FAZER LOGINMeia hora depois, paramos de brincar de vôlei. Carminha nos trouxe um suco de maracujá delicioso e uma dose de whisky para o senhor gostosão Ferri.
Meu patrão entregou o copo a Sophia e em seguida o meu, seus dedos deslizaram em minha na minha mão de uma forma demorada, um toque lento e quente. Ele não tirava os olhos dos meus, Deus do céu! Não consigo entender o que está acontecendo comigo, quando o assunto é o senhor Maurice, eu fico fora de órbita.Ouvi uma tosse e percebi que a pequena Sophia engasgou com o suco, a peguei rapidamente e saí da piscina com ela nos meus braços e de costas para mim, eu estava realizando a manobra de Heimlich Fiquei de joelhos atrás da Sophia e apoiei a lateral do meu pulso, quatro dedos acima do seu umbigo e apertei, na primeira vez não adiantou, percebi que o rostinho branco da Sophia estava vermelho e seus lábios ficando roxos.Tentei mais uma vez, ela tossiu e não obtive resultado, mas na terceira tentativa, ela ficou bem e sua tonalidade de pele foi voltando ao normal, seus lábios ficando rosados novamente. Foi um baque, já estava prestes a entrar em pânico.— Você está bem, Sosô?— Perguntei aliviada.— Estou Mel. — Ela respondeu, manhosamente, começou a chorar e eu a abracei.— Foi só um susto, princesa, não tenha medo, estou aqui. — Tentei amenizar.O senhor Maurice me observava estarrecido, sua expressão era de angústia. Meu patrão não conseguia dizer uma palavra sequer e seus lábios estavam pálidos.Quando percebeu que Sophia estava fora de perigo, se aproximou e pegou a filha dos meus braços, em um silêncio preocupante.A carregou até uma das espreguiçadeiras, em volta da piscina. Ele se sentou com a filha no colo e ela se aninhou no peito do pai, enquanto ele a abraçava forte, falava palavras de conforto.— Calmabprincesa, o papai está aqui, nunca vou te abandonar. Foi apenas um susto, papai te ama muito! — dizia, enquanto acariciava os cabelos da filha.Senti um medo imenso que acontecesse o pior com essa menina. Sophia ganhou um espaço especial em meu coração, desde a primeira vez que a vi, me encantei com ela. Lágrimas brotaram em meus olhos, sem aviso. Dei-me conta do estresse que acabei de vivenciar, meu corpo trêmulo avisa que o nível de adrenalina foi muito alto.Foi muitos anos da minha vida cuidando dos meus primos pequenos, aprendi muito com eles. Tenho sede de conhecimento, sempre gostei de ler. Eu tinha livros de primeiros socorros e tudo que precisava para mantê-los bem. E também tinha livros de receitas para comidas de bebês, mas o que realmente mandava, era a prática. Cada dia uma nova experiência, um novo aprendizado. Não tínhamos acesso à ‘internet’ com frequência, então os livros ajudaram bastante naquela época.— CARMINHA?Maurice a chamou e ela veio correndo. Ele entregou a filha adormecida a ela e pediu que a levasse para dentro. Levantei da borda da piscina, ia seguir a Carminha, no entanto, meu patrão me pediu para eu me sentar ao seu lado.— Muito obrigado, Melinda!Seus olhos assustados e brilhantes ao mesmo tempo, suplicavam por algo.***Maurice Ferri.— Desculpa por duvidar da sua capacidade, o emprego é seu. Você realmente sabe cuidar de uma criança. Fico tranquilo em saber que minha amada filha está em ótimas mãos.Ela sorri agradecida.— Sabe, Melinda, hoje pela manhã, eu vi em você uma mulher frágil, perdida, atrapalhada e fraca. Quem em sã consciência aparece em uma entrevista de emprego sem um currículo? Agora sei o quanto eu estava errado.— Está tudo bem, Maurice. — Eu precisava te testar, subestimar, precisava fazer o que fiz, você entende? Você foi escolhida para cuidar do meu bem mais precioso, minha jóia mais rara! Sophia é tudo o que eu tenho. Você me surpreendeu mostrando coragem, bravura, me enfrentou lutando por seu emprego.Riu ele, carismático, revelando dentes perfeitos.— Passou um pouco dos limites, mas no final, tudo deu certo.— Não precisa agradecer, senhor Maurice, esse é o meu trabalho! Além disso, eu já me apeguei a Sophia e por ela eu faria tudo novamente, espero não precisar é claro.Seu sotaque do interior me encanta, é diferente e ela tem uma voz que me traz calmaria e tempestade. — Se você quiser entrar para se trocar, pode ficar à vontade e, mais uma vez, obrigado! — Agradeceu levantando do seu assento.Observei Melinda sorrir e caminhar em direção à casa. Lindas curvas, pele maravilhosamente bronzeada, belíssima. Eu a observo, enquanto ela caminha para a área interna da casa, eu me perdi em pensamentos vendo aquele lindo corpo curvilíneo caminhar a minha frente.Não sei o que aconteceu comigo quando a Sophia engasgou. Fiquei estático. Nunca passei por isso e nunca imaginei assistir à minha princesa, correndo perigo. Não conseguia agir, literalmente, não consegui e isso está me incomodando muito!No entanto, Melinda tomou a frente de tudo, agiu rápido, tanto que não tive tempo de pensar. Enxerguei nos olhos dela, uma preocupação que nunca jamais vi nos olhos da Bárbara. Melinda se preocupou de verdade com o bem-estar da minha filha, e não só pela vaga de trabalho.Quando minha pequena respirou, nós três respiramos juntos. Melinda ofegava, acalmava minha filha, como se fosse dela também. Quando a chamei, olhei em seus olhos e vi que ela estava aliviada e emocionada, ela tremia tentando disfarçar, mas nada passa por mim sem ser muito bem registrado. Os olhos da linda revelam muito sobre ela.Estou muito satisfeito com a babá que minha "digníssima esposa" arranjou. Minha filha é muito carente do amor de mãe. Bárbara dá mais atenção às suas coleções de joias e sapatos, do que a filha. Isso é desumano, é uma covardia que eu não sei descrever e fui taxativo com ela com relação a isso que ela faz com a nossa filha."Não vejo a hora desse inferno acabar".Minha esposa é muito vazia, vive para viagens e esbanjar riquezas, não posso esquecer seu amante, ela é mesmo muito inocente se pensa que pode esconder algo de Maurice Ferri. Nada passa despercebido por mim, nada!***Era um dia muito importante. Eu teria duas visitas de empresários de diferentes empresas, donos de joalherias muito bem conceituadas. Eu iria fechar grandes negócios com eles e seria um passo muito grande e importante para Ferri's Gem, minha empresa que eu tanto me orgulho em ter reerguido com muito sacrifício.O empresário Robert Landsteiner, me enviou um contrato para comprar milhões em minhas joias e levar para sua nova joalheria no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro. Mohamed Hajime iria fechar um contrato para a compra de mais alguns milhões em jóias, para exportar ao Marrocos. O que seria incrível para a minha empresa.Mohamed trabalha com pedras preciosas, isso é maravilhoso, pois quando entrei no ramo das gemas, queria muito exportar e expandir meus negócios pelo mundo. Ele adorou as joias produzidas em minhas empresas. Como o mesmo diz, trabalhamos com os melhores em lapidações no mundo, as deixando com um toque especial e único!Quase na hora dos meus clientes chegarem na "Ferri's Gem", eu não encontrava minha pasta, não estava em lugar algum. Foi aí que me lembrei que, antes de sair de casa, fui até a cozinha comer algo e deixei minha pasta em cima da mesa, enquanto tomava o maravilhoso café que a Marlene, a antiga empregada, havia preparado muito bem. No fim das contas, acabei saindo sem minha pasta.Quando cheguei em minha casa, para buscar a bendita pasta, estranhei ver o carro do meu irmão estacionado em frente à entrada social. Não me lembro de tê-lo convidado e também não me informou que iria me visitar. Fiquei preocupado, pois, minha mãe não estava bem de saúde. Cheguei a pensar que algo ruim tivesse acontecido com ela e, meu querido irmão optasse por me falar pessoalmente.— Assassina!Continuo com mais tapas estalados em cada lado do seu rosto. Só pararia quando me cansasse, talvez a mandasse de volta para o hospital.— Saia de cima de mim, sua louca!Tapei sua boca com uma mão e a outra apontei o dedo na cara dela.— Cala a boca, vadia estúpida, você é um ser horrível. Toma mais essa por ter drogado meu namorado.A golpeei novamente com a mão fechada, me sentindo satisfeita ao ver seu veneno vermelho espirrar de seu nariz.— Pensa que tenho medo de você? Fique longe de nós ou eu te mato!Proferi segurando seus cabelos com força e meu rosto bem próximo ao dela.— Eu vou te destruir, Melinda!Ela se atreveu a cuspiu no meu rosto, o sangue que saia da sua boca e depois gargalhou diabolicamente.— Você está destruída, acabou para você, Amanda Vasconcelos.Eu estava cansada, mesmo assim acertei mais dois tapas fortes em seu rosto inchado e vermelho.— Melinda?A voz de Maurice soa atrás de mim.— Cadê minhas roupas?Olhei para trás e o vi fazendo uma caret
— Não posso, tenho que ir, Melinda está me esperando. E mais, não temos nada para comemorar.— Ora, é só um brinde não vai demorar e afinal de contas é uma despedida e você está livre de mim. Caminhou até uma pequena adega de bebidas e serviu duas taças. Veio até mim e entregou uma.Tomei todo o conteúdo da taça o mais rápido possível, não via a hora de sair dali. Deixei a mesma sobre a mesa e caminhei até a porta.Assim que pus os pés do lado de fora, senti meu estômago revirando e uma ardência estranha como nunca havia sentido. Ouvi Bárbara rindo e olhei para trás, enxergando tudo girar ao meu redor.— O que... O que você fez?Havia uma grande dificuldade para eu conseguir falar, senti meu corpo flutuar e minha língua adormecer. — Não será tão fácil, Maurice Ferri, eu não vou te deixar em paz, não assim tão rápido!— Eu vou te matar, Bárbara!Voltei para a parte interna da casa, cambaleando.— Vamos querido, vou te levar de volta para o seu quarto.Segurou meu braço e me apoiou e
Meu irmão nada respondeu, apenas acenou concordando e voltou para junto de nossa mãe. Conhecia bem meu irmão, o suficiente para saber que ele amava a Bárbara apesar de tudo. Estava ciente que ele iria sofrer com o que descobriria. Depois de me despedir de todos, deixei o hospital junto com minha namorada.— Estou louca por um banho.Melinda reclama no instante em que entramos em nosso apartamento.— Eu também.Fiquei parado, pensando em uma forma de convencê-la a me deixar ir em casa sozinho para conversar com a Bárbara.Já estava com a cabeça fria e sabendo que minha filha estava fora de perigo, me senti pronto para dar um fim na minha relação com minha ex-mulher, precisava garantir isso logo, ou ela iria continuar interferindo em minha vida.Após algum tempo convencendo Melinda a ir sozinho à casa da Bárbara, finalmente pude sair tranquilo. Esse assunto era nosso, teríamos que resolver e eu achei melhor que fosse apenas nós dois, conhecia bem minha ex-mulher.Trinta minutos foi o te
— Olá me chamo Cristiane Dutra, sou a enfermeira chefe, o médico teve outra emergência, eu vim no lugar dele para saber se conseguiram um doador. O quadro da paciente Sophia continua grave e ela precisa do sangue com urgência.Olhei para o Dalton, pois eu sabia que só ele poderia salvar a Sophia no momento. Apesar das diferenças, tínhamos que pensar somente nela.— Eu, eu sou...Dalton me olhou por um breve instante.— Sou o único com a mesma tipagem sanguínea.— Ótimo, me siga senhor Ferri.Meu irmão se levanta dando um pesado suspiro, cobrindo seu olho inchado e seguiu a enfermeira Cristiane.— Maurice, ela continua sendo sua filha, isso não vai mudar nada, eu não sabia. Dalton parou ao meu lado e disse antes de sair do local.Não respondo por não saber o que dizer ou fazer com ele naquele instante. Na verdade, eu estava perdido em medos e pensamentos. Medo por minha filha e pensando em como tudo isso aconteceu.— E essa moça, quem é Maurice?Laura perguntou, olhando para Melinda q
— Eu te amo Sophia, a tia Mel nunca mais vai te deixar sozinha, prometo.Sussurrei em seu ouvido, com a voz embargada por conta dos soluços, em seguida depositei um beijo em sua bochecha.— A senhorita terá que sair, vamos, os enfermeiros vão levá-la para o centro cirúrgico.Outra enfermeira aparece me tirando o chão, eu não queria sair de perto dela, mesmo assim obedeci. Saí da sala hesitante, em prantos e a todo momento olhando para trás. Meu corpo inteiro gritando de dor, queria não poder sair de perto dela.— Sabe me dizer onde fica a sala para coletas de sangue? Meu namorado está lá, eu preciso falar com ele.— Sim vamos, eu te mostro.Andamos pelos corredores e ao passar em frente a uma das portas que pela ironia do destino estava aberta, vi Bárbara e uma enfermeira fazendo um curativo em sua testa. Ela parecia estar chorando e sua saúde estava em perfeito estado. Mais uma vez: “desgraçada”. Finjo que não a vi e continuo andando junto com a moça simpática. Depois de dobrarmos d
Nervosa era a palavra certa para me definir naquele momento. Eu estava extremamente desconcertada, perdi todos os meus sentidos, o rostinho angelical daquela garotinha não me saía da cabeça. Tentei acompanhar Maurice com minhas pernas insistindo em fraquejar.O carro estava em um estado preocupante, o veículo estava todo amassado e com os vidros quebrados, por sorte parou com as rodas para baixo. Maurice abriu a porta rapidamente em busca da Sophia.— Ei, ei, pare! Você não pode mexer nas vítimas.O policial tentou impedir Maurice.— É minha filha e eu vou pegá-la!Meus soluços só aumentaram quando vi Sophia desacordada e suas roupas cobertas de sangue.Maurice caiu sobre os calcanhares, no chão, e sem forças com ela nos braços, chorando abraçado à filha.— Vamos Melinda, vou levá-la a um hospital.— A ambulância está chegando, pai.Mais uma vez o policial tenta impedi-lo e quando Maurice levantou, o socorro chegou no mesmo instante.Os paramédicos desceram do veículo rapidamente, pe







