MasukQue tem ou transmite calor. – Dicionário Michaelis
Não, Alan não tinha uma lasanha congelada favorita. Se ele fosse dizer a verdade, nem lembrava quando tinha sido a última vez em que comera lasanha ou qualquer tipo de comida congelada. Mas ele achou muito interessante que Magda estivesse tão firme em tentar parecer a pessoa menos atrativa para ele.
O príncipe a seguiu até a cozinha e se encostou na bancada. Era um apartamento bem pequeno e a cozinha mal cabiam duas pessoas. Ainda assim, ele queria estar perto dela.
A viu retirar a lasanha da embalagem e ler a caixa para ter certeza de que faria corretamente o processo de preparo. Ela retirou o plástico que cobria o alimento e enfiou no micro-ondas, colocando o tempo que estava na caixa. Depois que o alimento começou a rodar sob a luz do aparelho, ela mexeu em um botão adicionando mais trinta segundos.
“Não tem medo de queimar?” Ele perguntou.
“Não vai,” ela se vira para ele, os dedos enfiam o último plástico dentro da caixinha, “eu coloquei esses trinta segundos porque o micro-ondas está frio.”
Sem dar muita atenção, ela j**a a embalagem em um lixo.
“Como assim?”
“É tipo pré-aquecer o forno, sabe?” Ela o imita, se encostando na bancada e ficando ao lado dele, “só que não corre o risco de que as coisas desandem, já que está tudo congelado mesmo.”
Fazia sentido, pensou Alan. “Isso explica porque minha comida sempre fica estranha quando como.”
“Como assim?”
Alan ri, ela pareceu roubar as palavras dele e usá-las contra ele. Mas, a confusão no rosto dela deixa claro que nada daquilo foi planejado.
“Eu sempre esquento demais quando estou no trabalho, mas a comida fica gelada quando estou em casa.”
“Ah,” ela solta, “achei que você comia fora. Ou, sei lá, tinha um cozinheiro.”
Alan não consegue segurar uma gargalhada, ela realmente achava que ele era um príncipe, com um exercito de funcionários?
“Olha, eu não sou um príncipe de verdade,” diz quando seu riso se controla.
“Não, eu sei que não.” Agora, ela o olha como se fosse um alienígena. “Se fosse, não estaria em um programa de TV.”
“Então por qual motivo você achou que eu tinha um cozinheiro?”
“Sei lá, você é dono de uma empresa de móveis...”
“Calma aí!” ele a interrompe, se posicionando meio de lado para vê-la melhor, “eu só faço o designer de interiores. É uma empresa pequena.
Magda o observa enquanto pensa. Caramba, ela quase parece deixar tudo o que está pensando transparecer em seu rosto, mas há uma pequena camada de segredo que impede Alan de saber exatamente o que ela está pensando e o deixa com tantas possibilidades de saber o que se passa naquela cachola deixando-o eufórico.
“Desculpa, acho que exagerei.”
Tudo, absolutamente tudo o que passou pela menta de Alan foi diferente do que ele recebeu.
“Não me ofendeu,” ele diz. “Não precisa pedir desculpas.” O sorriso dele se alarga quando percebe ela ficando vermelha. De perto, de tão perto, ela é fofa.
E, bom, está maquiada, mas ainda é possível ver as sardas dela. Também está com uma blusa e um short, roupas bem casuais, mas que deixam ele ver o salpicado de sardinhas que escorre pelo corpo dela.
Seus pensamentos logo vagam por onde mais ela teria sardas. Ele remexe os olhos pela cozinha dela e tenta pensar em outra coisa que não seja o corpo dela. Tenta pensar em algo que não seja o perfume dela ou os cabelos volumosos que ela prendeu em um rabo de cavalo alto.
De alguma forma, ela o atiça.
“O que procura?”
E, também o observa.
“Apenas reparando na sua cozinha.” Ele diz. “Mal do ofício,” mente.
A verdade é que se ele pudesse, seria um reles marceneiro. Mas quando disse isto para a mãe, ela quase o expulsou de casa.
“Meu filho não vai ter mão calejada!”
De hobby, ele acabou aprendendo a esculpir com faca – e para o terror da mãe, a sujeira era enorme.
Mas, também seguiu para a profissão que o deixava mais perto do que havia planejado para si. Planejar móveis era um tanto divertido. Principalmente quando a pessoa era criativa.
Já, a cozinha de Magda, era bem... padrão. Tudo era meio branco demais. A pia era de uma pedra barata, o fogão era tão simples e antigo que de branco passou a amarelo; o micro-ondas era novo, todo de inox, a geladeira estava cheia de ímãs e fotos.
Alan se aproximou do último eletrodoméstico.
“Gosta de viajar?” Perguntou.
“Queria poder viajar mais,” ela responde.
As fotos são de vários lugares diferentes, mas o mais interessante é que são todas... simples. Há fotos de paisagem, com amigos, dela mais jovem, de alguns bichinhos, de comida.
“Parece um perfil, só que analógico,” ele comenta.
Ela ri. O riso dela deixa um sorriso grande no rosto dele.
O micro-ondas apita, o tempo de conversa jogada fora acaba e ela se aproxima do eletrodoméstico para retirar o alimento quente.
“Ei!” ele a impede, “vai se queimar,” alerta.
“Não, não vou.” Magda rebate, abre a porta e uma fumaça suave escapa. A embalagem de papel deixa que o queijo sobre o alimento borbulhe, um alerta de que está quente.
“Deixa que eu pego,” Alan insiste. Ele pega um pano de prato que está sobre o balcão.
“Você é convidado,” ela já está enfiando a mão dentro do aparelho.
“Não!” ele a puxa.
Não quer que a ruiva se queime. Age rápido, agarra a cintura, a puxa para seu corpo. Eles se chocam, ele se eletrifica, sente Magda tremer antes de erguer os olhos para ele, meio caída porque se desequilibrou com o puxão.
O corpo dele é quente. É perfumado, mas a roupa é o que mais chama a atenção. Tem cheiro de amaciante, um dos bons. Ele sabe lavar roupa, ela pensa, deixar a roupa cheirosa.
Magda sabe que ele mora sozinho, sabe que ele foi criado numa família majoritariamente feminina e que ele adora comida caseira. Não tem certeza se tudo aquilo é real ou se ele só inventou, porque ela sabe que ele não tinha interesse de ir para o programa.
Bom, Magda trabalhava para o programa de Rasha, então ela tinha acesso a informações privilegiadas. É por isso que estar naquele programa parecia tão errado. Mas, colada nele, o olhando ali de baixo e vendo ele olhando-a de cima, sentindo a preocupação dele em que ela se queimasse...
É, Magda sentiu o coração batendo bem forte. Ela temeu de susto e depois de... prazer? Era bom estar ali, colada nele. Era bom sentir o cheiro da roupa e do perfume. Ser cuidada por alguém de forma sincera, tão sincera que até ele se pegou desprevenido quando a puxou.
Se não fosse isso, então porque ele também tinha aquela cara de assustado?
“Desculpe,” ele diz. Ajudando-a a se estabilizar antes de se afastar um pouco.
“Tudo bem,” ela sussurra.
Ele pega a comida quente e as câmeras captam toda a cena com precisão. Aquele momento seria muito comentado. Aquele momento seria muito apreciado e até julgado. As pessoas teriam muito material para trabalhar nas redes sociais e até apostarem que Magda e Alan seriam um casal no final do programa.
Isto incluía Rasha Muniz.
PersonalidadeQualidade essencial e exclusiva de uma pessoa; aquilo que a distingue de todas as outras; caráter, identidade, originalidade. – Dicionário Michaelis.A mesa estava uma bagunça, como sempre. A comida farta era simples, um frango assado, um punhado de salada fresca, suco, arroz, feijão e purê de batatas, nunca podia faltar purê quando Marília ia almoçar na casa da mãe. Ninguém sabia de onde tinha tirado tanto amor pelo purê, mas quando não se tinha, ela simplesmente ficava fazendo um discurso interminável de como ninguém lembrava dos mais velhos.“Você foi moleque,” Regina diz, ou tenente Pegatto, como detestava ser chamada pela família. Ela queria fugir do trabalho quando estava naquela casa cheia e confortável.“Obrigado pelo aviso tardio,” Alan retorna para a irmã que está ao seu lado direito. À esquerda, a mãe continuava concordando fisicamente com Marília, que discute sobre o ato malcriado de Alan.Como ele ousava participar de um programa de namoro e não avisar a nin
IrmãsAmiga inseparável, de todas as horas, ligada a outra pessoa por sentimento de irmandade e fraternidade; mana – Dicionário Michaelis. A prova seguinte, para Alan conhecer as meninas e ver se era compatível com elas, seria algo interessante. Ele escolheria uma atividade e teria um tempo com cada uma delas. O príncipe pensou em muitas coisas e Rasha negou várias delas.“Você sabe que tem que ter um tempo colado com elas, não sabe?”A apresentadora estava com a cara mais entediada do mundo. Como assim as ideias dele tinha que envolver corpo colado? E como assim ele não fazia ideia disso?“Acho que esqueci de ler o manual das provas,” ele ironiza enquanto recruza as pernas.“Vamos, você consegue fazer algo melhor do que só essas coisas chatas. Que tal, acampar?”“Duvido que pelo menos três gostem de ficar um tempo no mato com um punhado de insetos,” ele rebate.Seria interessante, pensou a apresentadora, ver as meninas ficando apavoradas com a ideia e tentando fingir que amaram. Me
OpacoPouco ou nada claro e preciso; difícil de compreender; confuso, incompreensível – dicionário Michaelis.As meninas se reuniram no palco. Os a plateia estava sacudindo as mãos, as duas. Para direita e para esquerda, como se estivessem mostrando que tremiam de tensão. A música era tensa e até a luz estava mais baixa, meio roxa, para afetar ainda mais o público que assistia ao programa. Rasha tinha feito a grande pergunta para Alan:“Quem você elimina hoje?”Magda percebeu que estava tensa com a situação. Ela só não entendeu a razão para aquilo. Era por medo de ser escolhida por Alan e descobrir que estava realmente gostando dele ou era por ser escolhida e perder o dinheiro que Rasha estava lhe oferecendo.Caramba, franziu a testa, quanta coisa uma cabeça podia pensar em tão pouco tempo?A câmera foi passeando por aquelas meninas que mais demonstravam algo. Focaram um pouco mais em Magda, o que causou um reboliço na internet, levantando brigas e teorias sobre a ruiva saber ou não qu
RegraFórmula que indica o modo correto de falar, pensar ou agir, em determinados casos. – Dicionário Michaelis.“Acho que é conversar é o melhor encontro que alguém pode ter.” A câmera foca um pouco mais no rosto sardento de Magda. Ela pensa um pouco, deixa uma gostosa sensação de mistério no ar. “É isso, um simples momento confortável.”Com o sorriso suave da ruiva, a imagem volta para Alan e Rasha. A plateia está aplaudindo, igual ao que fizeram com todas as outras declarações.“Então, você concorda com ela?” Rasha Muniz provoca.“Sim, claro.” O príncipe diz. “Se não podemos ficar confortáveis com quem convive conosco, então será que vale a pena?”Roseane sorri e olha para o marido. O programa está muito interessante para o casal que acompanhava a busca pelo coração de um cara bonitão. “Acho que desta vez,” ela começa com a voz risonha, “você vai perder a aposta.”Julian beija a mão da esposa e a puxa para mais perto. O aconchego do sofá era aumentado pelas cobertas fofas recém limp
InimigoPessoa que tem inimizade, hostilidade a alguém e quer seu mal. – Dicionário Michaelis.Rasha Muniz brilhava no palco de seu programa. Vestida como uma princesa, ela chama Alan ao palco. Gosta como ele parece preencher todo o ambiente, como a plateia grita animada mesmo sem incentivo algum. Eles se abraçam, possuem quase a mesma altura, já que ela está em saltos altos.Sem o microfone ligado, perguntam como estão. O príncipe interage com a plateia saudando-os com um aceno de mão. Está sempre sorrindo, mas de um jeito um tanto fofo, parece até um garoto.“Meu querido,” diz Rasha quando se acomodam nos bancos desconfortáveis, mas capazes de deixar uma postura elegantíssima, “como foram os encontros com nossas garotas?”Alan diz:“Incrível. Elas são incríveis.” Ele é bem politizado.“Então, você conseguiu conhecer um pouco mais delas?”“Olha, Rasha, eu tenho uma tendencia a ser meio lento nisto,” revela. A plateia urra com alegria de saber que ele pode ser lento em algo. Todos ver
PensarTer em mente; pretender, tencionar – Dicionário MichaelisNo dia de gravar a eliminação, Alan não quis sair da cama. O programa estava previsto para ser gravado às 14 horas, mas ele tinha de chegar um pouco mais cedo. O carro da emissora chegaria as 12:30 e teriam um lanchinho para ele quando chegasse.Bom, metade de suas coisas já estavam prontas porque ele sabia que teria aquele desânimo quando acordasse. Era sempre a mesma coisa, ir para o palco do programa, ser bombardeado por perguntas e pegadinhas, lembrar o tempo todo de se manter sorridente e, no final, explicar o motivo de eliminar alguém.As duas primeiras gravações eram para ter sido fáceis. Uma garota que não queria participar? Moleza, ele pensou. O problema é que se interessou demais pela mulher. Aí ficou um pouco mais difícil de eliminar alguém.Alan Pegatto odiava, de todo coração, fazer as pessoas ficarem tristes. Com raiva? Tudo bem, ele podia lidar com a ideia de não gostarem dele; mas magoado? Socorro, ele nã







