FAZER LOGINQuando finalmente encontro, a fila está enorme! Nota mental: preciso falar para a Sophia que ela precisa de mais banheiros neste lugar. E, meus amigos... O momento é de calamidade! Sabe aquele segundo em que seu cérebro identifica que está perto do banheiro, manda um estímulo para sua bexiga avisando que chegou a hora, e ela berra para você que precisa esvaziar?! Então: esse é o momento atual. Não vai dar para enfrentar esta fila quilométrica sem pagar vexame. Sendo assim, saio em busca de outra solução: um lugar onde eu possa esvaziar minha pobre bexiga desesperada.
Depois de virar em alguns corredores, descer algumas escadas e seguir caminho indo para os fundos da boate, acabo encontrando uma saída alternativa. Não penso duas vezes e saio pela porta nos fundos da Nova Era, tomando o cuidado de escorar uma planta na porta para mantê-la aberta. Agradeço aos céus por ser homem. Temos nossas vantagens: mijar em pé e em qualquer lugar com toda certeza é uma delas. Como diria Bill Gates, "você não precisa ser o mais inteligente, mas precisa saber aproveitar as oportunidades". E eu sou um homem que aproveita sempre as oportunidades com que o universo me presenteia. Saio quase desesperado em um beco. Ali tem algumas caixas de bebidas vazias e contêineres de lixo. O cheiro não é dos melhores, mas vai servir; o momento pede urgência, meu povo. Me posiciono atrás de uma das lixeiras, escolho a mais perto da porta, mas que conta com uma escuridãozinha pertinente que o momento pede, tiro meu garotão para fora da calça e o alívio é quase instantâneo. Aquele suspiro de "ufa" que vem da alma... Eu soltei um desses. Mijar é libertador! Eu amo mijar! Estou quase terminando, com aquele sorriso de quem está muito aliviado estampado na face, eis que escuto algumas vozes se aproximando e, por muito pouco, no susto, quase me molho todo de mijo. Mijar em local público é atentado ao pudor, e eu não quero nem posso ser preso — imaginem só os velhotes do conselho munidos de algo assim? Deus me livre, eu estaria frito! Me recomponho com pressa para sair dali. As vozes que escuto parecem alteradas, mas não consigo entender muito bem o que falam. Ah... Dane-se. Eu não tenho nada com isso e preciso sair daqui, já estou bêbado e sem paciência. Me dirijo para a porta, com intenção de voltar para a festa, mas, quando estou para abri-la, escuto um grito apavorado de homem que parece ainda mais próximo. — Não atira, por favor! — Eu congelo no lugar. — Eu juro, eu vou pagar seu chefe, só preciso de mais alguns dias! Depois disso, o dinheiro vai estar nas mãos de vocês. Eu juro, porra! Uma segunda voz, também masculina, vem logo em seguida, acelerando ainda mais meus batimentos cardíacos: — Seu prazo acabou, mauricinho. Não pagou sua dívida com dinheiro, vai pagar com sangue. Você tinha sido avisado. Achou que era brincadeirinha? Mal-acostumado com a vida mansa, brincou com as pessoas erradas, imbecil. E manda sua vagabunda calar a porra da boca, que eu não tô com saco pra essa choradeira. — A voz é sarcástica e ríspida, mas parece se divertir. Ok... A porra parece bem séria. Por isso, obrigo meu corpo a reagir e me escondo atrás de algumas das caixas empilhadas. Tento ver o que está acontecendo. A alguns metros de distância, vejo um casal ajoelhado e com as mãos para cima, em uma posição defensiva. A moça está com um vestidinho curto e vermelho; o homem veste calças, e a camisa branca parece estar aberta. Na frente deles, em pé, há um homem grande, loiro e muito musculoso, vestido com um terno preto. Ele aponta uma arma para o casal e sorri, nitidamente se divertindo com o pavor dos dois. A mulher, de cabelos negros e curtos, chora desesperadamente enquanto balança a cabeça. O cara ajoelhado me parece familiar. Aperto os olhos tentando focar melhor, já que minha visão está meio desfocada... Eu conheço esse cara! Forço um pouco mais a memória e... caralho... Eu conheço esse idiota mesmo! Não, nós não somos amigos nem nada do tipo, mas sei quem ele é. A família dele é dona de alguns hotéis em São Paulo e já tive o desprazer da companhia dele. O cara vive de gastar o dinheiro da família, adora uma aposta, vive em farras e, pelo jeito, se meteu em uma puta enrascada desta vez. Alexandre Matos: esse é o nome dele. Acho que ele está tentando argumentar ou, pelo menos, atrasar o grandalhão armado. Ele tenta passar uma segurança que a voz levemente falhada denuncia não existir. — Fala pro Malfoy que eu vou pagar, me dê até amanhã! Vocês conhecem minha família, sabem que eu posso pagar! — É... Senhoras e senhores, é oficial: Alexandre está nitidamente desesperado. — Seu prazo acabou três meses atrás. Agora você vai morrer pra servir de exemplo. Não se brinca com a Sonser. — Mas que porra é essa de Sonser?, eu me pergunto. — E eu adoro exemplos! O cara gargalha e dispara um tiro com o revólver. Logo em seguida, Alexandre cai. A mulher grita desesperadamente em meio ao choro, levanta-se e tenta correr. O tal pistoleiro, na maior calma, aponta a arma para as costas da mulher e atira — são dois disparos desta vez, e ela cai no chão com o rosto virado para baixo. Ele passa pelo corpo de Alexandre e cospe nele, chamando-o de lixo imundo. Foi tudo muito rápido. E eu? Se eu não tivesse mijado agorinha, com toda certeza teria feito isso nas minhas calças. Merda, merda, merda! Eu preciso sair daqui. Pensa, Yago, pensa, cara... Enquanto tento pensar, apavorado, nem percebo que me movi e, como nada é tão ruim que não possa piorar, eu tropeço nas caixas, que caem. Pra variar, sortudo que só eu, as caixas estavam cheias de garrafas e o barulho delas se quebrando chama a atenção do assassino. É oficial: eu tomei no cu. Maldita hora pra sair pra mijar... Só pode ser castigo! Prometo a Deus, Odin, Alá e a todos os deuses e santos que, se eu sair vivo dessa, nunca mais mijo em lugares públicos. Acho que nem vou mais mijar! Fodeu! O cara me viu. Cacete, é sério: ele nem pensa, só aponta aquela arma do caralho na minha direção, diretamente pra mim! Eu sou jovem demais pra morrer e já constatei que o infeliz é bom de mira, então nem com ele errando eu posso contar. Me viro e saio correndo rumo à porta atrás de mim; é minha única saída possível. Pulo como se fosse um gato e corro para dentro da boate, me esquecendo completamente de fechar a merda da porta. Vai que eu paro pra tirar a plantinha da porta e o infeliz me mata? Só consigo pensar que não quero morrer.Depois do sexo mais alucinante da minha vida, acabei dormindo no chão com a minha garota em meus braços. Não sei ao certo quanto tempo passou, mas desperto assustado com o barulho da porta se abrindo e um grito estridente de mulher:— Putz, Panda, eu vi o pipi do seu amigo! — A voz é aguda e alta. — Na verdade, Panda nada, esquece o que eu falei, porque eu ainda tô com raiva de você!— Porra, amor... Eu te falei para não entrar assim sem avisar, e agora como é que vou apagar essa cena de merda da sua cabeça? E eu sou seu Panda sim, senhora, já te expliquei tudo, porra, me perdoa logo, minha nanica!Olho assustado e ainda completamente atordoado por ter acabado de acordar, e vejo — bloqueando a porta de entrada do apartamento, a uns três metros da gente — Thiago com a cara do mais puro ódio, me encarando enquanto tenta insistentemente tapar os olhos de Sophia com as mãos, empurrando-a contra o próprio peito. A loirinha desmiolada tenta, sem sucesso, se desvencilhar dele e abaixar se
Anton afasta o homem de mim. Imediatamente, como uma criança birrenta, Yago entra no meio de nós dois, tapando minha visão daquele que sai porta afora com o sócio, indo embora de nossas vidas.Assim que a porta se fecha, Yago vira-se para mim e estende a mão de cara amarrada. Levanto uma sobrancelha, sem entender ao certo o que ele quer com a mão estendida.— Me dá logo, Ailim! — Ele exige, sabe-se Deus lá o quê.— Me dá o quê, Yago? Seja mais claro, porque minha bola de cristal pifou, homem.Cruzo os braços, observando o insano na minha frente.— Eu quero a porcaria do cartão de visitas daquele brutamontes sem noção, porque nem fodendo que você vai salvar o telefone dele na sua agenda!Ele responde irritado, me deixando ainda mais incrédula. É brincadeira, só pode ser brincadeira! Mas se ele quer esse joguinho, bom... que aguente as consequências. Disposta a infernizá-lo, faço uma cara de desdém, com um sorriso de canto de boca e olhar comprimido.— Nem pensar, Castilho... Ele
Depois de todo o inferno, finalmente minha ficha começa a cair. Acabou! Dante está morto e nunca mais será capaz de fazer mal a ninguém. O mais estranho é o vazio que estou sentindo; é como se um pedaço de mim tivesse sido arrancado. O pedaço da vingança. Foi por causa dele que decidi entrar para a polícia, por causa dele estudei direito, por causa dele me moldei na mulher e na profissional que sou hoje. E agora ele simplesmente não existe mais. O sentimento que tenho é o de que perdi meu propósito, e isso é uma insanidade. Eu deveria estar radiante, feliz por tê-lo feito pagar por tudo o que fez, mas estou me sentindo um monstro por não conseguir sentir isso.Não, eu não me culpo por tê-lo matado; se não fosse ele, seria eu. Também ainda não consegui pensar em como farei a respeito de toda essa bagunça. Não podemos esquecer que sou uma delegada e, mesmo que tudo tenha ocorrido fora das vistas de outros policiais, o asqueroso estava diretamente envolvido com casos que investigamos, a
Ainda segurando seus cabelos, inclino seu pescoço para o lado, expondo a pele clara salpicada de pintinhas fascinantes. Chupo e mordo com força, marcando-a como minha, enquanto minha outra mão localiza seu mamilo, pinçando-o com a ponta dos dedos até arrancar dela um gemido alto e um rosnado de puro prazer.A coisa toda vira uma batalha campal: ela me bate, eu a mordo; ela me masturba, eu a beijo; ela me empurra, eu a puxo de volta, até que o banheiro parece pequeno demais para a nossa insanidade.Pego-a no colo, arrastando-nos para fora do box em direção ao quarto. Foda-se a água espalhada pelo chão ou o chuveiro que continua aberto; eu a quero sem freios nem limitações.Solto-a no centro do colchão apenas o suficiente para contemplá-la dos pés à cabeça. Molhada, descabelada, com os lábios inchados e a pele corada pelas marcas que deixei, ela é deslumbrante — uma verdadeira deusa do caos. Minha tentação, meu tormento.Ela retribui o olhar, devorando cada centímetro do meu corpo o
— Filha de uma puta! Você não vai sair viva daqui, sua vadiazinha! — A voz masculina grita. Não vejo o rosto, mas nem preciso: é Duran que nos ataca.— Você não sabe mesmo a hora de parar, não é, Dante? — Ela retruca com fúria, movendo-se com agilidade pela penumbra. Tento segui-la, mas James me bloqueia com um gesto silencioso.Duran está nitidamente transtornado. A insanidade brilha em seus olhos — o olhar de quem não tem absolutamente nada a perder. Antes que ele possa alinhar a mira, o estampido seco de um único disparo corta o ar. É ela. Ailim atirou direto no peito, sem darle chance de defesa.Vejo o queixo dela tremer antes de desabar de joelhos. Corro até lá e a envolvo nos braços, disposto a protegê-la quantas vezes forem necessárias.— Acabou, minha ruiva. Acabou... — sussurro em seu ouvido, apertando-a contra mim.— Eu o matei, Yago! — Ela não chora mais, mas sua voz é um fiapo de som, como se verbalizar aquilo doesse demais.— Você precisou matá-lo. Ele nunca iria pa
— Que seja, então, mas o senhor fará tudo o que mandarmos e não vai se pôr em risco. Ela é nossa prioridade, e não teremos tempo para ser babás de ninguém. Estamos entendidos?— Vai se foder, Anton. Ela é quem importa.— Vou passar as coordenadas ao James. Venha com ele; nos encontramos em duas horas no local.Dito isso, ele desliga a chamada. Olho para os meus amigos, que nem precisam dizer nada, pois já estão se organizando e sei que virão conosco. James é o único que não parece animado com isso e sai resmungando em inglês, como se nós não fôssemos capazes de entender essa merda.Menos de cinco minutos depois, estamos os quatro em um jipe indo em direção ao endereço — uma área industrial antiga a cerca de duas horas de distância de onde estamos. A noite já caiu e minha apreensão só aumenta. A mensagem que Duran havia prometido mandar com o endereço para a entrega do dinheiro nunca chegou, o que me deixa ainda mais sobressaltado. O que aconteceu para que ele não fizesse contato?







