LOGIN— Vocês... — Liliana encarou a dupla parada à porta, com a voz presa na garganta pelo choque, incapaz de formular uma frase completa.Sem dar tempo para o espanto, Susana avançou em passos largos, agarrou o pulso da amiga e a puxou com urgência.— Não há tempo para explicações, precisamos sair daqui agora! — Exclamou Susana, arrastando Liliana pelo corredor enquanto Lucas protegia os flancos de ambas, usando o próprio corpo como escudo para repelir os empregados que tentavam bloquear a passagem.Enquanto corriam, tentando acompanhar o ritmo frenético da fuga, Liliana ofegava, confusa com a situação.— O que está acontecendo? Susana, como você veio parar aqui com ele? — Perguntou ela, lançando um olhar rápido para Lucas.— Assim que recebi sua mensagem de socorro, coloquei gente para investigar e descobri que Pedro havia te trazido para esta ilha. — Explicou Susana, falando de forma atropelada, sem diminuir a velocidade. — Mas eu não tinha pessoal suficiente para te tirar das garras do
O rosto de Pedro perdeu a cor num instante, e seus lábios tremeram, incapazes de formar uma única palavra diante do ataque verbal. Ao ver aquele estado deplorável, Liliana sentiu uma onda de prazer cruel subir pelo peito e, com uma lentidão calculada para ferir, continuou:— Se você não existisse na minha vida, eu provavelmente estaria namorando ele agora, vivendo um relacionamento normal. Talvez tivéssemos nos casado e, quem sabe... — Ela fez uma pausa dramática, observando a dor nos olhos dele. — Já teríamos até um filho adorável.— Pare com isso! — Rugiu Pedro, com os olhos vermelhos e marejados, interrompendo-a bruscamente. — Liliana, eu te imploro, não diga mais nada!— Ah, é? — Liliana soltou uma risada fria e cortante. — Você deveria saber que, no momento em que me sequestrou e me forçou a esse casamento, qualquer sentimento que eu pudesse ter por você se transformou em puro ódio.Incapaz de ouvir mais, Pedro se levantou cambaleando e fugiu do quarto, derrotado. Liliana observou
— Eu não vou me casar com você! — Gritou Liliana, com o peito arfando de fúria, sentindo que toda aquela situação beirava um absurdo risível.Agindo como se não tivesse ouvido uma única palavra de protesto, Pedro continuou com seu monólogo em um tom casual:— Mandei fazer novos vestidos de noiva sob medida. Vamos comer primeiro e, depois, levo você para prová-los. — Ele estendeu a mão na intenção de guiá-la, mas Liliana se desvencilhou com um puxão brusco, rejeitando o toque dele.Sem hesitar, ela girou nos calcanhares e correu em direção à porta, movida pelo único desejo de escapar daquele lugar o mais rápido possível. Para sua surpresa, Pedro permaneceu imóvel e não fez menção de impedi-la.Somente ao empurrar as portas duplas e sair é que Liliana compreendeu a origem daquela confiança inabalável. O que se estendia diante dela não eram as ruas movimentadas da capital, mas sim a vastidão de uma propriedade isolada. A mansão se erguia solitária no centro de um gramado impecável, cercad
A mão de Liliana, que se estendia para alcançar a argila, travou de repente no ar, com os dedos suspensos. Ela jamais esperara que Lucas revelasse seus sentimentos naquele momento exato, sem qualquer aviso prévio, e sentiu uma onda de calor subir pelo pescoço, deixando suas orelhas queimando como brasa. Ao virar o rosto, seu olhar colidiu diretamente com aqueles olhos verde-esmeralda. Embora já soubesse o quanto aquele olhar podia ser cativante quando focado em algo, encará-lo de tão perto fez seu coração falhar uma batida.Foi questão de um segundo. Liliana desviou o olhar em pânico, e seus dedos começaram a arranhar a borda da bancada de trabalho, num gesto nervoso e involuntário.— Lucas, você... por que gosta de mim? — Perguntou ela num fio de voz, com os cílios vibrando levemente.Lucas inclinou a cabeça para o lado, dando uma expressão genuinamente confusa.— Gostar precisa de um motivo?— Mas eu... talvez eu não seja quem você imagina. — Murmurou Liliana, mordendo o lábio inferi
Pálido e trêmulo, Pedro desabou no chão, sem forças para se sustentar. Ele murmurava repetidamente, como uma prece desesperada:— Liliana, você não pode me condenar à morte assim...O sino da porta tilintou, quebrando a tensão e anunciando a chegada de Lucas, que entrou trazendo uma sacola com biscoitos recém-saídos do forno.— Liliana! — Chamou ele com entusiasmo, mas sua voz morreu na garganta assim que seu olhar cruzou com os olhos vermelhos e inchados de Pedro. O loiro estancou por um momento, confuso, e logo franziu a testa, assumindo uma postura protetora. — Ele veio te perturbar de novo? Precisa que eu o coloque para fora?Liliana alternou o olhar entre a figura patética de Pedro no chão e Lucas parado à porta, e fez um gesto discreto chamando o recém-chegado. Sem entender exatamente o que estava acontecendo, Lucas se aproximou. Assim que ele parou ao seu lado, Liliana se levantou da espreguiçadeira e caminhou até ficar de frente para ele, antes de elevar a voz para chamar a ate
Pedro retornou ao hotel em um estado de total desolação. Como viajara no primeiro voo da manhã, sem sequer parar para respirar desde o pouso, a adrenalina de sua busca frenética agora cedia lugar a uma exaustão avassaladora, fazendo com que até o simples ato de levantar o braço exigisse um esforço hercúleo. Embora não tivesse ideia de como reconquistar Liliana, uma única certeza pulsava em sua mente: ele não poderia perdê-la. Ao desabar na cama, o cansaço o engoliu de imediato e, entre lampejos de imagens desconexas, mergulhou em um sono profundo onde o passado descrito por ela o aguardava.No sonho, ele pairava como um espectador invisível, assistindo a uma versão de si agindo de forma estranha, cumprindo o destino daquela outra vida. Viu a si próprio no altar, no dia do casamento da vida anterior. Renata usava a mesma tática de ameaçar suicídio, mas o Pedro daquele tempo, com um olhar ainda mais gélido que o atual, apenas ordenava que ela fosse "morrer longe dali" antes de virar as