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Capítulo 45

Autor: DhaSantana
last update Fecha de publicación: 2026-06-26 02:52:37

Arthur Strauss

O silêncio do meu apartamento era, como sempre, absoluto. Era um espaço desenhado pela precisão, pelo minimalismo e por uma ausência deliberada de qualquer vestígio de vida que não fosse a minha.

Mobília de linhas retas, tons de cinza e azul-marinho, vidro, metal. Era um lugar onde o caos do mundo externo, onde a vida e a morte que eu manipulava todos os dias, perdia o direito de entrada.

Eu nunca tinha levado ninguém ali. Nem mesmo as mulheres que ocuparam, por curtos períodos
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    Julian Bernoulli Ouço os gritos da Nadine com meu pai minutos depois.Nadine descera do quarto, percebendo o movimento na casa e a presença do meu pai. Ela percebera que o seu show teatral não havia culminado na minha saída desesperada para o aeroporto como ela planejara, mas sim numa reação em cadeia que ela não conseguia mais controlar.— Vocês não podem me obrigar a nada! — os gritos estridentes de Nadine invadiam o corredor, carregados de um pânico histérico e sem o verniz daquela voz suave de quando ela usava o roupão de seda. — A casa é do Julian! Vocês são uns monstros! Eu estou grávida! O médico disse que eu não posso sofrer pressão! Se vocês me tocarem com uma agulha amanhã sem o meu consentimento, eu coloco a polícia aqui dentro!Caminhei até a porta do quarto e saí para o corredor. Meu pai já estava no topo da escadaria, de pé, impecável no seu terno escuro, olhando para Nadine lá embaixo com o mais puro e sereno desprezo.— A senhora não está sendo coagida a nada, senhora

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    Julian Bernoulli O som da zíper da mala rasgando o silêncio pesado do meu quarto era o único ruído que ecoava naquelas quatro paredes, marcando a contagem regressiva para a minha saída daquele inferno. As mãos me tremiam de uma forma que eu jamais experimentara antes. O desespero e a raiva formavam uma mistura corrosiva no meu peito, queimando cada célula do meu corpo. Cada segundo que eu passava ali parado em Zurique, respirando o mesmo ar que a mulher que acabara de destruir a minha vida, parecia um golpe direto no peito de Isabella.Eu só pensava no olhar dela pela tela do celular. Naquela expressão de dor pura, decepção e mármore antes da tela ficar completamente preta. O pensamento de que ela pudesse estar agora no seu apartamento em São Paulo, chorando e acreditando que eu era o pior canalha da terra, fazia meu estômago dar voltas e a minha cabeça latejar.Peguei o passaporte sobre a mesa de cabeceira e o enfiei no bolso interno do meu casaco pesado. Quando me virei para puxar

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    Julian Bernoulli Liguei para o telefone de Gregório em São Paulo. Eram quase sete da noite lá. O telefone tocou quatro vezes até que a voz do meu irmão atendeu do outro lado, rouca de surpresa. — Julian? Meu Deus, cara, finalmente! Onde você esteve? A Isa... — Gregório... por favor — interrompi-o, a minha voz quebrando por completo, o choro contido há meses, finalmente rasgando o meu peito de forma incontrolável. — Por favor, Gregório... vai até o apartamento da Isa agora. Vai lá, cara, pelo amor de Deus... — Julian? O que aconteceu? Você está chorando? — Gregório perguntou, o tom de voz mudando no mesmo instante para uma preocupação alarmada. — A Nadine... ela armou uma cena no meu escritório no segundo em que a Isa me ligou por FaceTime — consegui explicar, as lágrimas escorrendo quentes pelo meu rosto, manchando o colarinho da minha camisa. — A Isa viu essa mulher de roupão aqui dentro, ouviu ela me chamar de amor... e desligou na minha cara. Ela não atende mais as minhas liga

  • Diagnóstico proibido: Obsessão do médico Bilionário    Capítulo 45

    Julian Bernoulli O sangue fugiu do meu rosto no mesmo milésimo de segundo. A sensação foi a de ter levado um tiro no peito à queima-roupa. — Cala a boca, Nadine! — berrei, a voz rasgando a minha garganta enquanto eu empurrava a mulher para longe da mesa com uma força desgovernada, fazendo a bandeja de prata voar longe e a garrafa de uísque se estilhaçar no chão em um estalo ensurdecedor de vidro e álcool. Mas já era tarde demais. O estrago absoluto e irreversível fora feito. Voltei os olhos desesperados para a tela do telefone. O rosto de Isabella na tela passou de uma tristeza contida para uma palidez mortal. Vi o momento exato em que os olhos escuros dela se arregalaram em puro choque, captando a imagem da mulher de roupão de seda ao meu lado, ouvindo a palavra "amor" sair da boca dela com tanta naturalidade, vendo o cenário de intimidade doméstica que Nadine conseguira simular perfeitamente para a câmera. Vi o estilhaçar da confiança no olhar de Isabella. Vi a dor mais profun

  • Diagnóstico proibido: Obsessão do médico Bilionário    Capítulo 44

    Julian Bernoulli A cabeça estalava como se houvesse uma prensa hidráulica apertando minhas têmporas a cada segundo. O relógio de parede do meu escritório em Zurique marcava 23h15. Em São Paulo, eram 18h15. Eu estava sentado atrás da mesa de madeira maciça, com a gravata afrouxada, o colarinho aberto e os olhos queimando diante da tela do notebook, que exibia uma planilha interminável de relatórios financeiros da holding e uma pilha de documentos jurídicos enviados pelos meus advogados. Eu estava completamente sobrecarregado. Exausto no limite da minha capacidade física e mental. Já se faziam dois meses que eu vivia em um estado de alerta permanente, sufocado dentro da minha própria casa. Ter trazido Nadine para morar sob o meu teto fora uma jogada tática necessária para evitar chantagens financeiras e garantir a vigilância do processo, mas a convivência forçada transformara a minha propriedade em um verdadeiro campo de minas. Ela usava a gestação como um escudo constante — inventav

  • Diagnóstico proibido: Obsessão do médico Bilionário    Capítulo 43

    AutoraO aroma de lavanda do sabonete líquido importado preenchia o banho de imersão, mas Nadine não conseguia relaxar. Ela encarava o teto trabalhado em gesso da suíte de hóspedes da imensa propriedade dos Bernoulli em Zurique. Para qualquer pessoa de fora, aquela casa parecia um palácio de inverno; para ela, tornara-se uma gaiola de ouro perfeitamente vigiada.Três meses atrás, a vida de Nadine era uma sucessão de escolhas erradas, contas atrasadas e a iminência de um despejo no seu modesto apartamento no centro da cidade. Ela sempre gostara da boa vida, das festas exclusivas e da companhia de homens influentes que orbitavam a elite financeira suíça. E, entre todos eles, Julian Bernoulli era o troféu definitivo: um executivo brilhante, dono de uma holding milionária, mas com uma postura reservada e solteira que fascinava e desafiava qualquer mulher.Quando Julian a procurou naquela noite turbulenta, visivelmente abalado após um embate com a mãe e afogado em doses exageradas de uísqu

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