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CAPÍTULO 3

作者: Liora Z
Abaixei-me e peguei a sacola de roupas molhada.

Abri o zíper.

Dentro havia um vestido vermelho.

Não era um vestido.

Era uma fantasia barata de empregada doméstica.

Do tipo vendido em sex shops.

O decote descia até o umbigo e a saia era absurdamente curta. O tecido de poliéster parecia uma lixa contra minha pele congelada.

Tommy sorriu.

Sua voz transbordava superioridade.

— O chefe disse que esta é sua última chance.

Ele apontou para a fantasia.

— Vista isso, vá à festa de despedida de Gia para a Paris Fashion Week esta noite e sirva bebidas.

Seu sorriso se ampliou.

— Se fizer um bom trabalho, talvez suas contas bancárias sejam desbloqueadas amanhã. Ele até reservará um lugar para você no casamento, para que possa assistir da plateia.

Ele fez uma pausa.

Um brilho cruel surgiu em seus olhos.

— É uma grande honra, senhorita Oriana. Outras garotas matariam por essa oportunidade.

A nevasca chicoteava meu rosto.

Cada floco de neve ardia como uma pequena faca.

Meu corpo tremia de frio, mas minhas costas permaneciam eretas.

Minha voz cortou o vento como uma lâmina.

— Diga ao Maximo para ir para o inferno.

O rosto de Tommy escureceu imediatamente.

— Sua vadia ingrata!

Ele acenou com a mão.

Dois guarda-costas enormes saltaram do carro.

— Quer fazer isso da maneira mais difícil? Tudo bem.

Eles agarraram meus braços e os torceram para trás.

— Me soltem!

Eu me debati com todas as forças.

Mas, depois de duas horas sob aquela tempestade de neve, meu corpo estava fraco demais.

Tommy enfiou a fantasia de empregada, suja de lama, contra meu peito.

— Ordens do Maximo.

Sua voz era fria.

— Você vai usar isso de um jeito ou de outro.

Então ele me empurrou violentamente em direção ao carro.

— Entre!

Fui forçada a entrar no banco traseiro.

A porta bateu atrás de mim.

O som parecia a tampa de um caixão se fechando.

O Escalade avançou pela nevasca.

O motorista mantinha o ar-condicionado no máximo, transformando o interior do veículo em um freezer.

Eu estava molhada até os ossos.

Meus dentes batiam com tanta força que minha mandíbula doía.

Meus lábios já estavam arroxeados.

Tommy estava no banco do passageiro.

De tempos em tempos, virava-se para me observar com expressão presunçosa.

— Por que tornar as coisas tão difíceis, senhorita Oriana?

Ele balançou a cabeça.

— Uma mulher só precisa ser um pouco obediente na cama para ter tudo o que deseja.

Seu sorriso era repugnante.

— Você desafia o chefe e é a única que acaba sofrendo.

Fechei os olhos.

Recusei-me a responder.

Recusei-me até mesmo a olhar para aquela escória.

Um único pensamento ecoava em minha mente.

Maximo.

Você vai pagar por esta noite.

Meia hora depois, o carro finalmente parou.

Estávamos nos fundos de um luxuoso hotel-cassino.

A porta foi aberta com violência.

— Saia!

Fui empurrada para fora.

Por pouco não caí.

Através das portas de vidro da entrada de serviço, pude ver o brilho da festa acontecendo lá dentro.

No salão principal, Maximo estava ao lado de Gia.

Os dois riam cercados pela elite da cidade.

Gia usava um vestido Chanel de valor incalculável.

Em sua mão brilhava o meu anel.

O Coração da Sicília.

Sob as luzes do salão, o diamante lançava reflexos cintilantes.

Ela permanecia agarrada ao braço de Maximo, desabrochando como uma flor rara.

Maximo vestia um Armani sob medida.

Bonito.

Elegante.

Charmoso.

Eles pareciam perfeitos juntos.

Felizes.

Como se eu nunca tivesse existido.

Então Maximo me viu.

Observou enquanto eu era arrastada para dentro.

Pediu licença ao grupo e caminhou em minha direção.

Seu olhar caiu sobre a fantasia de empregada coberta de lama.

Ele franziu a testa.

— Por que você está tão desarrumada?

Antes que eu pudesse reagir, ele tirou o próprio casaco de cashmere.

Tentou colocá-lo sobre meus ombros.

Sua voz estava carregada daquela falsa preocupação que eu conhecia tão bem.

— Oriana, você é teimosa demais.

Ele suspirou.

— Se simplesmente me ouvisse, eu nunca deixaria você sofrer assim.

A náusea subiu pela minha garganta.

Afastei-me imediatamente.

— Não me toque.

A expressão de Maximo endureceu.

Ele olhou discretamente ao redor para garantir que ninguém estivesse prestando atenção.

Então me encurralou.

— Já chega, Oriana.

Sua mão agarrou meu queixo.

Com tanta força que mal conseguia respirar.

— Vá se trocar.

Sua voz tornou-se fria.

— Agora.

Ele aproximou o rosto do meu.

— Seja a garçonete de Gia. Esta é sua última chance.

Tentei me soltar.

Mas seu aperto era de ferro.

— Eu não vou servir ninguém.

Encarei-o diretamente.

— Muito menos a sua prostituta.

Um brilho perigoso atravessou seus olhos.

Sem dizer nada, ele levou a mão ao interior do paletó.

E retirou algo.

Meu coração parou.

Era um colar.

Um crucifixo de ouro.

Gravado com o brasão da minha família.

A única coisa que minha mãe havia me deixado.

— Reconhece isto?

Ele balançou o colar diante dos meus olhos.

Como alguém provocando um animal preso em uma jaula.

— Sua mãe lhe deu isso pouco antes de morrer.

Seu sorriso era cruel.

— Você nunca tirava esse colar.

Ele inclinou a cabeça.

— Não até eu dizer que era cafona.

Meus dedos se fecharam involuntariamente.

Maximo passou a ponta dos dedos pela cruz dourada.

Saboreando cada segundo da minha dor.

— Maximo!

Minha voz falhou.

— Devolva isso!

Eu me lancei para pegá-lo.

Mas ele ergueu o colar acima da cabeça.

Fora do meu alcance.

Seus olhos estavam frios como gelo.

— Seja a garçonete.

Sua voz saiu calma.

Perigosamente calma.

— E você o terá de volta.

Ele fez uma pausa.

Então sorriu.

— Caso contrário...

Seus dedos apertaram o crucifixo.

— Vou derretê-lo.

Seu olhar permaneceu preso ao meu.

— Agora mesmo.

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