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Capítulo 3

Author: Pimenta Explosiva
Patrícia olhou para aquelas pessoas e sorriu.

No passado, elas também já tinham andado atrás dela, cheias de gentilezas e bajulação.

De repente, ela ficou de pé.

— Paula, você se meteu como amante entre mim e ele. Sua mãe se meteu como amante no casamento dos pais dele. Seu pai matou o pai dele e ainda armou para jogar a culpa no meu pai, destruindo a minha família e a família dele ao mesmo tempo.

Patrícia encarou Paula e falou entre os dentes:

— Você e seus pais são meus inimigos mortais. E ainda acha que merece que eu beba com você?

— Patrícia, que absurdo é esse que você está dizendo? — Um homem de camisa social levantou irritado. — O caso daquela época já teve sentença no tribunal. Seu pai era o assassino. As digitais na arma do crime eram dele. Como você ainda quer acusar Paula injustamente?

— Pois é. Seu pai estava coberto com o sangue de várias vítimas. Até o pai de Paula levou uma facada...

Patrícia não queria desperdiçar palavras com aquelas pessoas. Pegou a bolsa.

— Fernanda, desculpa. Tem gente sem cérebro demais aqui, não quero mais ficar. Depois a gente marca de sair só nós duas.

Depois de dizer isso, ela deu um passo para ir embora.

Paula estendeu a mão de repente para segurar o braço dela.

— Espera.

Patrícia virou o corpo e desviou, mas Paula pareceu perder o equilíbrio e caiu para a frente com o corpo inteiro.

— Ah!

A taça escapou da mão dela, e a bebida caiu toda sobre o vestido caro de grife que ela usava.

Em seguida, ela caiu ao lado da mesa.

Tudo aconteceu rápido demais.

Foi nesse momento que a porta do camarote se abriu.

Gustavo estava parado na entrada e viu de imediato Paula caída no chão, com o corpo sujo de bebida.

O olhar dele passou por Patrícia, que estava parada ao lado, e o rosto ficou sombrio de repente.

Ele caminhou até Paula e ajudou ela a levantar.

— O que aconteceu?

— Gustavo...

Paula ficou encostada nos braços de Gustavo, e os olhos dela ficaram vermelhos em um instante.

Mordendo os lábios, ela balançou a cabeça.

— Não foi nada. Fui eu que não segurei a taça direito. Não coloque a culpa na Patrícia. Ela não teve intenção de recusar o meu brinde.

No instante em que Gustavo olhou para Patrícia, o olhar dele estava afiado como uma lâmina de gelo.

— Peça desculpas.

Patrícia soltou uma risada fria e olhou para ele com indiferença.

— O quê? Vai jogar essa culpa em mim de novo, igual três anos atrás, quando ela encenou sozinha aquela história de ter bebido algo envenenado?

— Eu mandei você pedir desculpas.

Gustavo ficou de pé e avançou passo a passo na direção de Patrícia.

Ele apontou para uma garrafa de bebida forte recém-aberta sobre a mesa.

— Beba essa garrafa. Considere isso um pedido de desculpas para Paula.

O camarote inteiro mergulhou em silêncio.

Todos observavam aquele confronto.

Patrícia pegou a garrafa.

Fernanda correu para tentar impedir.

— Você não pode...

Diante dos olhos de todos, Patrícia despejou toda a bebida da garrafa sobre a cabeça de Paula.

O líquido escorreu pelos cabelos dela.

A maquiagem borrou, o penteado desmanchou, e Paula começou a gritar, completamente fora de controle.

— Viu? Isso aqui, sim, fui eu que joguei.

Depois de terminar de despejar a bebida, Patrícia colocou a garrafa sobre a mesa, sem o menor sinal de arrependimento.

Ela encarou Gustavo nos olhos, com a voz clara e firme:

— Seu pai e o meu pai estão vendo tudo lá de cima. Você quer que eu beba esta taça como pedido de desculpas a uma inimiga. Não tem medo de pagar por isso?

Gustavo soltou uma risada fria.

— Se existisse castigo neste mundo, a primeira pessoa que deveria pagar seria você! Como eu pude acreditar nas suas palavras naquela época?

Aquelas palavras soltas de Gustavo deixaram Patrícia confusa.

Bem quando ela queria perguntar o que ele queria dizer, Paula chorou e puxou a barra da calça de Gustavo.

— Leva eu para trocar de roupa, está bem? Essa bebida grudada no corpo está pegajosa, está tão desconfortável... Eu não culpo Patrícia. Deixa ela voltar para casa.

Gustavo olhou para Patrícia, depois olhou para Paula.

No fim, escolheu pegar Paula no colo e seguiu para uma sala reservada no andar de cima.

Antes de ir, virou o rosto e advertiu Patrícia:

— Isso ainda não acabou.

Patrícia teve medo de estragar de vez a festa pré-casamento de Fernanda, então não ficou mais tempo ali.

Ao sair pela porta, um Bentley preto estava parado em silêncio à beira da rua.

Assim que viu Patrícia sair, o motorista desceu imediatamente e abriu a porta.

— Sra. Patrícia, o Sr. João pediu que eu viesse buscar a senhora.

Dentro do carro, o ar-condicionado estava forte, dissipando o abafamento da noite de outono.

Patrícia mal tinha acabado de sentar quando a tela do celular acendeu.

Era uma chamada de vídeo de João.

Patrícia atendeu.

Do outro lado da tela, João parecia ainda estar trabalhando.

Atrás dele, havia uma parede inteira de janelas que iam do chão ao teto.

O rosto absurdamente bonito dele chamava mais atenção do que a paisagem ao fundo.

Cada gesto carregava uma elegância nobre.

Não importava quantas vezes olhasse, Patrícia ainda ficava impressionada com aquele rosto.

João perguntou:

— O motorista encontrou você?

— Encontrou.

Patrícia encostou no banco.

As luzes do lado de fora passavam pela janela do carro e deslizavam pelo perfil cansado dela.

João observou ela em silêncio por dois segundos.

— Você está triste?

Patrícia balançou a cabeça.

— Não. Só estou um pouco cansada.

João percebeu a mudança no humor dela.

Depois de pensar por um instante, falou de novo:

— Endereço.

Patrícia não entendeu de imediato.

— O quê?

Ele repetiu, em um tom mais brando:

— Me passe o endereço de onde você vai ficar esta noite.

Patrícia endireitou o corpo, em alerta.

— Para quê?

João tirou os óculos de armação dourada e massageou a ponte do nariz com certo ar de impotência.

— Eu sei que você encontrou Gustavo hoje. Agora você é minha esposa, e eu não quero ninguém sem noção incomodando você. Vou mandar gente para garantir sua segurança.

Patrícia entendeu o que ele queria dizer.

Desta vez, não fez cerimônia e passou o endereço do apartamento.

Antes de desligar, ainda provocou João:

— Mesmo comigo no país, você consegue saber exatamente por onde eu ando. Seus informantes estão mesmo por toda parte. Você tem tanto medo assim de eu fugir?

Os olhos frios de João ganharam uma leve camada de sorriso por causa daquelas palavras.

— Sim. Tenho medo de você fugir. Então trate de ser obediente.

No fim, o carro parou diante de um prédio residencial de alto padrão.

Aquele apartamento tinha sido um presente de Gustavo na época do noivado.

Depois do fim do compromisso, Gustavo não pediu o imóvel de volta, e Patrícia acabou mantendo tudo como estava.

O apartamento tinha uma localização excelente e uma planta muito boa.

Não havia prejuízo nenhum em continuar com ele.

Enquanto o elevador subia, Patrícia observava os números mudando e teve a sensação de estar em outra vida.

Fazia três anos que ela não voltava.

Nem sabia se as coisas dentro do apartamento ainda funcionavam.

O corredor estava silencioso.

Ela caminhou até a porta familiar e digitou a senha.

Senha incorreta.

Ela tentou outra vez.

Ainda estava errada.

Ela franziu a testa e apertou o botão para chamar a administração do condomínio.

Cinco minutos depois, o administrador chegou às pressas com um técnico de manutenção.

Ao reconhecer Patrícia, o administrador explicou com constrangimento:

— Srta. Patrícia, a senhora voltou. A senha deste apartamento foi alterada pelo Sr. Gustavo há um ano. Não é defeito na fechadura.

Por que Gustavo tinha mudado a senha dela?

A tensão dentro de Patrícia apertou de repente.

— Abra a porta.

— Isso... Nós precisamos da autorização do proprietário...

A voz de Patrícia ficou fria.

— Eu sou a proprietária. Precisa que eu mostre os documentos? Este apartamento foi transferido para o meu nome faz muito tempo.

O administrador enxugou o suor.

No fim, ainda mandou abrir a porta.

No instante em que a porta abriu, um cheiro estranho veio na direção dela.

Uma fragrância vulgar de aromatizador misturada com cheiro de óleo de cozinha.

No hall de entrada, havia vários pares de sapatos que não pertenciam a Patrícia.

Será que alguém tinha invadido o apartamento?

Com o coração suspenso, Patrícia entrou.

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