INICIAR SESIÓNDante:
A Romano Enterprise fica em Midtown Manhattan, considerado o coração pulsante da cidade de Nova York.
Para nós, os Romano, é mais que um prédio de trinta e cinco andares revestido de vidro e aço. É um símbolo. Um troféu. Um império erguido pelas mãos de cinco irmãos que aprenderam desde cedo que poder não se herda — se multiplica.
Nosso pai deixou tudo em nossas mãos e se aposentou há alguns anos. O que antes era apenas uma rede respeitável de hotéis, hoje se transformou em algo muito maior. Expandimos, arriscamos, dominamos mercados. Transformamos um nome forte em uma marca temida.
Mamãe e ele agora viajam pelo mundo, descansando. Aproveitando a fortuna que construíram e que nós quadruplicamos.
E eu me sinto feliz por eles.
Mas hoje minha preocupação é outra.
Espero que consigamos uma nova secretária.
Está difícil achar uma que seja gostosa e que aceite ser a foda fixa de três caras.
Sim. Meus irmãos e eu, além de termos dividido o mesmo útero, sempre dividimos a mesma mulher.
Pense pelo lado bom: compre um, leve três.
Eu, Enrico e Lucca nunca nos separamos. Nem na hora do sexo. É mais do que costume — é ligação de irmãos. Nunca nos apaixonamos. Nunca misturamos sentimento com prazer. E sempre existe atração pela mesma mulher. É quase instintivo.
Mas nossas fodas têm prazo de validade.
Três meses.
É o suficiente para aproveitar sem criar apego. Nem da nossa parte, nem da parte da foda da vez.
Somos cinco irmãos no total.
Nós, os trigêmeos, temos 32 anos e somos os CEO’s da The Lux, a maior rede de boates de fetiches do país — e em expansão internacional.
Hotelaria nunca foi nossa paixão. Deixamos esse fardo elegante para Salvatore.
Cada um de nós três tem seu próprio escritório no último andar do prédio. A Romano Enterprise é o coração que impulsiona tudo. Aqui ficam os laboratórios de tecnologia de ponta, a central administrativa, o financeiro, o controle global de centenas de hotéis e boates espalhadas por diversos países.
Centralizar tudo nos deu poder.
Controle.
Precisão.
Não é à toa que somos conhecidos como Tubarões Romano.
Salvatore, com 30 anos, é CEO da rede de hotéis cassino Oásis. Ele respira números, contratos e expansão territorial.
Kael, o caçula de 28 anos, é o CEO da Five Tech, empresa no ramo de tecnologia e programação. Ele é responsável pela segurança cibernética do grupo. Cria sistemas, protocolos, tecnologias contra ataques digitais. A Five Tech se tornou uma das maiores empresas de segurança digital do mercado.
Juntos formamos a Romano Enterprise.
Gigantes.
Bilionários.
E solteiros.
Estou olhando para a foto do currículo da candidata a secretária quando meus irmãos entram na minha sala sem bater, como sempre.
Enrico praticamente arranca a folha da minha mão.
— Caraca, irmão, que deusa é essa?
Ele já está babando.
— Essa é Valéria Santorini. 22 anos, 1,73 de altura, 61 kg, olhos azuis, cabelos castanho-escuros… e que olhos.
Só a foto já me deu uma puta ereção.
Lucca pega o currículo, analisando com aquele olhar calculista de predador.
— Caramba… realmente é bela. Só resta saber se vai topar as questões que o cargo exige.
Ele já está com cara de comedor.
— Tomara, porque não dá para continuar chamando garotas da lista. Não é disso que gostamos. Queremos algo… mais natural — Enrico diz, animado.
Eu apoio os cotovelos na mesa.
— Estela confirmou que amanhã cedo ela estará aqui. Ou seja, quero os dois bundões na primeira hora do dia.
Conheço esses dois. Se deixo, chegam depois do almoço.
— Claro, maninho. Não perco a oportunidade de conhecer essa gostosa pessoalmente. — Enrico sorri como quem já imagina a cena.
— Conta comigo também. E deixa claro no contrato que ela deverá estar disponível não só aqui na empresa, como nas boates e viagens. Será nossa sombra — Lucca completa.
Perfeito.
— Já que essa parte está resolvida, que tal darmos um pulinho na boate? Quero ver como ficaram as novas salas da The Lux Fetiches.
Já estou me levantando quando Lucca abre aquele sorriso sacana.
— Valeu, maninho. Assim estreamos o mais rápido possível a nova secretária.
...
O primeiro e segundo andares das boates são abertos ao público. A fila costuma dobrar o quarteirão.
O terceiro e quarto andares são baladas VIP. Apenas cartão dourado entra. Artistas, empresários, figurões da cidade.
Mas é do quinto andar em diante que a brincadeira começa de verdade.
Ali o mundo muda.
O som fica mais grave.
A iluminação mais baixa.
O ar mais quente.
A partir dali, entra-se no universo BDSM e fetichista. Nove andares dedicados ao prazer sem limites. Quartos temáticos, salas de dominação, ambientes para voyeurismo, submissão, jogos de poder.
O décimo-oitavo andar é exclusivo dos irmãos Romano.
Os cinco têm acesso.
Podemos trazer acompanhantes e fazer nossa própria festa.
Renovamos tudo recentemente.
Estamos preparando o espaço para nossa nova submissa.
Ali, o prazer não tem limites.
Na cobertura fica nosso apartamento. Três pisos.
No primeiro: cozinha ampla, sala gigantesca com dois ambientes, escritório, quarto de visitas e área de lazer com piscina.
Eu, Lucca e Enrico dividimos o último andar. É onde passamos a maior parte do tempo com nossa mulher da vez.
A última foi Chiara.
Uma ruiva gostosa pra caralho.
Chupava um pau como ninguém.
Mas se apegou demais. Ficou carente. Inconveniente. Chata.
Dispensamos.
Não queremos relacionamento.
Muito menos uma maluca ligando de madrugada perguntando onde estamos.
Salvatore tem o apartamento dele. Geralmente dorme no hotel.
Kael alterna entre a casa dos nossos pais e nossos apartamentos. Vive invadindo nosso espaço e atormentando Salvatore.
Temos também a casa dos nossos pais. Quando eles estão na cidade, ficamos lá.
Mamãe ficaria curiosa demais sobre a boate.
E definitivamente não está preparada para tanto.
Você deve estar se perguntando: três CEO’s para uma única empresa dá certo?
Sim.
Temos pensamentos iguais.
Estratégias alinhadas.
E rostos diferentes.
Tomamos juntos todas as decisões sobre as boates espalhadas pelo mundo.
E quanto a Salvatore e Kael?
Eles respeitam nosso estilo de vida.
Apoiam.
Não é à toa que nós cinco erguemos um império.
— Rapazes, vamos descer e ver se arrastamos Salvatore e Kael para a boate. Nem só de trabalho vive o homem.
Saímos do meu escritório rumo ao andar de Kael.
Quando paramos ali, noto algo diferente.
A nova secretária dele.
— Olá, senhorita.
Nós três falamos juntos.
Ela fica vermelha igual pimentão.
— Boa noite, senhores. Me chamo Cassandra Dimitriou. Vou ver se o seu irmão pode recebê-los.
Loira.
Linda.
E claramente nervosa.
Tenho quase certeza de que Kael logo estará entre suas pernas. Ele sempre teve queda por loiras.
Mas nunca mexemos com as garotas dos nossos irmãos.
Regra não escrita.
— Podem entrar.
Entramos no escritório.
Kael está com a cara enfiada no computador.
— Cara, larga isso e vamos aproveitar a noite na boate — diz Lucca.
— Vamos ligar para Salvatore no caminho — completa Enrico.
Kael suspira.
— Tá legal, seus malucos. Só se vive uma vez. Já trabalhei demais por hoje. Preciso me aliviar, caralho. Tô pra ficar doido.
Eu sorrio.
— Tenho certeza que tem a ver com a secretária gostosa, né?
— Tira o cavalinho da chuva. Ela não é para o bico dos três!
Caímos na gargalhada.
— Relaxa, nunca mexemos com suas garotas. E aquela tá na cara que você quer. Convida ela para conhecer a boate — diz Lucca.
Kael revira os olhos.
— Tá legal. Vamos sair antes que eu me arrependa.
Saímos os quatro.
Ao passarmos pela mesa de Cassandra, Kael a convida para conhecer a boate. Diz que ela é nova na cidade.
Ela vira um pimentão.
Aceita.
No estacionamento, cada um pega seu carro.
Cassandra vai com Kael, que a deixará em seu apartamento para se arrumar.
Após muita insistência, ela aceita a carona.
Ligo para Salvatore.
— Estamos indo para a The Lux. Te esperamos lá.
Desligo.
Sinto a adrenalina subir.
A noite promete.
Meus irmãos e eu precisamos descarregar essa energia acumulada.
E só existe uma maneira de fazer isso.
Comer uma boceta gostosa até o dia amanhecer.
Mirella:Se alguém me dissesse, anos atrás, que um dia eu teria tudo isso... eu teria rido.Ou chorado.Talvez os dois.Porque houve uma época em que sobreviver já parecia difícil demais.Uma época em que eu acreditava que dor era tudo o que a vida tinha reservado para mim.E, honestamente?Às vezes ainda me pego olhando para tudo o que construímos e tentando entender como consegui chegar até aqui.Como aquela garota quebrada, assustada e perdida conseguiu se tornar essa mulher.Esposa.Mãe.Advogada.Fundadora da L&V.Amada.Livre.O som das gargalhadas dos meus filhos ecoava pelo jardim enquanto eu observava Matteo correndo atrás do Alex, fingindo estar perdendo só para vê-lo comemorar.Mentiroso.Meu filho herdou exatamente o espírito competitivo do pai.Minha menina estava no colo do Thiago, fazendo tranças tortas no cabelo dele enquanto o coitado fingia sofrimento.E eu amava tanto aquela cena que às vezes chegava a doer.Porque meus filhos nunca aprenderam o significado do medo.
Matteo:Se passaram dois meses desde o atentado contra sua vida. Ela ficou alguns dias no hospital e, por incrível que pareça, ao rolar as escadas algo amorteceu sua queda. Não quebrou nada. Vários hematomas e cortes, nada comparado ao que poderia ter sido.Ao vê-la na sala da casa nova — sim, nos mudamos —, ela disse que o que houve não mudaria nossos planos. Também nos convenceu a começar a fazer terapia. Por mais que tenhamos nos perdoado, foram deixadas marcas que só o tempo pode apagar.Ela tinha um imenso sorriso no rosto. Veio até nós, silenciando os dois com um beijo. Ali vimos que estava tudo bem, que não era necessário dizer nada.Estava tudo bem.— Tenho um presente para vocês dois!Ela entregou uma caixa para Thiago e outra para mim. Quase infartei.“Parabéns, papai!!!”O bilhete vinha acompanhado de um par de sapatinhos rosa.Thiago e eu nos entreolhamos e fizemos um sanduíche de Mirella, a abraçando e beijando, tamanha a felicidade.— Obrigado, Deus, por esse presente!!!
Matteo:Ao terminar de ler aquela carta, eu chorava feito criança. Eu seria pai, teria um filho com a mulher da minha vida, e estaria disposto a viver esse triângulo. Quantas vezes Thiago me contou que estava amando, e que queria que a conhecesse, que eu a amaria, que ela e a minha amada misteriosa seriam grandes amigas...Nunca imaginei que seriam a mesma pessoa. Imagino tudo que ela passou e, infelizmente, foi-lhe tirada a vida. Remorso e culpa me corroeu. Afinal, foi por um amor doentio a mim que ela matou Ana, e quase fez o mesmo com a Mirella. Por duas vezes foi negado a mim e ao meu irmão o direito de ser pais.Me lembro como hoje quando encontramos Ana morta em uma banheira, o quanto sofremos e culpamos um ao outro, e todo esse tempo era por minha causa.Cai no chão chorando em desespero, pedindo perdão ao Thiago, que estava na mesma situação de desespero que eu, revivendo aquele dia como um loop infernal.Anos antes...Acordei com uma imensa dor no peito, uma angústia e desesp
Mirella:Quanto mais ela falava, mais medo eu sentia. Ela estava totalmente desequilibrada, o amor doentio a cegou de uma maneira insana.— Você fez uma escolha, Paola, é melhor se entregar, precisa de ajuda!— Não tá entendendo! Eu não vou perder Matteo outra vez, já o perdi uma vez! Minha vida sem ele será um verdadeiro inferno, você não tem noção do que me aguarda. Acha que seu pai é um monstro, é porque não viu do que o meu é capaz. Somos amaldiçoadas.Precisava sair dali o quanto antes, ela estava fora de si, totalmente desequilibrada. Me virei correndo em direção às escadas e pude ouvir seus gritos pedindo para que eu parasse. Ela me agarrou pelo braço, dizendo que tinha algo importante a me dizer. Quando fui me desvencilhar dela, rolamos escada abaixo, e tudo se apagou.Me vi ao pé da escada, ouvia vozes. Seria o socorro, a polícia? Ouvi alguém perguntar algo, talvez quem teria feito tudo isso, e a única coisa que conseguia falar era:— Paola...Apaguei, me deixei levar para a
Paola:Chutei o saco de banha e saí o mais rápido possível. Mandei mensagem para o ex-policial idiota, como se fosse da empresa que estava cuidando da reforma, e aposto que, em poucos minutos, estaria aqui.Ia esperar a bonequinha de porcelana e armaria tudo para parecer que a idiota matou o próprio pai.Bingo!Lá estava a princesinha em apuros. Da janela, vi o carro estacionar e ela seguir até a casa. Dá para acreditar que o ex-policial me viu na janela e ainda acenou? Nem imagina que, em exatos vinte minutos, vai virar cinzas.Kabum!Está saindo tudo perfeito demais.— Olá! Miranda? Vim o quanto antes. Oi, está aí?Ela entrou procurando Miranda, a funcionária por quem me fiz passar.Ao olhar para a escada, deu de cara com seu pai envolto em uma poça de sangue.Correu até ele o chamando. Trêmula, tentava pegar o celular na bolsa. Vi seu rosto perder a cor ao me ver no topo da escada. Um sorriso se abriu em meu rosto. Dessa vez, veria a cara de pânico da minha rival.Tudo o que fiz at
Mirella:Tem sido um ano difícil, o medo do que meu pai seria capaz de fazer para me arrastar de volta para a Itália. O aparecimento da Paola e suas ameaças veladas, essa intuição que vem me atormentando a respeito da morte da Ana, nem posso falar com o Matteo e Thiago, pois é um assunto extremamente doloroso para ambos.Mas agora tem algo muito mais importante para pensarmos, um filho. Não quis saber o sexo ainda, preciso me acostumar que aqui dentro tem um bebê. Já me contaram da casa nova, como fiquei feliz em conhecer a casa e ver que já começaram a preparar o quartinho do nosso filho ou filha.Tive notícias da minha mãe, em uma semana ela estará em Nova Iorque. Nos falamos agora o tempo todo; me pediu perdão e o dei de coração, não foi culpa dela, é tão vítima quanto eu dessa covardia toda.







