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CAPÍTULO 2

Autor: That's All
Todas as minhas coisas estavam empilhadas em um canto, como se fossem lixo. Era uma bagunça caótica de coisas que um dia tiveram significado. O colar de diamantes que Devin havia me dado estava destruído, irreconhecível, e o par de canecas que havíamos feito juntos estava reduzido a cacos.

Ele suspirou baixinho.

— Nada disso vale muita coisa mesmo. É só jogar fora. Se você precisar de alguma coisa, eu compro tudo novo para você.

Não vale muita coisa?

Meu olhar focou sobre um pequeno pote de vidro colorido em meio aos destroços. A tampa estava quebrada, revelando as estrelinhas de papel dobradas lá dentro. Eram 1001 no total, cada uma feita por mim enquanto eu ainda o amava em segredo, cada uma carregando um pedaço de um sentimento que eu nunca ousei dizer em voz alta.

Eu peguei o pote quebrado, então joguei junto dos outros presentes, na lixeira ao lado.

Devin franziu as sobrancelhas instantaneamente, mas eu apenas sorri de leve.

— Você está certo, Sr. Woodford. Coisas sem valor devem ser jogadas fora quando estão sujas ou quebradas.

Aquilo incluía meus sentimentos tolos e mal direcionados.

Ignorando a expressão obscura que passou pelo rosto dele, eu abaixei minha cabeça e tirei a carta de demissão da bolsa.

— Sr. Woodford, esta é minha...

Antes que eu pudesse terminar, o telefone dele tocou.

A voz de Melissa Nicholson ecoou claramente no depósito silencioso.

— Dev, está chovendo. Vem me buscar.

A expressão no rosto dele se esvaziou de sentimentos. Ele nem sequer deu uma olhada no documento em minha mão e apenas assinou no rodapé.

— Pegue um táxi para casa. Me avise quando chegar.

Quando Devin saiu dirigindo o carro, a chuva tornou-se um temporal.

A mansão ficava no meio de uma montanha, então não havia como chamar um táxi naquelas condições. Por isso, abri um guarda-chuva e comecei descer a ladeira contra o vento.

De repente, escorreguei. Uma dor aguda atravessou meus joelhos e cotovelos quando caí no chão.

Ignorei a ardência e abracei a minha bolsa com força. Dentro dela estava a minha carta de demissão, se molhasse, eu seria obrigada a vê-lo de novo. E eu com certeza não queria isso.

Nesse momento, um carro de luxo preto, que eu conhecia bem, surgiu em alta velocidade ao longe. Ele não diminuiu quando passou, espirrando água por todos os lados e me deixando encharcada.

Pela janela do passageiro, pude ver Melissa, impecavelmente sentada ao lado de Devin, que sorria para ela com ternura.

Cerrei os dentes.

Apoiando a mão no chão frio e molhado, forcei-me a levantar. Meus joelhos ardiam de dor, mas eu endireitei as coisas e caminhei na direção oposta do carro.

O processo de demissão levaria apenas três dias para ser finalizado. No último dia, eu estava finalizando a entrega das minhas funções.

Meu telefone tocou com uma mensagem do Devin.

"Traga uma xícara de água quente com mel"

Tecnicamente, eu ainda era sua assistente, então eu precisava cumprir minhas obrigações. Eu preparei a bebida e bati na porta do escritório.

Assim que entrei, paralisei.

Melissa estava deitada no sofá, com a cabeça apoiada no colo de Devin. Ele massageava gentilmente a parte inferior do abdômen dela.

Nesses quatro anos com ele, quando eu sentia cólicas menstruais, eu podia me encolher na mesa, mal conseguindo me endireitar. E tudo o que ele fazia era jogar uma caixa de analgésicos para mim.

— Não deixe isso atrapalhar seu trabalho.

Era o que ele dizia, com o tom de voz frio de sempre.

Meu antigo eu, patético, se apaixonou ingenuamente por aquele tipo de gesto mesquinho.

Mantendo a expressão neutra, passei por eles e coloquei a xícara sobre a mesa.

— Sr. Woodford, sua água quente com mel.

Virei-me para sair, mas Melissa se levantou de repente.

— Espere — ela me analisou de cima a baixo — Você é... irmã do Marvin Huckabee?

Antes que eu pudesse responder, a mão dela atravessou o ar e acertou em cheio no meu rosto.

Meu ouvido ficou zumbindo e a minha bochecha inchou instantaneamente, queimando de dor.

Devin se levantou num salto, assustado.

— Mel, o que você está fazendo?

Seus olhos ficaram vermelhos e lágrimas brotaram deles, enquanto ela apontava para mim e se virava para ele.

— Ela é da família Huckabee de Jurnell! Ela poderia ter vivido como uma princesa, mas em vez disso, veio trabalhar como assistente para você? Como é que você me diz que ela não tem interesse em você?

O clima pareceu congelar.

Devin deu uma rápida olhada em meu rosto. Então, puxou Melissa gentilmente para seus braços e enxugou suas lágrimas. Sua voz era suave, carregada de impotência e de um afeto impossível de ignorar.

— Mesmo que ela goste de mim... é algo unilateral. Porque, no meu coração, só tem espaço para você.
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Último capítulo

  • Desde o Começo, Nunca Foi Amor   CAPÍTULO 9

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