INICIAR SESIÓNEstela Anderson No dia seguinte, cheguei à empresa com folga. Faltavam alguns minutos para as nove da manhã quando saí do elevador no andar do Recursos Humanos. Eu ainda sentia um resquício do cansaço dos últimos dias de julgamento, mas a sensação de dever cumprido me mantinha de pé. Caminhei até a recepção do RH, pronta para entender do que se tratava aquela convocação de última hora. — Bom dia — cumprimentei a recepcionista com um sorriso profissional. — Sou Estela Anderson. Recebi um comunicado ontem sobre uma reunião agendada para as nove horas. A mulher ergueu os olhos, e uma expressão sutil de reconhecimento, e talvez um leve nervosismo, passou por seu rosto. Ela já parecia estar à minha espera. — Bom dia, Dra. Anderson. Sim, fomos avisados — disse ela, mantendo o tom polido. — A reunião não será realizada neste andar. A senhora foi orientada a se dirigir à sala 306 no 40º andar. Franzindo ligeiramente a testa,
Estela Anderson Finalmente, o silêncio do meu apartamento. Quando a porta se fechou atrás de mim, encostei a cabeça na madeira e soltei um suspiro longo, sentindo a euforia da vitória ainda vibrando sob a minha pele, mas agora acompanhada por uma gratidão imensa por estar em casa. Charlie ainda não tinha chegado, o que era perfeito. Eu precisava de um tempo apenas comigo e o meu triunfo. Aquele peso que eu carregava nos ombros há semanas simplesmente evaporou. "Eu venci." "Eu provei o meu valor." Fui direto para o banheiro. Tomei um banho demorado, deixando a água quente lavar não apenas o suor e o cansaço do tribunal, mas toda a tensão acumulada. Vesti meu pijama mais confortável, aquele de seda que me fazia sentir abraçada, e fui para a cozinha. Pela primeira vez em dias, senti uma fome real. Preparei um lanche caprichado, saboreando cada mordida sem a pressa das reuniões ou a ansiedade dos prazos. Assim que terminei, arrastei-me até a cama. Meus o
Dominic Stone Assim que Estela saiu da sala, a atmosfera de celebração se tornou irrelevante para mim. Eu não precisava de champanhe ou de tapinhas nas costas, eu já tinha conseguido o que queria. Saí do escritório do meu pai logo após Estela se retirar e fui até a mesa da secretária.— Rosely, os papéis que a Dra. Anderson acabou de entregar. Agora — ordenei, sem sequer olhá-la nos olhos. Ela me entregou a pasta com as mãos levemente trêmulas.Abri a pasta com calma. Folheei folha por folha até encontrar a nona. Lá estava, a assinatura dela, firme e elegante.Retirei o contrato de casamento com cuidado, fechei a pasta e a coloquei de volta na mesa.Caminhei até o meu escritório e fechei a porta. O silêncio daquela sala era o cenário perfeito para o meu triunfo. Sentei-me na minha poltrona de couro, deslizando os dedos sobre o nome dela no papel. Peguei o celular e disquei para Maycon.— Feito. Ela já assinou — anunciei, minha voz carregada de uma satisfação gélida.Ouvi
John Stone, Dominic, Richard e Thomas se entreolharam. Eu via as engrenagens nas cabeças deles girando. Não era o que esperavam ouvir em uma comemoração, mas a lógica comercial e de imagem era impecável.John assentiu.— Brilhante! É exatamente o que precisamos! Eliminamos o risco futuro e limpamos nosso nome de uma vez por todas.Richard e Thomas concordaram imediatamente, murmurando sobre como aquela era uma saída inteligente.Dominic, porém, foi quem reagiu de forma mais intensa. Ele pegou sua taça e se aproximou de mim, reduzindo o espaço pessoal. Seus olhos brilhavam de uma forma que me causou um calafrio, e aquele sorriso de canto, surgiu em seu rosto.— Estela, Estela... você sempre me surpreendendo. Boas ações para gerar empatia... Não apenas advogada, mas estrategista de relações públicas. Você é muito mais visionária do que eu pensava.John Stone, levantou a taça novamente, chamando a atenção de todos.— É isso! — declarou ele. — Estela já tem a visão de uma
Assim que passamos pelas portas de vidro do prédio, o barulho da rua foi abafado, e eu finalmente consegui respirar fundo, sentindo o silêncio do hall de entrada como um bálsamo para os meus nervos.No entanto, assim que continuei a caminhar, uma tontura me invadiu. Senti tudo rodar e minhas vistas se escureceram por um instante. Tive que parar bruscamente e me escorar em alguém para não cair. Foi então que a ficha caiu: eu mal havia me alimentado direito nos últimos dias. — Estela? O que houve? — Ouvi a voz preocupada de Thomas me perguntando.Abri os olhos devagar e vi que todos estavam me encarando com expressões de preocupação. Thomas segurava meu braço com firmeza. Ele, que sempre mantinha aquela postura fria e metódica, agora parecia realmente apreensivo comigo.— Me desculpem, eu estou bem. Acho que foi apenas a emoção da vitória — eu disse, forçando um sorriso para tranquilizá-los.— Calma, ainda precisamo
Os doze jurados se levantaram e foram escoltados para a sala de deliberação. O destino da Stone & Construction, e o meu próprio futuro, agora estava nas mãos deles. O tribunal foi liberado enquanto o júri se retirava. A sala de audiências esvaziou-se lentamente, mas Dominic, Thomas, John e eu permanecemos em uma das salas de conferência, aguardando. O ambiente estava carregado de uma tensão que era quase audível. O sucesso ou o fracasso estava agora nas mãos de doze estranhos, e o meu trabalho tinha terminado. Eu não podia fazer mais nada a não ser esperar. Dominic estava sentado em uma poltrona de couro, aparentemente calmo, mas notei que sua perna balançava imperceptivelmente. Eu, por outro lado, estava à beira de um ataque de nervos. Andava pela sala, revisando mentalmente cada palavra do meu argumento final, cada vírgula, cada olhar que troquei com os j







