Mag-log inA Fabiana tinha começado a xingar lá embaixo e foi subindo até a porta do quarto da Alice, mas aquela porta continuava fechada, firme, sem dar o menor sinal de que ia abrir. Então a Fabiana voltou a descer, praguejando outra vez pelo jardim inteiro.A garganta dela já estava seca e ardendo, e mesmo assim ela não tinha visto nem a sombra da Alice, muito menos conseguido chegar perto da Mônica para tirá-la da capela.A Fabiana tremia de raiva, a ponto de quase perder o controle e simplesmente avançar para arrancar a Mônica dali à força.Ela não queria acreditar que aqueles seguranças teriam coragem de encostar a mão na própria mãe do Augusto.Foi nesse momento que o som de um motor se aproximou. Um Maybach preto entrou no jardim e parou com precisão no centro do pátio.A porta se abriu, e o Augusto desceu do carro. O rosto bonito dele estava coberto por uma sombra escura de irritação, e a atmosfera ao redor parecia desabar; o ar ficava pesado só de chegar perto.A Fabiana na mesma hora a
A Ana ficou visivelmente sem jeito e falou:— Você não faz ideia de quem é a Dona Fabiana. Ela é barra-pesada. Se você não descer pra falar com ela, é bem capaz de ela fazer um escândalo aqui dentro.— Então deixa ela fazer escândalo. — A Alice respondeu, com a voz calma, mas sem ceder um milímetro. — As regras da Mansão dos Moretti agora quem define é o Augusto. Se ela quiser aprontar, primeiro ela tem que ver se consegue.A Ana não ousou insistir. Ela apenas baixou a cabeça em sinal de respeito, concordou e desceu às pressas.Na sala, a Fabiana andava de um lado para o outro, impaciente.Assim que viu a Ana se aproximar, já atacou:— Cadê aquela vadia que está enfeitiçando o meu filho? Onde ela está? Manda ela descer AGORA pra falar comigo!A Ana manteve a cabeça baixa, mas o tom dela continuou firme, sem subserviência:— A Alice não está se sentindo bem. Ela está descansando lá em cima e, no momento, não pode receber visitas.— Não pode receber visita? — A Fabiana soltou uma risada
Não demorou muito para a Natália entrar porta adentro, toda acelerada, com a Rafaela e a Laís pulando atrás dela.As duas pequenas me viram e já vieram correndo, de braços abertos, se jogando em cima de mim.Eu me levantei às pressas e abracei as duas, sentindo aqueles corpos miúdos e quentinhos contra o meu peito, com aquele cheirinho doce de criança que parecia leite e talco.— Eu vim te devolver as meninas. — A Natália falou, trocando de sapato, com um tom leve. — Hoje os pais do Matias vão vir pra Cidade H, eu tenho que ficar com eles. Não vou ter tempo de te ajudar com essas duas princesinhas.Ela largou as mochilinhas das meninas em cima do armário da entrada, depois virou para mim, piscou de um jeito malicioso e sorriu cheia de segundas intenções:— Aliás… Você viu o que eu te mandei ontem, né?Na mesma hora, eu senti o rosto inteiro esquentar. Eu tratei de mandar as meninas irem brincar em outro canto.A Natália reparou que o saquinho de papel com as camisinhas ainda estava em
Eu lembrava que, na época em que eu achei que tinha perdido o bebê, eu vivia afundada em depressão. Eu não conseguia dormir à noite e eu sempre acabava na pequena sala de estar do quarto, assistindo a esses filmes melancólicos.Quando o Augusto acordava de madrugada, ele falava com uma irritação aberta:— Que drama! Para de ver essas coisas cheias de chororô à toa.Naquele tempo, eu só conseguia sentir a dor de ter perdido o meu filho. Mesmo quando ele não me dava um mínimo de consolo e ainda falava daquele jeito comigo, eu não percebia que ele, no fundo, nunca tinha me amado.— Thiago? — Eu chamei bem baixinho, com um pouco de hesitação. — Você… Acha esses filmes muito dramáticos? Se você quiser, você me fala que tipo de filme você gosta e a gente vê um que seja mais a sua cara.Quando ele me ouviu, virou a cabeça. Os olhos escuros dele se prenderam aos meus, sem nenhum sinal de impaciência.Depois de dois segundos em silêncio, ele estendeu a mão. A ponta dos dedos dele, levemente fri
Eu desviei do olhar quente dele e criei coragem pra falar:— Eu… Eu acho que o Augusto logo vai vir falar comigo sobre o divórcio. A gente… A gente…Eu engoli em seco, tentando afastar toda aquela tensão sem saber nem por onde começar. Antes que eu conseguisse terminar, ele cortou a minha explicação:— Eu entendi. A gente fala sobre qualquer coisa depois que você estiver oficialmente divorciada.A voz dele saiu calma, impossível de decifrar. Mas o olhar continuava intenso, queimando em cima de mim.Quando eu pensei na aparição da Alice naquele dia, eu comentei, pensativa:— É bem provável que o Augusto venha tratar do divórcio esses dias. Você… Pode preparar outro acordo de divórcio pra mim?O Thiago arqueou as sobrancelhas:— Você está pensando em fazer divórcio por acordo?Eu pisquei, sem entender o problema de imediato, e assenti:— Sim. Por quê?De repente ele se inclinou na minha direção, com um tom que veio carregado de cobrança:— Divórcio consensual tem trinta dias de período d
Ele terminou de falar e estendeu os papéis que tinha na mão:— Eu acabei de pedir pro advogado preparar o acordo de divórcio. Só que, sobre a guarda, eu queria ouvir a sua opinião primeiro.— Guarda? — A Alice arqueou a sobrancelha, com uma ponta de surpresa na voz.O Augusto assentiu, com um ar preocupado:— Eu tenho medo de você se incomodar por não ter filho. Se você quiser, eu peço a guarda da Laís e, daqui pra frente, a gente cria ela junto. Se você não quiser, eu deixo a guarda com a Débora.A Alice abaixou o olhar e respondeu num tom neutro:— Criança é só um acessório. Ter ou não ter não faz tanta diferença assim. Além disso, a filha da sua ex-mulher já está grandinha. Provavelmente ela nunca vai ter intimidade comigo.O Augusto concluiu:— Sendo assim, eu não vou pedir a guarda, então. Quanto ao resto da divisão de bens, vê se tem alguma coisa que você quer mudar.Por dentro, a Alice sentiu uma onda de indignação pela Débora.A Débora tinha sido casada com o Augusto por tantos