FAZER LOGINMadison parou de se mover sentindo todo seu corpo se arrepiar e se concentrou no que estava acontecendo. Havia algo duro embaixo de sua bunda a pressionando. Seu rosto tomou um tom avermelhado e começou a esquentar.
— Eu sou sua cunhada, seu pervertido — Madison rosnou.
O motorista olhou através do retrovisor e segurou o riso, mas voltou a atenção a estrada ao receber um olhar de reprovação do seu chefe. Renzo suspirou fundo antes de responder:
— Além disso, eu sou homem. E ter uma mulher rebolando no meu colo é impossível controlar minhas reações naturais como homem — ele disse baixo e rouco. — Então se não quer que eu te foda aqui no banco de trás desse carro, é melhor ficar parada o restante da viagem.
A respiração ofegante de Renzo a fez perceber que ele estava se controlando. E isso a fez terminar a viagem totalmente paralisada, tendo seu corpo movido apenas pelo balanço do carro.
Assim que chegaram no destino, Madison foi retirada dos braços de Renzo e logo do carro por seguranças. Renzo saiu atrás de forma majestosa. Sua presença sempre era marcante quando chegava aos lugares devido a sua beleza e estatura de quase 2 metros de altura. As mulheres que trabalhavam no jardim de sua residência, suspiravam fundo parecendo mocinhas encantadas com um príncipe.
Contudo, por mais que tivesse sido criado em um castelo, Renzo estava longe de ser um príncipe. Ele foi treinado desde adolescente para assumir o império de seu avô, Vittorio Moretti, Don da máfia italiana. Este era o destino de seu pai, Vincenzo Moretti, mas este foi deserdado por ter quebrado regras por amor. Renzo se tornou tão frio e cruel quanto seus antecessores, assim, deixando seu avô muito orgulhoso.
Com sua postura imponente, ele caminhou até a governanta de sua residência e informou:
— Coloque-a no sótão, provisione algo para ela se vestir e dê-lhe três refeições por dia. Banho supervisionado, na sua presença e seguranças na porta. Se ela estiver dando muito trabalho, pode vir me informar.
Dito, ele caminhou direto para o interior de sua mansão sem esperar qualquer resposta de sua governanta, visto que, ele deu ordens que não poderiam ser contrariadas. Nas suas costas, dois seguranças arrastavam Madison para o interior da mansão, enquanto esta se debatia tentando se soltar aos berros. Aquilo irritou Renzo profundamente. Ele queria virar para trás e calar a boca daquela mulher, seja lá de qual forma, ele só a calaria.
Suspirando fundo, ele subiu as escadas e foi direto para o seu escritório, onde se serviu com um copo de uísque e se sentou em sua cadeira virando-se para admirar a paisagem do exterior de sua mansão através da enorme parede de vidro.
Maxwell entrou em seus pensamentos. Renzo se amaldiçoou por ter permitido seu irmão e sua mãe o visitarem em sua mansão. Seu avô sempre o alertou, para ver sua mãe e seu irmão teria que ser fora dali. Contudo, Renzo jamais imaginou que seu irmão fosse capaz de traí-lo daquela forma. Maxwell invadiu seu escritório e tirou foto de alguns documentos que continham nomes e algumas informações sobre membros da máfia. Ninguém entendeu como aquelas informações foram parar nas mãos da Interpol, mas Renzo sabia e precisava lidar com aquilo o mais rápido possível, ou ele seria marcado como traidor.
Renzo sabia que seu irmão era policial e permitir que ele entrasse em seu território era um grande risco, mas por amor ao seu irmão e mãe, ele permitiu e isso lhe custou um alto preço. Agora ele não tinha mais escolhas. Ele precisava parar seu irmão antes que ele continuasse com aquelas divulgações. Isso o deixava em risco também, pois sua identidade como o novo Don nunca foi revelada. Seu irmão e mãe eram as únicas pessoas externas que sabiam daquilo. Se sua identidade fosse revelada, Renzo estaria na mira de muitos inimigos e da polícia. Sua identidade oculta, lhe dava muitas vantagens e ele não queria perder aquilo.
Vitório apertou a mão do neto e, após alguns instantes em silêncio, voltou-se para Madison.— Signorina… me permite roubar Renzo por alguns minutos? — perguntou, com uma cortesia rara, quase dissonante para o patriarca. — Quero apresentá-lo a alguns parceiros de negócios.Madison forçou um sorriso leve e assentiu.— Claro, senhor.Vitório fez um gesto com a mão, e Renzo o acompanhou, o braço rígido, a postura impecável. Antes de partir, o olhar de Renzo pousou sobre Madison, pesado, quase como um aviso silencioso de que não deveria se sentir desamparada.Ela assentiu discretamente, entendendo o recado.Ficou sozinha.O silêncio do corredor lateral contrastava com o burburinho elegante do salão. Madison caminhou devagar, os saltos ecoando no mármore. Seus olhos foram atraídos pelos porta-retratos em molduras douradas e prateadas, cuidadosamente dispostos nas paredes e estantes.Fotografias em preto e branco de homens austeros com ternos escuros; mulheres altivas em vestidos longos. Uma
A viagem até a mansão de Vitório Moretti foi feita em silêncio. O carro, um sedan preto blindado de alto padrão, avançava pelas curvas montanhosas sob o manto do crepúsculo. Do lado de fora, a natureza italiana parecia observá-los em reverência e silêncio; do lado de dentro, Madison sentia seu coração bater no ritmo dos pneus sobre o asfalto.Renzo permaneceu calado durante o trajeto, os olhos fixos na estrada adiante como se antecipasse cada passo da noite que viria. Mesmo em silêncio, sua presença preenchia o espaço, sólida como uma armadura. Madison, por sua vez, mantinha o queixo erguido e o olhar firme — mas suas mãos estavam frias. E dentro de si, ela sabia: não havia margem para erros.A mansão dos Moretti surgiu no alto de uma colina, envolta por jardins geométricos, ciprestes alinhados e tochas que tremeluziam como sentinelas de fogo. Era uma construção antiga, quase palaciana, de pedra clara e janelas altas, erguida não apenas como moradia, mas como símbolo de uma dinastia q
O céu já ganhava tons dourados e laranjas quando Renzo desceu as escadas da mansão, imponente em cada passo. A gravidade do que aquela noite representava estava impressa na precisão dos seus gestos. Não havia espaço para erros — nem no discurso, nem na imagem.Trajava um terno preto sob medida, perfeitamente ajustado ao seu corpo largo e esculpido. A lapela acetinada contrastava sutilmente com a camisa branca de colarinho firme, abotoada até o último botão. Nenhuma gravata, como era de seu costume — Renzo acreditava que o controle se impunha com a presença, não com adornos.Seu cabelo estava penteado para trás com precisão, os fios ainda úmidos e levemente desalinhados nas laterais, o que apenas realçava sua masculinidade crua. A barba bem feita deixava o maxilar ainda mais marcado, e os olhos — escuros e densos — estavam ainda mais intensos naquela noite. Ele carregava em si uma elegância perigosa, como um lobo usando o terno de um diplomata.Esperava no fim da escadaria, ajustando o
O vento no jardim havia se tornado mais morno, e o sol já se erguia mais alto sobre as copas das árvores. Madison caminhava lentamente de volta à mansão, os pensamentos girando como folhas ao vento. As revelações de Renzo ainda ecoavam dentro dela — sua dor, sua traição, sua origem... e aquela guerra que agora a envolvia muito mais do que imaginava.Ao entrar novamente no salão, deparou-se com Renzo a poucos passos, já de volta ao interior da casa, parado junto à escadaria, com as mãos nos bolsos e o olhar firme. Ele esperava por ela.— Temos um compromisso hoje à noite — disse, com o tom sereno de quem já decidiu tudo sem pedir opinião.— Compromisso? — Madison franziu a testa, incerta.— Vamos à mansão de Vitório. Meu avô. É o aniversário do meu primo Giuseppe, e ele espera que eu compareça.Ela gelou por dentro. A ideia de estar cercada por membros da máfia italiana fazia seu estômago se revirar.— Eu não tenho que ir… tenho?Renzo deu um meio sorriso, quase condescendente.— Você
A manhã nascia limpa e suave sobre a costa italiana. Um vento brando atravessava os vidros altos da sala de jantar, enquanto a luz dourada invadia o espaço lentamente. Renzo e Madison estavam sentados à mesa — um ritual silencioso e delicado que, dia após dia, se tornava hábito.Martina, a empregada, circulava discretamente com as mãos habilidosas, servindo o café, os pães recém-assados e a tigela de frutas frescas. Havia uma quietude respeitosa naquele cômodo, como se tudo ali soubesse que qualquer ruído mais alto poderia quebrar um equilíbrio tênue.Renzo mexia o café devagar, o olhar fixo na xícara. Vestia uma camisa preta de tecido fino, os cabelos ainda levemente úmidos, como se tivesse vindo direto do banho. Madison, à sua frente, mantinha os ombros relaxados, mas os olhos atentos. Ela já reconhecia a tensão nos pequenos gestos dele — o silêncio denso, os olhares demorados demais.— Dormiu bem? — ele perguntou, com a voz rouca da manhã.— Sim — respondeu, desviando o olhar para
O relógio marcava quase seis da tarde quando Renzo voltou ao seu escritório no andar térreo da mansão. O sol dourado invadia o cômodo pelas grandes janelas, tocando os móveis escuros com um brilho suave. O ambiente exalava ordem e poder: estantes cheias de livros jurídicos, obras de arte discretas nas paredes, e sobre a mesa, uma pilha de documentos exigia sua atenção.Ele afrouxou o primeiro botão da camisa, jogou-se na poltrona de couro e pegou uma pasta marcada com um selo discreto — era a papelada de uma operação de transporte pelo porto de Trieste, cujos fiscais haviam exigido mais do que o costume para fechar os olhos. Renzo assinava, calculava, ajustava detalhes com uma precisão quase matemática. Era nisso que ele se sentia mais no controle: na administração do império que herdara — e expandira — com sangue, estratégia e disciplina.O celular vibrou sobre a mesa. Um número conhecido, porém raramente utilizado, acendeu a tela. Ele não precisou verificar quem era.Vitório Moretti







