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CAPÍTULO 2

Author: Kell velloso
last update publish date: 2026-08-11 09:01:40

[Chorando]

Eu passei por um inferno, nunca imaginei passar por algo desse tipo, sempre levei a minha vida da melhor maneira possível, uma vida como muitos chamam careta, mas nunca me importei com isso, sempre respeitei a todos, sempre cumprimentei aquele demônio, sempre fui educada, porque? porque? porque?

Eu achei que iria morrer naquele buraco, nas mãos daquele demônio...

Ainda sinto as mãos daquele nojento passando pelo meu corpo, que raiva que eu estou sentindo de mim, que raiva eu ter nascido mulher, se não fosse isso nada disso teria acontecido comigo...eu não teria passado por esse inferno.

E tudo teria acontecido de novo, como já estava acontecendo a dias, se aquele homem não tivesse chegado ali, eu queria morrer, a angústia me consumia, o desespero de estar aprisionada, sem chance alguma de escapar daquele buraco dos infernos, até que ele chegou, ele chegou pra me resgatar, eu vi naquele olhar ódio, era isso ódio direcionado ao meu carcereiro, ao meu algoz...

As palavras dele ainda ecoam em minha mente:

— Fica tranquila, não vou te machucar, vou apenas te tirar desse buraco.

Ali eu vi um pouquinho de esperança e me agarrei a ela, era isso ou nada.

Ainda não quero acreditar que consegui sair daquele lugar horroroso, mas a pergunta que não quer calar em minha mente é: Quem é este homem e como ele sabia onde eu estava, se ninguém me procurou, assim que desligo o chuveiro vejo que tem toalha na bancada da pia, enxugo o meu corpo e ao me olhar no espelho vejo como estou destruída, meu corpo está todo machucado, tenho manchas roxas por todo o meu corpo, meu rosto tem alguns machucados no canto da boca dos t***s que aquele demônio me deu, meu olhos voltam a marejar com as lembranças do que acabei de passar, as lembranças vindo em ondas, meu corpo treme, fico ali por mais uns minutos tentando me acalmar, mas ao mesmo tempo me perguntando se devo mesmo me acalmar se nem sei quem foi que me ajudou, logo depois vou até o quarto e em cima da cama vejo umas camisetas, fico agradecida por não ter ninguém aqui por perto, este não seria um bom momento pra ver ninguém, visto aquela camiseta que b**e na metade das minhas coxas, sento-me na beirada da cama e fico ali me perguntando o que eu farei, como vou agir...

Os minutos passam e logo depois eu saio devagar e me dou conta que estou na casa de um desconhecido, a casa é até bonita, fico olhando ao redor pra ver se vejo alguém, mas nada, não vejo ninguém, desço a escada e vou até a sala, assim que abro a porta me assusto ao ver um rapaz com um uma arma na mão...

Volto para a sala e me sento no sofá, é melhor esperar alguém aparecer pra descobrir como eu posso ir pra minha casa...

Sei que estou na casa do homem que me tirou daquele inferno, mas pra ser sincera, nem olhei em seu rosto, sinto o meu estômago roncar, nem faço ideia que horas seja...

Perdida em pensamentos escuto o som de alguém entrando...

— Aê menor, tá ligado se a mina já desceu?

— Já sim chefia, ela ia sair mas quando viu a ponto quarenta amarelou e voltou pra dentro hahaha.

— Beleza, fica de olho aê, que o bagulho hoje vai ficar loco nessa porra.

Entro na minha goma e dou de cara com a mina sentada, vejo que ela chorou, os olhos tão vermelho pra carai, fazer o que né, o filho da putta fodeo com a vida da mina, mas esqueceu que na porra do meu Morro não tem dessa naum, fez cagada, vai servir de exemplo pros outros não fazer.

— Aê mina como que cê tá? Tô ligado que as parada num foi fácil, mas aê, eu não sabia falô, mas isso vai ficar assim não, o mané sabia que tava quebrando as regra e vai pagar pelo que fez belê. Aê, tô morrendo de fome, vou ali na dona Lina comprar o rango e assim que nóis comê, vou levar tu no postinho pro doutor dá uma olhada em tu.

— É eu estou sim com fome, faz dias que eu não me alimento bem, mas quero saber como eu faço pra voltar pra minha casa.

— Ih mina sem caô, fica relex, vai comê alguma coisa depois nóis vê como faz...

— Eu só quero ir pra minha casa. "Começo a chorar e vejo o cara se aproximando".

— Aê mina na moral, chora não véi, eu vou buscar um rango pra nóis comê, fica aí de boa depois eu vejo como faço, belê?

Ele sai e fico ali sentada, com as lágrimas rolando sobre o meu rosto, e os minutos passam, quando estou quase sendo vencida pelo cansaço, ele volta com duas sacola na mão, e segue para outro cômodo, mas no meio do caminho diz:

— Aê morena, vem comê, aproveita que ainda tá quente. O Acompanho e vejo ele retirar das sacolas dois marmitex e uma coca e colocar em cima da mesa.

— Como é teu nome, morena?

— Thaíse, e o senhor é?

— Sou O DIABLO, tá ligada que tu num vai pra tua goma hoje né, mermo porque o que aconteceu com tu aqui pra nóis não tem perdão, e o vapor vai receber a sentença...

— Olha seu Diablo, eu só quero ir para a minha casa, não quero me envolver com nada, o que passei já foi o suficiente para toda uma vida...

— Tô ligado que num quer se envolver, na moral, mas aê, fica aê mais uns dia, e depois quando isso "ele fala apontando meu corpo machucado" melhorar mando um menor te levar na tua goma, de boa.

— Obrigado.

Teminamo de comê e deixo a mina ali de boa enquanto vou na boca passar as ordem, essas faço questão de dar pessoalmente.

— Aê FJ, vou levar a mina no postinho e quando voltar vou mostrar o que acontece com quem ousa quebrar as minhas regras, espalha pra comunidade que hoje terá exemplo na praça, manda os vapor espalhar a noticia, assim todos vão lembrar quem eu sou nessa porra.

— Tu vai mesmo fazer isso Diablo?

— Com certeza, qualé, tão achando que isso aqui é o que?

Saio da boca e volto pra goma, a minha tá deitada no sofá, na moral, nunca trouxe mulher nenhuma pra minha goma, as vadias daqui são tudo uma fodida que dá pra todos, mas essa mina foi diferente, ela merecia um pouco de conforto.

Chego nela e vejo os olhos fechados mais inchados do choro, que porra isso tinha que acontecer no meu morro...

— Thaíse, acorda..."balanço o braço e logo ela abre os olhos assustada".

— Vamo, vou te levar no postinho...

Ela se olha sem graça por estar de camiseta, mas posso fazer nada não

— Posso fazer nada agora não mina, na minha goma só tem roupa minha tá ligada, vamo que mando alguém arrumar umas roupa pra tu .

Ela me segue, e se encolhe quando passa do lado do menor, entramos no carro e desço até o postinho e assim que verem que sou eu chegando já correm pra ver o que está acontecendo...

— Aê cuida da mina aê, ela vai dizer o que aconteceu, trata direitinho dela falô...

— Seu Diablo, eu nunca a vi aqui no morro...

— É isso mermo, ela não é daqui, mas não é por isso que podem fazer o que querem achando que ficarão impune nesse caraleo, -Tá rolando uma conversa que vai ter algo hoje na praça...

— É isso mermo, fez merda no meu morro paga, vai virar exemplo.

Depois que foi atendida, deixei a mina na goma, o dia tá quente pra caraleo, o sol amanheceu de rachá, subi na moto e segui até a boca, confirmei que as ordem foi dada e segui até o nosso galpão de tortura, onde o duquetreze tá detido desde que foi arrastado do barraco.

— Aê chefia, perdoa chefia, perdoa...

— Perdoar, hahahaha, tá ligado o que acontece com duquetreze, e como tu teve coragem de passar por cima das minha ordem, falo dando um grito e começo a bater...

— Quantos dias carae, quantos dias que tu manteve a mina presa?

— Duas semanas chefia

— Carae menor, tem falta de bucceta nessa porra desse morro, pra ter que pegar mulher a força, fala porra?

— Não chefia. "Num guento a cara de pauu desse carae que se acha home porque tem um pauu entre as pernas", dou um soco, e mais outro e mais outro, o sangue já tá escorrendo no rosto, mas ainda num tô satisfeito, se tem uma coisa que eu odeio é estupro carae, e tu faz uma porra dessa no meu morro...

Saio de perto daquele lixo, limpo as minhas mãos e tiro a camiseta...

— Tá na hora de levar a coisinha pra praça, leva e deixa embaixo de sol, espera a praça tá cheia que daqui a pouco colo lá.

Não demora muito e dois soldado arrasta o verme e j**a no porta mala, subo na moro t volto pra boca, hora de olhar a contabilidade, ao menos isso pra distrair a porra da minha cabeça.

Saia micro que dá até pra ver a cor da calcinha pela frente e um cropedd, a bicha é gostosa, chupa bem pra porra, mas tem um defeito, acha que vou assumir como fiel, só em sonho...

— Aê DIABLO, tô ligada que tu tá estressado, vim aqui pra te aliviar...

— Na moral Juliana, agora não talvez mais tarde, tenho trabalho a fazer, agora sai... falo me levantando e deixando a cachorra ali, fico do lado de fora esperando ela sair, quando sai me olha com raiva por ter deixado na seca, tô pouco me fodendo pra ela...

Subo na moto e piloto até a praça, quando tô chegando vejo a multidão reunida ali, sou o meu melhor sorriso, ao ver o quanto o povo gosta de ver a desgraça dos outros, desço da moto e vou até onde estão os soldados...

Aqui todos sabem que se vai ser punido na praça o que fez é imperdoável, quando meus olhos encontram o duquetreze ele está coberto de tomates, ovos e sei lá mais o que que tanto jogaram nele...

mando soltarem o verme...

— Sabe qual é a castigo pra porra que tu fez... 'fala em alto e bom som o que você fez seu verme, e é pra todos ouvirem...

Ele começa a se tremer, olha nos meus olhos, e olha pra alguém que tá ali no meio do povão...

— Me perdoa mãe, tia...

Eu sequestrei, mantive no meu barraco conta a vontade dela e a estuprei por duas semanas...

Começo a escutar os mexericos do povão, todos sabem que isso é imperdoável, todos aqui sabem que eu abomino essa porra de crime e sabem que tipo de punição é aplicada e ele sendo um dos meus vapor me faz uma dessa...

Me aproximo e pego o chicote, começo a chicotear as costas, sem dó, a cada chicotada os rasgos nas costas começam a se abrir, e os gritos de dor ecoam, são 28 chicotas nas costas, nas pernas, o sangue já escorre no chão, escuto os gritos da mãe do embuste, depois de dar as 28 chicotadas ele cai no chão ofegante, começam os chutes, ele já está irreconhecível, não tenho dó de porra nenhum, aqui nessa porra tem ordem, esse cria da favela vem aprontar uma dessas...

O sangue do bosta começa a espalhar pelo chão, os soldados se juntam e começam a chutar também, e depois de 20 minutos apanhando na praça ele está desfalecido, puxo a arma que tá na minhas costas, e aponto pra ele, e assim que puxo o gatilho escuto alguém gritar Nãoooooooooooooooo, e desmaia no meio povo.

Olho e vejo que foi a mãe do meliante que caiu no meio do povo, olho para todos que estão ali e falo: Que essa porra sirva de exemplo pra não fazerem merda no meu morro, andou na linha vive bem, pisou na bola...BOA SORTE.

Mando todos circularem, subo na moto e volto pra boca continuar com minhas contas...

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