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Yago Castilho

Author: Joy Lima
last update publish date: 2026-07-25 05:20:24

A feição da mulher mudou drasticamente, ganhando um ar de irritação e incredulidade. Finalmente... Contive um suspiro de alívio; afinal, eu não poderia demonstrar a ela nenhuma outra emoção que não fosse a mais completa impaciência e raiva. Acho que ela entendeu, e me dei palminhas nas costas mentalmente pelo meu êxito. Com os olhos marejados e um bico digno de qualquer birra infantil, ela virou de costas para mim, tirou minha camisa pela cabeça sem desabotoá-la e se enfiou dentro do vestido vermelho minúsculo. Antes de ir, olhou para mim novamente, virando-se completamente em minha direção, apontou o dedo para a minha cara e esbravejou. Achei que a maluca ia começar a espumar pela boca, é sério!

— Seu grosso, estúpido... Fique sabendo que eu FINGI o orgasmo! Em todas as vezes! Você não me merece. Nem pense em pedir meu telefone, porque eu não quero te ver nunca mais, mesmo que você implore!

Revirei os olhos mentalmente. Vai esperando, maluca... Até parece que eu ligaria. Prefiro virar monge!

Vendo que não arrancaria nenhuma reação de mim, ela pegou a bolsa que estava na cômoda perto da porta do banheiro, os sapatos de salto que estavam no chão ao lado da cama, empinou o nariz e saiu pisando duro pelo meu apartamento, fazendo o máximo de barulho possível. E eu pude, finalmente, respirar aliviado. Graças a Deus, meu refúgio estava seguro novamente. O estrondo da porta da sala batendo evidenciava isso, e eu quase fiz a dancinha da vitória em comemoração.

Depois da épica batalha e de vencer o monstro, desci até a garagem, peguei meu BMW i8 prata — meu neném precioso — e saí em disparada para a empresa. Afinal, a tal reunião "superimportante" era verdadeira e, além de ter que encarar meu pai, ainda teriam os velhotes do conselho para atazanar minha existência. Para esses velhos ranzinzas, nada basta, e eu sou apenas um playboyzinho com a linhagem sanguínea certa ocupando um lugar que não merece.

Tenho trinta e seis anos e assumi como CEO da Bebidas Castilho há exatos cinco meses, logo depois que meu pai teve um ataque cardíaco e quase morreu. O velho foi praticamente obrigado pelos médicos e pela minha mãe a desacelerar, e me passou o bastão. Acontece que, para esses "idosos fofinhos" do conselho, eu não passo de um "garoto" inconsequente que não merece a cadeira de CEO. Não, isso não é uma piada; alguns até me chamam de moleque quando querem me rebaixar. Tá bom, eu amo uma festa, gosto de beber e, acima de tudo, amo uma boa e apertada boceta — se for mais de uma, melhor ainda. Antes de assumir a empresa, a minha vida era essa, principalmente enquanto cursava Administração. Mas conheço a história dessa empresa, sei da importância dela para a minha família e para as famílias que dependem dela. Me preparei muito para o momento em que meu pai me daria a honra de administrar nosso legado e, quando assumi o cargo de CEO, me comprometi a fazer de tudo para que a Bebidas Castilho cresça e prospere. Quero que meu pai sinta orgulho do meu trabalho e do homem que me tornei.

Mas, primeiro, preciso convencer meu velho e as múmias caquéticas do conselho de que sou capaz, que mereço meu posto de CEO a longo prazo. E chegar atrasado a uma reunião não é o melhor caminho.

A reunião foi uma enorme bosta!

Os velhotes me pediram mais dados sobre os potenciais parceiros na Europa. Eu quase ri, porque só se eu incluir o tamanho, a cor e as marcas preferidas das roupas íntimas dos sócios e seus familiares para que tenhamos mais dados. Além de, claro, ter sido chamado de "garoto" zilhões de vezes, em cada mínima oportunidade, tudo para enfatizar o quanto eles me acham imaturo e irresponsável, nem um pouco digno da cadeira de CEO. Isso é uma grande merda... Mais uma vez, precisei engolir meu orgulho e praticar meu autocontrole, tudo para não esganar uma daquelas múmias. Meu consolo é que uma hora esse dia vai chegar e eu terei realmente o poder para calá-los. Eu vivo por esse momento.

Saí da reunião exausto e frustrado, mas, como desgraça pouca é bobagem, estou eu aqui coberto de café quente, que minha ilustre secretária fez o favor de derrubar. Caralho, essa porra queima!

Desisti de vez, recolhi minhas coisas e saí da minha sala, decidido a ir para casa me exilar. Cansei de dar sorte para o meu azar, que hoje está de parabéns.

— Solange, cancele meus compromissos. Não retorno mais hoje.

Solange é minha secretária. Geralmente ela é bem eficiente: uma senhora na casa dos quarenta e poucos anos, bem-humorada, organizada e profissional, mãe de família que me trata super bem, mas que hoje me tirou do sério com o banho de café quente com o qual me presenteou. Tamanha a minha irritação que nem me dei ao trabalho de esperar sua resposta. Saí em disparada — ardência dos infernos! Peguei o elevador privativo e fui direto para a garagem pegar meu BMW e partir de volta para o meu refúgio, que agora está livre de malucas.

Durante o percurso, meu telefone toca. Pelo painel do carro, vi que era Thiago, um dos meus melhores amigos e diretor financeiro da Bebidas Castilho. Ou seja: ceder à vontade absurda de não atender seria motivo dobrado para escutar xingamentos dos quais ele não me pouparia, ainda mais se fosse algo relacionado à empresa. Além do que o homem é insistente, não vai me deixar em paz, isso é fato.

— Oi, Thiago. Estou no carro, indo para casa. Espero que não sejam mais problemas — disparei assim que atendi a ligação, com meu melhor ar dramático ativado.

O idiota gargalha alto:

— Ui, ele está irritadinho... Mas convenhamos, como é bom ser o chefe! Indo para casa durante a semana e nem são três da tarde ainda. Um dia eu chego lá. — Ele suspira como se fosse um sonho, todo trabalhado no deboche e na falsidade, já que, se ele quisesse realmente ser o CEO da própria empresa, não lhe faltariam recursos ou oportunidades. Era só abrir algo para si ou assumir os negócios da família.

— Thiago, não me enche, cara. Meu dia foi uma sucessão de merdas, a reunião foi aquela porcaria que você presenciou de camarote e, para ajudar, a Solange me deu um puta banho de café quente. Eu estou irritado, frustrado, sujo e queimado, então não me torra a paciência, estou no meu limite aqui!

Sim, cada palavra foi dita aos berros, no meio do trânsito, dentro do carro. Se alguém visse a cena, acharia que enlouqueci de vez.

— Caramba, Yago, foi mal, cara. Não sabia que a princesa estava tão sensível hoje. Era zoeira, prometo não te azucrinar mais enquanto sua TPM não passar, tá bom, miguxo? Mas, mudando de assunto, só liguei para lembrar que hoje é a inauguração da Nova Era, e a Sophia faz questão que você e o Rafael estejam lá.

Mais essa. Eu tinha me esquecido da tal inauguração. Nova Era é uma boate nova e a proprietária é namorada do Thiago. Essa garota pegou meu amigo pelas bolas, nunca vi ele tão dedicado a uma mulher antes. Estou bem sem paciência, mas, pensando melhor, hoje é sexta-feira: bebida, mulheres bonitas, festa, música... essa é definitivamente uma boa combinação, e eu estou precisando mesmo exorcizar esse dia.

— Tinha me esquecido disso, cara, mas é claro que eu vou. A gente se encontra lá que horas, castrado? — pergunto, já me sentindo um pouco mais animado.

— Castrado é o seu cu, Yago! E a gente se encontra às vinte e três horas. Eu espero vocês... Vou mais cedo, preciso cuidar da minha garota! — Era nítido o sorriso na voz do cara. Ele nem discute tanto mais quando o chamo de castrado; afinal, só estou constatando um fato. Perdemos o guerreiro, esse foi abatido com sucesso.

— Cara, você está muito fodido, bem cadelinha. Essa Sophia te pegou de jeito — gargalho alto ao telefone, porque saber que meu amigo foi dominado me deixa contente. Estou zoando, mas vê-lo feliz me faz muito bem.

— Ah... Foda-se. Sua hora vai chegar e eu vou estar aqui, bebendo um uísque e rindo da sua cara de bosta.

O cara me rogou uma praga, que filho da puta! Parei de rir na hora. Para mim isso é assunto sério: só de pensar em amar, meu estômago dá um nó que uísque caro nenhum consegue desatar. A última vez que deixei alguém se aproximar o suficiente, o rombo foi grande demais para me arriscar novamente.

— Você sabe que desse inferno já tive minha cota. Nunca mais mulher nenhuma vai me pegar dessa forma.

Ele fica quieto por alguns instantes; sabe que estou falando sério, que meu coração nunca mais vai cair nessa armadilha que chamam de amor. Mesmo assim, o imbecil responde reforçando o mau agouro:

— Veremos! — Encerra a ligação sem nem ao menos me dar tempo de xingá-lo de filho da puta.

Mas eis aqui uma promessa que reforço sempre: nunca mais mulher nenhuma vai ter espaço em meu coração. Eu aprendi minha lição!

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