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Capítulo 2

Autor: Pimenta Explosiva
Ao ouvir aquilo, Gustavo riu.

Ele passou a ponta dos dedos pela marca clara deixada pela aliança no dedo anelar de Patrícia.

— Há quanto tempo você usa isso? Três meses? Seis? Eu consigo fazer uma marca dessas em um dia. Além de mim, você ainda seria capaz de amar outra pessoa?

Ele não acreditava.

Afinal, naquela época, o amor de Patrícia por ele era de uma intensidade quase insana.

Todo mundo sabia disso.

Patrícia conseguia ver a certeza nos olhos dele: para ele, ela estava armando alguma coisa.

Diante dele, ela ligou para João.

No instante em que a chamada foi atendida, a voz fria e grave de João veio do outro lado da linha.

— Como você arrumou tempo para ligar? A esta hora, você não deveria estar na festa da Fernanda?

Patrícia respondeu com naturalidade, quase sem pensar:

— Nada demais. Eu só estava com saudade de você.

Do outro lado da linha, João ficou em silêncio por dois segundos.

Em seguida, soltou uma risada baixa, com um leve tom de satisfação.

— Então eu vou resolver o trabalho mais rápido e tentar voltar ao país na semana que vem.

A voz de Patrícia ficou um pouco mais suave.

— Está bem. Não trabalhe demais e tente não virar tantas noites.

— Certo. Quando acabar, avise. Vou mandar um motorista buscar você.

— Meu amor, eu amo você.

......

Em Valenor, no centro financeiro onde cada metro quadrado valia uma fortuna, o prédio comercial do Grupo Rocha subia até as nuvens.

Na sala da presidência, no último andar, João, de terno, estava sentado atrás da mesa.

Entre os dedos, segurava o celular cuja tela acabara de apagar, com um ar pensativo.

Aquelas palavras deliberadamente ambíguas de Patrícia tinham deixado a mente dele inquieta.

Ele ergueu os olhos e deu uma ordem ao assistente à sua frente, Pietro:

— Acelere o projeto. Depois, compre a passagem no voo mais rápido de volta ao país.

Pietro fechou a pasta e perguntou em tom casual:

— O senhor está com saudade da Srta. Patrícia?

João baixou os cílios densos, e uma sombra escura passou pelo fundo dos olhos.

— Não.

Ele só achava aquilo estranho.

Patrícia nunca dizia palavras doces para ele, porque os dois não eram um casal de verdade.

Naquela época, os homens que João tinha enviado para vigiar os movimentos de Gustavo chegaram até ele com um relatório.

Disseram que Gustavo tinha abandonado Patrícia, que a situação dela estava muito ruim, que ela sofria de depressão grave e tinha ido para Valenor.

A princípio, João não pretendia interferir.

Mas, certo dia, Patrícia apareceu diante dele por vontade própria e disse que poderia doar um rim para o irmão dele, desde que João ajudasse ela a conseguir vingança.

Como chefe da família Rocha, João não tinha falta de nada.

A única coisa que faltava era um rim capaz de salvar o irmão.

O irmão dele tinha uma constituição física especial.

Depois de muitos anos de busca, ainda não tinham encontrado um doador compatível.

João não sabia quando Patrícia tinha feito o teste de compatibilidade, mas achou aquela mulher implacável.

Por vingança, ela tinha coragem até de entregar um rim.

Os dois combinaram que, quando o estado do irmão dele piorasse, a cirurgia seria realizada.

João temia que Patrícia voltasse atrás.

Por isso, os dois casaram.

Dessa forma, mesmo que ela morresse, João poderia agir como familiar e doar o rim dela ao irmão.

Os nós dos dedos de João batiam na mesa de trabalho sem que ele percebesse.

Ele ergueu os olhos novamente, agora com alguns traços de decisão direta no olhar.

— Investigue quem Patrícia encontrou hoje e o que aconteceu. Envie mais alguns seguranças para lá. Protejam bem ela.

O rim de Patrícia não podia sofrer nenhum acidente.

A ligação durou menos de um minuto, mas não deixou apenas João inquieto.

Também fez o semblante de Gustavo escurecer.

Ele ainda mantinha Patrícia cercada, e uma raiva inexplicável revirava no fundo dos olhos.

Ele tinha motivo para sentir raiva.

No roteiro que tinha imaginado, Patrícia deveria estar arruinada.

Deveria estar arrependida.

Deveria olhar para o brilho que ele tinha agora e para a nova mulher ao lado dele, sentindo uma dor profunda.

Não deveria estar ali, calma, dizendo que tinha casado.

Patrícia ergueu uma sobrancelha, guardou o celular na bolsa, tirou outro cigarro e acendeu.

— Você ouviu, não ouviu? Então pode sair da frente?

Gustavo agarrou o queixo dela e falou por entre os dentes:

— Você arrumou alguém para encenar diante de mim de propósito? É só isso que você sabe fazer?

Patrícia afastou o braço dele e soprou a fumaça no rosto de Gustavo.

— Pense o que quiser. De qualquer forma, acreditar ou não já não importa. Faz muito tempo que nós não temos mais nada um com o outro.

Gustavo engasgou com a fumaça.

Sem que ninguém soubesse o que tinha passado pela cabeça dele, alguns fios de sarcasmo tomaram conta de seus olhos.

— Sim, faz muito tempo que não temos mais nada. Então, depois que resolver o que veio fazer, suma daqui!

Patrícia não quis dar atenção.

Contornou Gustavo e voltou para o camarote.

Mas, ao virar o corpo, o canto da boca dela ainda puxou uma curva amarga, impossível de conter.

Uma amizade construída desde a infância, anos de apoio mútuo nos momentos mais desesperadores, todos aqueles dias de cumplicidade e amor... no fim, tudo aquilo só tinha rendido tamanha crueldade.

Era irônico demais.

No começo, tinha sido Gustavo quem disse que ela era a única pessoa no mundo com quem ele realmente se importava.

Também tinha sido ele quem disse que ela era a vida dele e que queria seguir ao lado dela para sempre.

Mas a chegada de Paula mudou tudo.

Gustavo passou a dizer que Paula era a pessoa que ele deveria proteger com a própria vida.

Que não queria perder Paula, porque isso seria um arrependimento para o resto da vida.

......

Quando Patrícia voltou ao camarote, Paula estava cantando com o microfone na mão.

Ao ver Patrícia entrar, o olhar dela desviou várias vezes para trás.

Quando confirmou que Gustavo não estava ali, Paula soltou um suspiro evidente de alívio.

Patrícia voltou a sentar ao lado de Fernanda.

Fernanda chegou mais perto e perguntou em voz baixa:

— Você está bem? Assim que você saiu, Gustavo foi atrás. Ele foi arrumar confusão com você?

Patrícia negou.

— Não.

Comparado a tudo que ele já tinha feito antes, aquilo de hoje realmente nem podia ser considerado uma confusão.

Fernanda soltou um suspiro cheio de pesar.

— Vocês eram tão próximos naquela época. Eu fico com pena de você. O pai de Paula foi o culpado por destruir as duas famílias. No começo, vocês chamaram ela para trabalhar na empresa justamente para conseguir vingança e derrubar a família Queiroz. Como Gustavo foi acabar apaixonado por ela?

— Não foi de repente.

Patrícia baixou os cílios, virou um gole de bebida e repetiu:

— Não foi de repente...

Tudo começou quando Gustavo sentiu pena ao ver Paula vendendo bebidas em uma barraquinha de rua e sendo humilhada.

Começou quando viu aquela moça de família rica, criada no luxo, perder a casa depois da falência e acabar obrigada a morar em um prédio velho e precário.

E começou também quando ela, cheia de mágoa, caiu chorando nos braços dele e disse que não colocava a culpa nele.

A mudança de Gustavo sempre tinha deixado rastros.

Patrícia não queria recordar aquele passado humilhante.

No fim, aquilo não passava de tortura contra ela mesma.

Ao ver que Patrícia e Fernanda conversavam distraídas, Paula largou o microfone e caminhou até ali com um sorriso doce, segurando uma taça.

— Patrícia, você quase nunca aparece. Vamos beber juntas.

A taça foi estendida diante de Patrícia, e o líquido âmbar balançou sob a luz.

Patrícia não mexeu. Apenas ergueu os olhos para Paula.

O sorriso no rosto de Paula era impecável, ainda doce como sempre.

De repente, Patrícia teve muita vontade de quebrar aquela máscara.

— Desculpa, mas eu não bebo com gente sem caráter.

O sorriso de Paula congelou no rosto.

Constrangida, ela perguntou:

— Você ainda sente ódio de mim? Ainda não conseguiu aceitar que eu e Gustavo estamos juntos? Mas ninguém consegue controlar sentimentos. Eu sei que, naquela época, eu errei com você...

Ela ficou tão aflita que quase começou a chorar.

— Mas Gustavo disse que me amava, e eu também amo ele. Eu não consegui recusar...

Fernanda perdeu a paciência.

— Chega! Gustavo nem está aqui. Você está fazendo cena para quem? Não pense que, só porque Gustavo protege você, eu não tenho coragem de fazer nada. Você se meteu no relacionamento dos outros e ainda quer bancar a vítima?

O corpo de Paula balançou levemente enquanto ela segurava a taça.

Em busca de ajuda, olhou para alguns amigos próximos de Gustavo, homens que normalmente também tinham uma boa relação com ela.

Ao ver aquilo, aqueles homens imediatamente saíram em defesa dela.

— Patrícia, deixa o passado no passado. Todo mundo precisa seguir em frente. Não dificulte as coisas para Paula.

— Pois é, Patrícia. Paula veio brindar com você por educação. Gustavo mima Paula como ninguém. Se ele souber que você voltou a tratar Paula mal, é bem possível que você seja expulsa de Serra Clara ainda hoje.

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