FAZER LOGINDiana
O quê?
Minha cabeça girou tão rápido que quase caí da mesa. Eu devo ter ouvido errado. De novo. Certeza. Porque se eu tivesse escutado direito... Ethan Alencar, meu chefe, meu crush proibido, o homem que eu fantasiava enquanto arquivava contratos chatos, tinha acabado de dizer que foi ele… o homem da casa de dominação?
Não. Não. Não.
"Não pode ser." Eu murmurei, piscando rápido, tentando afastar a tontura que tomou conta de mim.
Ele continuou ali, parado na minha frente, com aquele terno impecável e aquele olhar de quem sabe exatamente o que fez — e pior, que adorou cada segundo.
Ethan passou a mão no meu rosto e disse:"— Sábado à noite, Diana. Na casa de dominação. Quando eu te fodi gostoso e você gozou de um jeito tão violento que eu ainda sinto o seu gosto na minha boca."
As palavras saíram da boca dele como se ele estivesse falando que o café acabou na copa. Tão natural. Tão sujo. Tão errado.
Eu abri e fechei a boca, feito um peixe fora d'água, totalmente sem saber o que falar.
Meus pés tocaram o chão num impulso. Pulei da mesa como se ela estivesse pegando fogo.
— Você tá louco! — Eu disse, rindo nervosa, cruzando os braços como se isso fosse me proteger daquela avalanche de lembranças.
A voz dele.
A pegada.
O cheiro.
Era tudo parecido demais pra ser coincidência.
Mas meu cérebro, teimoso como só ele, se recusava a aceitar.
— Não é possível. — falei, quase suplicando para que aquilo fosse um delírio.
Ethan deu um passo na minha direção, devagar, com aquela calma que só quem sabe o que tá fazendo tem.
— Você ouviu a minha voz. — ele disse, olhando direto nos meus olhos. — Eu gozei dentro de você. Aposto que ainda tem as marcas do chicote na sua pele.— Ele passou a mão lentamente pelo meu braço.
Senti minha buceta latejar. Bem no meio da conversa mais errada da minha vida.
Merda.
Eu engoli em seco, sentindo a garganta secar como o deserto do Saara.
— Eu… eu tava vendada. — tentei argumentar, a voz falhando miseravelmente.
Ele deu um sorrisinho de canto, daquele tipo que só piora a situação.
— Justamente. — Ethan respondeu, como se isso provasse o ponto dele.
Dei alguns passos pra trás, batendo as costas na porta. Como se aquilo fosse me salvar, né?
Meus dedos, trêmulos, acharam a maçaneta.
Sem pensar muito, destranquei a porta e saí do escritório, quase tropeçando nos meus próprios pés.
Não olhei pra trás. Não ousei.
Caminhei até minha mesa no automático, peguei minhas coisas e saí dali o mais rápido que pude, sentindo o olhar dele queimar nas minhas costas.
No elevador, sozinha, respirei fundo.
"Não pode ser", pensei pela milésima vez.
Mas aí flashes invadiram minha mente: a voz rouca no meu ouvido, a força das mãos que me seguravam, a firmeza nas chicotadas, o gosto de pele que eu nunca senti igual.
Merda.
Merda, merda, merda!
Botei a culpa na venda. No tesão. No álcool. Na vida injusta. Qualquer coisa, menos na possibilidade de ter sido mesmo ele.
Cheguei em casa ainda meio zonza, jogando a bolsa no sofá como se ela tivesse me ofendido.
Juro, tentei seguir a vida. Pedi um sanduíche. Tomei dois copos de água. Liguei a televisão.
Nada adiantava. Ethan estava grudado na minha mente como um chiclete no cabelo.
Eu precisava de um banho.
De preferência gelado.
Ou não.
A água quente escorria pelo meu corpo, tentando, em vão, apagar as lembranças.
Fechei os olhos e vi a cena toda de novo.
As mãos dele na minha cintura, me segurando como se eu fosse dele.
A boca devorando cada pedacinho da minha pele como se estivesse com fome.
A sensação absurda de ser desejada daquele jeito bruto, urgente, desesperado.
Minhas pernas se apertaram instintivamente.
Não era justo.
Eu devia odiá-lo. Eu devia estar puta.
Mas o que eu tava mesmo era molhada. E inquieta. E querendo mais.
Quando deitei na cama, a toalha escorregando do meu corpo, eu sabia que tava perdida.
Fechei os olhos, as mãos deslizando pelo meu próprio corpo, imaginando que eram as dele.
Imaginando o peso do corpo dele sobre o meu.
O jeito que ele gemia baixo enquanto se enterrava em mim.
A voz grave sussurrando palavrões no meu ouvido.
Minhas mãos encontraram o caminho sem que eu precisasse pensar.
O primeiro toque foi suave, tímido.
Mas logo virou necessidade.
Me toquei como ele faria. Com fome. Com pressa.
Com a sensação de que o mundo inteiro podia explodir e eu só queria gozar de novo daquele jeito violento.
Gemidos baixos escaparam dos meus lábios.
O prazer crescendo, quente e sujo.
Minhas costas arqueando.
Meu corpo implorando.
Eu gozei pensando nele.
Pensando em Ethan Alencar.
E me odiando um pouquinho por isso.
Deitada na cama, ainda ofegante, encarei o teto branco como se ele tivesse alguma resposta.
Que tipo de pessoa se mete nessa merda?
Ah, é. Eu.
A secretária otária que se apaixonou pelo próprio chefe babaca, se deixou levar por uma noite de luxúria sem rosto… e agora tá aqui, toda fodida emocionalmente, com o cheiro imaginário dele impregnado no corpo.
— Parabéns, Diana. — resmunguei pra mim mesma. — Você é um gênio.
Me enrolei no lençol, me sentindo vulnerável e irritada ao mesmo tempo.
Queria acreditar que era tudo invenção da minha cabeça.
Que meu tesão por ele tava misturando tudo.
Mas no fundo… no fundo eu sabia.
Era ele.
Aquela voz. Aquele toque. Aquele jeito de me dominar como se tivesse me estudado a vida inteira.
Era impossível outra pessoa fazer aquilo comigo.
E eu tava fodida.
Literalmente.
Fechei os olhos, tentando forçar meu cérebro a desligar.
Mas a última frase dele martelava na minha mente sem parar:
"A noite de sábado foi deliciosa."
Se eu imaginasse a boca dele falando isso no meu ouvido de novo, eu ia me masturbar de novo.
E de novo.
E de novo.
Até virar uma maluca internada.
Amanhã eu teria que encarar Ethan no escritório.
Olhar nos olhos dele e fingir que nada aconteceu.
Fingir que não sabia do gosto dele na minha boca.
Fingir que não me lembrava da sensação dele estocando fundo dentro de mim.
Fingir que meu corpo não reagia toda vez que ele chegava perto.
E eu precisava desse emprego, eu ainda tinha minhas dívidas estudantis para pagar. Não poderia colocar isso nas costas da minha mãe. Não de novo.
DiaanaCinco anos. Nem acredito que já tinham passado cinco anos desde que meu filho nasceu. Às vezes eu parava no meio da cozinha, segurando uma caneca de café, e ficava olhando pra parede só lembrando de como tudo tinha mudado tão rápido. Eu, que achava que não sabia nem manter uma planta viva, agora tinha um menino correndo pela casa deixando carrinhos, dinossauros e migalhas de biscoito em cada canto.Ele ia fazer cinco anos na semana que vem, e eu tava surtando porque ele queria uma festa com tema de “Ninjas do Espaço”. Eu nem sabia que isso existia. Ethan disse que ia resolver tudo, mas eu conhecia meu marido: quando ele dizia “eu resolvo”, era porque vinha exagero pela frente. Capaz dele contratar ninjas de verdade pendurados no teto só pra “fazer bonito”.Falando nele… Ethan continuava o mesmo homem lindo, teimoso, protetor, dramático às vezes — mas agora com um bônus: a mania de falar que tava “na hora do segundo filho”. Ele falava disso quase todo dia. Eu acordava com ele f
DianaO dia do chá revelação tinha chegado, e eu tava tão nervosa que parecia que ia desmaiar só de olhar pro bolo. Minhas mãos tremiam igual gelatina balançando na bandeja. Ethan fingia calma… mas eu conhecia aquele homem. Por dentro, ele tava surtando bonito.— Você tá bem? — perguntei, meio rindo.— Tô ótimo — ele respondeu com o sorriso mais metido desse planeta. — Só tô tentando não cair duro no chão.Revirei os olhos. Desde que eu engravidei, ele virou tipo um guarda-costas emocional. Eu espirrava e ele já perguntava se devia ligar pro médico.A família do Ethan começou a chegar. Eva, a mãe dele, já entrou falando alto, toda animada, como sempre.— Meu Deus, eu não dormi! Sonhei que ia ser menina! Tenho certeza absoluta!Luana, a irmã dele, só respondeu:— Mãe, você sonha até que o micro-ondas te chama pelo nome. Não confio nesses seus sonhos.E a madrasta… bom… aquela mulher parecia que tava respirando arrogância. Não sei como alguém conseguia ter uma cara tão permanente de que
DianaEu acordei no meio da madrugada com uma sensação estranha.Não era dor.Não era enjoo.Era… vontade. Uma vontade absurda, surreal, totalmente fora da lógica humana.Eu queria ameixa verde.Do nada.Acordei sentando na cama como se alguém tivesse me chamado pelo nome.— Meu Deus… — murmurei, passando a mão no rosto. — Preciso de ameixa verde. Agora.Olhei para o lado.Ethan dormia igual um anjo gigante, respirando pesado, todo jogado na cama. Quase dei dó de acordar.Quase.— Ethan — cutuquei.Nada.— Ethan…Ele resmungou, virou de lado e me abraçou achando que era travesseiro.— Ethan, amor… acorda. — Bati no braço dele com carinho, daquele jeito que não machuca mas perturba.— Hm… que foi? — ele abriu um olho, só um, igual um gato preguiçoso.— Eu preciso de ameixa verde.Ele piscou.Pisca de novo.A terceira piscada já veio com a cara de “o quê?”.— O quê?— Ameixa verde — repeti. — Eu preciso.— Agora? — ele perguntou, com a voz meio rouca de sono.— Sim. Tipo… agora agora.E
DianaQuando a gente entrou no carro, minhas mãos ainda tavam tremendo. Não era frescura, não era drama… era o choque mesmo.Eu me sentei no banco como se meu corpo estivesse desligado.Ethan deu a volta e sentou no volante, mas antes de ligar o carro ele virou pra mim.— Diana… olha pra mim.Eu olhei, mas meus olhos estavam meio perdidos. Meu cérebro ainda tentava entender o que tinha acontecido. Um segundo eu tava rindo no banheiro porque o sabonete era chique demais. E no outro… meu ex me puxou à força, como se eu fosse propriedade dele.— Você tá pálida — o Ethan disse, encostando a mão na minha coxa. — Você quer ir pro hospital? Quer ligar pra polícia agora?Eu engoli o ar, não a palavra proibida, só o ar mesmo.— Não… eu… eu só quero ir pra casa. Por favor.Ele não discutiu.Ligou o carro na hora.Durante o caminho inteiro, eu fiquei olhando pela janela. O mundo parecia estranho. As luzes passando pela rua, as pessoas andando tranquilas… e eu ali, com um nó no peito.— Eu devia
Diana Quando o musical acabou, eu tava quase flutuando. Aquelas músicas lindas, os figurinos, o palco… tudo parecia mágico. Eu saí do camarote segurando a mão do Ethan como se eu fosse uma criança empolgada indo pra uma feira de doces.— Gostou? — ele perguntou, com aquele sorriso gostoso de ver.— Eu amei — falei na lata. — Tipo… amei de verdade. Eu nunca tinha visto nada assim. Sério, eu tô até meio zonza.Ele riu do meu entusiasmo e me puxou pra perto.— Fico feliz. Você merece coisas assim.Eu só não derreti ali porque eu ainda tinha alguma dignidade.Ou achava que tinha.Enquanto a gente descia as escadas, eu senti aquela pressão na bexiga que só grávida sente do nada, tipo “vai agora ou você explode”.— Preciso ir no banheiro — falei, quase trotando. — Me espera aqui?— Claro. Vou ficar logo ali — ele apontou pro corredor, mão no bolso, tranquilo.Entrei no banheiro com aquele brilho de pessoa que tá se achando chique demais pra estar viva. Tudo era bonito. Iluminação linda, pi
DianaQuando o Ethan me chamou no fim da tarde, eu tava largada no sofá, comendo bolacha salgada como se aquilo fosse a comida mais chique do mundo. Ele apareceu na porta da sala, com aquela cara de “eu aprontei e preciso compensar”, e falou:— Amor… vamos ao teatro hoje? Só nós dois. Meu pedido oficial de desculpas.Eu já sabia que ele tava tentando me agradar desde aquele vexame da reação dele com a gravidez. E sinceramente? Ele tava se esforçando tanto que eu até tava achando fofo. Respirei fundo e levantei do sofá.— Tá bom… mas eu vou tomar um banho primeiro. — falei.Ele sorriu daquele jeito torto que sempre me desmonta.— Vai com calma. Eu te espero.---Fui pro banheiro e deixei a água quente cair sobre mim, como se aquilo fosse levar embora qualquer resto de tensão que ainda morava nos meus ombros. Fechei os olhos, respirei devagar e deixei a cabeça encostar na parede gelada. Meu corpo tava mais sensível por causa da gravidez, ou talvez fosse só emoção acumulada. Sei lá. Só s







