Mag-log inEu desviei do olhar quente dele e criei coragem pra falar:— Eu… Eu acho que o Augusto logo vai vir falar comigo sobre o divórcio. A gente… A gente…Eu engoli em seco, tentando afastar toda aquela tensão sem saber nem por onde começar. Antes que eu conseguisse terminar, ele cortou a minha explicação:— Eu entendi. A gente fala sobre qualquer coisa depois que você estiver oficialmente divorciada.A voz dele saiu calma, impossível de decifrar. Mas o olhar continuava intenso, queimando em cima de mim.Quando eu pensei na aparição da Alice naquele dia, eu comentei, pensativa:— É bem provável que o Augusto venha tratar do divórcio esses dias. Você… Pode preparar outro acordo de divórcio pra mim?O Thiago arqueou as sobrancelhas:— Você está pensando em fazer divórcio por acordo?Eu pisquei, sem entender o problema de imediato, e assenti:— Sim. Por quê?De repente ele se inclinou na minha direção, com um tom que veio carregado de cobrança:— Divórcio consensual tem trinta dias de período d
Ele terminou de falar e estendeu os papéis que tinha na mão:— Eu acabei de pedir pro advogado preparar o acordo de divórcio. Só que, sobre a guarda, eu queria ouvir a sua opinião primeiro.— Guarda? — A Alice arqueou a sobrancelha, com uma ponta de surpresa na voz.O Augusto assentiu, com um ar preocupado:— Eu tenho medo de você se incomodar por não ter filho. Se você quiser, eu peço a guarda da Laís e, daqui pra frente, a gente cria ela junto. Se você não quiser, eu deixo a guarda com a Débora.A Alice abaixou o olhar e respondeu num tom neutro:— Criança é só um acessório. Ter ou não ter não faz tanta diferença assim. Além disso, a filha da sua ex-mulher já está grandinha. Provavelmente ela nunca vai ter intimidade comigo.O Augusto concluiu:— Sendo assim, eu não vou pedir a guarda, então. Quanto ao resto da divisão de bens, vê se tem alguma coisa que você quer mudar.Por dentro, a Alice sentiu uma onda de indignação pela Débora.A Débora tinha sido casada com o Augusto por tantos
O Otávio ouviu em silêncio e soltou um suspiro pesado, cheio de sentimento:— Ainda bem que você soube educar o seu filho. Depois de tudo o que o Augusto fez com o Cláudio, ele ainda se preocupa com o irmão, ainda tenta proteger ele. Isso é raro. Mas eu vou te falar: o Cláudio não devia mexer um dedo por aquele imbecil. Tinha era que deixar a internet cair em cima dele, xingar até ele acordar pra vida. Só assim ele ia aprender.A Glória continuou dando colheradas de canja na boca dele, com o olhar abaixado. Ela aproveitou para observar de lado a expressão do Otávio e abriu a boca com cuidado, num tom de quem tateava o terreno:— Otávio, eu sei que você falou aquilo no calor do momento, mas o Augusto, no fim das contas, é seu filho de sangue. Agora há pouco, eu encontrei a Fabiana lá embaixo. Ela falou que… O Augusto tinha sido demitido do Grupo Moretti?O Otávio ficou em silêncio por um instante e, depois, soltou um longo suspiro:— Demitir ele? Se fosse simples assim…O coração da Gló
— Não precisa. — A Glória fez um gesto com a mão, mantendo o tom sempre doce. — A Fabiana é mãe do Augusto, é claro que ela ficou desesperada com o que aconteceu. Por isso ela perdeu o controle. Vocês não precisam fazer escândalo, muito menos encostar um dedo nela.Apesar das palavras dela, os dois seguranças que seguravam a Fabiana pelos braços não afrouxaram nem um pouco. Pelo contrário, eles apertaram ainda mais.— Vadia! Para de fingir que é santa! — A Fabiana, sem conseguir se soltar, só podia descontar a fúria nela. — Você deve estar rindo por dentro, né? Foi você que envenenou a cabeça do Otávio pra ele tirar o Augusto da empresa, não foi? Não acha que eu não sei!A expressão da Glória se tingiu com a dose exata de surpresa. Ela franziu levemente a testa:— É mesmo? O Augusto vai ser demitido? Eu juro que não fazia ideia. Fabiana, não faz isso com você mesma. Se você passar mal de tanto se irritar, não vale a pena. Faz assim: você volta pra casa e espera um pouco. Eu vou lá fala
A Glória soltou um leve suspiro.Ao longo daqueles anos, ela tinha construído com cuidado a imagem de esposa e mãe exemplares: diante do marido, ela sempre tinha sido mansa e compreensiva; diante do filho, ela sempre tinha sido doce e acolhedora. Ela nunca tinha deixado escapar, em voz alta, a ambição e a disputa de poder que guardava no fundo do peito.Agora ela já tinha falado de forma mais do que clara: a queda do Augusto era a chance perfeita para o Cláudio firmar de vez a própria posição. Mas o filho dela ainda estava afogado até o pescoço em drama amoroso.— Mãe, pode sair. — O Cláudio se levantou e virou de costas para ela, com a voz carregada de cansaço. — Eu quero ficar sozinho um pouco.— E você pretende voltar pra empresa quando? — A Glória não cedeu tão fácil. Ela insistiu. — Não esquece que, hoje, você é o presidente do Grupo Moretti. A empresa está no meio de um escândalo, as ações despencaram, a imprensa não larga do nosso pé. Você não ajudar seu pai a segurar isso, nem
— Mãe, deixa eu ir atrás dela! — Cláudio se levantou de um pulo, com o olhar em puro desespero. — A Alice não pode voltar pra perto do Augusto. Aquele homem não é confiável, ela vai correr perigo!A Glória deu um passo à frente e cortou o caminho dele, interrompendo em tom duro:— Que perigo, Cláudio? O Augusto ama aquela menina até demais. O que poderia acontecer com ela? Senta. Hoje você vai ficar quieto dentro de casa, não vai colocar o pé pra fora.O Cláudio ficou imóvel, completamente atônito. Ele encarou a mãe como se não reconhecesse ela:— Você não sempre gostou tanto da Alice? Como é que agora você consegue virar as costas pra ela? Você não está nem um pouco preocupada?Um brilho calculista passou rápido pelo fundo dos olhos da Glória, mas, quando ela ergueu o rosto, a expressão dela já tinha virado um misto de impotência e suspiro cansado. Ela soltou o ar devagar:— Eu gostava dela, sim. Eu queria muito que ela tivesse virado minha nora. Mas sentimento não é coisa que se empu







