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Depois da Traição, Casei com Seu Rival
Depois da Traição, Casei com Seu Rival
Author: Pimenta Explosiva

Capítulo 1

Author: Pimenta Explosiva
Patrícia e Gustavo reencontraram Paula Queiroz no Clube Solar das Nuvens, quando foram até lá para uma reunião com um cliente importante.

Paula era filha da maior inimiga dos dois.

Naquele momento, Patrícia jamais poderia imaginar que, no futuro, Gustavo amaria Paula daquela maneira.

Ele amava Paula a ponto de jogar fora uma história de mais de vinte anos entre eles e cortar todos os laços que ainda existiam entre Patrícia e ele.

Por Paula, ele enlouqueceria. Por Paula, perderia o controle uma vez após a outra.

Por Paula, ele deixaria de lado até o ódio causado pela destruição das duas famílias, como se nada mais importasse.

Ele ainda seria capaz de perdoar Paula em nome dos pais dos dois.

E chegaria ao ponto de dizer a Patrícia:

— Eu dou uma quantia para você. Vá embora e nunca mais volte. Paula fica incomodada com a sua presença. Ela é ciumenta e difícil de agradar.

Então Patrícia foi embora.

E esse afastamento durou três anos.

......

O reencontro entre Patrícia e Gustavo aconteceu no Clube Solar das Nuvens, um clube de elite em Serra Clara.

Fernanda, amiga de Patrícia, organizou uma festa de pré-casamento.

Patrícia voltou para ser madrinha e, de quebra, rever alguns amigos antigos.

Quando empurrou a porta do camarote, o olhar dela atravessou a luz difusa e pousou com precisão no centro do sofá.

Um homem alto e imponente estava sentado entre a luz e a sombra, cercado por todos.

Ele tinha uma expressão entediada e girava na mão um copo de uísque com gelo.

Sob a iluminação ambiente do camarote, os traços do rosto pareciam ainda mais frios e distantes.

Os cubos de gelo batiam contra o líquido âmbar, prendendo boa parte da atenção dele.

Talvez por tédio, ele ergueu as pálpebras com preguiça.

Foi nesse instante que o olhar dele encontrou o de Patrícia.

O movimento do copo na mão de Gustavo parou.

Patrícia viu claramente um traço de surpresa passar pelas pupilas dele.

Mas, no segundo seguinte, ele virou o rosto e disse algo em voz baixa para a mulher deslumbrante ao lado.

Até as sobrancelhas marcantes dele ganharam um ar mais suave.

Só então Patrícia notou Paula.

Diferente daquela época, quando Paula estava tão decadente que só podia usar roupas baratas, agora ela vestia peças de grife da coleção mais recente.

Os cabelos longos caíam soltos, deixando à mostra parte do pescoço muito bem cuidado.

Bastava um olhar para saber que ela vinha sendo mimada.

Paula também percebeu Patrícia, e a expressão dela endureceu de repente.

Patrícia passou os olhos por ela sem nenhuma ondulação no olhar, ignorou os dois e continuou andando para dentro.

Fernanda já tinha visto Patrícia e atravessou a multidão com entusiasmo, acenando.

— Patrícia, finalmente você chegou!

A música no camarote baixou um pouco, e muitos olhares vieram na direção dela.

— Peguei um pouco de trânsito no caminho.

Patrícia sorriu para Fernanda e entregou o presente.

Quando ergueu a mão, percebeu mais uma vez aquele olhar extremamente invasivo.

Desta vez, ainda mais direto.

Quem quebrou primeiro aquela atmosfera estranha foi Paula, com um cumprimento.

— Patrícia, quanto tempo.

Os olhos dela curvaram um pouco, e a voz carregava um tom de surpresa, como se as duas fossem velhas amigas muito próximas.

Patrícia passou direto por ela e virou o rosto para falar com Fernanda:

— Parabéns.

Fernanda puxou Patrícia para a outra ponta do sofá e, enquanto caminhavam, pediu desculpas em voz baixa:

— Desculpa. Eu não sabia que eles viriam. Foi Thiago que trouxe os dois.

— Tudo bem.

Três anos eram tempo suficiente para congelar um coração até virar gelo.

Patrícia já não se importava.

Três anos antes, para ficar com Paula, Gustavo tinha levado Patrícia ao limite.

Gustavo usou todos os meios para forçar Patrícia a desfazer o noivado, ordenou que ela fosse embora do país e, na pior das vezes, quando Patrícia perdeu a paciência e partiu para cima de Paula, chamou a polícia contra ela.

Por causa disso, Patrícia ficou detida por sete dias na delegacia e perdeu a chance de ver a tia pela última vez.

A tia era a última parente que restava a Patrícia além da mãe.

Depois que a mãe perdeu a sanidade, foi a tia quem criou Patrícia sozinha.

Para Patrícia, ela não era diferente de uma mãe.

Gustavo sabia muito bem a importância que aquela tia tinha para Patrícia.

Mesmo assim, para se vingar em nome de Paula, fez aquilo.

Enquanto Patrícia estava perdida nesses pensamentos, uma amiga puxou ela para sentar.

— Você finalmente voltou. Três anos sem dar as caras. Eu até achei que você fosse cruel a ponto de abandonar até nós, seus amigos.

— Pois é. Naquela época, todo mundo achava que você e Gustavo seriam os primeiros do nosso grupo a casar. Quem diria...

— Pensando nisso, dá até pena. Vocês eram tão apaixonados naquela época. Para pedir você em casamento, ele fez uma transmissão ao vivo do alto da torre e ficou de joelhos diante de todo mundo. Gustavo, você ainda lembra disso?

Alguém puxou o assunto de propósito, como se estivesse tentando defender Patrícia.

Por causa daquelas palavras, o rosto de Paula empalideceu de repente.

Os dedos escondidos ao lado do corpo agarraram com força a barra da roupa.

Gustavo, por outro lado, apenas balançou o copo, indiferente. A voz dele saiu preguiçosa:

— Quando a pessoa é a errada, não existe pena nenhuma. Quem nunca fez algumas loucuras na juventude? Minha noiva agora é Paula, e eu acho isso ótimo.

— Gustavo, não passa dos limites... — Fernanda ficou furiosa e já ia levantar para virar a mesa.

Patrícia segurou Fernanda pelo braço e balançou a cabeça.

— Deixa para lá, Fernanda. Eu vim aqui para desejar felicidades a você. Não deixe pessoas sem importância estragarem seu humor.

Essa frase definiu a relação entre Patrícia e Gustavo.

A expressão de Gustavo não mudou, mas o olhar dele ficou ainda mais frio.

......

Depois de uma breve conversa para colocar os assuntos em dia, o clima voltou a ficar animado.

Na hora dos jogos, Paula perdeu algumas rodadas e bebeu até ficar levemente alterada, meio recostada nos braços de Gustavo.

Ao ver aquilo, Gustavo pegou um copo de água e levou até os lábios dela.

— Bobinha, se não aguenta beber, então não bebe. Eu estou bem aqui do lado. Você não sabe pedir ajuda?

Paula esfregou o rosto na palma da mão dele, com um ar manhoso.

— Eu sei que você fica preocupado comigo, mas eu não queria estragar a diversão dos seus amigos.

Patrícia não sabia se era impressão dela, mas sempre sentia que o olhar de Paula vinha em sua direção de propósito, de vez em quando, como uma provocação.

Só que ela achava aquilo infantil demais.

Ela baixou a cabeça, tomou um gole de água e levantou para falar com Fernanda:

— Vou ao banheiro.

Quando saiu do banheiro, acendeu um cigarro.

Mal levou o cigarro aos lábios, ouviu uma sequência de passos atrás dela.

Gustavo estendeu a mão, arrancou o cigarro dos dedos dela, jogou no chão e apagou com a sola do sapato.

Depois, perguntou em tom displicente:

— Agora você aprendeu a fumar? Você insiste em virar justamente aquilo que eu mais odiava naquela época, é isso?

Ele exalava um leve cheiro de uísque.

Patrícia ergueu os olhos com sarcasmo.

Ao ver aquele rosto familiar e bonito, só sentiu irritação.

— O que você tem a ver com isso? Não precisa ir proteger sua noiva das bebidas?

Ela levantou o pé, pronta para contornar Gustavo.

Gustavo não saiu do lugar. Pelo contrário, deu um passo à frente e prendeu Patrícia contra o canto da parede com uma força dominadora.

Em um instante, a presença autoritária dele desceu sobre ela de maneira esmagadora, familiar e estranha ao mesmo tempo.

— Três anos sem ver você, e seu temperamento ficou bem mais duro.

Gustavo segurou o pulso de Patrícia e passou o polegar pela pele dela.

— Eu falei para você não voltar. Por que você insiste tanto em desobedecer?

Patrícia afastou a mão dele com um tapa e desviou o olhar.

— Aqui é a minha terra. Eu volto quando quiser, e você não tem direito de impedir. Além disso, faz muito tempo que você deixou de ser importante para mim.

— Até que você finge bem.

Gustavo soltou uma risada de deboche, ergueu a mão, segurou a nuca dela e puxou Patrícia com força em sua direção.

— Ver Paula comigo foi demais para você? Você escolheu voltar justo agora e apareceu na minha frente com tanta pressa porque ficou com medo de eu casar com ela, não foi? Você...

— Gustavo.

Patrícia não tinha o menor interesse em continuar ouvindo aquelas bobagens.

Ela ergueu a mão com a aliança lisa.

— Eu já casei.

O ar ficou parado por um instante.

A expressão de Gustavo congelou.

Ele pareceu ter ouvido uma piada. O canto da boca abriu em um arco largo de ironia.

— Você casou com quem? Não acha ridículo inventar uma mentira dessas?

— O que uma aliança lisa prova? O anel de noivado que eu dei para você antes era um diamante rosa de dez quilates. Você acha mesmo que eu vou acreditar que você aceitaria essa aliança simples? Você nem sabe mentir.

Patrícia ergueu uma sobrancelha, com uma firmeza quase agressiva.

— Desde que eu goste da pessoa, tanto faz ser uma aliança simples ou um anel de diamante. Para mim, tudo tem valor. Nem todo mundo precisa seguir os seus critérios.

Patrícia não tinha paciência para explicar que aquela aliança simples era uma relíquia da família Rocha e também o símbolo da esposa de João.

O marido dela, João, era o rival mais difícil de Gustavo.

E também a pessoa que ele mais odiava.

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