FAZER LOGINDesesperado, sei lá quanto tempo depois — cinquenta bilhões de lances de escada subidos —, viro em um dos corredores e dou de cara com alguém, quase derrubando a criatura diminuta no chão.
— Ai... Pra que a pressa?! — Escuto a voz feminina e queixosa, mas não consigo prestar atenção. Ela segura meu braço. — É você! Nossa, o Thiago estava te procurando. O que você está fazendo aqui? Está tudo bem? Você parece pálido! Merda, é a Sophia! Preciso tirar ela daqui antes que o assassino me ache. Mais uma vez sem pensar, puxo-a pelo braço e saio andando sem rumo; não tenho ideia de em que lugar da boate estamos. — Calma, Yago! Meu braço! Você está me machucando... Me larga, cara! — Percebo que ela está quase gritando enquanto tenta se soltar, mas eu nem ligo. A gente precisa sair daqui e é isso que digo pra ela: — A gente precisa sair daqui agora! Eu não quero morrer — murmuro, desta vez falando comigo mesmo. — Tá maluco?! O que você bebeu? — Ela está quase histérica sendo arrastada atrás de mim. — Sophia, eles estão mortos e ele vai me matar! Você está comigo, ele vai te matar também. A gente precisa sair daqui AGORA, PORRA! AGORA! Devo parecer um lunático, mas tô pouco me lixando. Depois ela me xinga o quanto quiser, agora eu só consigo pensar em sair daqui. Cadê a saída desse maldito lugar?! Vi duas pessoas serem mortas, pouco me importo se pareço maluco. Sophia resolve não colaborar com nossa fuga e trava as pernas, nos obrigando a parar. Mulher teimosa e forte dos infernos! Me viro pra ela completamente fora de mim. Se ela morrer, o Thiago me mata. Que bagunça! Eu só queria mijar... Quer saber? É tudo culpa dela! Se tivesse mais banheiros nessa espelunca, eu nunca teria visto nada. Desesperado, tento puxar Sophia novamente. Ela me olha confusa e suspira derrotada, deixando os ombros caírem. — Yago, do que você está falando? Quem está morto? Fala comigo! Eu respiro fundo e decido resumir — quem sabe assim ela colabora e a gente sai logo daqui: — Eu fui mijar lá fora e vi um cara matar duas pessoas. O cara me viu e eu corri pra cá, fugindo dele. Agora eu preciso sair daqui e você vem comigo, porque ele pode ter te visto e aí, em vez de eu morrer sozinho, ele vai matar nós dois! — Enquanto termino de falar, tento puxá-la novamente. — Merda! — ela xinga. Vejo no rosto dela quando entende pelo menos parte do que estou dizendo. A pequena gnoma loira se vira de costas e, pisando duro, sai me puxando na direção contrária à que eu pretendia ir. — Vem logo! Meu escritório é seguro e estamos perto. Estava esperando lágrimas e desespero da mulher, mas ela toma a forma de um pequeno furacão enquanto anda decidida pelo lugar. Logo me empurra por uma porta meio escondida e a fecha. O lugar é um escritório confortável, pequeno e... aff, as paredes são cor-de-rosa! Fala sério! — Agora me conta direito essa história maluca, Yago! — ela exige, com as mãos na cintura e extremamente séria. Não tem nem tamanho a criatura; se eu não estivesse tão desesperado, poderia rir dessa situação. Pensando bem, preciso me acalmar e planejar direito o que fazer. Ansioso, não consigo ficar parado, preciso me movimentar. Por isso, ando de um lado pro outro no escritório da Penélope Charmosa. Decido que é melhor falar logo o que aconteceu; afinal, há uma equipe de segurança aqui — inclusive aquela muralha da porta, o que era mudo. Ele é, com toda certeza, o cara certo pra esse momento. É com isso em mente que conto tudo para ela. Vejo a cara de choque tomar todo o rosto delicado mediante os detalhes. No final, ela me manda calar a boca e se sentar. Demora alguns segundos — acho que ela estava processando o que contei —, mas até que o HD da loirinha é rápido, pois logo ela pega o celular, que, pasmem, também é rosa! — O que você vai fazer? — questiono alarmado, não querendo envolver meu amigo nisso, mas esperançoso de que ela chame logo o segurança grandalhão. Sou fã do cara. — Xiu! — Com o indicador na boca, me manda ficar quieto. Petulante! A pessoa do outro lado logo atende, porque escuto Sophia questionar: — Onde você tá? — Faz uma pausa, acho que esperando a resposta da pessoa na linha. — Estou no meu escritório, vem pra cá agora. Preciso de você, é uma emergência — fala meio que choramingando. Ela respira fundo, desliga e me avisa que precisamos esperar. Estou tão esgotado que não consigo nem mesmo me manifestar ou perguntar pra quem ela ligou. Deve ser pro pessoal da segurança mesmo, só pode. Passados mais ou menos quinze minutos, alguém b**e na porta do escritório e eu fico alarmado. Sophia, que estava em silêncio sentada em uma das poltronas olhando para um ponto específico, levanta-se num sobressalto, extremamente ágil pra alguém tão pequena e com um salto tão alto. Logo ela abre a porta. Devo dizer que o que entra na sala definitivamente não é um dos seguranças da casa. E, meus amigos, o que é isso?! A mulher entra parecendo um terremoto de magnitude cinco. Deve se chamar Vênus, porque é simplesmente MARAVILHOSA — de longe a melhor visão que já tive na minha vida. Será que o cara me achou, atirou em mim, eu morri e tô no céu?! Fala sério, Deus, sou muito jovem, não posso ter morrido... Mas o que mais explicaria esse anjo na minha frente? Ou seria uma demônia?! Estou estático, não consigo me mexer. Uau... Ruiva, cabelos longos, curvas de tirar o fôlego de qualquer santo... E os olhos? Porra, que olhos lindos! Não podem ser reais, parecem duas fogueiras quentes como o inferno... É isso, eu morri. Preciso aceitar minha condição pra poder ir para o paraíso. Posso levar a ruiva comigo, Deus? Quando a deusa ruiva começa a falar com Sophia, entendo que não, eu não morri e a criatura é real. Obrigado, Senhor, estou vivo! E valeu por, depois da merda toda de hoje, me mandar esse presentão de vestido preto. Isso sim é que é reviravolta! — Sophia, você está bem? O que houve? — ela pergunta enquanto olha a amiga de cima a baixo, como se procurasse algum dano físico na loira. E devo dizer que a mulher fica cada vez melhor: voz rouca, sensual... Caralho, nem lembro por que estou aqui, mas se ela continuar falando, vou ter um orgasmo só com essa voz! — Eu estou bem, Ailim. — Opa! Temos um nome para a beldade: Ailim! — Mas, ao que parece, tenho péssimas notícias. — Sophia suspira, encolhe os ombros e olha pros pés antes de continuar: — Nem inaugurei direito e essa merda espirra na minha porta. Cacete, é muito azar! — Ela choraminga nos braços da ruiva. Parece uma criancinha indefesa, nem de longe se assemelha à mulher que me deu bronca agorinha depois de me arrastar até aqui. — O que houve? Sophia, desembucha logo, tô ficando mais preocupada... Sophia se vira na minha direção, me fazendo ser notado por Ailim que, até então, não tinha se dado ao trabalho de me olhar ali parado, com cara de idiota, babando nela. Ela não só me olha, ela me analisa. Me sinto sendo escaneado; eita que parece que ela está vendo a minha alma. Que calor, Deus! Quando os olhos dela se prendem aos meus, juro que sinto falta de ar. Meu coração acelera, acho que tô passando mal... Não morri de tiro, vou morrer de ataque cardíaco! Socorro! — Conta pra ela o que você me contou, Yago!Depois do sexo mais alucinante da minha vida, acabei dormindo no chão com a minha garota em meus braços. Não sei ao certo quanto tempo passou, mas desperto assustado com o barulho da porta se abrindo e um grito estridente de mulher:— Putz, Panda, eu vi o pipi do seu amigo! — A voz é aguda e alta. — Na verdade, Panda nada, esquece o que eu falei, porque eu ainda tô com raiva de você!— Porra, amor... Eu te falei para não entrar assim sem avisar, e agora como é que vou apagar essa cena de merda da sua cabeça? E eu sou seu Panda sim, senhora, já te expliquei tudo, porra, me perdoa logo, minha nanica!Olho assustado e ainda completamente atordoado por ter acabado de acordar, e vejo — bloqueando a porta de entrada do apartamento, a uns três metros da gente — Thiago com a cara do mais puro ódio, me encarando enquanto tenta insistentemente tapar os olhos de Sophia com as mãos, empurrando-a contra o próprio peito. A loirinha desmiolada tenta, sem sucesso, se desvencilhar dele e abaixar se
Anton afasta o homem de mim. Imediatamente, como uma criança birrenta, Yago entra no meio de nós dois, tapando minha visão daquele que sai porta afora com o sócio, indo embora de nossas vidas.Assim que a porta se fecha, Yago vira-se para mim e estende a mão de cara amarrada. Levanto uma sobrancelha, sem entender ao certo o que ele quer com a mão estendida.— Me dá logo, Ailim! — Ele exige, sabe-se Deus lá o quê.— Me dá o quê, Yago? Seja mais claro, porque minha bola de cristal pifou, homem.Cruzo os braços, observando o insano na minha frente.— Eu quero a porcaria do cartão de visitas daquele brutamontes sem noção, porque nem fodendo que você vai salvar o telefone dele na sua agenda!Ele responde irritado, me deixando ainda mais incrédula. É brincadeira, só pode ser brincadeira! Mas se ele quer esse joguinho, bom... que aguente as consequências. Disposta a infernizá-lo, faço uma cara de desdém, com um sorriso de canto de boca e olhar comprimido.— Nem pensar, Castilho... Ele
Depois de todo o inferno, finalmente minha ficha começa a cair. Acabou! Dante está morto e nunca mais será capaz de fazer mal a ninguém. O mais estranho é o vazio que estou sentindo; é como se um pedaço de mim tivesse sido arrancado. O pedaço da vingança. Foi por causa dele que decidi entrar para a polícia, por causa dele estudei direito, por causa dele me moldei na mulher e na profissional que sou hoje. E agora ele simplesmente não existe mais. O sentimento que tenho é o de que perdi meu propósito, e isso é uma insanidade. Eu deveria estar radiante, feliz por tê-lo feito pagar por tudo o que fez, mas estou me sentindo um monstro por não conseguir sentir isso.Não, eu não me culpo por tê-lo matado; se não fosse ele, seria eu. Também ainda não consegui pensar em como farei a respeito de toda essa bagunça. Não podemos esquecer que sou uma delegada e, mesmo que tudo tenha ocorrido fora das vistas de outros policiais, o asqueroso estava diretamente envolvido com casos que investigamos, a
Ainda segurando seus cabelos, inclino seu pescoço para o lado, expondo a pele clara salpicada de pintinhas fascinantes. Chupo e mordo com força, marcando-a como minha, enquanto minha outra mão localiza seu mamilo, pinçando-o com a ponta dos dedos até arrancar dela um gemido alto e um rosnado de puro prazer.A coisa toda vira uma batalha campal: ela me bate, eu a mordo; ela me masturba, eu a beijo; ela me empurra, eu a puxo de volta, até que o banheiro parece pequeno demais para a nossa insanidade.Pego-a no colo, arrastando-nos para fora do box em direção ao quarto. Foda-se a água espalhada pelo chão ou o chuveiro que continua aberto; eu a quero sem freios nem limitações.Solto-a no centro do colchão apenas o suficiente para contemplá-la dos pés à cabeça. Molhada, descabelada, com os lábios inchados e a pele corada pelas marcas que deixei, ela é deslumbrante — uma verdadeira deusa do caos. Minha tentação, meu tormento.Ela retribui o olhar, devorando cada centímetro do meu corpo o
— Filha de uma puta! Você não vai sair viva daqui, sua vadiazinha! — A voz masculina grita. Não vejo o rosto, mas nem preciso: é Duran que nos ataca.— Você não sabe mesmo a hora de parar, não é, Dante? — Ela retruca com fúria, movendo-se com agilidade pela penumbra. Tento segui-la, mas James me bloqueia com um gesto silencioso.Duran está nitidamente transtornado. A insanidade brilha em seus olhos — o olhar de quem não tem absolutamente nada a perder. Antes que ele possa alinhar a mira, o estampido seco de um único disparo corta o ar. É ela. Ailim atirou direto no peito, sem darle chance de defesa.Vejo o queixo dela tremer antes de desabar de joelhos. Corro até lá e a envolvo nos braços, disposto a protegê-la quantas vezes forem necessárias.— Acabou, minha ruiva. Acabou... — sussurro em seu ouvido, apertando-a contra mim.— Eu o matei, Yago! — Ela não chora mais, mas sua voz é um fiapo de som, como se verbalizar aquilo doesse demais.— Você precisou matá-lo. Ele nunca iria pa
— Que seja, então, mas o senhor fará tudo o que mandarmos e não vai se pôr em risco. Ela é nossa prioridade, e não teremos tempo para ser babás de ninguém. Estamos entendidos?— Vai se foder, Anton. Ela é quem importa.— Vou passar as coordenadas ao James. Venha com ele; nos encontramos em duas horas no local.Dito isso, ele desliga a chamada. Olho para os meus amigos, que nem precisam dizer nada, pois já estão se organizando e sei que virão conosco. James é o único que não parece animado com isso e sai resmungando em inglês, como se nós não fôssemos capazes de entender essa merda.Menos de cinco minutos depois, estamos os quatro em um jipe indo em direção ao endereço — uma área industrial antiga a cerca de duas horas de distância de onde estamos. A noite já caiu e minha apreensão só aumenta. A mensagem que Duran havia prometido mandar com o endereço para a entrega do dinheiro nunca chegou, o que me deixa ainda mais sobressaltado. O que aconteceu para que ele não fizesse contato?







