FAZER LOGINA feição da mulher mudou drasticamente, ganhando um ar de irritação e incredulidade. Finalmente... Contive um suspiro de alívio; afinal, eu não poderia demonstrar a ela nenhuma outra emoção que não fosse a mais completa impaciência e raiva. Acho que ela entendeu, e me dei palminhas nas costas mentalmente pelo meu êxito. Com os olhos marejados e um bico digno de qualquer birra infantil, ela virou de costas para mim, tirou minha camisa pela cabeça sem desabotoá-la e se enfiou dentro do vestido vermelho minúsculo. Antes de ir, olhou para mim novamente, virando-se completamente em minha direção, apontou o dedo para a minha cara e esbravejou. Achei que a maluca ia começar a espumar pela boca, é sério!
— Seu grosso, estúpido... Fique sabendo que eu FINGI o orgasmo! Em todas as vezes! Você não me merece. Nem pense em pedir meu telefone, porque eu não quero te ver nunca mais, mesmo que você implore! Revirei os olhos mentalmente. Vai esperando, maluca... Até parece que eu ligaria. Prefiro virar monge! Vendo que não arrancaria nenhuma reação de mim, ela pegou a bolsa que estava na cômoda perto da porta do banheiro, os sapatos de salto que estavam no chão ao lado da cama, empinou o nariz e saiu pisando duro pelo meu apartamento, fazendo o máximo de barulho possível. E eu pude, finalmente, respirar aliviado. Graças a Deus, meu refúgio estava seguro novamente. O estrondo da porta da sala batendo evidenciava isso, e eu quase fiz a dancinha da vitória em comemoração. Depois da épica batalha e de vencer o monstro, desci até a garagem, peguei meu BMW i8 prata — meu neném precioso — e saí em disparada para a empresa. Afinal, a tal reunião "superimportante" era verdadeira e, além de ter que encarar meu pai, ainda teriam os velhotes do conselho para atazanar minha existência. Para esses velhos ranzinzas, nada basta, e eu sou apenas um playboyzinho com a linhagem sanguínea certa ocupando um lugar que não merece. Tenho trinta e seis anos e assumi como CEO da Bebidas Castilho há exatos cinco meses, logo depois que meu pai teve um ataque cardíaco e quase morreu. O velho foi praticamente obrigado pelos médicos e pela minha mãe a desacelerar, e me passou o bastão. Acontece que, para esses "idosos fofinhos" do conselho, eu não passo de um "garoto" inconsequente que não merece a cadeira de CEO. Não, isso não é uma piada; alguns até me chamam de moleque quando querem me rebaixar. Tá bom, eu amo uma festa, gosto de beber e, acima de tudo, amo uma boa e apertada boceta — se for mais de uma, melhor ainda. Antes de assumir a empresa, a minha vida era essa, principalmente enquanto cursava Administração. Mas conheço a história dessa empresa, sei da importância dela para a minha família e para as famílias que dependem dela. Me preparei muito para o momento em que meu pai me daria a honra de administrar nosso legado e, quando assumi o cargo de CEO, me comprometi a fazer de tudo para que a Bebidas Castilho cresça e prospere. Quero que meu pai sinta orgulho do meu trabalho e do homem que me tornei. Mas, primeiro, preciso convencer meu velho e as múmias caquéticas do conselho de que sou capaz, que mereço meu posto de CEO a longo prazo. E chegar atrasado a uma reunião não é o melhor caminho. A reunião foi uma enorme bosta! Os velhotes me pediram mais dados sobre os potenciais parceiros na Europa. Eu quase ri, porque só se eu incluir o tamanho, a cor e as marcas preferidas das roupas íntimas dos sócios e seus familiares para que tenhamos mais dados. Além de, claro, ter sido chamado de "garoto" zilhões de vezes, em cada mínima oportunidade, tudo para enfatizar o quanto eles me acham imaturo e irresponsável, nem um pouco digno da cadeira de CEO. Isso é uma grande merda... Mais uma vez, precisei engolir meu orgulho e praticar meu autocontrole, tudo para não esganar uma daquelas múmias. Meu consolo é que uma hora esse dia vai chegar e eu terei realmente o poder para calá-los. Eu vivo por esse momento. Saí da reunião exausto e frustrado, mas, como desgraça pouca é bobagem, estou eu aqui coberto de café quente, que minha ilustre secretária fez o favor de derrubar. Caralho, essa porra queima! Desisti de vez, recolhi minhas coisas e saí da minha sala, decidido a ir para casa me exilar. Cansei de dar sorte para o meu azar, que hoje está de parabéns. — Solange, cancele meus compromissos. Não retorno mais hoje. Solange é minha secretária. Geralmente ela é bem eficiente: uma senhora na casa dos quarenta e poucos anos, bem-humorada, organizada e profissional, mãe de família que me trata super bem, mas que hoje me tirou do sério com o banho de café quente com o qual me presenteou. Tamanha a minha irritação que nem me dei ao trabalho de esperar sua resposta. Saí em disparada — ardência dos infernos! Peguei o elevador privativo e fui direto para a garagem pegar meu BMW e partir de volta para o meu refúgio, que agora está livre de malucas. Durante o percurso, meu telefone toca. Pelo painel do carro, vi que era Thiago, um dos meus melhores amigos e diretor financeiro da Bebidas Castilho. Ou seja: ceder à vontade absurda de não atender seria motivo dobrado para escutar xingamentos dos quais ele não me pouparia, ainda mais se fosse algo relacionado à empresa. Além do que o homem é insistente, não vai me deixar em paz, isso é fato. — Oi, Thiago. Estou no carro, indo para casa. Espero que não sejam mais problemas — disparei assim que atendi a ligação, com meu melhor ar dramático ativado. O idiota gargalha alto: — Ui, ele está irritadinho... Mas convenhamos, como é bom ser o chefe! Indo para casa durante a semana e nem são três da tarde ainda. Um dia eu chego lá. — Ele suspira como se fosse um sonho, todo trabalhado no deboche e na falsidade, já que, se ele quisesse realmente ser o CEO da própria empresa, não lhe faltariam recursos ou oportunidades. Era só abrir algo para si ou assumir os negócios da família. — Thiago, não me enche, cara. Meu dia foi uma sucessão de merdas, a reunião foi aquela porcaria que você presenciou de camarote e, para ajudar, a Solange me deu um puta banho de café quente. Eu estou irritado, frustrado, sujo e queimado, então não me torra a paciência, estou no meu limite aqui! Sim, cada palavra foi dita aos berros, no meio do trânsito, dentro do carro. Se alguém visse a cena, acharia que enlouqueci de vez. — Caramba, Yago, foi mal, cara. Não sabia que a princesa estava tão sensível hoje. Era zoeira, prometo não te azucrinar mais enquanto sua TPM não passar, tá bom, miguxo? Mas, mudando de assunto, só liguei para lembrar que hoje é a inauguração da Nova Era, e a Sophia faz questão que você e o Rafael estejam lá. Mais essa. Eu tinha me esquecido da tal inauguração. Nova Era é uma boate nova e a proprietária é namorada do Thiago. Essa garota pegou meu amigo pelas bolas, nunca vi ele tão dedicado a uma mulher antes. Estou bem sem paciência, mas, pensando melhor, hoje é sexta-feira: bebida, mulheres bonitas, festa, música... essa é definitivamente uma boa combinação, e eu estou precisando mesmo exorcizar esse dia. — Tinha me esquecido disso, cara, mas é claro que eu vou. A gente se encontra lá que horas, castrado? — pergunto, já me sentindo um pouco mais animado. — Castrado é o seu cu, Yago! E a gente se encontra às vinte e três horas. Eu espero vocês... Vou mais cedo, preciso cuidar da minha garota! — Era nítido o sorriso na voz do cara. Ele nem discute tanto mais quando o chamo de castrado; afinal, só estou constatando um fato. Perdemos o guerreiro, esse foi abatido com sucesso. — Cara, você está muito fodido, bem cadelinha. Essa Sophia te pegou de jeito — gargalho alto ao telefone, porque saber que meu amigo foi dominado me deixa contente. Estou zoando, mas vê-lo feliz me faz muito bem. — Ah... Foda-se. Sua hora vai chegar e eu vou estar aqui, bebendo um uísque e rindo da sua cara de bosta. O cara me rogou uma praga, que filho da puta! Parei de rir na hora. Para mim isso é assunto sério: só de pensar em amar, meu estômago dá um nó que uísque caro nenhum consegue desatar. A última vez que deixei alguém se aproximar o suficiente, o rombo foi grande demais para me arriscar novamente. — Você sabe que desse inferno já tive minha cota. Nunca mais mulher nenhuma vai me pegar dessa forma. Ele fica quieto por alguns instantes; sabe que estou falando sério, que meu coração nunca mais vai cair nessa armadilha que chamam de amor. Mesmo assim, o imbecil responde reforçando o mau agouro: — Veremos! — Encerra a ligação sem nem ao menos me dar tempo de xingá-lo de filho da puta. Mas eis aqui uma promessa que reforço sempre: nunca mais mulher nenhuma vai ter espaço em meu coração. Eu aprendi minha lição!Depois do sexo mais alucinante da minha vida, acabei dormindo no chão com a minha garota em meus braços. Não sei ao certo quanto tempo passou, mas desperto assustado com o barulho da porta se abrindo e um grito estridente de mulher:— Putz, Panda, eu vi o pipi do seu amigo! — A voz é aguda e alta. — Na verdade, Panda nada, esquece o que eu falei, porque eu ainda tô com raiva de você!— Porra, amor... Eu te falei para não entrar assim sem avisar, e agora como é que vou apagar essa cena de merda da sua cabeça? E eu sou seu Panda sim, senhora, já te expliquei tudo, porra, me perdoa logo, minha nanica!Olho assustado e ainda completamente atordoado por ter acabado de acordar, e vejo — bloqueando a porta de entrada do apartamento, a uns três metros da gente — Thiago com a cara do mais puro ódio, me encarando enquanto tenta insistentemente tapar os olhos de Sophia com as mãos, empurrando-a contra o próprio peito. A loirinha desmiolada tenta, sem sucesso, se desvencilhar dele e abaixar se
Anton afasta o homem de mim. Imediatamente, como uma criança birrenta, Yago entra no meio de nós dois, tapando minha visão daquele que sai porta afora com o sócio, indo embora de nossas vidas.Assim que a porta se fecha, Yago vira-se para mim e estende a mão de cara amarrada. Levanto uma sobrancelha, sem entender ao certo o que ele quer com a mão estendida.— Me dá logo, Ailim! — Ele exige, sabe-se Deus lá o quê.— Me dá o quê, Yago? Seja mais claro, porque minha bola de cristal pifou, homem.Cruzo os braços, observando o insano na minha frente.— Eu quero a porcaria do cartão de visitas daquele brutamontes sem noção, porque nem fodendo que você vai salvar o telefone dele na sua agenda!Ele responde irritado, me deixando ainda mais incrédula. É brincadeira, só pode ser brincadeira! Mas se ele quer esse joguinho, bom... que aguente as consequências. Disposta a infernizá-lo, faço uma cara de desdém, com um sorriso de canto de boca e olhar comprimido.— Nem pensar, Castilho... Ele
Depois de todo o inferno, finalmente minha ficha começa a cair. Acabou! Dante está morto e nunca mais será capaz de fazer mal a ninguém. O mais estranho é o vazio que estou sentindo; é como se um pedaço de mim tivesse sido arrancado. O pedaço da vingança. Foi por causa dele que decidi entrar para a polícia, por causa dele estudei direito, por causa dele me moldei na mulher e na profissional que sou hoje. E agora ele simplesmente não existe mais. O sentimento que tenho é o de que perdi meu propósito, e isso é uma insanidade. Eu deveria estar radiante, feliz por tê-lo feito pagar por tudo o que fez, mas estou me sentindo um monstro por não conseguir sentir isso.Não, eu não me culpo por tê-lo matado; se não fosse ele, seria eu. Também ainda não consegui pensar em como farei a respeito de toda essa bagunça. Não podemos esquecer que sou uma delegada e, mesmo que tudo tenha ocorrido fora das vistas de outros policiais, o asqueroso estava diretamente envolvido com casos que investigamos, a
Ainda segurando seus cabelos, inclino seu pescoço para o lado, expondo a pele clara salpicada de pintinhas fascinantes. Chupo e mordo com força, marcando-a como minha, enquanto minha outra mão localiza seu mamilo, pinçando-o com a ponta dos dedos até arrancar dela um gemido alto e um rosnado de puro prazer.A coisa toda vira uma batalha campal: ela me bate, eu a mordo; ela me masturba, eu a beijo; ela me empurra, eu a puxo de volta, até que o banheiro parece pequeno demais para a nossa insanidade.Pego-a no colo, arrastando-nos para fora do box em direção ao quarto. Foda-se a água espalhada pelo chão ou o chuveiro que continua aberto; eu a quero sem freios nem limitações.Solto-a no centro do colchão apenas o suficiente para contemplá-la dos pés à cabeça. Molhada, descabelada, com os lábios inchados e a pele corada pelas marcas que deixei, ela é deslumbrante — uma verdadeira deusa do caos. Minha tentação, meu tormento.Ela retribui o olhar, devorando cada centímetro do meu corpo o
— Filha de uma puta! Você não vai sair viva daqui, sua vadiazinha! — A voz masculina grita. Não vejo o rosto, mas nem preciso: é Duran que nos ataca.— Você não sabe mesmo a hora de parar, não é, Dante? — Ela retruca com fúria, movendo-se com agilidade pela penumbra. Tento segui-la, mas James me bloqueia com um gesto silencioso.Duran está nitidamente transtornado. A insanidade brilha em seus olhos — o olhar de quem não tem absolutamente nada a perder. Antes que ele possa alinhar a mira, o estampido seco de um único disparo corta o ar. É ela. Ailim atirou direto no peito, sem darle chance de defesa.Vejo o queixo dela tremer antes de desabar de joelhos. Corro até lá e a envolvo nos braços, disposto a protegê-la quantas vezes forem necessárias.— Acabou, minha ruiva. Acabou... — sussurro em seu ouvido, apertando-a contra mim.— Eu o matei, Yago! — Ela não chora mais, mas sua voz é um fiapo de som, como se verbalizar aquilo doesse demais.— Você precisou matá-lo. Ele nunca iria pa
— Que seja, então, mas o senhor fará tudo o que mandarmos e não vai se pôr em risco. Ela é nossa prioridade, e não teremos tempo para ser babás de ninguém. Estamos entendidos?— Vai se foder, Anton. Ela é quem importa.— Vou passar as coordenadas ao James. Venha com ele; nos encontramos em duas horas no local.Dito isso, ele desliga a chamada. Olho para os meus amigos, que nem precisam dizer nada, pois já estão se organizando e sei que virão conosco. James é o único que não parece animado com isso e sai resmungando em inglês, como se nós não fôssemos capazes de entender essa merda.Menos de cinco minutos depois, estamos os quatro em um jipe indo em direção ao endereço — uma área industrial antiga a cerca de duas horas de distância de onde estamos. A noite já caiu e minha apreensão só aumenta. A mensagem que Duran havia prometido mandar com o endereço para a entrega do dinheiro nunca chegou, o que me deixa ainda mais sobressaltado. O que aconteceu para que ele não fizesse contato?







