登入Foi justamente nessa hora que Laís apareceu correndo com o celular na mão e perguntou, olhando para cima:— Mamãe, é o papai. Eu posso atender?Apesar de tudo o que eu e Augusto tínhamos de mal resolvido, eu nunca proibi que Laís falasse ou encontrasse com ele.Eu fiz que sim com a cabeça e falei:— Você pode atender.Laís atendeu o celular, falou duas ou três frases toda animada e, logo em seguida, estendeu o aparelho para mim.Ela fez uma careta de quem tinha sido enganada e reclamou:— No fim das contas, o papai queria era falar com você.No fundo, Augusto sabia que eu não atendia mais as ligações dele. Então, se ele queria falar comigo, ele usava Laís como ponte.Por causa da situação da Alice, eu respirei fundo e decidi atender.A voz grave e fria de Augusto entrou direto no meu ouvido:— Assim que a sentença da Alice sair e a culpa dela ficar registrada, ela vai pegar, no mínimo, cinco anos de cadeia. E, mesmo quando ela sair, essa ficha vai acompanhar ela para sempre. Nenhuma em
O olhar por trás das lentes de Thiago não amoleceu nem um pouco; pelo contrário, parecia ter ganhado uma camada fina de gelo.Eu ignorei completamente a hostilidade que ele exalava e continuei:— Todo esse tempo em que a gente ficou junto, tudo o que você fez por mim, você fez porque você quis. Eu nunca coloquei uma faca no seu pescoço para te obrigar a nada. Você se doou por mim, e eu reconheço isso. Mas você acha mesmo que eu não me doei por você? Para ficar ao seu lado, eu aguentei fofoca, xingamento, julgamento de todo lado. Se você não tivesse se aproximado de mim lá no começo, eu nunca, em toda a minha vida, teria imaginado me envolver com você. Agora você acha que, se eu for embora, eu não vai ser nada? Tudo bem. Então eu não sou nada. Pelo menos, eu ainda sou eu mesma. Ninguém neste mundo é insubstituível. Você só se acha importante demais.Assim que eu terminei, eu parei de encarar o rosto fechado dele e virei as costas, saindo rápido em direção ao quarto das crianças.Eu pegu
Cada palavra que Thiago tinha dito há pouco cortava em mim como uma lâmina, uma facada atrás da outra, deixando tudo em carne viva, doendo tanto que até a minha respiração tremia. Então era assim que eu existia na vida dele.Por outro lado, talvez fosse até melhor. Pelo menos agora ele tinha falado às claras. Ainda dava tempo. Melhor do que a gente casar, ou até ter filhos, para só então eu enxergar quem ele realmente era, quando já não houvesse mais volta.Thiago pareceu perceber o que tinha deixado escapar. Atrás das lentes, o olhar dele vacilou por um instante, e o tom de voz amoleceu um pouco:— Eu não quis dizer isso do jeito que pareceu.Eu ri, um riso curto e amargo:— Não tem problema. É até bom que tenha ficado claro. Para mim, nada nunca vai ser mais importante do que a minha família e as pessoas que são do meu sangue. E eu não vou, nunca, sacrificar a vida de outra pessoa para garantir a minha felicidade. As nossas visões de mundo são diferentes. E, sim, eu realmente tenho m
Naquele instante, eu finalmente entendi. Ele tinha insistido naquela viagem repentina para fora do país porque ele já sabia que a Alice tinha se entregado. Ele tinha medo de que eu, ficando aqui, acabasse descobrindo alguma coisa. E também tinha medo de que alguém me contasse que eu e a Alice éramos irmãs.Se eu realmente tivesse ido com ele hoje, quando eu voltasse, dali a quinze dias, a sentença da Alice e do Cláudio já teria saído, tudo estaria decidido. E eu passaria a vida inteira sem saber que eu tinha uma irmã mais velha.Naquele momento, a dor apertou tanto o meu peito que eu mal conseguia respirar. Eu saí cambaleando do prédio do Grupo Moretti.Lá fora, o sol castigava. O calor era tão forte que parecia queimar a pele. Mas, por dentro, eu só sentia gelo.…Na casa da família Ribeiro.Assim que eu empurrei a porta, Rafaela e Laís vieram correndo na minha direção. As duas gritaram, eufóricas, em direção ao andar de cima:— Tio Thiago, você não precisa mais procurar! Mamãe já vol
Eu praticamente expulsei a Glória dali e já ia me virar para voltar para dentro.Mas a voz dela soou nas minhas costas:— Débora, eu preciso te contar uma coisa sobre a Alice! Você realmente não quer saber de onde ela veio?Meu coração deu uma fisgada. Nas últimas semanas, eu tinha pensado várias vezes se a Alice não poderia ser filha da minha mãe.Só que, depois, com aquela sequência de problemas envolvendo a família Lins, eu não tinha conseguido encontrar a Renata para confirmar nada.Olhando para o rosto aflito de Glória bem na minha frente, eu respirei fundo e falei, séria:— Vem comigo para a minha sala.Eu a levei rapidamente para o meu escritório.Assim que eu fechei a porta, Glória disparou:— Débora, a Alice é sua irmã mais velha. Vocês duas são filhas da mesma mãe, vocês têm o mesmo sangue. Eu achei que eu precisava te contar isso.Meu peito tremeu. Mesmo já tendo cogitado essa hipótese antes, escutar a confirmação da boca da Glória me deixou tão atônita que eu demorei para r
Eduarda falou com uma inveja escancarada na voz:— Meu Deus, Débora, eu juro que eu morro de inveja de você! Você vai viajar de novo para fora do país com o Thiago, de férias, que vida perfeita! Quando é que eu vou ter essa sorte de casar com um homem igual ao Thiago, carinhoso daquele jeito e ainda cheio da grana?Eu senti o rosto esquentar de leve e respondi:— Eu juro que não fui eu que pedi viagem nenhuma. Ontem ele simplesmente apareceu com essa ideia de férias, já tinha até acertado as folgas das duas no jardim de infância. Eu queria terminar esses projetos antes de pensar em descanso. Mas a Laís e a Rafaela ficaram em cima de mim, insistindo sem parar, eu não tive saída. Mas fiquem tranquilas, eu vou olhar o e‑mail todo dia, vou ficar conectada para resolver o que aparecer. Eu não vou deixar ninguém na mão.Clara se aproximou na mesma hora, com aquele olhar cheio de curiosidade:— Vocês dois andam grudados demais ultimamente. Será que o casamento está perto? Não duvido nada que






