LOGINNa noite em que descobre estar grávida, Valentina Bellini encontra o marido, Riccardo, nos braços de sua melhor amiga. Traída e humilhada, ela decide abandonar o casamento, mas um acidente coloca em seu caminho Dante Moretti, um empresário rico e reservado que lhe faz uma proposta inesperada: um casamento por contrato. Ela precisa de um novo começo. Ele precisa de uma esposa para atender às expectativas de sua família. O acordo deveria durar apenas um ano, sem sentimentos ou promessas. Mas a convivência aproxima os dois, e Dante começa a enxergar Valentina como muito mais do que uma esposa de contrato. Enquanto seu ex-marido percebe tarde demais o que perdeu, Valentina precisa escolher entre continuar presa à dor do passado ou entregar seu coração ao homem que lhe mostrou que ainda é possível amar.
View MoreValentina Bellini ficou alguns segundos parada diante do espelho do banheiro, olhando para o pequeno teste de gravidez em sua mão.
Duas linhas.
Ela piscou.
Depois olhou novamente.
Duas linhas.
Seu coração começou a bater tão depressa que precisou apoiar uma das mãos sobre a bancada de mármore.
Grávida.
A palavra parecia grande demais para caber dentro dela.
Valentina fechou os olhos e levou a outra mão até o ventre ainda completamente plano. Não havia sinal algum de que uma pequena vida começava a crescer ali, mas a certeza daquela notícia fazia seu corpo inteiro estremecer.
Ela estava grávida de Riccardo.
Um sorriso involuntário surgiu em seus lábios.
Por meses, ela e o marido haviam conversado sobre filhos. Riccardo dizia que queria uma família, uma casa cheia de crianças correndo pelos corredores, tardes de domingo reunindo todos à mesa. Valentina havia acreditado em cada palavra.
Talvez aquela notícia fosse exatamente o que o casamento precisava.
Nos últimos meses, Riccardo andava distante.
Trabalhava demais, chegava tarde, respondia às mensagens com menos frequência. Quando ela tentava conversar, ele dizia que estava cansado.
Valentina havia escolhido acreditar que era apenas uma fase.
Agora, segurando aquele teste, sentia que tudo poderia mudar.
Ela imaginou a expressão de Riccardo quando contasse.
Imaginou os braços dele ao redor de sua cintura.
Imaginou o sorriso.
Talvez aquela distância desaparecesse.
Talvez ele voltasse a ser o homem apaixonado com quem se casara.
Valentina abriu a pequena caixa onde havia guardado uma pulseira infantil que comprara meses antes, brincando com a ideia de que um dia teria um bebê.
Pegou o objeto e sorriu.
Não era caro. Era apenas uma delicada pulseirinha branca com uma pequena flor dourada.
Ela a colocou dentro de uma sacola junto com o teste e decidiu não contar por telefone.
Queria ver o rosto dele.
Queria abraçá-lo.
Queria dizer que eles seriam pais.
Saiu do banheiro e vestiu rapidamente um vestido azul-claro. Prendeu os cabelos, passou um pouco de perfume e ficou alguns minutos escolhendo o que levar para o jantar.
Talvez pudesse preparar algo especial.
Mas quando olhou o relógio, percebeu que já estava tarde.
Riccardo havia enviado uma mensagem naquela tarde dizendo que teria uma reunião e chegaria mais tarde.
Valentina decidiu surpreendê-lo.
Pegou as chaves do carro e saiu de casa.
Durante o caminho, não conseguiu conter a felicidade.
Ela imaginava o futuro.
Um quarto de bebê.
As pequenas roupas dobradas em gavetas.
O primeiro ultrassom.
O dia em que seguraria seu filho nos braços.
E Riccardo ao seu lado.
A imagem parecia tão perfeita que Valentina não percebeu o quanto estava se agarrando a uma versão do casamento que talvez já não existisse.
Quando chegou ao prédio onde ficava o escritório do marido, encontrou as portas principais quase vazias.
Ela conhecia a recepcionista e simplesmente acenou.
Riccardo ainda tinha muito trabalho naquela noite.
Era o que ele havia dito.
Valentina entrou no elevador e apertou o botão do andar executivo.
Quando as portas se abriram, o corredor estava silencioso.
Ela caminhou até a sala do marido.
A porta estava fechada.
Uma luz fraca escapava pela parte inferior.
Valentina sorriu.
Ele ainda estava trabalhando.
Ela segurou a sacola contra o peito.
Talvez pudesse entrar sem avisar.
Talvez fosse uma surpresa.
Colocou a mão na maçaneta.
E então ouviu uma risada feminina.
Valentina congelou.
A voz parecia familiar.
Muito familiar.
Ela franziu a testa.
Talvez fosse uma funcionária.
Talvez alguma cliente.
Talvez estivesse interpretando errado.
Mas então ouviu a voz de Riccardo.
Baixa.
Íntima.
Diferente da maneira como ele falava com outras pessoas.
O coração de Valentina começou a bater com força.
Ela abriu a porta.
E o mundo parou.
Riccardo estava sentado no sofá.
Isabella Romano estava sentada ao lado dele.
A proximidade entre os dois não deixava espaço para nenhuma dúvida.
A mão dele estava sobre a cintura dela.
O rosto de Isabella estava perto do seu.
Valentina não conseguiu respirar.
A sacola escorregou de seus dedos e caiu no chão.
O pequeno teste de gravidez rolou pelo tapete.
Riccardo levantou a cabeça.
Por alguns segundos, ninguém falou.
Isabella foi a primeira a se afastar.
Riccardo ficou de pé rapidamente.
"Valentina..."
Ela olhou para ele.
Depois para Isabella.
Sua melhor amiga.
A mulher que conhecia todos os seus medos.
A mulher que havia segurado sua mão no dia do casamento.
A mulher para quem Valentina contava tudo.
Até os problemas do casamento.
Até as inseguranças.
Até os momentos em que sentia que Riccardo estava distante.
Isabella sabia de tudo.
Valentina sentiu o estômago se revirar.
"Não."
Sua voz saiu baixa.
Riccardo passou uma mão pelos cabelos.
"Você não deveria estar aqui."
Valentina soltou uma pequena risada, sem humor algum.
"Eu não deveria estar aqui?"
Ela apontou para os dois.
"Eu sou sua esposa."
Riccardo desviou o olhar.
Aquele gesto doeu mais do que qualquer palavra.
Valentina olhou para Isabella.
"Você?"
Isabella se levantou lentamente.
"Valentina, eu posso explicar."
"Explicar o quê?"
A pergunta saiu mais alta.
"Que você estava com o meu marido? Que você estava beijando o homem com quem eu sou casada? Ou vai explicar como conseguiu olhar nos meus olhos durante todos esses meses enquanto fazia isso pelas minhas costas?"
Isabella começou a chorar.
Valentina sentiu raiva.
Até as lágrimas pareciam uma mentira.
"Você era minha amiga."
"Eu não queria que isso acontecesse assim."
Valentina ficou olhando para ela.
"Assim?"
Ela apontou para Riccardo.
"Você está preocupada com a maneira como descobri?"
Riccardo se aproximou.
"Chega."
Valentina recuou.
"Não encosta em mim."
Ele parou.
"Valentina, as coisas entre nós já não estavam bem."
Ela sentiu o peito apertar.
"Então você me traiu."
"Eu me apaixonei por outra pessoa."
A frase atravessou seu peito.
Valentina olhou para Isabella.
Depois voltou os olhos para Riccardo.
"Por ela?"
Ele ficou em silêncio.
E o silêncio foi a resposta.
Valentina abaixou os olhos.
O teste de gravidez ainda estava no tapete.
As duas linhas continuavam lá.
Ela havia imaginado aquela noite tantas vezes.
Mas em nenhuma delas imaginou estar sozinha enquanto contava ao marido que estava esperando um filho.
Ela pegou o teste com mãos trêmulas.
"Eu vim contar que estou grávida."
O silêncio que veio depois foi absoluto.
Riccardo arregalou os olhos.
Isabella parou de chorar.
Valentina esperou.
Esperou uma reação.
Um abraço.
Uma palavra.
Qualquer coisa.
Mas Riccardo apenas passou a mão pelo rosto.
"Valentina..."
Ela percebeu naquele instante que não havia alegria nos olhos dele.
Havia preocupação.
E aquilo destruiu o que ainda restava dentro dela.
"Você não está feliz."
"Não é isso."
"Então o que é?"
Riccardo olhou para Isabella.
Valentina acompanhou o olhar.
"Você já contou a ela?"
Ele não respondeu.
Valentina deu um passo para trás.
"Ela sabia."
Isabella baixou os olhos.
"Há quanto tempo?"
Riccardo respirou fundo.
"Alguns meses."
Valentina ficou imóvel.
Alguns meses.
Então, enquanto ela dormia ao lado dele, enquanto preparava o jantar, enquanto perguntava se estava tudo bem...
Ele já estava com outra mulher.
E aquela mulher era Isabella.
Uma náusea forte subiu por sua garganta.
Valentina correu até o banheiro da própria sala e fechou a porta.
Apoiou-se na pia e começou a vomitar.
Depois ficou alguns minutos ali, tentando controlar a respiração.
As lágrimas escorreram pelo rosto.
Ela apertou a barriga com as duas mãos.
"Meu bebê..."
A voz saiu em um sussurro.
Ela precisava pensar.
Precisava sair dali.
Quando abriu a porta novamente, Riccardo estava esperando.
"Vamos para casa."
Valentina quase riu.
"Casa?"
"Sim."
"Você quer que eu vá para casa com você depois disso?"
"Precisamos conversar."
"Não existe mais nada para conversar."
Riccardo segurou seu braço.
Ela puxou o corpo para trás.
"Solta."
Ele soltou.
"Eu não queria que você descobrisse desse jeito."
Valentina encarou o homem que havia amado por anos.
"Existe uma forma bonita de descobrir uma traição?"
Ele ficou sem resposta.
Valentina pegou sua bolsa.
Depois olhou para Isabella uma última vez.
"Espero que vocês sejam felizes."
Isabella chorou.
Mas Valentina não queria ouvir.
Saiu da sala.
Entrou no elevador.
Assim que as portas se fecharam, suas pernas perderam a força.
Ela se encostou à parede.
As lágrimas vieram com tanta intensidade que mal conseguia enxergar.
Seu casamento havia acabado.
Seu futuro havia acabado.
Ou talvez nunca tivesse sido aquilo que imaginou.
Quando chegou ao estacionamento, entrou no carro e ficou alguns minutos parada.
Riccardo tentou ligar.
Valentina desligou o telefone.
Depois colocou o cinto.
Precisava ir embora.
Não sabia para onde.
Só sabia que não queria voltar para aquela casa.
Ela dirigiu pelas ruas iluminadas da cidade com a visão embaçada pelas lágrimas.
A mão permaneceu sobre o ventre durante todo o caminho.
"Eu vou cuidar de você."
Era a única promessa que conseguia fazer.
Mesmo sem saber como.
Mesmo sem ter dinheiro suficiente.
Mesmo sem saber onde dormiria naquela noite.
Ela cuidaria daquele bebê.
O celular vibrou novamente.
Riccardo.
Depois Isabella.
Valentina ignorou os dois.
Em uma curva, tentou enxugar as lágrimas.
Foi apenas um segundo.
Um segundo de distração.
O farol de um carro surgiu à sua frente.
Valentina virou o volante bruscamente.
O pneu derrapou.
O carro perdeu o controle.
Ela ouviu uma buzina.
Depois um estrondo.
Seu corpo foi lançado contra o cinto.
A cabeça bateu.
Tudo ficou escuro.
Do outro lado da avenida, um homem saiu de seu carro assim que ouviu a colisão.
Dante Moretti correu até o veículo destruído.
"Meu Deus..."
Ele abriu a porta do motorista.
A mulher estava desacordada.
Havia sangue em sua testa.
Dante sentiu o coração acelerar.
"Senhora, consegue me ouvir?"
Nenhuma resposta.
Ele olhou para o banco traseiro.
Depois para o painel destruído.
Pegou o telefone.
"Chamem uma ambulância agora."
A voz dele era firme.
Mas, quando voltou a olhar para a mulher ferida, algo dentro dele mudou.
Ele não fazia ideia de quem ela era.
Não sabia de onde vinha.
Não sabia o que havia acontecido.
Só sabia que não a deixaria sozinha naquela noite.
E, enquanto Dante segurava a mão dela esperando a ambulância chegar, Valentina permanecia inconsciente, sem imaginar que aquele acidente acabaria colocando em sua vida o homem que mudaria completamente seu futuro.
O homem que, em poucos dias, faria uma proposta que ela jamais esperaria ouvir.
Um casamento.
Mas não por amor.
Ainda não.
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a sensação de que alguma coisa estava prestes a acontecer.Não sabia explicar por quê.Talvez fosse apenas ansiedade depois da conversa da noite anterior.Talvez fosse a preocupação com Isabella.Ou talvez fosse o fato de que, apesar de tudo que havia sido resolvido, aquela história ainda não encontrara seu verdadeiro encerramento.Dante estava ao lado dela.Valentina ficou alguns segundos observando-o dormir.Desde que haviam se mudado para a nova casa, cada manhã parecia diferente.Aquele quarto ainda tinha poucas coisas.As cortinas ainda não haviam sido escolhidas.Havia caixas espalhadas pelo corredor.Mesmo assim, era o quarto deles.A casa deles.A vida deles.Valentina sorriu.Depois colocou a mão sobre o ventre."Vamos ficar bem."Dante se mexeu."Você está falando sozinha de novo?"Ela riu."Você nunca dorme de verdade?""Durmo.""Então como ouviu?""Porque tenho sono leve."Valentina se virou para ele."Bom dia.""Bom dia."Dante bei
Na manhã seguinte, Valentina acordou com a lembrança do exame.Ainda conseguia ouvir os batimentos do bebê.Ainda conseguia enxergar na memória aquela pequena movimentação na tela.Ela sorriu antes mesmo de abrir os olhos completamente.Virou-se para o lado e encontrou Dante acordado.Ele estava deitado, apoiado em um dos braços, observando-a."Está me olhando?""Estou.""Há quanto tempo?""Alguns minutos."Valentina riu."Você é estranho.""Estou admirando minha esposa."Ela sentiu o rosto aquecer."Bom dia.""Bom dia."Dante aproximou-se e beijou sua testa."Como estão vocês?""Bem.""Os dois?""Os dois."Ele colocou a mão sobre o ventre dela."Bom."Valentina cobriu a mão dele."Você está ficando cada vez mais apegado.""Já estou apegado."Ela sorriu."Percebi."Os dois ainda estavam conversando quando o celular de Valentina tocou.Ela olhou para a tela.Isabella.O sorriso desapareceu.Dante percebeu imediatamente."Quer atender?"Valentina ficou alguns segundos olhando para o tel
Valentina tentou convencer Dante durante todo o caminho até a clínica de que não havia motivo para preocupação."Foi apenas uma tontura."Dante manteve os olhos na estrada."Você ficou pálida.""Porque levantei muito rápido.""Mesmo assim."Valentina sorriu."Você está preocupado demais.""Provavelmente.""Você sempre foi assim?""Não.""Então fui eu que causei isso?"Dante olhou rapidamente para ela."Você e o nosso bebê."Valentina colocou a mão sobre o ventre."Nosso bebê."Ele segurou sua mão por alguns segundos enquanto esperavam o sinal abrir."Quero ter certeza de que vocês dois estão bem."Ela sorriu."Estamos.""Vamos confirmar."Quando chegaram à clínica, Dante insistiu em acompanhá-la até a recepção.Valentina entregou os documentos e sentou-se ao lado dele."Você pode esperar aqui.""Não.""Dante.""Vou entrar com você."Ela riu."Não sei por que estou tentando discutir.""Porque você gosta.""Talvez."Quando foram chamados, o médico recebeu os dois com um sorriso."Valent
A casa ainda cheirava a tinta nova quando Valentina entrou no quarto naquela noite.Havia caixas espalhadas pelo corredor, algumas roupas ainda dentro das malas e poucos móveis ocupando os cômodos.Mesmo assim, ela sorriu.Era a casa deles.Não era um apartamento emprestado.Não era um lugar escolhido porque precisava de proteção.Não havia contrato determinando quanto tempo permaneceriam ali.Era simplesmente a casa onde ela e Dante haviam decidido construir a própria história.Dante apareceu atrás dela carregando duas caixas."Você está olhando para essa parede há cinco minutos."Valentina sorriu."Estou imaginando.""Já começou?""Comecei."Ele deixou as caixas no chão."O que está imaginando?""Uma cama aqui.""Isso eu esperava.""Uma poltrona perto da janela.""Para você?""Para nós."Dante se aproximou."E ali?""Um pequeno berço."Ele olhou para o espaço que ela indicava."Está imaginando o quarto do bebê.""Sim."Dante colocou a mão no ventre dela."Então vamos fazer exatament












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