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Capítulo 4

last update publish date: 2026-09-04 01:49:55

Iris

Na manhã seguinte, acordei com o calor ainda persistindo entre minhas coxas. Por mais que tentasse afastá-lo, a lembrança da noite anterior se recusava a desaparecer. DomDevoto. Sua voz grave.

O jeito como seu pau grosso tinha aparecido na tela, pesado e cheio de veias, pulsando em sua mão enquanto ele se masturbava para mim. Eu já tinha ouvido sua voz em mensagens curtas antes, mas ver seu corpo e ouvi-lo me chamar de ‘malyshka’ enquanto me ordenava a gozar mudou tudo.

Fiquei deitada na cama, encarando o teto, meu corpo já doendo novamente. No passado, eu havia me permitido fantasiar com ele às vezes, especialmente depois de suas mensagens imundas. Mas sempre me detinha antes que fosse longe demais.

Afinal, vozes podiam enganar. Ele poderia ser qualquer um. Feio, casado, completamente diferente da fantasia. Eu não podia me dar ao luxo de me perder em um estranho.

Mas agora eu o tinha visto. Aqueles abdominais esculpidos, a trilha de pelos escuros, o comprimento e a grossura impressionantes de seu pau. Aquela voz baixa e controlada, com seu leve sotaque russo, mandando-me gemer para ele.

E não havia sinal algum de uma aliança.

Minha mão deslizou para debaixo das cobertas antes que eu pudesse me convencer do contrário. Eu já estava molhada. Fechei os olhos e deixei a lembrança assumir o controle.

Imaginei-o no quarto comigo em vez de na tela. Aqueles olhos cinzentos me observando enquanto sua mão grande envolvia aquele pau grosso.

‘Toque-se para mim, minha pequena Musa’, sua voz ecoou na minha cabeça, suave e autoritária. Fiz círculos lentos sobre meu clitóris, mordendo o lábio para permanecer em silêncio.

Imaginei-o acelerando os movimentos, o líquido pré-ejaculatório brilhando na ponta enquanto me dizia como queria apertar meu pescoço apenas o suficiente para me deixar tonta. Meus dedos se moveram mais depressa, penetrando minha buceta encharcada enquanto eu me lembrava do jeito como ele havia gemido quando gozei para ele.

‘Boa garota. Goze para mim agora.’

A fantasia parecia tão real. Imaginei seu corpo forte pairando sobre o meu, aquele pau pesado pressionando minha entrada, sua mão suavemente envolta em minha garganta. Será que ele o introduziria devagar, fazendo-me sentir cada centímetro? Ou meteria de uma vez, socando-o profundamente?

Meus quadris se moviam contra minha mão, minha respiração ficando mais rápida. Eu queria aquilo. Queria aquilo desesperadamente.

O orgasmo cresceu rápido, mais intenso que o da noite anterior. Enterrei o rosto no travesseiro e gozei com força, as coxas tremendo, um gemido suave escapando enquanto o prazer explodia pelo meu corpo.

— Droga. — Soltei o ar assim que parei de enxergar tudo branco.

Por alguns momentos, fiquei deitada, ofegante, o corpo mole e satisfeito. Então a realidade voltou com força, lembrando-me de onde eu estava. De quem eu era.

Forcei aqueles pensamentos para longe, empurrando-os para o fundo, onde deveriam ficar. Ele era apenas um patrocinador sem rosto. Uma fantasia perigosa. E fantasias eram um luxo que eu não podia me permitir.

Eu não podia me deixar distrair. Não quando todo o meu futuro em Hawthorne dependia de manter o foco e minha reputação limpa.

Olhei para o celular e suspirei aliviada. 5h45. Cedo o suficiente para me preparar para minha primeira aula do dia e ainda passar no Escritório de Assuntos Estudantis para trocar minhas outras disciplinas.

Levantei, tomei um banho rápido e me vesti. Ao sair do quarto, nosso espaço compartilhado estava vazio. Com a bolsa na mão, dei uma última olhada em mim mesma.

Minha roupa, como todas as outras, era simples e recatada: uma camisa social por baixo de um cardigan, com uma saia longa em corte A que escondia minhas curvas. Eu parecia exatamente a aluna exemplar, e não a sedutora.

E hoje eu tinha uma missão clara: trocar as disciplinas e cortar Caleb da minha vida completamente.

Uma hora depois, após minha aula matinal, fiquei no Escritório de Assuntos Estudantis e usei os créditos de honra que me restavam para trocar todas as disciplinas eletivas que incluíam Caleb, cinco no total. A orientadora, que normalmente era blasé e indiferente, ergueu uma sobrancelha.

— Abandonar várias disciplinas é incomum. Você sabe que precisa de uma determinada quantidade de créditos para concluir o ano — disse ela, em tom monótono.

— Estou disposta a assumir quaisquer disciplinas alternativas para compensar — respondi.

Depois de um breve duelo de olhares, a mulher mais velha suspirou. Em seguida, mal ergueu os olhos enquanto processava o pedido.

— Você teve sorte de ter créditos suficientes — murmurou. — Depois disso, não poderá mais trocar.

Eu não me importava. Contanto que não precisasse ver o rosto de Caleb todos os dias, valia a pena.

Com a pasta contendo os detalhes das minhas novas disciplinas eletivas, saí do prédio me sentindo mais leve, determinada a enfrentar o restante do dia. Mas o universo claramente tinha outros planos.

— Ei! Aquela não é a Iris?

Eu mal tinha dado vinte passos pelo pátio quando o chamado ecoou. Virei-me e o vi.

Caleb estava perto da fonte, os cabelos loiros perfeitamente arrumados, rindo com um grupo de amigos. Seu braço estava envolto em uma garota que eu não reconhecia — uma loira bonita usando uma saia curta.

— O que ela está fazendo tão longe? Vem aqui, Caleb está aqui. Ah, é mesmo, você não deveria estar...?

Caleb claramente me notou, lançando um olhar por um segundo. Um sorriso malicioso surgiu em seus lábios enquanto ele se virou e se inclinou para perto dela, sussurrando algo em seu ouvido que a fez rir e se pressionar contra ele.

O nojo tomou conta de mim. Depois de tudo o que eu ouvira no dia anterior, vê-lo flertar tão abertamente no dia seguinte fez minha pele se arrepiar. Eu havia desperdiçado meses com ele. Meses ignorando meus instintos porque ele tinha insistido em me perseguir com tanta persistência.

Fui direto até eles. O grupo ficou em silêncio quando me aproximei. Os olhos de Caleb se arregalaram por uma fração de segundo, e vi um lampejo de satisfação antes que aquele sorriso encantador voltasse ao rosto.

— Iris — disse ele tranquilamente, retirando o braço da cintura da garota. — Ei, amor. Não é o que parece. Ela é só uma amiga do meu grupo de estudos.

A garota sorriu de lado e nem se deu ao trabalho de se afastar. Nos olhos de Caleb, eu conseguia ver a arrogância e a expectativa. O mesmo olhar se refletia nos amigos dele. Ele estava tentando arrancar uma reação minha. Claramente, não tinha recebido bem minha mensagem.

Que infantil.

Eu não sentia nada além de uma repulsa fria. Como eu havia permitido que aquele garoto chegasse perto de mim?

Não me importava quais jogos ele estava tentando jogar.

— Eu já te disse ontem à noite. Acabou, Caleb — falei claramente, minha voz firme e alta o bastante para que seus amigos ouvissem. Virando-me para Brandon, aquele que havia me chamado, dei-lhe um sorriso condescendente.

— Você é o melhor amigo dele, então deveria saber disso. E outra coisa: não fique gritando o nome das pessoas aleatoriamente em público. Para alguém criado com classe, você é uma vergonha.

— Você... — O rosto de Brandon ficou vermelho, mas não dei importância e me virei.

Se eles achavam que eu era uma vadia metida, eu mostraria exatamente como era uma.

Passos vieram atrás de mim antes que minha mão fosse agarrada. Virei-me e encontrei Caleb.

— Vamos, Iris. Você está exagerando. Os caras falam merda o tempo todo. — Ele balançou a cabeça. — Tudo bem, eu admito. Eu estava tentando te deixar com ciúmes agora há pouco e pedi ajuda aos meus amigos. Sua mensagem surgiu do nada e eu fiquei puto, mas sei que você não fala sério. Vamos, esquece tudo isso. Você ainda me deve um encontro.

Ele lançou um sorriso de lado que, tenho certeza, deveria ser sedutor, mas aos meus olhos parecia pretensioso. Mal contive um escárnio enquanto puxava minha mão de volta.

— Não foi uma brincadeira. — Sorri satisfeita, fazendo seu sorriso vacilar. — Ah, é mesmo. Eu ouvi tudo ontem. A aposta e os cinco mil.

Aquelas palavras foram a faísca. Uma surpresa genuína passou pelo rosto dele, rapidamente substituída pelo pânico.

— Isso...

Ergui a mão, interrompendo-o.

— Sabe, antes eu me sentia um pouco mal por você, e foi por isso que aceitei sua declaração. Agora que sei que era tudo falso, estou até aliviada — falei com sinceridade. — Acabou a diversão. Não me mande mensagens. Não se aproxime de mim. Eu não sou sua conquista nem sua piada. Fique longe de mim.

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