LOGINO sábado chegou antes que Valentina estivesse emocionalmente preparada.Às nove e quarenta da manhã, ela já estava na cozinha.O bebê havia mamado.A bolsa estava organizada.A manta estava dobrada sobre a poltrona.As instruções para os horários estavam anotadas.Tudo parecia sob controle.Mas não estava.Dante entrou na cozinha e encontrou Valentina conferindo a mesma lista pela terceira vez."Você vai continuar olhando isso até ele chegar?"Ela levantou os olhos."Estou tentando não esquecer nada.""Você não vai esquecer.""Eu posso esquecer.""Não vai."Valentina fechou o bloco."Você está tranquilo demais."Dante encostou-se à bancada."Não estou."Ela o observou."Está preocupado.""Estou.""Com o Riccardo?"Dante demorou."Com o que acontece quando ele estiver aqui."Valentina respirou."É só uma visita."Dante assentiu."Hoje."Ela percebeu o que ele não disse.Não era apenas aquela manhã.Era o que aquela manhã representava.O acordo tinha sido assinado.As próximas etapas es
Valentina ficou alguns segundos olhando para a mensagem."Eu quero que meu filho tenha o mesmo direito de passar tempo comigo que terá com você."Ela releu.Não havia ameaça.Não havia insulto.Talvez fosse justamente isso que tornasse tudo mais complicado.Riccardo não estava pedindo uma visita.Estava questionando a forma como a própria relação com o filho seria construída.Dante continuava ao lado dela."Ele falou mais alguma coisa?"Valentina deslizou a tela."Nada.""Então precisamos entender o que o advogado dele quis dizer com essa cláusula."Ela assentiu.Não respondeu à mensagem.Não queria discutir por celular algo que poderia alterar a vida do filho.Naquela noite, os dois foram dormir tarde.Os documentos continuaram sobre a mesa.E a frase de Riccardo permaneceu entre eles como uma porta que ninguém sabia exatamente onde colocar.Na manhã seguinte, Marcelo chegou pouco depois das nove.Valentina tinha o bebê nos braços.Dante estava na sala.O advogado cumprimentou os doi
Valentina leu a mensagem de Riccardo novamente."Eu quero que meu filho tenha o mesmo direito de passar tempo comigo que terá com você."As palavras pareciam simples.Mas não eram.Ela ficou sentada na ponta da cama, com o celular nas mãos e o bebê dormindo no berço ao lado.Dante estava encostado na porta."É essa a cláusula?"Valentina mostrou a tela.Ele leu.Dessa vez, não respondeu imediatamente.A expressão dele ficou séria."Ele quer igualdade de convivência.""É.""E isso inclui pernoite?""Provavelmente."Dante respirou fundo.Não havia raiva no rosto dele.Havia preocupação."Ele está pensando como pai."Valentina levantou os olhos."Você está defendendo ele?""Não."Dante entrou no quarto."Estou tentando entender qual é o argumento."Ela colocou o celular sobre a cama."Eu também."Dante se sentou ao lado dela."Você não precisa aceitar a cláusula.""Eu sei.""Mas também não pode rejeitá-la apenas porque o nome dele está no documento."Valentina ficou em silêncio.Era exat
Na manhã seguinte, Valentina recebeu uma ligação de Marcelo.Era cedo.O bebê ainda dormia no quarto.Dante estava no escritório, resolvendo algumas questões da empresa antes de começar o dia.Valentina atendeu."Alô?""Valentina, o advogado de Riccardo entrou em contato."Ela ficou imediatamente mais atenta."Sobre o acordo.""Sim. Recebi uma proposta inicial."Valentina sentou-se à mesa da cozinha."Você pode me enviar?""Já enviei."Ela abriu o arquivo.O documento tinha várias páginas.Responsabilidade financeira.Visitas.Datas comemorativas.Comunicação.Viagens.Decisões importantes.Saúde.Educação.E, no meio de tantas cláusulas objetivas, havia uma expressão que fez Valentina parar:"Responsabilidade parental compartilhada."Ela releu.Uma vez.Duas.Na terceira, bloqueou o celular.O bebê fez um pequeno som no quarto.Valentina levantou automaticamente.Pegou a criança.Voltou para a cozinha.Marcelo ainda estava na linha."Você quer que eu faça uma leitura completa com voc
Às quatro da tarde, Riccardo voltou.Dessa vez, não parou no portão.Valentina havia autorizado sua entrada.Mesmo assim, quando o carro estacionou diante da casa, ele permaneceu alguns segundos dentro do veículo.Olhou pela janela.A casa.O jardim.As flores deixadas por Sofia.A pequena placa com o nome da rua.Tudo parecia pertencer a uma vida na qual ele não tinha mais lugar.E talvez fosse justamente isso que mais o incomodasse.Ele tinha sido marido de Valentina.Agora precisava bater à porta da casa dela para conhecer o próprio filho.Riccardo saiu do carro.Caminhou até a entrada.Antes que pudesse tocar a campainha, a porta se abriu.Dante estava ali."Ela está esperando."Riccardo assentiu.Entrou.Valentina estava na sala.O bebê estava em seu colo.Quando Riccardo viu os dois, parou.Na visita anterior, havia sentido o impacto do nascimento.Agora era diferente.O bebê estava em casa.Aquele não era mais o quarto de um hospital.Era a rotina de uma família.O berço ficava
Às quatro da tarde, o carro de Riccardo parou em frente à casa.Dante viu pela janela.Não comentou.Valentina estava no quarto do bebê, trocando a pequena roupa que ele havia sujado durante a soneca.Dante permaneceu alguns segundos olhando para o portão.A mandíbula estava contraída.Não era raiva suficiente para fazê-lo perder o controle.Era algo mais incômodo.A sensação de que outra pessoa estava prestes a entrar em um espaço que ele havia passado meses construindo.A casa.O quarto.A rotina.A família.Valentina.O filho.Tudo aquilo era novo.E, mesmo assim, Riccardo carregava um vínculo que Dante jamais poderia disputar.Ele fechou os olhos por um instante.Depois foi até a entrada.Quando abriu o portão, Riccardo estava sozinho."Boa tarde."Dante respondeu apenas com um aceno."Ela está com o bebê.""Eu sei."Riccardo respirou fundo."Posso entrar?"Dante abriu espaço."Pode."Riccardo entrou.O olhar dele percorreu o jardim.Depois a fachada.O caminho até a porta.Havia







