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CAPÍTULO 11 - AS REGRAS DA CASA

Penulis: Barbara Garrett
last update Tanggal publikasi: 2026-03-07 21:57:19

Após o banho de Malu, Alda coloca um lanche para a menina na sala de jantar e me convoca com um sussurro para conversar.

― Jéssica, venha comigo, por favor.

Eu a sigo até a biblioteca, um espaço amplo e aconchegante, com duas poltronas forradas de veludo vinho, uma mesa de madeira escura repleta de gavetas com adornos trabalhados e atrás dela, uma estante que vai de uma ponta a outra da parede, repleta de livros do teto ao chão.

Alda senta na cadeira de presidente executivo atrás da mesa e apon
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    ― Tem certeza de que o seu irmão vai concordar com isso, Maria Luiza?A menina está deslumbrada aqui no shopping. Se eu fosse bilionária, como ela é agora, eu estaria também. Então, não posso julgar.Eu estou com o cartão Black do Alexander e já entramos nas melhores papelarias, lojas de mochilas e livrarias. E já gastamos um dinheirão.Para uma criança que cresceu no interior, a danadinha tem um gosto bem apurado. Escolheu uma mochila e uma merendeira cor-de-rosa combinando, repletas de borboletas e vários detalhes purpurinados, o uniforme da escola, ela experimentou e pediu para ajustar o tamanho.Com o sobrenome e a grana que ela tem, a vendedora já mandou os uniformes, mais de um, para as costureiras arrumarem enquanto compramos o restante do material e almoçamos. Mais tarde voltaremos lá e estará tudo pronto. Afinal, amanhã ela já começará a frequentar a escola.― O meu irmão já deixou, Jéssica. E ele sabe muito bem que eu preciso estar apresentável na escola. Já conversamos a re

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    Saio do ateliê carregada de sacolas de tamanhos variados. O senhor Alexander foi mesmo generoso comigo. Quando eu trabalhava no hospital eu tinha o uniforme da unidade, no entanto, eu desembolsava os custos do uniforme e dos meus calçados. Agora, não. Além das roupas serem belíssimas, eu ainda recebi dois pares de sapatos de couro legítimo de primeira qualidade.Agora eu preciso me encontrar com a Maria Luiza para comprar o material escolar dela. Pego um táxi que em pouco tempo me deixa na mansão Pamplona.Sou recebida por uma menina bonita, de banho tomado e pronta para sair. Um vestido cor-de-rosa simples adornado por um laço de fita na cintura e uma sapatilha da mesma cor dão a ela um ar angelical. O cabelo está com duas tranças amarradas com laços de fita também cor de rosa e ela está sentada no sofá brincando com um pote de vidro.― Nossa, que moça bonita e arrumada! Dá para sentir daqui o cheirinho de xampu. Foi seu irmão que te arrumou?Ela me repreende com os olhos.― Eu sou u

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    “Alexander”Eu tô muito encafifado com essa novidade. Minha mãe estudou nessa escola chique? Como isso é possível? Ela sempre foi uma mulher simples, cuidava da casa como uma mãe normal, fazia comida, limpava a bagunça, alimentava os animais e vivia feliz com o meu pai.Mas, pensando bem, ela nunca comentou sobre o passado. Eu não conheci meus avós ou primos. E nunca vi necessidade, pois tinha vizinhos e amigos que frequentavam a minha casa e eu as deles.― Está tudo bem, senhor Alexander?Carlos me desperta dos pensamentos.― Para onde estamos indo, Carlos?Nossos olhares se cruzam pelo retrovisor.― O senhor já se esqueceu? Vamos ao alfaiate e depois o senhor tem horário com o barbeiro.Sinto um frio na barriga. Eu não tô acostumado com essas frescurada de homem rico, não. Fecho os olhos com força e só penso em minha irmã. Eu não posso decepcioná-la. Essa chance nos foi dada e eu sou o responsável por ela.Me encho de coragem e abro os olhos.― Perfeito, Carlos. Mal posso esperar.E

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    Uma loja de uniformes profissionais. Reviro os olhos. Deve ser aquela roupa de empregada, brega e humilhante. Pensa, Jéssica. Vai economizar as suas roupas, fora que ninguém tem nada a ver com a sua vida e você vai ganhar muito mais que várias mulheres que trabalham de terninho e vestidos caros.Melhor eu me conformar logo com essa história de uniforme. A loja fica na Avenida Paulista e é simples. Vitrines de ambos os lados com uniformes variados e uma vitrine central com calçados. É, até que as roupas daqui não são tão xexelentas.― Bom dia, posso ajudar?Um senhorzinho baixinho e encurvado vem me atender.― Oi, bom dia. Disseram lá no meu trabalho para eu vir aqui buscar o meu uniforme.Ele me examina com cuidado. Deve ter mais de oitenta anos. Ele caminha com passos incertos em direção ao balcão. Gente, é sério que esse vovozinho ainda trabalha? Deveria ficar em casa cuidando dos netinhos.― A senhorita é a babá da família Pamplona, não é? Senhorita Jéssica Belmonte.Ele confere as

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    “Alexander”― Tá ansiosa para conhecer a nova escola, Malu?Maria Luiza só balança a cabeça para cima e para baixo e não diz nada. Eita menina turrona, sô. Mas tenho certeza que ela vai gostar da escola. É papa fina aqui no bairro dos bacana.― Agradecido, Carlos. Vai tomar um café na padaria. Quando terminar, mando mensagem procê.― Entendido, senhor Alexander. ― Carlos se vira para a Malu. ― Senhorita Maria Luiza, esta escola é muito boa e é perto de sua casa. Vai dar tudo certo, viu?― Obrigada, Carlos.A Malu tá meio amuada. É fácil de se entender. São mudanças radicais demais para uma criança pequena. Cresceu indo pra escola pública do bairro, com crianças molecas iguais a ela. Espero sinceramente que dê tudo certo para a minha irmã.A escola é enorme e foi muito bem recomendada. Aqui estuda a elite de São Paulo. Dá para ver que as crianças são mesmo de outra classe. Mas no fim, são todas crianças. Correndo, pulando, trocando figurinhas.E eu tenho certeza que meus pais aprovaria

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    Então este é o meu quarto. Até que é bem bonito.Mentira.É maravilhoso! Infinitamente maior que os quartos que tive em toda a minha vida! Tudo nesta casa é no superlativo! Sinceramente? Eu quero aproveitar este lugar o máximo que eu puder!O quarto é amplo, tem uma janela enorme que pega o sol da manhã e dá para um jardim belíssimo que ocupa a parte da frente da casa. O banheiro é imenso! Tem uma ducha forte, igual às de hotel, que quando bate no corpo chega a doer! Só não tem a hidromassagem, né… A hidro é no quarto do chefe… Mas tudo bem. O que eu tenho aqui está bem distante da minha realidade até hoje.E maldita Alda! Foi investigar a minha vida! Não que eu seja uma criminosa, mas tenho um passado. Meu pai é um presidiário. E minha mãe… Ah, nem quero pensar mais neles. Pertencem ao passado.Agora, depois desse banho quente e gostoso, vou me arrumar para o jantar. A Alda já me deu as coordenadas para amanhã. Na parte da manhã, irei à loja que ela indicou pegar meu uniforme de babá

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