FAZER LOGIN— Então o que você quer comigo? Eu não sou rica, sou uma mulher simples...
— Eu quero Maxwell Cross — Sombra a interrompeu.
— O Max? O que você quer com ele?
Madison agora temeu pela vida de seu namorado ao ver a ira nos olhos de Sombra ao pronunciar o nome de Maxwell.
— Ele fez algo que não devia e isso custou a vida de pessoas muito importantes para mim. Agora preciso acertar as contas com ele — disse o homem.
— Você vai matá-lo?
Madison sentiu um frio correr em sua espinha. Se seu namorado fez algo que custou a vida de pessoas importantes para aquele homem, certamente ele não o deixaria impune.
— Oh não — o homem soltou uma risada fraca anasalada. — Eu não teria coragem de matar o meu próprio irmão.
— O que você disse? — Madison perguntou incrédula.
— Não entendeu, cunhada?
Sombra se aproximou da mulher deixando seus corpos bem próximos.
— Meu irmãozinho nunca falou sobre mim?
Madison sentiu um arrepio no corpo com aquela aproximação.
— Não, ele disse que era filho único. Que o único irmão que teve faleceu há anos atrás — disse Madison.
O olhar do homem escureceu e se tornou mais sombrio ao ouvir aquilo. Naquele momento, Sombra tirou seu celular do bolso esquerdo frontal de sua calça e discou o número de seu irmão em uma chamada de vídeo. Poucos toques depois, Maxwell atendeu a chamada de seu irmão.
— O que foi, Renzo? — Perguntou impaciente do outro lado.
Madison se surpreendeu ao ouvir a voz de seu namorado e perceber que de fato o homem que se apresentou como Sombra, agora chamado como Renzo, talvez estivesse falando a verdade.
— Irmão, como está? — Renzo perguntou a Maxwell, mas com os olhos fixos em Madison.
— Um pouco ocupado agora. O que você quer? Por que está me ligando?
Maxwell parecia muito impaciente e irritado com aquela ligação.
— Você sabe o que eu quero — Renzo disse olhando para o seu irmão através da tela do celular. — Você fez algo que não devia, irmãozinho. Roubou alguns registros no meu escritório e isso custou a vida de algumas pessoas, e agora a minha identidade também está ameaçada.
Maxwell riu com desprezo do outro lado da linha.
— Eu vou destruir seu império, Renzo. Isso foi só o começo. Vocês são criminosos, eu estou agindo de acordo com a lei.
— Roubar não é crime também? — Renzo perguntou irritado com o jeito esnobe de seu irmão.
— Eu o fiz pelo bem da sociedade — Maxwell respondeu. — Vou pegar um por um, e o último vai ser o tão misterioso Don. Você, querido irmão.
Renzo suspirou fundo e sorriu fazendo Maxwell ficar confuso.
— Não tem medo do que eu possa fazer com você? — Renzo questionou.
— Antes de tentar, eu já vou ter acabado com você — Maxwell sorriu.
Renzo apontou a câmera para Madison e perguntou:
— E não tem medo do que eu possa fazer com ela?
Maxwell arregalou os olhos ao ver sua namorada através da câmera. Madison parecia assustada e confusa. Seu coração acelerou. Ele não sabia do sumiço dela. Maxwell tinha um chip que rastreava sua namorada e parecia estar tudo normal naquele dia. Como ele não notou nada diferente?
— Renzo! — Maxwell esbravejou do outro lado. — Não toque em um fio de cabelo dela, ou eu acabo com você de uma vez por todas.
— Ah não, querido irmão. Ela é a minha garantia de que você vai fazer tudo que eu mandar — Renzo sorriu virando a câmera para si. — Você vazou dados importantes para conseguir esse emprego na Interpol. Isso custou muito caro para mim, perdi pessoas muito importantes por conta da sua ganância. Você não ligou nem para o fato de eu ser seu irmão mais velho, sua família. Max, se você quer ver a sua namorada de novo, faça tudo que eu mandar. Agora você trabalha para mim, entendeu?
— Não toque nela, seu desgraçado! Ela não tem nada a ver com o que eu fiz. Venha até a mim e deixe-a em paz — Maxwell esbravejou do outro lado da linha.
— Em breve entro em contato para te dar as coordenadas sobre o que vai precisar fazer — Renzo disse calmo. — Até mais, querido irmão.
Antes de desligar, Renzo ouviu seu irmão berrar palavras sujas do outro lado da linha. Ele olhou para Madison e sorriu.
— Conseguiu entender o porquê de estar aqui agora, cunhadinha?
— Quando eu vou poder ir para casa? — Madison entendeu tudo, ela era uma mulher bem inteligente.
— Quando todos os trabalhos que eu tenho para o meu irmão terminarem — Renzo respondeu calmamente.
— E quanto tempo isso vai durar?
— Isso vai depender da agilidade dele para cumprir cada tarefa. Pode levar semanas, meses ou quem sabe, anos — Renzo sorriu.
Um frio correu pela espinha de Madison imaginando ter que viver ali por muito tempo.
— Venha comigo!
Renzo segurou o braço de Madison e a arrastou para fora daquele ambiente. O lado externo a cegou por uns segundos. Ela não teve tempo de olhar em volta. Antes que pudesse abrir os olhos, teve uma venda colocada em seu rosto e foi enfiada em um veículo. Dentro do carro, suas mãos estavam sendo presas por apenas uma mão de Renzo como se fosse algemas. Madison tentou lutar para se soltar. Mas isso apenas irritou Renzo que a imobilizou a colocando sobre o seu colo.
As pernas dele prendiam as dela e os braços dele a envolvia como correntes fortes e pesadas. Por conta de sua estatura, ainda com a mulher sentada em seu colo, Renzo era mais alto, a cabeça de Madison batia em abaixo de seu queixo.
Se movendo bastante, Madison continuou tentando se soltar dos braços de Renzo, mas se assustou quando ele gemeu e disse rouco próximo ao seu ouvido:
— É melhor você parar ou eu não respondo por minhas ações.
Vitório apertou a mão do neto e, após alguns instantes em silêncio, voltou-se para Madison.— Signorina… me permite roubar Renzo por alguns minutos? — perguntou, com uma cortesia rara, quase dissonante para o patriarca. — Quero apresentá-lo a alguns parceiros de negócios.Madison forçou um sorriso leve e assentiu.— Claro, senhor.Vitório fez um gesto com a mão, e Renzo o acompanhou, o braço rígido, a postura impecável. Antes de partir, o olhar de Renzo pousou sobre Madison, pesado, quase como um aviso silencioso de que não deveria se sentir desamparada.Ela assentiu discretamente, entendendo o recado.Ficou sozinha.O silêncio do corredor lateral contrastava com o burburinho elegante do salão. Madison caminhou devagar, os saltos ecoando no mármore. Seus olhos foram atraídos pelos porta-retratos em molduras douradas e prateadas, cuidadosamente dispostos nas paredes e estantes.Fotografias em preto e branco de homens austeros com ternos escuros; mulheres altivas em vestidos longos. Uma
A viagem até a mansão de Vitório Moretti foi feita em silêncio. O carro, um sedan preto blindado de alto padrão, avançava pelas curvas montanhosas sob o manto do crepúsculo. Do lado de fora, a natureza italiana parecia observá-los em reverência e silêncio; do lado de dentro, Madison sentia seu coração bater no ritmo dos pneus sobre o asfalto.Renzo permaneceu calado durante o trajeto, os olhos fixos na estrada adiante como se antecipasse cada passo da noite que viria. Mesmo em silêncio, sua presença preenchia o espaço, sólida como uma armadura. Madison, por sua vez, mantinha o queixo erguido e o olhar firme — mas suas mãos estavam frias. E dentro de si, ela sabia: não havia margem para erros.A mansão dos Moretti surgiu no alto de uma colina, envolta por jardins geométricos, ciprestes alinhados e tochas que tremeluziam como sentinelas de fogo. Era uma construção antiga, quase palaciana, de pedra clara e janelas altas, erguida não apenas como moradia, mas como símbolo de uma dinastia q
O céu já ganhava tons dourados e laranjas quando Renzo desceu as escadas da mansão, imponente em cada passo. A gravidade do que aquela noite representava estava impressa na precisão dos seus gestos. Não havia espaço para erros — nem no discurso, nem na imagem.Trajava um terno preto sob medida, perfeitamente ajustado ao seu corpo largo e esculpido. A lapela acetinada contrastava sutilmente com a camisa branca de colarinho firme, abotoada até o último botão. Nenhuma gravata, como era de seu costume — Renzo acreditava que o controle se impunha com a presença, não com adornos.Seu cabelo estava penteado para trás com precisão, os fios ainda úmidos e levemente desalinhados nas laterais, o que apenas realçava sua masculinidade crua. A barba bem feita deixava o maxilar ainda mais marcado, e os olhos — escuros e densos — estavam ainda mais intensos naquela noite. Ele carregava em si uma elegância perigosa, como um lobo usando o terno de um diplomata.Esperava no fim da escadaria, ajustando o
O vento no jardim havia se tornado mais morno, e o sol já se erguia mais alto sobre as copas das árvores. Madison caminhava lentamente de volta à mansão, os pensamentos girando como folhas ao vento. As revelações de Renzo ainda ecoavam dentro dela — sua dor, sua traição, sua origem... e aquela guerra que agora a envolvia muito mais do que imaginava.Ao entrar novamente no salão, deparou-se com Renzo a poucos passos, já de volta ao interior da casa, parado junto à escadaria, com as mãos nos bolsos e o olhar firme. Ele esperava por ela.— Temos um compromisso hoje à noite — disse, com o tom sereno de quem já decidiu tudo sem pedir opinião.— Compromisso? — Madison franziu a testa, incerta.— Vamos à mansão de Vitório. Meu avô. É o aniversário do meu primo Giuseppe, e ele espera que eu compareça.Ela gelou por dentro. A ideia de estar cercada por membros da máfia italiana fazia seu estômago se revirar.— Eu não tenho que ir… tenho?Renzo deu um meio sorriso, quase condescendente.— Você
A manhã nascia limpa e suave sobre a costa italiana. Um vento brando atravessava os vidros altos da sala de jantar, enquanto a luz dourada invadia o espaço lentamente. Renzo e Madison estavam sentados à mesa — um ritual silencioso e delicado que, dia após dia, se tornava hábito.Martina, a empregada, circulava discretamente com as mãos habilidosas, servindo o café, os pães recém-assados e a tigela de frutas frescas. Havia uma quietude respeitosa naquele cômodo, como se tudo ali soubesse que qualquer ruído mais alto poderia quebrar um equilíbrio tênue.Renzo mexia o café devagar, o olhar fixo na xícara. Vestia uma camisa preta de tecido fino, os cabelos ainda levemente úmidos, como se tivesse vindo direto do banho. Madison, à sua frente, mantinha os ombros relaxados, mas os olhos atentos. Ela já reconhecia a tensão nos pequenos gestos dele — o silêncio denso, os olhares demorados demais.— Dormiu bem? — ele perguntou, com a voz rouca da manhã.— Sim — respondeu, desviando o olhar para
O relógio marcava quase seis da tarde quando Renzo voltou ao seu escritório no andar térreo da mansão. O sol dourado invadia o cômodo pelas grandes janelas, tocando os móveis escuros com um brilho suave. O ambiente exalava ordem e poder: estantes cheias de livros jurídicos, obras de arte discretas nas paredes, e sobre a mesa, uma pilha de documentos exigia sua atenção.Ele afrouxou o primeiro botão da camisa, jogou-se na poltrona de couro e pegou uma pasta marcada com um selo discreto — era a papelada de uma operação de transporte pelo porto de Trieste, cujos fiscais haviam exigido mais do que o costume para fechar os olhos. Renzo assinava, calculava, ajustava detalhes com uma precisão quase matemática. Era nisso que ele se sentia mais no controle: na administração do império que herdara — e expandira — com sangue, estratégia e disciplina.O celular vibrou sobre a mesa. Um número conhecido, porém raramente utilizado, acendeu a tela. Ele não precisou verificar quem era.Vitório Moretti







