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CAPÍTULO 4

Author: Liora Z
O crucifixo da minha mãe era a última coisa que me restava dela neste mundo.

Os dedos de Maximo apertaram a corrente.

Bastava soltá-la, e ela cairia diretamente na fogueira que queimava ali perto.

— Vou contar até três.

Ele se inclinou sobre mim.

— Três.

Meu corpo inteiro tremia.

— Dois.

Cravei as unhas nas palmas das mãos com tanta força que senti a pele se romper.

— Um.

— Pare!

A palavra explodiu da minha garganta.

— Eu faço isso! Vou me trocar!

Maximo sorriu.

Satisfeito.

Vitorioso.

Ele guardou o crucifixo novamente no bolso do paletó.

Em seguida, estendeu a mão e deu um leve tapinha em minha bochecha.

O gesto parecia gentil para qualquer observador.

Mas eu conhecia a verdade.

Era o toque arrogante de alguém que acreditava ter vencido.

— Assim está melhor, garota.

Seu sorriso se alargou.

— Agora ande logo. Gia está esperando que você a sirva.

O vestiário era iluminado por uma única lâmpada fraca.

Olhei para meu reflexo no espelho.

Era patético.

O cabelo estava colado ao rosto.

O suéter grudava em meu corpo.

Meus lábios estavam roxos pelo frio.

Parecia um rato afogado.

Cinco anos.

Eu, a rainha secreta do submundo de Chicago, havia pavimentado cada centímetro do caminho de Maximo rumo ao poder.

Achei que estava criando um rei.

Mas, na verdade, havia criado um cão que agora mordia a mão que o alimentava.

Por cada pedaço de humilhação que você me infligiu esta noite, Maximo...

Vou reduzir a família Gallo a cinzas.

Peguei a fantasia vermelha de empregada.

Observei o decote vulgar.

A saia curta.

O tecido barato.

Então a joguei diretamente na lixeira.

Chega.

O jogo tinha acabado.

Ainda usando minhas roupas molhadas, empurrei a porta e caminhei para dentro da festa.

A música parou imediatamente.

Todas as cabeças se viraram.

Os sussurros começaram.

— Meu Deus, quem é aquela?

— Por que ela está vestida assim?

No instante em que Maximo me viu, sua expressão endureceu.

Ele veio rapidamente em minha direção.

— Que diabos você está fazendo?

Sua voz era um sussurro furioso.

— Eu disse para vestir o uniforme.

Gia segurou o braço dele.

— Maximo, ela está estragando a festa.

Seu tom era irritado.

— Todos os convidados estão olhando.

Ignorei os dois.

Continuei andando em direção à saída.

— Peguem ela!

A voz de Maximo ecoou pelo salão.

Todo o seu refinamento desapareceu.

Dois guarda-costas avançaram imediatamente.

Um deles acertou um chute na parte de trás do meu joelho.

A dor explodiu pela minha perna.

Perdi o equilíbrio.

Caí de joelhos sobre o chão de mármore.

O impacto foi brutal.

Senti uma dor lancinante.

Logo depois, o calor do sangue começou a encharcar minha calça jeans.

O salão inteiro soltou suspiros.

Maximo caminhou até mim.

Sua voz foi alta o suficiente para que todos ouvissem.

— Minhas desculpas a todos.

Ele balançou a cabeça com falso pesar.

— Esta jovem é uma admiradora excessivamente obcecada por mim.

Algumas pessoas trocaram olhares.

Maximo continuou.

— Ela criou fantasias delirantes a meu respeito e se infiltrou aqui esta noite para tentar prejudicar a mim e à Gia.

Ele suspirou dramaticamente.

— Infelizmente, ela é um pouco instável.

Seu sorriso era impecável.

— Por favor, não deem atenção a ela.

Então fez um gesto despreocupado.

— Levem-na daqui.

Sua voz tornou-se fria.

— Não deixem que ela estrague o clima da festa.

O salão mergulhou em um burburinho constante.

Centenas de olhos me observavam.

Eu estava ajoelhada no chão.

Humilhada.

Exposta.

Ele estava tentando destruir minha dignidade diante de toda a cidade.

Os guarda-costas me agarraram sem qualquer delicadeza.

Arrastaram-me em direção à saída.

À nevasca.

Maximo passou o braço pela cintura de Gia.

Então me lançou um último olhar.

— É isso que acontece quando você não obedece, Oriana.

Seu sorriso era cruel.

— Vá dormir na rua.

Fui jogada em um monte de neve atrás do cassino.

Os flocos pousaram sobre meu cabelo e meu rosto.

Derretiam instantaneamente.

Através do vidro, eu podia vê-los.

Maximo e Gia.

Recebendo elogios.

Recebendo felicitações.

Ela estava radiante.

Ele parecia a própria definição de sucesso.

Respirei fundo.

Então tirei o celular descartável do bolso da calça.

Meus dedos tremiam enquanto digitava um número.

A linha particular de Raphael.

Raphael.

O verdadeiro rei da máfia de Chicago.

O único parceiro que permaneceu ao meu lado enquanto eu construía meu império financeiro clandestino.

Durante cinco anos, ele permaneceu voluntariamente nas sombras.

Administrando minha rede.

Protegendo meus interesses.

Esperando.

Inúmeras vezes, ele me implorou para encerrar o que chamava de meu jogo.

Eu ainda conseguia me lembrar daqueles olhos escuros.

Da possessividade que ele tentava esconder.

Da forma como me observava.

Mas eu sempre o afastava.

Sempre.

Porque estava determinada a acreditar em algo simples.

Algo normal.

Algo chamado amor.

Hoje, finalmente compreendi.

Alguns cães não merecem lealdade.

A ligação foi completada.

— Sou eu.

Do outro lado da linha, o silêncio foi imediato.

Então continuei.

— O jogo acabou.

Minha voz estava fria.

Sem emoção.

— Corte todos os fundos da família Gallo.

Fechei os olhos.

A neve atingia meu rosto como pequenas agulhas.

— Congele todas as contas deles.

Fiz uma pausa.

Quando voltei a abrir os olhos, não havia mais dor.

Apenas gelo.

— E mais uma coisa.

Minha voz tornou-se ainda mais baixa.

— Raphael... venha me buscar.

O vento rugia ao meu redor.

— Até amanhã, quero Maximo e a família Gallo eliminados de Chicago.

O silêncio se prolongou por alguns segundos.

Então ouvi a voz dele.

Grave.

Rouca.

Carregada por anos de sentimentos reprimidos.

E por uma intenção assassina impossível de esconder.

— Quinze minutos.

Minha respiração falhou.

— Estou indo.

A voz dele ficou ainda mais fria.

— E Maximo vai pagar por ter tocado no que é meu.

A ligação foi encerrada.

Guardei o celular.

Lá dentro, através do vidro iluminado, ainda conseguia ouvir Maximo e Gia rindo.

Ainda planejando novas formas de me esmagar.

Ainda acreditando que haviam vencido.

Eles não faziam ideia.

O mundo deles estava prestes a acabar.

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