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Yago Castilho

Author: Joy Lima
last update publish date: 2026-07-28 23:34:17

Desesperado, sei lá quanto tempo depois — cinquenta bilhões de lances de escada subidos —, viro em um dos corredores e dou de cara com alguém, quase derrubando a criatura diminuta no chão.

— Ai... Pra que a pressa?! — Escuto a voz feminina e queixosa, mas não consigo prestar atenção. Ela segura meu braço. — É você! Nossa, o Thiago estava te procurando. O que você está fazendo aqui? Está tudo bem? Você parece pálido!

Merda, é a Sophia! Preciso tirar ela daqui antes que o assassino me ache. Mais uma vez sem pensar, puxo-a pelo braço e saio andando sem rumo; não tenho ideia de em que lugar da boate estamos.

— Calma, Yago! Meu braço! Você está me machucando... Me larga, cara! — Percebo que ela está quase gritando enquanto tenta se soltar, mas eu nem ligo. A gente precisa sair daqui e é isso que digo pra ela:

— A gente precisa sair daqui agora! Eu não quero morrer — murmuro, desta vez falando comigo mesmo.

— Tá maluco?! O que você bebeu? — Ela está quase histérica sendo arrastada atrás de mim.

— Sophia, eles estão mortos e ele vai me matar! Você está comigo, ele vai te matar também. A gente precisa sair daqui AGORA, PORRA! AGORA!

Devo parecer um lunático, mas tô pouco me lixando. Depois ela me xinga o quanto quiser, agora eu só consigo pensar em sair daqui. Cadê a saída desse maldito lugar?! Vi duas pessoas serem mortas, pouco me importo se pareço maluco.

Sophia resolve não colaborar com nossa fuga e trava as pernas, nos obrigando a parar. Mulher teimosa e forte dos infernos! Me viro pra ela completamente fora de mim. Se ela morrer, o Thiago me mata. Que bagunça! Eu só queria mijar... Quer saber? É tudo culpa dela! Se tivesse mais banheiros nessa espelunca, eu nunca teria visto nada.

Desesperado, tento puxar Sophia novamente. Ela me olha confusa e suspira derrotada, deixando os ombros caírem.

— Yago, do que você está falando? Quem está morto? Fala comigo!

Eu respiro fundo e decido resumir — quem sabe assim ela colabora e a gente sai logo daqui:

— Eu fui mijar lá fora e vi um cara matar duas pessoas. O cara me viu e eu corri pra cá, fugindo dele. Agora eu preciso sair daqui e você vem comigo, porque ele pode ter te visto e aí, em vez de eu morrer sozinho, ele vai matar nós dois! — Enquanto termino de falar, tento puxá-la novamente.

— Merda! — ela xinga. Vejo no rosto dela quando entende pelo menos parte do que estou dizendo. A pequena gnoma loira se vira de costas e, pisando duro, sai me puxando na direção contrária à que eu pretendia ir. — Vem logo! Meu escritório é seguro e estamos perto.

Estava esperando lágrimas e desespero da mulher, mas ela toma a forma de um pequeno furacão enquanto anda decidida pelo lugar. Logo me empurra por uma porta meio escondida e a fecha. O lugar é um escritório confortável, pequeno e... aff, as paredes são cor-de-rosa! Fala sério!

— Agora me conta direito essa história maluca, Yago! — ela exige, com as mãos na cintura e extremamente séria. Não tem nem tamanho a criatura; se eu não estivesse tão desesperado, poderia rir dessa situação.

Pensando bem, preciso me acalmar e planejar direito o que fazer. Ansioso, não consigo ficar parado, preciso me movimentar. Por isso, ando de um lado pro outro no escritório da Penélope Charmosa. Decido que é melhor falar logo o que aconteceu; afinal, há uma equipe de segurança aqui — inclusive aquela muralha da porta, o que era mudo. Ele é, com toda certeza, o cara certo pra esse momento.

É com isso em mente que conto tudo para ela. Vejo a cara de choque tomar todo o rosto delicado mediante os detalhes. No final, ela me manda calar a boca e se sentar. Demora alguns segundos — acho que ela estava processando o que contei —, mas até que o HD da loirinha é rápido, pois logo ela pega o celular, que, pasmem, também é rosa!

— O que você vai fazer? — questiono alarmado, não querendo envolver meu amigo nisso, mas esperançoso de que ela chame logo o segurança grandalhão. Sou fã do cara.

— Xiu! — Com o indicador na boca, me manda ficar quieto. Petulante! A pessoa do outro lado logo atende, porque escuto Sophia questionar: — Onde você tá? — Faz uma pausa, acho que esperando a resposta da pessoa na linha. — Estou no meu escritório, vem pra cá agora. Preciso de você, é uma emergência — fala meio que choramingando.

Ela respira fundo, desliga e me avisa que precisamos esperar. Estou tão esgotado que não consigo nem mesmo me manifestar ou perguntar pra quem ela ligou. Deve ser pro pessoal da segurança mesmo, só pode.

Passados mais ou menos quinze minutos, alguém b**e na porta do escritório e eu fico alarmado. Sophia, que estava em silêncio sentada em uma das poltronas olhando para um ponto específico, levanta-se num sobressalto, extremamente ágil pra alguém tão pequena e com um salto tão alto. Logo ela abre a porta.

Devo dizer que o que entra na sala definitivamente não é um dos seguranças da casa. E, meus amigos, o que é isso?! A mulher entra parecendo um terremoto de magnitude cinco. Deve se chamar Vênus, porque é simplesmente MARAVILHOSA — de longe a melhor visão que já tive na minha vida. Será que o cara me achou, atirou em mim, eu morri e tô no céu?! Fala sério, Deus, sou muito jovem, não posso ter morrido... Mas o que mais explicaria esse anjo na minha frente? Ou seria uma demônia?!

Estou estático, não consigo me mexer. Uau... Ruiva, cabelos longos, curvas de tirar o fôlego de qualquer santo... E os olhos? Porra, que olhos lindos! Não podem ser reais, parecem duas fogueiras quentes como o inferno... É isso, eu morri. Preciso aceitar minha condição pra poder ir para o paraíso. Posso levar a ruiva comigo, Deus?

Quando a deusa ruiva começa a falar com Sophia, entendo que não, eu não morri e a criatura é real. Obrigado, Senhor, estou vivo! E valeu por, depois da merda toda de hoje, me mandar esse presentão de vestido preto. Isso sim é que é reviravolta!

— Sophia, você está bem? O que houve? — ela pergunta enquanto olha a amiga de cima a baixo, como se procurasse algum dano físico na loira.

E devo dizer que a mulher fica cada vez melhor: voz rouca, sensual... Caralho, nem lembro por que estou aqui, mas se ela continuar falando, vou ter um orgasmo só com essa voz!

— Eu estou bem, Ailim. — Opa! Temos um nome para a beldade: Ailim! — Mas, ao que parece, tenho péssimas notícias. — Sophia suspira, encolhe os ombros e olha pros pés antes de continuar: — Nem inaugurei direito e essa merda espirra na minha porta. Cacete, é muito azar! — Ela choraminga nos braços da ruiva. Parece uma criancinha indefesa, nem de longe se assemelha à mulher que me deu bronca agorinha depois de me arrastar até aqui.

— O que houve? Sophia, desembucha logo, tô ficando mais preocupada...

Sophia se vira na minha direção, me fazendo ser notado por Ailim que, até então, não tinha se dado ao trabalho de me olhar ali parado, com cara de idiota, babando nela. Ela não só me olha, ela me analisa. Me sinto sendo escaneado; eita que parece que ela está vendo a minha alma. Que calor, Deus! Quando os olhos dela se prendem aos meus, juro que sinto falta de ar. Meu coração acelera, acho que tô passando mal... Não morri de tiro, vou morrer de ataque cardíaco! Socorro!

— Conta pra ela o que você me contou, Yago!

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