Ela Voltou Meu Ex-Marido

Ela Voltou Meu Ex-Marido

last updateÚltima atualização : 2026-09-07
Por:  DaysyEscritoraAtualizado agora
Idioma: Portuguese
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Alexander Whitmore se vê forçado a se casar com Lauren Green para garantir sua herança na empresa da família. Embora inicialmente sintam uma repulsa mútua, a atração entre eles se transforma em um conflito emocional profundo quando Alexander começa a se apaixonar por Lauren. No entanto, uma gravidez inesperada leva Lauren a fugir e buscar o divórcio. Anos depois, ela retorna como sua ex-esposa acompanhada de uma criança, e Alexander, consumido pelo arrependimento, implora de joelhos por uma segunda chance.

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Capítulo 1

01

Alexander encontrava-se sentado no escritório de seu tio. O ar estava tenso, e a luz do sol filtrava-se suavemente pelas persianas. Ele encarava o tio, um homem robusto de olhar firme que havia sido uma figura "paterna" desde a trágica morte de seu próprio pai, embora Alexander sempre desconfiasse de que houvesse intenções ocultas por trás daquela fachada de bondade.

— Alexander — começou Damián com voz grave —, há algo que você precisa entender se realmente deseja assumir a presidência da Whitmore.

O jovem franziu o cenho, sentindo o peso esmagador da herança prestes a despencar sobre seus ombros.

— O que é? — perguntou, tentando manter a firmeza na voz.

— Seu pai deixou uma cláusula específica no testamento — disse o tio, cruzando os braços rigidamente —. Você só poderá heredar a companhia se se casar.

As palavras ecoaram na mente de Alexander como um estrondo ensurdecedor. Seu coração disparou, e uma onda violenta de revolta o invadiu.

— Casar-me? — repetiu, incrédulo. — Por quê? Droga, por que diabos eu tenho que me casar?

— Era o desejo dele — respondeu o tio, impassível. — Ele acreditava que um líder de verdade deve ter uma família sólida ao seu lado. Faz parte da visão dele para o futuro da corporação. Portanto, apenas aceite e faça isso.

O rapaz cerrou os punhos com força, consumido pela raiva diante do absurdo que o maldito tio estava exigindo. E, por mais que tentasse raciocinar, uma dúvida o atormentava: por que diabos seu pai havia colocado uma exigência tão descabida no testamento?

Aquela situação toda era pura loucura.

— Não pretendo me casar. Essa é uma decisão que diz respeito exclusivamente a mim.

Damián soltou uma risada fria e desdenhosa.

— Você vai se casar, quer queira quer não! A empresa está acima de qualquer capricho seu — rebateu no mesmo tom. — Eu até tento entender essa sua mania de querer contrariar tudo, mas desta vez não há nada que você possa fazer para mudar as regras. Já está tudo decidido.

Alexander voltou a disparar xingamentos enquanto caminhava de um lado para o outro da sala, pisando fundo.

— E um casamento arranjado seria realmente a melhor opção?! Eu não quero fazer isso, você deveria me ajudar. Se realmente se importa comigo, faça o possível para anular essa cláusula maldita.

— O que você está me pedindo é simplesmente impossível — Damián massageou as têmporas, demonstrando cansaço. — Vai aceitar as condições ou não? Alex, se você se recusar a casar, pode esquecer por completo a ideia de se tornar o novo presidente da Whitmore.

O rapaz estreitou os olhos, fitando o tio com desconfiança. Seria aquilo... o que ele realmente desejava?

— Por que está fazendo isso? O que está acontecendo, Damián? Acaso você quer o meu lugar na presidência?

— Do que você está falando? Nunca tive a intenção de ocupar um cargo que não me pertence por direito.

No fundo, porém, Alexander sabia que Damián parecia cobiçar a cadeira que seu pai havia ocupado por tantos anos — o mesmo trono corporativo que agora só seria dele se aceitasse aquela união forçada.

— Preciso sair daqui. Não quero voltar a ouvir uma só palavra sobre esse assunto — reclamou, virando as costas e saindo abruptamente.

Por que o maldito do seu pai o havia colocado em uma armadilha daquelas? Ele odiava aquela exigência absurda que o deixava de mãos atadas.

Totalmente transtornado, sentou-se na borda da cama e escondeu o rosto entre as mãos.

Pouco depois, bateram à porta.

Ele sequer se deu ao trabalho de abrir.

— Alexander, eu sei que você não quer fazer isso, mas... Não lhe resta outra alternativa se quiser manter o poder — a voz de Damián abafou o silêncio do corredor através da madeira. — Seu pai me contou uma vez que ele e o pai de Lauren tinham sido conhecidos no passado. Aconteceu algo grave, e seu pai acabou ficando em dívida com o pai dela. Por isso, ele prometeu que, se aquele homem viesse a ter uma filha, ela se tornaria sua esposa... Foi isso o que o seu falecido pai, Darren, me explicou.

Ao ouvir aquela história absurda, Alexander bufou com desprezo.

— Não havia alguém um pouco melhor para essa situação? — soltou a madrasta, Margaret, olhando com desdém supremo para a jovem Lauren.

Ela achava o fim da picada que a enteada fosse se casar com um homem multimilionário; detestava profundamente não ser ela própria a contemplada com uma oportunidade de ouro daquela magnitude. Por outro lado, tinha plena consciência de que, com aquele casamento, todas as dívidas e o sufoco financeiro que as atormentavam desapareceriam num piscar de olhos.

O irmão de Margaret, Marcos, assentiu com a cabeça.

— O sortudo do seu falecido marido era amigo do pai daquele jovem rico, e a vontade expressa em testamento é que o filho dele se case com a Lauren. Além do mais, existe aquela cláusula que obriga o tal Alexander a subir ao altar para conseguir acessar a presidência da empresa.

A mulher estalou a língua no céu da boca, irritada.

— A Lauren não tem nada de especial. Não é bonita e muito menos inteligente. Você não acha isso tudo um absurdo completo? Ela é só uma pirralha inútil e boa para nada.

— Ninguém está obrigando a Lauren a aceitar, mas se ela concordar, nós poderemos viver confortavelmente pelo resto de nossos dias. Portanto, pare de ser tão invejosa e aceite logo isso.

Escondida bem ali perto, para evitar ser descoberta, a jovem tremia da cabeça aos pés ao ouvir aquela conversa. Ela não queria de jeito nenhum um casamento repentino, totalmente forçado e armado nos bastidores.

Cravando as unhas contra o umbral da porta, permaneceu imóvel, atordoada com a imensidão daquela revelação.

Nesse instante, Marcos virou o rosto na direção dela e a flagranteou no ato.

— Ah, venha cá, agora mesmo! — ordenou com um gesto seco.

Apressada e trêmula, ela obedeceu, aproximando-se com passos desajeitados até tropeçar a poucos centímetros dos dois, provocando o estrondo de um vaso decorativo que se espatifou no chão em mil pedaços.

— Inútil! Olha só o que você fez! — Margaret puxou-lhe os cabelos com extrema violência, afastando-a com brutalidade. Lauren machucou o braço e soltou um gemido abafado, forçando-se a engolir a dor e o ardor repentino.

— Margaret, isso não vem ao caso agora. Olhe para ela, está aterrorizada; não basta isso? E você... — Marcos apontou o dedo indicador para a enteada. — Quer viver como uma rainha? Então aceite este casamento. Eu sei que você ouviu cada palavra do que dissemos. Se tiver um pingo de inteligência, case-se com Alexander Whitmore.

Ela arregalou os olhos em pânico e balançou a cabeça freneticamente.

— Eu n-não quero me casar.

Marcos bufou, impaciente, e aproximou-se para segurá-la com força pelo antebraço.

— Dinheiro, luxo, uma vida repleta de privilégios inimagináveis e tudo o que você nunca pôde ter na sua vidinha miserável. Por que uma pobre ingrata como você recusaria uma oportunidade dessas?

Ela continuava irredutível, recusando-se a aceitar o destino imposto. Não queria aquilo.

— Eu só quero ir embora desta casa, é só isso que eu peço... — suplicou, negando-se veementemente ao acordo matrimonial. Sabia muito bem que os dois nunca haviam demonstrado o menor afeto por ela, deixando apenas marcas físicas e emocionais profundas em sua trajetória. Então, por que cargas d'água estavam tão desesperados para empurrá-la para aquele casamento? Era evidente que estavam recebendo uma bolada por trás daquilo.

Margaret revirou os olhos com soberba.

— Para ir para onde? Aposto que pretendia sair daqui para mofar debaixo de uma ponte. Porque, caso tenha se esquecido, você não tem absolutamente nada na vida. Eu realmente queria evitar tocar nesse assunto, mas, se você tiver um pingo de respeito pela memória do seu próprio pai, case-se e faça valer o fato de ele ter mantido você viva até o dia em que bateu as botas.

Lauren apertou as mãos com força e soltou um suspiro trêmulo.

— Meu pai devia assim tanto assim um favor ao pai daquele homem?

— Isso não é da sua conta! — cuspiu o homem. — Afinal, vai se casar ou não?

— Quanto tempo vai durar essa farsa?

— Não tem prazo de validade, minha cara. É até que a morte os separe — ele debochou, arrancando um tremor ainda mais forte do corpo dela.

Margaret soltou uma gargalhada cínica.

Nesse exato momento, o choro estridente do pequeno Jack irrompeu pela casa. Era filho de Margaret e de seu falecido pai, Lucas. Um menino de apenas seis anos de idade que, infelizmente, também sofria com a índole perversa daquela mulher.

— Eu não posso simplesmente deixar o Jack aqui... — sussurrou Lauren, com o coração partido.

— O Jack é meu filho, não seu! Se você se importa tanto assim com ele, case-se logo, pois só assim poderei dar uma vida digna ao garoto.

A jovem ponderou sobre aquilo em silêncio; contudo, recusava-se a dar o salto para uma etapa da vida que desprezava com todas as forças.

Com os olhos banhados em lágrimas, Lauren direcionou o olhar para o meio-irmão. Ela o amava profundamente e faria qualquer coisa para garantir a segurança dele.

— Está bem... Eu aceito. Eu me casarei, mas apenas se prometerem cuidar de verdade do Jack e garantirem que ninguém vai machucá-lo. Ele é apenas uma criança inocente — implorou, sentindo uma dor lancinante no peito.

— Me parece um acordo justo e fácil de cumprir — interveio Marcos. — Jack, venha aqui meu garoto.

A criança aproximou-se, enxugando as próprias lágrimas com as mãozinhas.

Margaret revirou os olhos, entediada.

— Você é pateticamente ingênua — zombou.

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