INICIAR SESIÓNLaura Miller viu El Paso ficar para trás à medida que a lata velha de Donovan avançava pela estrada de terra cortada por densas florestas e riachos sinuosos. Ela precisou de tempo para assimilar o que tinha acontecido, e quando abriu a boca para falar, ouviu:
- Os Sioux pintam o rosto de vermelho. Se encontrarmos com eles, finja que é minha mulher. Laura franziu a testa negra e suada antes de olhar para Donovan. - Por quê? Ele a olhou com uma expressão séria. - Porque senão, eles vão te levar para a reserva e você será a mulher de todos. Isso aqui é o oeste selvagem, Senhorita Miller. Como você pôde ver, se eu não estivesse no hotel, você estaria sendo estuprada agora por toda a gangue do Snake. Depois, seria roubada e morta. - E o Gabriel? - Ele ficará bem. Ninguém vai querer comer o cu murcho de um velho. Ele só será roubado. Laura endireitou no banco sujo de poeira assim como todo o resto da Ford preta. - Seu vocabulário é grosseiro. Eu sou uma dama. Por favor, tenha modos. De mau humor, Donovan acendeu um Marlboro e tragou a fumaça lentamente. Ele ignorou o acesso de tosse seca de Laura. - Eu não dou a mínima se você é uma dama. Você precisa de mim e eu sou assim. O meu preço é quinhentos dólares para levá-la até a fazenda. - Isso é um roubo! - Ainda assim, o meu preço é esse. - A Ford parou na beira da estrada. - Se não pode pagar, saía do meu carro. Laura olhou em volta, incrêdula. - Você enlouqueceu? A expressão de Donovan se tornou sombria. - Eu não gosto que me chamem de ladrão, e nem que me digam como eu devo falar. Laura também fechou o semblante. - Eu vou te pagar essa quantia ridícula quando vender a fazenda em alguns dias. Eu já tenho o comprador. Eu só peço que não seja tão grosseiro. - Você é irritante, e dinheiro nenhum será suficiente para pagar a raiva e o estresse que eu vou passar durante os dias que ficaremos juntos. Apesar das palavras duras, Donovan não pôde deixar de reparar como Laura era bonita e formosa. Mechas do seu cabelo castanho escuro se soltaram do coque frouxo, adornando seu rosto oval e delicado. O nariz arrebitado era de uma mulher arrogante, e os lábios carnudos pareciam morangos frescos, prontos para serem saboreados. Ele balançou a cabeça para clarear os pensamentos e deu uma longa tragada. - Se quiser mijar e evacuar, a hora é agora. Depois, eu só vou parar perto de Fort Worth. Donovan viu Laura sair do carro e ele poderia jurar que ela tinha soltado uma série de palavrões. Aquilo o fez sorrir sem querer. Ele saiu da Ford e foi até uma árvore. Tirando o pênis avantajado para fora da calça, ele urinou em jatos. Uma boceta quente, úmida e apertada, seria bem vinda. Após se aliviar, Laura alisou a barra do vestido para tirar a grama e olhou para o céu azul anil. Ela pediu para o avô a proteger dos perigos que teria pela frente, e do homem bruto que a levaria até o seu destino. Ele a esperava ao lado da caminhonete. Laura disse usando um tom rígido e formal: - Eu espero que tenha hóteis ao longo da viagem. - Tem hotéis a céu aberto. Nenhum estabelecimento é seguro. Laura viu Donovan colocar uma bala no tambor do revólver calibre 38. A arma estava com as outras cinco balas. - Você também é um assassino? - Eu sou uma alma perdida, Senhorita Miller. Eu acredito que a Terra seja o inferno de algum outro mundo. Laura entrou no carro e Donovan fez o mesmo com um suspiro profundo. - Você vai me pagar ou me agradecer por tê-la tirado a tempo do hotel? - Eu vou aceitar um pedido de desculpas por você ter mandado eu calar a boca. Donovan praguejou mentalmente. "Sulista desgraçada." Já era noite quando Laura, cansada e faminta, avistou as construções velhas da pequena cidade de Worth. Ela ficou cética quando Donovan estacionou em frente à um bar. Nunca lhe passou pela cabeça passar pelas portas de vai e vem de um antro de perdição. Ela nem se atrevia a pensar nas atividades ilegais que poderiam ocorrer ali. - Eu não vou entrar em um lugar desses. - O pior não é entrar. O pior é saber se vamos sair depois que eu beber igual essa caminhonete bebe gasolina. Laura saiu do carro e foi pega pela mão que ela tentou puxar. Donovan lançou um olhar frio para ela. - Uma mulher solteira em um bar vira comida de foras da lei sedentos por uma xoxota. Laura ainda tremia ao entrar no bar esfumaçado e com uma luz fraca e amarelada. Ela viu olhares curiosos em sua direção e se encolheu. Porém, tudo mudou quando o que parecia ser o proprietário, disse de trás do balcão: - Acabou a palhaçada seus cornos! Daniel Donovan chegou! Homens abaixaram a cabeça, e outros correram para fora do estabelecimento. Laura foi colocada sentada em uma mesa de canto, e no minuto seguinte, comidas e bebidas foram colocadas na mesa. Ela estava faminta e começou a comer. Donovan começou a beber. - Onde nós vamos dormir? - Na caminhonete dentro do Fort Worth. - Eu preciso tomar banho e dormir em uma cama. - Sem chance. - Você parece ser temido. Não pode assegurar um pouco de privacidade? São quilômetros intermináveis. Tenha piedade. Donovan não era o tipo de se deixar levar por mulheres autoritárias, que não tinham noção do perigo que as rondava. Seu erro foi olhar nos olhos castanhos aveludados de Laura. - Você pode tomar um banho de balde no estábulo e dormir por duas horas em uma baía. Eu não gosto de hotéis porque fico sem rota de fuga. Laura explodiu. - Eu não sou uma égua, Donovan! - Sorte sua, se não, eu já teria colocado cabresto na senhorita. Laura não teve tempo para rebater tamanha afronta. A porta do bar foi empurrada, e um homem de grande porte, loiro, de barba, miúdos olhos castanhos, e trajando terno preto, adentrou o recinto, olhando para todos os lados. Seus olhos recaíram em Donovan. - Seu patife de uma figa! Você levou a minha mulher para El Paso! - Ela cansou de apanhar, Bradley. - Isso não era problema seu! O homem levou a mão no cabo do revólver. Ele não chegou a sacar a arma. Um tiro certeiro na testa o fez cair para trás. Donovan ordenou secamente: - Levem o corpo para fora. Os urubus vão fazer a festa. Laura engoliu em seco. Não era nada bom estar com um homem de poucas ideias. Ela se lembraria de ser mais cautelosa com Daniel Donovan. Por hora, ela se contentou em tomar banho no estábulo e dormiu sobre dois cobertores até ser acordada no meio da noite com um tapinha nas costas. - Hora de ir, Senhorita Miller. Laura obedeceu sem deixar de notar o cheiro de perfume feminino que vinha de Donovan. Ele era um texano em todos os aspectos da palavra. Tão selvagem e primitivo quanto o oeste.Três meses depois...- Eu, Daniel Donovan, aceito você, Laura Miller, como minha legítima esposa e prometo amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, por todos os dias da minha vida, até que a morte nos separe.De vestido de noiva, véu e grinalda, Laura repetiu os votos matrimoniais enquanto trocava alianças com o seu cowboy bruto e possessivo. Donovan estava mais lindo do que tinha direito, com o smoking preto feito sob medida e adaptado para o seu antebraço.- Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.Donovan retirou o véu de Laura com reverência e se inclinou para beija-la. Aplausos, gritos e assobios foram ouvidos na igreja de Lafayette. Os recém casados molharam a pena no tinteiro, e assinaram a certidão de casamento. O buquê foi jogado para trás, e simplesmente, caiu nos braços de Cash. O ruivo evitou olhar para Brooklyn que mantinha o relacionamento deles escondido a sete chaves. Em público, os dois fingiam que nã
Após o temporal de verão, o sol voltou a aparecer no final da tarde, pincelando o céu azul com nuances alaranjadas no vasto horizonte. Cash não se importou de caminhar pela estrada enlameada até a fazenda de Brooklyn. O ar fresco serviu para clarear seus pensamentos.Jake tocou na aba do chapéu e apontou para o estábulo onde o patrão checava os estragos da chuva. Algumas telhas tinham voado com a força dos ventos, e Brooklyn não estava de bom humor. Os cavalos estavam agitados, e aquilo o deixava tão irado quanto a fúria da natureza. Ultimamente, se irritava com facilidade.Cash ganhou um olhar raivoso e olhou com desinteresse para Brooklyn. Em seguida, olhou para o teto onde faltava algumas telhas.- Donovan me contou o que você fez com o tio do Liam.O fazendeiro permaneceu em silêncio, observando os fios avermelhados do cabelo sedoso do ruivo, e a forma como a costeleta em linha reta, chegava até seu rosto másculo, desenhando sua barba bem feita. Ele era lindo. Brooklyn colocou as
Laura colocou a toalha no ombro e cruzou os braços com uma feição séria. Com um sorriso travesso de quem sabia que tinha sido desobediente, Liam se escondeu atrás das pernas de Donovan. Igualmente molhado, o texano sorriu zombeteiro.- Alguns pingos de chuva não matam ninguém.- Ele está desnutrido, não pode pegar um resfriado.Laura se aproximou de Donovan que a agarrou pela cintura e a beijou em cheio nos lábios carnudos. Ele não deu tempo para ela protestar e disse sério:- Você terá muito tempo para cuidar dele.A nova-iorquina pousou as mãos no peito largo e molhado do texano. Ela olhou no fundo dos seus olhos e sorriu hesitante.- Verdade?Donovan assentiu com o corpo quente e curvilíneo de Laura moldado ao dele. Ela soube que o pai de Liam tinha ido dessa pra pior, e acariciou a sua nuca.- Obrigada.- Conversaremos mais tarde.- Vai tirar essa roupa molhada. Eu vou servir o seu almoço.- Tá bom.Donovan pegou Liam pela orelha, mas sem machuca-lo, e o empurrou para Laura.- Ob
Donovan pegou carona na Ford F-75 de Brooklyn até a cidade de Lafayette com pouco mais de dez mil habitantes. A cidade empoeirada era composta por casas suntuosas, edifícios, bares, restaurantes, bordéis onde as damas da noite ofereciam seus serviços para forasteiros e pistoleiros, agência de correios, bancos, farmácias e lojas que vendiam todos os tipos de coisas desde carne e leite, até remédios e gasolina. A delegacia de Lafayette que também servia como cadeia, ficava localizada na avenida principal, tendo como xerife Clark Benson. Um velho de cabelos grisalhos e rosto enrugado pelos anos de trabalho duro debaixo do sol escaldante do Texas. A igreja cristã bem construída com madeira maciça pintada de branco, e com uma cruz no alto, ficava no centro da cidade, envolta por um jardim florido e bem cuidado. O hospital recém reformado, ficava em terreno mais elevado ao sul de Lafayette, assim como o cemitério.Donovan não confiava em bancos, e por isso, ele descontou o cheque e saiu
Laura acordou quando os primeiros raios de sol entraram no quarto, e o canto dos pássaros invadiu o aposento iluminado. Ela teve uma excelente noite de sono e se sentia disposta para tomar decisões importantes. A fazenda era tudo que restava da sua infância difícil, mas feliz com seus pais e o avô. Vendê-la, seria dar adeus a uma parte de si mesma, e ela precisava decidir se valia a pena deixar aquele pedaço do paraíso, para ir atrás do seu sonho em Nova Iorque.Na pequena cama de solteiro que ficava embaixo da janela, Laura suspirou e se virou. Ela quis ficar brava, mas não conteve um sorriso por Donovan ter escolhido dormir com ela, quando poderia ter dormido confortavelmente em outra cama.Só de cueca samba canção branca, ele dormia com o cotoco de braço na sua cintura. Sem poder se conter, Laura deslizou a mão pelo bíceps musculoso do texano até acariciar sua barba, e a lateral direita da sua cabeça raspada. Sem cerimônia, ela afastou uma mecha do cabelo castanho escuro de Donov
Em silêncio, Donovan seguiu Laura para casa, sabendo que tinha cometido um erro grave ao não defender Liam. A nova-iorquina tinha um coração tão grande quanto sua língua, e ele teria que ser mais cuidadoso para não ficar sem a sua bocetinha preta e gostosa.Só de imaginar seu pau entrando em Laura, Donovan gemeu alto de prazer e viu ela se virar para trás. Ele sorriu, e em seguida, levou o cotoco de braço no peito e fez uma careta de dor.- Eu preciso de outro curativo.Laura cruzou os braços e disse séria:- Você não precisa de outro curativo porque eu já fiz depois do banho. O que você precisa é de humanidade.Donovan franziu a testa.- Isso aqui é o oeste selvagem, Laura. Nas terras do Brooklyn, quem manda é ele. A nova-iorquina desdenhou olhando para o rosto bonito do texano que era uma máscara de dor.- Eu pensei que você fazia as suas leis. Mas não, você só faz o que lhe convém e não se importa com ninguém. - Eu não sei o que você queria que eu fizesse. Você não viu o ódio nos







