LOGINEle permaneceu ali durante três dias e três noites.Sem comida.Sem água.Sem abrigo.Nem mesmo sabia exatamente por quê.Sabia apenas que precisava vê-la.Mais uma vez.Mesmo que fosse apenas uma única vez.Mesmo que tivesse de se ajoelhar e lamber a sujeira de seus sapatos.Na noite do quarto dia, um Rolls-Royce Phantom preto saiu lentamente da propriedade.Vários Cadillacs o escoltavam.Maximo viu sua oportunidade.Com as últimas forças que possuía, lançou-se diante do veículo.BAM.Caiu de joelhos sobre o asfalto.O som do osso batendo contra o chão foi repugnante.Permaneceu ajoelhado na lama.Então começou a bater a testa contra a estrada.Bum.Bum.Bum.A pele se abriu.O sangue escorreu.Misturando-se à lama.— Oriana!Sua voz estava destruída.— Por favor...— Só me veja mais uma vez!Continuou golpeando a cabeça contra o chão.— Eu sei que errei!— Eu realmente sei!As lágrimas escorriam sem controle.— Não estou pedindo perdão!Sua voz se par
Oriana, segurando o vestido, caminhou lentamente até a beira dos degraus do altar.— Máximo — disse ela, com os lábios vermelhos mal se movendo. — Eu não vasculho o lixo em busca de coisas que já joguei fora.Raphael deu um passo à frente e a puxou para seus braços. Seus dedos fortes e elegantes esmagaram o copo de uísque que ele segurava. O som do vidro se estilhaçando foi o som da última esperança de Máximo se extinguindo.“Joguem-no em um esgoto no rio Chicago”, disse Raphael calmamente, selando o destino de Maximo. “E emitam uma ordem de morte contra ele para todo o submundo. Qualquer um que lhe der até mesmo um pedaço de pão é inimigo da família Falcone.”Enquanto Maximo era arrastado pelos cabelos, seus gritos ecoando pela igreja, as portas começaram a se fechar. No último segundo antes de se fecharem, seus olhos vermelhos viram Raphael se inclinar e beijar possessivamente os lábios de Oriana.Então, o mundo de Maximo ficou escuro.---A vida de Maximo não era um pesadelo. Era pi
A rua inteira estava bloqueada.Uma fila de carros de luxo se estendia até onde a vista alcançava.Homens de Raphael montavam guarda a cada poucos metros, formando uma barreira impenetrável ao redor da catedral.Maximo endireitou as costas.Tentou recuperar a autoridade que um dia tivera como Don da família Gallo.Então caminhou em direção à entrada.— Saiam do meu caminho!Sua voz ecoou pelos degraus.— Vim ver Oriana!Os dois guardas sequer mudaram de expressão.Um deles nem se deu ao trabalho de olhar diretamente para ele.— Sem convite, você morre.Sua voz foi indiferente.— Simples assim.Maximo ficou imóvel.Então desabou de joelhos nos degraus.A diferença de poder era real.Brutal.Naquele lugar, Maximo Gallo não era nada.Absolutamente nada.Ele permaneceu ajoelhado sobre a pedra gelada.Lágrimas amargas escorriam por seu rosto.Misturavam-se à neve derretida.— Deixem-me entrar!Sua voz falhou.— Oriana é minha mulher!Tentou se levantar novamente.
Toc... toc... toc...Ela atendeu ao terceiro toque.— Maximo.A voz de Oriana era assustadoramente calma.Desprovida de qualquer emoção.— Oriana!Maximo começou a chorar.— Por favor, me salve! Eu errei! Errei feio!Lágrimas e muco escorriam por seu rosto.— Vou me livrar da Gia! Vou fazer tudo o que você quiser!Sua voz falhou.— Por favor, Oriana!— Eu não posso ir para a prisão!Do outro lado da linha, houve silêncio.Então veio uma risada fria.— Você não fica com raiva quando um cachorro de rua te morde.A voz dela era vazia.— Você só fica com raiva de si mesma por ter confiado nele.— Oriana, eu te amo!Maximo praticamente gritou.— Eu sempre te amei!— Amor?Ela soltou uma risada suave.— Você só amava o poder e o dinheiro que eu lhe dei.Fez uma pausa.— E agora será caçado pela Comissão e pelos seus inimigos por traição.— Não!O desespero tomou conta de sua voz.— Oriana, por favor! Não faça isso!Clique.A ligação foi encerrada.Maximo perman
— Como assim, congelado?A voz de Maximo tremeu.O rosto de Giuseppe estava completamente pálido.Gotas de suor escorriam por seu queixo.— A principal fonte de capital clandestino da família foi cortada às três da manhã.Sua voz vacilava.— A linha de crédito de quinhentos milhões de dólares desapareceu.Ele respirou fundo.— A Comissão está exigindo explicações sobre o sumiço do financiamento.— Todos os nossos negócios legítimos foram apreendidos.— O porto foi bloqueado.— Nem os estivadores sabem mais de quem receber ordens.Maximo encarava a tela.Uma conta após a outra.Todas zeradas.Todos aqueles números que durante anos haviam alimentado seu orgulho simplesmente desapareceram.— Isso é impossível!Ele rugiu.— Esse dinheiro é meu!Seu punho atingiu a mesa.— Esses negócios são meus!— Don Maximo...Giuseppe parecia prestes a desmaiar.— Eu verifiquei tudo.Engoliu em seco.— Todas essas fontes de capital.— Todos esses negócios.— Tudo leva ao mesmo
Lago Michigan.A fortaleza particular de Raphael.Um castelo erguido em uma ilha privada cercada por águas escuras e profundas.Era o lugar mais seguro de toda Chicago.Eu estava sentada em um sofá de couro italiano.Já havia trocado as roupas molhadas por peças secas e quentes.O crucifixo da minha mãe repousava novamente em meu pescoço.O médico acabara de cuidar do meu joelho e se retirara discretamente.Raphael se aproximou segurando um copo de bourbon.Colocou-o em minhas mãos.Em seguida, sentou-se ao meu lado.Puxou-me para junto de si, envolvendo-me em seus braços junto com o cobertor que me cobria.— Minha equipe jurídica está pronta para agir.Sua voz era baixa.O queixo repousou sobre minha cabeça.Segurei o copo quente.Meus olhos já não carregavam dor.Apenas o foco frio de uma rainha.— Conecte-os.Raphael assentiu.Então apertou um botão vermelho na mesa.Uma enorme tela desceu do teto.A imagem se dividiu em dezenas de janelas.Nova York.Los Ang
Abaixei-me e peguei a sacola de roupas molhada.Abri o zíper.Dentro havia um vestido vermelho.Não era um vestido.Era uma fantasia barata de empregada doméstica.Do tipo vendido em sex shops.O decote descia até o umbigo e a saia era absurdamente curta. O tecido de poliéster parecia uma lixa
Empurrei a porta e fui atingida por uma rajada de vento gelado.Antes que eu pudesse dar um segundo passo, dois guarda-costas de Maximo já estavam sobre mim, agarrando meus braços.— O chefe disse que você precisa esfriar a cabeça.Eles arrancaram meu casaco e minha bolsa das mãos. Em seguida, es
O ar congelou.Maximo virou-se lentamente, estreitando ligeiramente os olhos por trás dos óculos de armação dourada, examinando-me com fria indiferença.— O que você acabou de dizer?Sua voz carregava um peso opressivo.O lustre de cristal acima de nós era ofuscante. Olhei para o rosto que outro
Desliguei o telefone, segurando com força o aparelho via satélite preto.A água gelada que escorria pelo meu rosto não era capaz de apagar o fogo que ardia em meus olhos.O som da festa parecia distante.Muito distante.Maximo e Gia continuavam saboreando seu momento de glória.Os minutos passa







