FAZER LOGINOs primeiros raios de sol do sábado surgiram por trás das montanhas que delineavam o horizonte alaranjado. Donovan dirigia pelas estradas de terra, longe da rodovia principal recém asfaltada. O progresso estava chegando em passos lentos, e ele preferia se manter dentro das suas próprias regras. Não era sábio cruzar o Texas pela rodovia que era um alvo fácil para todos os tipos de carniceiros.
Donovan não teria problema algum em arriscar a própria vida, mas quando pegava um serviço, ele tinha o senso de responsabilidade de cuidar do cliente. Era a primeira vez que ele ajudava uma dama nova-iorquina, e não precisava usar de inteligência para saber que a mulher tinha uma personalidade forte. Lentamente, Donovan olhou para o lado. Laura caiu no sono assim que entrou no carro, e dormia com a cabeça recostada no assento de couro preto. Sua respiração regular fazia com que seus seios grandes subissem e descessem em movimentos cadenciados. Donovan apertou o volante com as mãos suadas para reprimir a vontade de tocar em Laura. Ele também mordeu o lábio inferior com força para não sucumbir à vontade de sugar os lábios carnudos dela. Ele era dono de um grande apetite sexual, e putas não faltavam. Ele não tinha porque estar se sentindo atraído por uma mulher que não seria capaz de satisfazê-lo, dada a sua castidade. Sim, ela não era uma prostituta igual as que ele estava acostumado. Era muito bonita sem sombra de dúvida, porém, era bem capaz da recatada nova-iorquina cair dura no chão ao ver o que ele tinha entre as pernas. Donovan riu do próprio pensamento pecaminoso. Seria um pecado seduzir a Senhorita Miller. Mas pensando bem, ele era o próprio pecado. O fora da lei tossiu alto. Laura acordou com uma carranca de ódio. - É a próxima parada? - Ainda faltam alguns quilômetros até Kimbell. - Eu estou com sede. - Deve ser por causa do tanto de carne de porco que você comeu. A senhorita não deve estar acostumada com carnes gordurosas. Laura se ajeitou no assento. Tudo o que Donovan falava, era em tom de zombaria como se ela fosse uma pessoa insignificante. Ela respirou fundo e devolveu no mesmo tom sarcástico. - De fato, eu não estou acostumada a essa vida primitiva. É a primeira vez que eu me sento ao lado de um homem que não toma banho. Donovan se curvou para cheirar suas axilas. Ele torceu o nariz e virou o rosto para o lado da janela. Entretanto, não conteve o descaso. - Eu tenho cheiro de macho. - Isso pode ser atraente aqui no oeste. Em Nova Iorque, diriam que você fede à chiqueiro de porco. - Poxa, e pensar que aquele porco que te alimentou não foi nem limpo direito, é frustrante. Laura prendeu a respiração ofegante para não vomitar. Em seguida, ela tentou manter a postura fria. - Eu estou com sede. - Cinco quilômetros até Kimbell. Não dê chilique e nem aja como uma mulher mimada. Eu não tenho paciência para isso. Pra mim te largar na estrada é mole. - Eu duvido que você desista de me roubar. Seus pais não te ensinaram como se deve tratar uma dama? Laura ganhou um olhar firme que ela sustentou de nariz empinado. Ao olhar para a estrada novamente, Donovan freou bruscamente ao ver a carroça tombada. Laura voou para frente e para trás. Ela levou a mão na cabeça e Donovan a pegou pelo pulso com força. Ele passou a mão na cabeça dela para ver se não tinha ferimentos. Sua voz suavizou ao perguntar preocupado: - A senhorita está bem? Atordoada, Laura assentiu. - Sim. Solte o meu pulso antes que você o quebre. Donovan acatou a ordem e saiu do carro soltando uma série de palavrões. Laura massageou o pulso delicado que queimava com o aperto firme do texano. Ela se inclinou para frente para ver o que estava acontecendo. Seus olhos escuros se arregalaram ao ver a perna de uma mulher debaixo da carroça. Sem esforço, Donovan virou a mesma e acalmou o cavalo preto e magro. Chocada, Laura viu uma mulher que parecia ser índia, com uma barriga de grávida, estirada na estrada de terra. Seu vestido branco estava na altura dos seus joelhos e ela gemia. Donovan começou uma discussão acalorada com o condutor da carroça, que era um homem branco, baixo e gordo. Laura ficou horrorizada como nenhum dos dois homens socorriam a mulher. Ela saiu do carro, e ao se aproximar, seu coração errou as batidas. A perna do bebê estava para fora da vagina ensanguentada da índia que estendeu a mão para ela. - Ajuda. Laura se inclinou, mas foi puxada para trás. Donovan passou um braço em volta dela e vociferou: - Não toque nela! Ela está amaldiçoada! Laura se debateu para se soltar. - Não seja ridículo! Ela precisa de ajuda! - Não! O dono da carroça apertou o chapéu marrom entre as mãos trêmulas. - Eu estou levando ela para Kimbell para ter o bebê. Por favor, senhor. Eu estava em alta velocidade e a carroça tombou. Eu não consigo colocar ela na carroça. Nos ajude. Com sangue indígena, Donovan sabia que quando um bebê estava virado, era porque a mãe estava amaldiçoada. - Ela vai morrer de hemorragia em alguns minutos. Não force esse cavalo nessa viagem desnecessária. O animal ainda pode ser útil. Laura sentiu as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Donovan ainda a tinha em volta do seu braço. Ela virou para ele e implorou. - Por favor, ajuda ela! - Não! - Monstro! Laura foi arrastada para a Ford. Ela se virou para trás quando Donovan passou pela carroça, levantando uma nuvem de poeira. Laura viu o homem ajoelhado ao lado da mulher que ele não conseguia erguer nos braços. Ele gritou de desespero e ergueu a face para o céu azul e silencioso. Atordoada, Laura se virou e sentou no banco. Donovan acendeu um cigarro e olhou sério para ela. Ele desdenhou. - Não me olhe assim. - Não fale comigo nunca mais. Lentamente, Donovan deu um trago no cigarro. Ao soltar a fumaça, ele disse com a voz melancólica: - "Tenho sede." É engraçado, sabe? Quando Jesus estava entre a vida e a morte na cruz, ele disse: "Tenho sede." Laura sentiu vergonha por ter dito que estava com sede. Por ser incapaz de esperar para tomar água. Donovan suspirou profundamente. - Você sabe porque Jesus disse aquilo, Senhorita Miller? - Não. - Ele quis dizer que era humano. Ele quis dizer que sabia como nós nos sentimos com os dias longos e difíceis. - O que isso tem a ver com a sua falta de humanidade? - A vida é assim, Senhorita Miller. Nós pedimos água, e recebemos uma esponja embebida em vinagre. Quanto antes sair de dentro dessa bolha em que vive, mais fácil será entender que a vida é amarga. Laura fungou o nariz e secou o rosto na barra do vestido que estava sujo de poeira. - Independente daquela índia estar condenada à morte, você poderia ao menos tê-la ajudado a morrer com dignidade. Você poderia ter diminuído a dor daquele homem. Pense nisso Donovan, a cruz também é sobre segundas chances, e você acabou de perder duas. Você está amaldiçoado. Naquele momento, Daniel Donovan teve medo pela primeira vez na vida.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Laura acordou quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, e o canto dos pássaros invadiu o aposento iluminado. Ela teve uma excelente noite de sono e se sentia disposta para tomar decisões importantes. A fazenda era tudo que restava da sua infância difícil, mas feliz com seus pais e o avô. Vendê-la, seria dar adeus a uma parte de si mesma, e ela precisava decidir se valia a pena deixar aquele pedaço do paraíso, para ir atrás do seu sonho em Nova Iorque.Na pequena cama de solteiro que ficava embaixo da janela, Laura suspirou e se virou. Ela quis ficar brava, mas não conteve um sorriso por Donovan ter escolhido dormir com ela, quando poderia ter dormido confortavelmente em outra cama.Só de cueca samba canção branca, ele dormia com o cotoco de braço na sua cintura. Sem poder se conter, Laura deslizou a mão pelo bíceps musculoso do texano até acariciar sua barba, e a lateral direita da sua cabeça raspada. Sem cerimônia, ela afastou uma mecha do cabelo castanho escuro de Donov
Em silêncio, Donovan seguiu Laura para casa, sabendo que tinha cometido um erro grave ao não defender Liam. A nova-iorquina tinha um coração tão grande quanto sua língua, e ele teria que ser mais cuidadoso para não ficar sem a sua bocetinha preta e gostosa.Só de imaginar seu pau entrando em Laura, Donovan gemeu alto de prazer e viu ela se virar para trás. Ele sorriu, e em seguida, levou o cotoco de braço no peito e fez uma careta de dor.- Eu preciso de outro curativo.Laura cruzou os braços e disse séria:- Você não precisa de outro curativo porque eu já fiz depois do banho. O que você precisa é de humanidade.Donovan franziu a testa.- Isso aqui é o oeste selvagem, Laura. Nas terras do Brooklyn, quem manda é ele. A nova-iorquina desdenhou olhando para o rosto bonito do texano que era uma máscara de dor.- Eu pensei que você fazia as suas leis. Mas não, você só faz o que lhe convém e não se importa com ninguém. - Eu não sei o que você queria que eu fizesse. Você não viu o ódio nos







