Share

Capítulo 6

Author: Laila neves
last update publish date: 2023-12-29 10:33:06

Mavi

Eu achei que a pior hora seria quando enterrasse minha mãe, mas não. A pior hora está sendo agora, que cheguei em casa e está vazia. Dói por que nunca mais vou ter seu abraço e seu sorriso. Dói por que ela nunca mais irá me acordar cedo, mesmo quando não precisa. Dói por que caramba, eu nunca mais vou sentir o cheirinho dela. Agora ficou um vazio imenso dentro dessa casa, e eu nunca havia percebido o quanto ela é enorme, não quando ela ainda estava aqui.

Eu tomo banho enquanto Laura se arruma para ir trabalhar. O patrão dela disse que não precisava dela ir, mas ela insistiu para ir, e eu vou ficar em casa mesmo. Não há nada a fazer e nem para onde ir. Então só deito olhando pra parede e fico na mesma posição.

Laura: eu já tô indo. Tem certeza que não quer ir comigo? - ela pergunta da porta do meu quarto

Mavi: Não, tá tudo bem. Pode ir.

Laura: ok… Mais tarde eu tô de volta. Não vou demorar lá, só mesmo ajudar o pessoal pra não ficar na mão.

Afirmo com a cabeça sem nem virar para o lado que ela estava, até ouvir ela saindo e fechando a porta. Somente a luz da cozinha está acessa, o restante da casa escuro, permaneço com a porta do meu quarto aberta, apesar de querer fechar nesse momento, não vou, não quero me levantar daqui.

Minutos depois ouço o barulho da porta se abrindo, presumo ser Laura que esqueceu alguma coisa, porém ela não fala nada. Se for um bandido que entrou aqui para me roubar ou me matar, eu não vou me importar com isso, foda-se.

Badá: Ei? - Sua voz ecoa pelo quarto e eu viro o pescoço suficiente para poder ver sua imagem apoiada na porta.

Mavi: oi! - Respondo - quando saiu?

Badá: acho que as vinte pessoas com quem eu me encontrei hoje, me perguntaram a mesma coisa quando me viu. - Sorrio sem graça - Sai de manhã, um pouco depois de ligar pra você.

Mavi: Entendi. O que tá fazendo aqui?

Badá: Vim ficar contigo. - Olho para ele confusa, enquanto ele caminha até a minha pequena cama de solteiro - Chega pra lá.

Mavi: Não te cabe aqui, mal cabe eu.

Badá: A gente se espreme, vai, chega pra lá. Vou ficar contigo até sua irmã voltar do serviço.

Mavi: ela te pediu isso? Ela acha que eu posso enfiar uma faca no meu pescoço e me matar. - Eu me aconchego em seu braço, enquanto seu outro braço rodeia minha cintura - eu posso fazer isso na verdade, mas eu não tenho coragem.

Badá: você não pode fazer isso. - Sinto o calor de seu hálito em meu pescoço, fazendo meu corpo subitamente se arrepiar - você é muito nova.

Mavi: Pessoas novas se matam todos os dias, basta achar que não vale mais a pena viver e pronto, está feito.

Badá: Para de falar essas coisas.

Mavi: Por que? Eu posso perfeitamente esperar você ir embora e tomar todos os remédios da minha mãe.

Ele se levanta num pulo e fica de pé na beirada da minha cama.

Badá: onde é o quarto da sua mãe? - Sustento o peso do meu corpo com o cotovelo ao levantar e franzi o cenho - qual dos dois do corredor?

Mavi: O que?

Badá: Anda Maria. Você quer que eu te leve para minha casa e te tranque no quarto para não fazer bobagem? Caramba! - sinto uma vontade de rir, pela primeira vez no dia, mas não faço - Anda, fala logo. Quer que eu revire tua casa inteira?

Mavi: Ta agindo como se fosse meu pai.

Badá: antes eu fosse.

Mavi: Não tem remédio nenhum aqui. Minha mãe fazia tratamento no hospital. - deito novamente e me viro para a parede - relaxa, eu não vou me matar. Já teria feito isso me jogando na frente de um carro quando vim pra casa.

Badá: Só fala merda tu.

Mavi: e você acredita. - Ele deita novamente ao meu lado, sei que a metade de seu corpo está fora da cama, já que ele da dois de mim - Você malhava na cadeia?

Badá: O que?

Mavi: ficou quanto tempo preso?

Badá: quinze anos, três meses e sete dias, contados.

Mavi: Então. Você é forte. Malhava ou caia na porrada com os outros lá dentro?

Badá: nenhum dos dois. Eu trabalhava pra ver o tempo passar. - ele passa a mão na minha cabeça, afundando os dedos e massageando - Agora dorme. Vou ficar até sua irmã chegar.

Mavi: Não é nem oito horas, eu não estou com sono.

Badá: Tenta.

Mavi: Não quero. - passa pela minha cabeça que uma dor, pode anular a outra, e me pego pensando na pior proposta que eu poderia sugerir a alguém, ainda mais quando esse alguém é o chefe do tráfico, quase vinte anos mais Velho que eu - Quer transar? - Pergunto sem pensar nas consequências, caso ele venha aceitar.

Badá: você é virgem. - Responde com rapidez.

Mavi: E se eu não for mais? E se eu tivesse perdido com alguém?

Badá: Perdeu? - Afirmo com a cabeça, quem sabe assim ele não transaria comigo - Com quem? Quem foi a pessoa?

Mavi: Não importa quem foi a pessoa.

Badá: você está mentindo. Ainda é virgem e eu não vou transar contigo.

Mavi: Por que não? Não sou mulher o suficiente para você?

Badá: você é só uma menina. - sinto uma bola de golfe entalada em minha garganta com suas palavras - tu tem idade pra ser minha filha.

Mavi: Mas eu não sou.

Badá: não importa. Eu não vou transar contigo.

Mavi: Nunca pensei que eu fosse me humilhar tanto por um sexo. - Falo e ouço ele suspirar fundo.

Badá: Eu não vou fazer isso, Maria. Você está triste com a perda da sua mãe e quer algo que possa se prender por algumas horas, mas depois que isso passar, você vai se arrepender e pensar onde estava com a cabeça quando pensou nisso.

Mavi: Ainda tenho dezoito anos, pode ter certeza que nenhum outro homem vai rejeitar fazer sexo pela primeira vez com uma virgem.

Badá: Eu mando cortar o pau fora, de quem tentar entrar dentro de você. - Sinto minha pele se arrepiar - Agora dorme.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Destino implacável    capítulo 56

    Eu pensei que um mesmo coração não pudesse ser quebrado tantas vezes. Mas ele é capaz, afirmo isso depois de juntar os cacos e voltado para casa, sozinha, semanas atrás quando encontrei Badá conversando com quem ele jurou de pés juntos, não ter mais contato. LK: O que foi que tu tá pensativa, aí? — LK pergunta, alisando minhas costas nua com o meu rosto virado para o lado contrário — quer falar sobre isso?Mavi: Não é nada. Só estou cansada de organizar as coisas do aniversário da Lavínia, quero que fique perfeito. Lk: E vai, po. Menorzinha vai se amarrar, tu vai ver. Mavi: Uhum…Lk: Eu vou pra casa — afirma — tenho que fazer um bagulho amanhã cedinho. Mavi: Vai voltar a noite para o aniversário da Lalá?Lk: Sei não, preta. Não quero conflito com Badá por ele ter sido um mano meu — solto um suspiro frustrada e me levantando, sentando — cai nos teus encantos e me rendi a isso, por que de início te achava uma adolescente rebelde pra caralho, tá ligado? Mas quando fui perceber, a gen

  • Destino implacável    capítulo 55

    MariaUma mente bagunça pode te levar a loucura, e nesse momento estou a ponto de surtar por não fazer absolutamente nada. É a primeira vez que venha no na Penha depois que tudo aconteceu, e eu ainda não sei o que vim fazer aqui, de fato. Minha ex sogra fez questão de me ver, ex porque ainda não defini o que eu e Badá voltamos a ter, mas a real é que eu não me sinto nem um pouco confortável aqui. Badá sumiu alguns minutos, e conversar com a família dele me faz sentir sufocada. Parece que são pessoas totalmente desconhecidas para mim, e apesar de está presente aqui, minha mente está longe.Rose: Lavínia está com quem, Maria? — minha ex sogra pergunta. Mavi: com a minha irmã, vou pegar ela hoje à tarde. — ela afirma com a cabeça, o primo de Badá, Bira, me encara desde a hora em que eu cheguei aqui, e ainda não sei o motivo pra ter vindo — eu vou dar uma volta até a casa que era da minha mãe, daqui a pouco eu volto. Rose: Fica aqui, menina. Espera Roger pra ir contigo!Mavi: Eu nem s

  • Destino implacável    capítulo 54

    Não tive tempo para racionar o que ele queria que eu fizesse, e quando me dei conta já estava em cima de uma laje com um fuzil silenciado apontado para um ponto que ele mesmo escolheu. A favela está silenciosa por ainda ser bem cedo, o sol mal nasceu e eu estou pique bandido treinado aqui em cima, com um fone nos ouvidos para me comunicar com ele. Mavi: isso não vai dar… — falo baixinho e suspiro fundo. Badá: Vai sim, pretinha… — a voz dele ressoa do outro lado em um cochicho — mas precisa confiar em mim agora. Mavi: Tem um fuzil na minha mão, quase maior que eu. E eu não sei o porque disso, então não tem como confiar. Vou precisar matar alguém?Badá: Não. Te expliquei onde tem que atirar se algo acontecer. — o estrondo o caveirao que sempre me fazia assustar quando ainda era criança, pode ser ouvido de longe. Sei que eles estão subindo — Maria, presta atenção. Não vai matar ninguém, atira na perna só pra imobilizar, estou desarmado, é só até eu ter tempo. Mavi: mas é se eu atira

  • Destino implacável    Capítulo 53

    Sinto meu corpo em brasa e fico moldada a ele. Quando sua boca retorna para mim, meu corpo todo está pulsando em pura vida. Meu corpo se movimenta mais, colando ao seu, friccionando meu seio em seu peito. Apenas percebo aonde estamos indo quando o colchão se afunda embaixo das minhas costas, com o nosso peso. Badá se ergue sobre mim e deixa sua mão escorregar em meu corpo, subindo-a lentamente e levando a barra da camisa para cima, deixando meus seios à mostra quando ele a tira de mim. Existe luxúria em seus olhos. Mavi: Badá… — eu arfo seu nome — espera…Badá: Que foi? Quer parar?Sim, queria. Mas não por não querer ter isso com ele agora, mas só por saber que depois disso, não vai voltar a ser como antes. Eu não vou mais odiar ele, por que não existe motivo e por mais que eu minta para mim mesma, ter o corpo pesado dele em cima do meu, me faz lembrar somente dos bons momentos que tivemos juntos, e é por isso que estamos aqui agora. Mavi: esquece…Badá: Ele nunca vai ser como eu, M

  • Destino implacável    Capítulo 52

    Não sei como consegui dormir, mas me acordo rapidamente quando meu celular começa a tocar sem parar. Olho para a cama de Lavínia ainda dormindo, ainda escuro lá fora então é madrugada e no visor, o nome de Isadora. Mavi: Oi? Aconteceu alguma coisa?Isadora: Desculpa te ligar essa hora, mas é importa. Eu e Leonardo estamos indo aí agora, precisa arrumar as coisas da Lavínia e ela vai vim comigo. Mavi: O que? — me levanto no impulso e me sento — do que tá falando?Isadora: Sem tempo agora, Maria Vitória. Só arruma as coisas dela, Badá está chegando e precisa de você. E ela desliga o telefone. Mavi: merda — levanto rápido da cama e olho a hora, quase cinco da manhã e Lavínia dorme em um sono profundo. Acendo a luz colocando algumas peças de roupa dela dentro da pequena mochila, e quase não consigo raciocinar o que porra tá acontecendo. Isadora já chegou lá fora, sei disso porque ouvi o carro pagar. Corro pra cozinha e espero ela entrar, mas é outra pessoa que entra. Mavi: O que? —

  • Destino implacável    Capítulo 51

    Mavi Mavi: você sabia disso? — pergunto ao meu pai, sentado na minha mesa me encarando desde a hora que chegou — sabia dessa merda toda e não me contou? Quem Uirá?Nem: Eu quis matar o Badá por tu, Maria. Acha que se eu soubesse, tinha feito toda aquela encenação? O caralho. — ele toma um gole de café e suspira — Uirá é tenente da BOPE, eu não fazia ideia que ele fosse irmão da sua mãe. Nem ela sabia!Minha mente está uma bagunça só, desde a hora que sai do presídio ontem e voltei para o rio. Inevitável pensar no que aconteceu antes, desde a bala que tomei até eu voltar para o morro. Mas ainda sim, tem coisas que não entra na minha cabeça. Quem quer que seja esse tenente, não me mataria se quisesse tanto que eu não seguisse o mesmo destino que minha mãe, até por que, que serventia eu teria morta?Analisando toda situação, me pego mais fodida do que antes. Hellen era minha melhor amiga e acabou se apaixonando pelo meu homem. Pela carência de está sozinha sem Rangel. Mas 2 meses, porra

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status