Engoli em seco, tentando conter o choro e não demonstrar o pânico que estava sentindo, o desespero de me ver naquela situação. Lembrei-me do celular no bolso do casaco que eu ainda usava, perguntando-me se Christie ainda estaria ouvindo tudo aquilo. Provavelmente não, porque, depois que perdi a consciência no carro, provavelmente havia encostado o visor do celular no banco ou coisa do tipo. Seria difícil que a ligação estivesse ainda ativa até aquele momento.De qualquer forma, eu esperava que ela tivesse
Aline:Eu não fazia ideia do que aqueles dois tinham injetado em mim, mas o efeito pareceu ter sido rápido. Na verdade, eu sentia como se tivesse apenas fechado os olhos por três segundos e voltado a abri-los. Mas sabia que tinha sido por mais tempo do que isso, já que, ao despertar, estava na sala da casa da minha mãe, sentada em uma poltrona.Senti minha cabeça ainda pesada, minha visão ainda turva, mas me esforcei para conseguir levantar o rosto, encontrando Samantha parada à minha frente, a poucos metros de distância de mim, com um celular em mãos. Tentei me levantar e só então percebi que não podia. Estava com minhas mãos amarradas para trás.— Fique calma aí, irmãzinha. — Ouvi a voz de William e olhei para o lado, deparando-me com um revólver sendo apontado por ele em minha direção. — Eu já vou te soltar. Precisamos apenas decidir antes as regras de como isso vai funcionar.— O que você quer de mim? — perguntei, ainda um pouco zonza.— Eu vou te desamarrar. Mas lembre-se de que







