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Dois Podem Jogar
Dois Podem Jogar
ผู้แต่ง: Rosa Kane

Capítulo 1

ผู้เขียน: Rosa Kane
CELESTE

— Seu marido está tendo um caso com a minha esposa.

Cuspi a água que tinha na boca antes mesmo de conseguir me conter.

Fiquei olhando para Dominic Ford do outro lado da mesa, certa de que tinha entendido errado. Eu tinha que ter entendido errado. Porque o que ele acabara de dizer era impossível.

Julian jamais me trairia.

— Sr. Ford. — Coloquei meu copo na mesa com cuidado, como fazemos quando nossas mãos tremem e não queremos que ninguém perceba. — Isso é uma piada? Porque não tem graça.

— Pareço estar brincando?

Não parecia. Dominic Ford nunca parecia nada além de sério. Mas isso não significava que ele estivesse certo.

— Julian me ama — disse com firmeza. — Ele jamais faria uma coisa dessas.

— Eu sei. — Sua voz estava baixa e cansada. — Eu dizia a mesma coisa sobre Sera alguns meses atrás.

Sera.

Só de ouvir o nome dela, senti algo estranho em meu peito. Seraphine Ford. Minha melhor amiga desde sempre. A mulher que chorou no meu casamento. A mulher que me ligava todos os dias e dizia o quanto eu tinha sorte por ter um homem como Julian.

Éramos praticamente irmãs.

— Isso não é possível — repeti, mas minha voz saiu mais baixa dessa vez.

Dominic olhou para mim como as pessoas olham para alguém de quem sentem pena. Eu odiava aquilo.

— Você nunca viu os sinais? — ele perguntou.

— Não havia sinais.

— Seis meses, Celeste.

Estremeci ao ouvir aquele número.

— Não.

— Seis meses e você nunca suspeitou de nada?

— Eu disse que não. — Me levantei, fazendo a cadeira raspar para trás com força. — Confio completamente no meu marido. Seja lá o que você acha que sabe, está errado.

— Sente-se.

— Eu vou embora.

— Sente-se.

Algo em sua voz me fez parar. Não foi um tom alto. Nem agressivo. Apenas absoluto.

Me sentei.

Ele se inclinou para a frente, apoiando os braços sobre a mesa.

— Seis meses atrás, alguma coisa mudou entre você e Julian?

Abri a boca para falar, mas a fechei.

Seis meses.

As lembranças vieram sem permissão. A maneira como Sera tinha começado a me visitar com mais frequência. Duas, três, quatro vezes por semana, sempre quando Julian estava em casa. Eu tinha ficado tão feliz com aquilo. Achava que nossa amizade estava se tornando mais profunda. Pensei que ela simplesmente sentia minha falta.

E Julian. Ainda amoroso. Ainda perfeito. Ainda me mandando flores todas as manhãs, enviando mensagens de amor ao longo do dia e me beijando como se eu fosse algo precioso toda vez que entrava pela porta.

Mas nossa vida sexual.

Fazia três meses que ele não me tocava. Três longos meses de "Estou exausto, querida", "Assim que esse projeto terminar, vou compensar você" e "Só mais um ano e teremos tudo o que sempre quisemos".

Eu tinha acreditado em cada palavra.

"Pare com isso."

Afastei aqueles pensamentos.

"Você está fazendo exatamente o que ele quer que faça."

— Mesmo que as coisas tenham mudado entre mim e Julian — disse com cuidado. — Isso não prova nada.

Dominic tirou o celular do bolso sem dizer uma palavra.

Virou a tela na minha direção.

Levei três segundos inteiros para entender o que estava vendo. Um clube de luxo. Uma área privativa. Escura, cara, íntima.

Julian e Sera.

Juntos.

Meu estômago embrulhou tão rápido que achei que fosse vomitar ali mesmo, à mesa.

— Isso foi tirado na semana passada — Dominic disse, friamente.

— Não. — Empurrei o celular para longe. — Não, isso não é possível. Julian estava fora do país na semana passada. Ele estava em uma viagem de negócios. Fez videochamada comigo todas as noites até eu pegar no sono.

Dominic não discutiu. Apenas olhou para mim.

— Ele me ligou — repeti, com a voz levemente embargada. — Todas as noites.

— Eu sei. — Ele pegou o celular de volta. — Ele é muito meticuloso.

A palavra "meticuloso" tocou algum ponto sensível dentro de mim. Como pressionar um hematoma.

— Você pode descobrir a verdade por si mesma se ainda tiver dúvidas — ele disse.

Passei rapidamente o dedo pelo canto do olho, irritada comigo mesma.

— O que quer dizer?

— Julian provavelmente disse esta manhã que vai viajar amanhã. Quatro dias. Viagem de negócios, certo?

Fiquei completamente imóvel.

— Como você sabe disso?

— Porque minha esposa já me disse que vai visitar a mãe por quatro dias. — Um sorriso seco surgiu em seu rosto. Não chegou aos olhos. — Eles não vão a lugar nenhum, Celeste. Ele reservou toda a ala leste do Rosewood Resort. Quatro dias, só os dois.

O mundo pareceu girar levemente.

Julian tinha me contado naquela manhã. Antes de sair para o trabalho, ainda sonolento, beijou minha testa.

"Vou sentir sua falta a cada segundo, querida."

Essas foram exatamente as palavras dele.

— Venha comigo amanhã à noite — Dominic disse. — Se eu estiver errado, você vai saber. E, se eu estiver certo...

Ele não terminou a frase. Não precisava.

Eu não me lembrava de ter concordado. Mas, de alguma forma, assenti.

E, de alguma forma, dirigi até minha casa.

...

Não sei como consegui. Durante todo o caminho de volta, parecia que havia alguma coisa pesada e imóvel sobre meu peito. Eu continuava dizendo a mim mesma que aquilo não era real. O vídeo tinha sido falsificado. Dominic estava com ciúmes do que Julian e eu tínhamos. As pessoas faziam coisas absurdas por ciúmes.

Julian me ama.

Quando ele chegou em casa naquela noite, com flores nas mãos e os olhos suaves e calorosos, como sempre que olhava para mim, alguma coisa dentro do meu peito se partiu.

"Está vendo? Olhe para ele. Esse homem não está traindo você."

Ele me beijou de forma lenta e profunda na cozinha, e eu o beijei de volta com a mesma intensidade, procurando alguma coisa. Uma mentira. Algum sinal. Qualquer coisa que desse sentido às palavras de Dominic.

Não encontrei nada.

Ele perguntou sobre o meu dia, e eu menti descaradamente, sorrindo para ele como se meu mundo não tivesse saído do eixo naquela tarde.

Naquela noite, tentei novamente.

Me aproximei dele na cama, passando os dedos por seu peito, e ele segurou minha mão com delicadeza.

— Amor. — Sua voz soava suave, cansada e sincera. — Estou tão cansado. No momento em que esse contrato terminar, todas as noites serão suas. Eu prometo.

— Está bem — sussurrei.

— Eu te amo tanto, meu amor.

— Eu sei — respondi.

Ele beijou minha testa e se virou para o outro lado.

Fiquei deitada no escuro, ouvindo sua respiração, e me perguntei como um homem podia mentir tão bem.

Talvez ele não estivesse mentindo.

Talvez quem estivesse mentindo fosse Dominic.

Me agarrei a esse pensamento como a uma tábua de salvação e esperei pela manhã.

...

Julian beijou minha bochecha pela manhã, enquanto eu fingia estar dormindo.

— Vou sentir sua falta a cada segundo. Eu te amo.

Mantive os olhos fechados até a porta da frente se fechar atrás dele.

Não me mexi até o meio-dia.

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