LOGINHolly só queria sobreviver à véspera de Natal trabalhando como Mamãe Noel para garantir a ceia em casa. O que ela NÃO esperava era ser sequestrada pelo mafioso mais temido de Chicago. Um homem que não pede nada, apenas leva. Atordoada, apavorada e ainda com cheiro de neve e glitter barato, Holly se vê diante do quarto mais luxuoso que já entrou… e de uma ordem que congela seu sangue: “Presta atenção. Eu pago muito bem pra você entrar aí e fazer o serviço direito. Se ela não levantar dessa cama, você não volta pra casa.” O ar desaparece dos pulmões dela. — Ela? E é ali que Holly descobre que o Natal dela está prestes a se tornar o mais perigoso e inesperado de sua vida.
View MoreDedico esse conto a todas as mulheres que acreditam no Natal.
Que sentem a magia e que conseguem imaginar toda a ficção que uma obra tem ao ler com entusiasmo. O que escrevo é fantasia, mas, se conseguir te alegrar com minhas criações, já será o suficiente. CAPÍTULO 1 Holly Winter Se existia alguém no planeta Terra que realmente nasceu com o dom de derrubar tudo o que tocava, esse alguém era eu: Holly Winter. O nome era perfeito para a véspera de Natal… pena que a minha vida estava mais para um filme de terror com purpurina. Eu estava desempregada havia três meses. Minha mãe também. Minha irmãzinha, Molly, já tinha sutilmente perguntado se “papai Noel tinha falido este ano”. E aquilo bateu forte. Por isso, quando vi a vaga temporária de Mamãe Noel no North Plaza Mall, eu simplesmente agarrei como se fosse a última fatia de torta na mesa. E cá estou: vestida de Mamãe Noel, com gorro, um vestido vermelho tão curto que eu precisava orar para não abaixar, e um casaco longo, quentinho e cheio de pelinhos brancos. As botas? LINDAS. Um perigo? ABSOLUTO. Desde que eu não tirasse o casaco, é claro. Mas naquele dia… tudo tinha algo mágico. As luzes piscavam como se conversassem entre si, o cheiro de chocolate me dava mais fome, e cada criança que subia no colo do Papai Noel tinha um brilho sincero no olhar que me fazia esquecer todos os boletos. — Ho ho ho! O que deseja de Natal, pequena? — o Papai Noel dizia com entusiasmo de vinte anos, apesar dos seus sessenta e cinco. Eu sorria para cada família, acenava, abanava o sino que ficava preso no meu pulso… e, claro, derrubava alguma coisa a cada dez minutos. Um enfeite, um saco, uma caneta. Que droga! Como consigo ser tão desastrada? Naquele instante específico, eu me abaixei para pegar um pirulito que caiu da minha cesta… e bati a cabeça no trono do Papai Noel. — Ai! — reclamei, massageando a testa. — Holly… — Papai Noel sussurrou, rindo. — Você é definitivamente a Mamãe Noel mais atrapalhada que já vi. — Desculpa — murmurei, rindo também. E juro… juro MESMO… que estava tudo simplesmente PERFEITO. Até que o ar mudou. O sorriso de Papai Noel congelou. A moça da fila colocou a mão na boca. E, quando eu ergui o rosto… entendi o motivo. O shopping inteiro ficou em silêncio. Um homem atravessava a entrada principal como se o mundo abrisse caminho para ele. O tipo de beleza que faria qualquer mulher tropeçar — e, honestamente, eu tropecei mesmo. Ele parecia ter uns quarenta e poucos anos, talvez quarenta e cinco. Altíssimo. Ombros largos. Peitoral tão definido que dava pra ver através dos botões abertos da camisa branca, parcialmente transparente devido ao contraste de luz. Tatuagens negras e intricadas escapavam pela abertura da camisa e subiam pelo pescoço, pelos braços, pelo peito. Desenhos fortes, masculinos, que gritavam perigo. Os cabelos pretos, levemente ondulados, caíam parcialmente nos olhos claros e frios. Sua boca desenhada parecia feita para o pecado. Só havia um problema bem visível. Praticamente brilhante... A arma na mão dele. E então eu o reconheci, aliás, todo mundo reconheceu. Era Falcão. O mafioso mais temido de Chicago. Meu coração parou. Depois correu a uma velocidade que nem eu conseguia acompanhar. Ele passou pelos seguranças do shopping como se fossem objetos de decoração. Dois passos silenciosos, potentes, seguros, e estava diante de nós. A maneira como ele olhou para Papai Noel… Mamãe do céu, parecia que ia rasgar o bom velhinho no meio. — Quem contratou esse cara? — Falcão rosnou, voz baixa, grave, ligeiramente rouca. A moça de óculos — Janet, do RH — praticamente se jogou para frente. — Chefe… fui eu. É um senhor de sessenta e cinco anos. Eu me certifiquei de tudo. Pode acreditar. — Não serve pra mim. — Ele nem piscou. — Deixe ele trabalhar no shopping. E então seus olhos pousaram em mim. Eu gelei. O olhar dele percorreu minha roupa, meu casaco longo de pelúcia, minhas meias, meu gorro… e finalmente subiu até meus olhos. — Vou levar ela. — C-como assim levar?! — minha voz saiu fina demais, meu corpo querendo fugir sozinho. — Arranje outra. Você tem dez minutos. Eu dei um passo para trás. Puro instinto. O olhar dele ficou ainda mais gelado. — Não ouse. — Ele inclinou ligeiramente a cabeça pra que só eu ouvisse. — Ou quer que alguma criança fique assustada na noite de Natal? Eu arregalei os olhos. Automaticamente meus braços foram para trás, como se procurando algum tipo de parede invisível. Não tinha escolha. Ele começou a andar e os homens dele — uns dez, vestidos de preto, armados — cercaram a área. Eu respirei fundo, sorri para as crianças para não causar pânico, e caminhei atrás dele. Mas quando chegamos perto do estacionamento… Eu decidi que não iria morrer. Não naquele Natal. Corri como uma louca desvairada que decidiu jogar a dignidade fora. Arranquei o gorro e joguei no chão. Arranquei o casaco longo de Mamãe Noel e fiz voar pelo corredor. Sobrando apenas o micro vestido vermelho grudado no meu corpo. As botas eram largas, um inferno pra correr, então chutei. Literalmente. Corri descalça, sentindo o chão gelado, meu cabelo batendo no rosto, meu sangue pulsando nas orelhas. — VAI! — ouvi alguém gritar. — ELA ESTÁ FUGINDO! — outro berrava. Traidor de uma figa. Ótimo. Minha vida agora tinha trilha sonora de perseguição. Eu virei num corredor lateral, saltei uma corda de isolamento, deslizei por baixo de uma mesa de exposição e… sorri. Eu tinha despistado todo mundo! — YES! — murmurei, levantando as mãos. E foi nesse exato segundo que meu cotovelo trombou num móvel de vidro e ele tombou. Eu tentei segurar, mas não consegui. O armário EXPLODIU no chão, espalhando produtos, vidros, embalagens, tudo. E então bati de frente com algo duro, enorme. Imóvel como uma parede. Eu fui para trás e cai sentada no chão, de perna aberta, cabelo no rosto, vestido subindo até um nível humilhante. Ergui o olhar e lá estava Falcão. Mais furioso do que da primeira vez. Peitoral subindo e descendo, queixo travado. Olhos claros cravados em mim como lâminas. Ele ergueu a arma e apontou para mim. A arma ficou tão perto que eu quase conseguia ver meu reflexo no metal. — Porra… tô sem tempo pra isso. — ele bufou. E antes que eu pudesse pensar, protestar ou implorar… Ele me agarrou pelo braço como se eu não pesasse nada. — Ei! EI! — tentei me desvencilhar. — Quietinha. — rosnou, e me levantou do chão. Me colocou, literalmente nas costas dele, me jogando como se eu fosse um saco de presentes desobediente. Minhas pernas balançaram no ar, meu vestido subiu, meu cabelo caiu na frente do meu rosto. — ME SOLTA! — Não. — Você não pode me levar! — Posso. E vou. — EU TENHO DIREITOS! — E eu tenho pressa. E, sem olhar para trás, ele saiu andando em direção ao estacionamento, comigo pendurada nele, completamente desajeitada, semicongelada, humilhada e assustada… E com a clara sensação de que meu Natal acabara de ser drasticamente sequestrado. Por ele. Por Falcão. O homem que ninguém ousava encarar... e que, aparentemente, queria algo comigo. Algo que eu não fazia ideia do que era.CAPÍTULO 17 Holly Winter Uma semana depois do casamento, percebo que a minha respiração mudou. Não é mais curta, nem apressada. Não acordo esperando o pior. Acordo esperando o dia. Estou na cozinha, encostada no balcão, observando Falcão do outro lado do ambiente enquanto ele termina o café. Ele não fala muito pela manhã. Nunca falou. Mas agora existe algo confortável no silêncio entre nós. Não pesa, não ameaça. A companhia dele me acalma de um jeito que eu jamais imaginei ser possível. Olho para ele e penso nisso com uma sinceridade que quase assusta: eu gosto da presença desse homem na minha vida. Não é só segurança. Não é só cuidado. É a forma como ele presta atenção sem parecer, como pergunta pouco, mas escuta tudo. As vozes das meninas cortam meus pensamentos. Natalie e Molly descem as escadas quase correndo, uniformes novos, mochilas nas costas, os cabelos presos com um cuidado que denuncia empolgação. Estão lindas para irem pra escola. Orgulhosas. Eu me aproxi
CAPÍTULO 16 Falcão A estrada até a casa de campo é tranquila. Cercada de árvores altas que engolem o mundo conforme avançamos. Holly observa tudo pela janela, os olhos atentos, curiosos. Quando o portão se abre, os faróis iluminam a fachada de pedra, o telhado inclinado, as luzes quentes acesas por dentro. A casa respira isolamento, segurança. Aqui é meu refúgio. O carro para. Abro a porta pra ela antes mesmo que pense em sair sozinha. — É lindo… — ela murmura, sincera. Vejo o encantamento nos olhos. E isso aperta alguma coisa no meu peito. Os funcionários já esperam. Tudo organizado. Mesa posta. Velas acesas. Um jantar que ninguém vai tocar além de nós. Eles nos cumprimentam em silêncio e saem em fileira assim que entramos. E então ficamos só nós dois. Viro-me devagar. Ela está no meio da sala, ainda com o vestido branco, as mãos unidas à frente do corpo. Parece pequena ali, frágil. E minha. — Agora você é minha. — digo, sem elevar a voz. Ela engole
CAPÍTULO 15 Holly Winter O cartório não parecia um cartório. Era grande demais. Não vi mais casais casando. E controlado demais para ser apenas um prédio público numa tarde comum. Havia homens por todos os lados — ternos escuros, posturas rígidas, olhares atentos, e muitos soldados. Organizavam filas, mantinham distância, falavam baixo entre si enquanto garantiam que ninguém se aproximasse além do permitido. Aquilo tudo existia por causa dele, e agora… por minha causa também. Minhas mãos suavam levemente enquanto eu ajeitava o vestido branco mais lindo que já vi. Sem rendas exageradas. Sem cauda. Um vestido que não gritava riqueza, mas também não pedia permissão para existir. Eu respirava fundo quando ouvi um burburinho diferente. As pessoas olharam e eu também. Natalie e Molly entraram juntas, de mãos dadas. As duas usavam vestidos delicados, cores suaves, cabelos penteados com cuidado. Cada uma carregava uma pequena almofada com uma aliança. Não havia música.
CAPÍTULO 14 Falcão Holly acordou, e por um segundo, ela não se moveu. Apenas respirou fundo, como quem testa o ar antes de lembrar onde está. Os olhos percorreram o teto alto, as cortinas pesadas, a luz suave que entrava pelas frestas. A lembrança veio inteira. Pude ver nos olhos dela. Natal. Natalie. O pedido. A ceia. Os presentes. O beijo inesperado. Ela sentou devagar na cama, puxando a camisola para baixo por reflexo, como se o gesto ainda fosse necessário ali. Abri a porta no mesmo instante. Entrei com uma bandeja nas mãos. Café, chá, pães e frutas. Nada exagerado. Ela me olhou surpresa. — Bom dia. — eu disse, simples. — Bom dia… — respondeu, a voz ainda rouca de sono. Coloquei a bandeja sobre a mesa próxima à janela. — Você dormiu bastante. Ela desceu da cama com cuidado, como se o chão ainda fosse incerto. Aproximou-se da janela, olhando o jardim iluminado, agora banhado pela luz do dia. — Eu achei que… — começou, mas parou. — Que eu teria t


















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