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Capítulo 4

Autor: Estin
A vida parecia ter voltado ao antigo ritmo.

Eu ainda morava no apartamento que Chase comprou para o futuro que construiríamos juntos. Trabalhava durante o dia e, todas as noites, ia ao hospital cuidar da minha mãe.

Ocupado com sua nova esposa, Chase quase não entrava mais em contato comigo.

Na verdade, não receber notícias dele era um alívio.

Depois do trabalho, comprei uma caixa das tortinhas de carne favoritas da minha mãe e as levei ao hospital.

Ao entrar no quarto, encontrei duas jovens sentadas ao lado da cama. Me aproximei depressa, animada, mas, quando elas se viraram, reconheci minha melhor amiga, Olivia Carter, e Alice.

Minha voz saiu trêmula:

— Olivia, por que trouxe essa mulher aqui?

Minha mãe sorriu para mim.

— Ollie ficou preocupada que eu me entediasse, então trouxe uma amiga para me fazer companhia. Nunca tinha conhecido Alice até hoje, mas já gostei muito dela. É uma garota tão doce e bonita, e o marido está por aí, traindo ela com uma destruidora de lares. Que nojo! Alice, querida, escute o que vou dizer: mulheres assim sempre acabam recebendo o que merecem.

Alice se levantou lentamente e parou diante de mim. Ela me lançou um olhar que trazia um sorriso, mas nenhum calor. Depois, se voltou para minha mãe e falou com uma voz gentil, porém implacável:

— A senhora tem razão. Destruidoras de lares sempre recebem o que merecem. Mas quando vai chegar a vez da sua filha? Ah, espere... Ela já recebeu o castigo, só que acabou recaindo sobre a senhora. Câncer de estômago em estágio IV. Eu diria que foi uma troca justa.

Minha mãe ficou branca como papel. Forçando o corpo debilitado a se sentar, ela encarou Alice com indignação.

— Do que você está falando?

Com o rosto tomado por uma revolta pretensamente justa, minha melhor amiga tirou duas certidões de casamento e as atirou no rosto da minha mãe.

— Alice não está mentindo. Nora é mesmo uma amante!

Ela apontou para os documentos e continuou:

— Veja! Alice e Chase já estão legalmente casados. Eles são um casal de verdade. Nora sabe perfeitamente que Chase tem esposa, mas continua morando no apartamento dele e gastando o dinheiro do casal para pagar suas despesas médicas. Alice tem todo o direito de pegar tudo de volta!

19 de junho.

O aniversário da filha.

Minha mãe encarou, imóvel, a data impressa na certidão de casamento. No instante seguinte, tossiu uma grande quantidade de sangue.

— Mãe!

Em lágrimas, me lancei em direção ao botão para chamar a equipe médica, mas Olivia e Alice me agarraram juntas, me impedindo de alcançá-lo.

Alice soltou uma risada fria e disse:

— Sua própria mãe acabou de dizer que destruidoras de lares imundas merecem ser castigadas. Se ela não receber o castigo hoje, você nunca aprenderá a lição e continuará perseguindo meu marido! Se morrer, será um problema a menos. O dinheiro de Chase não nasce em árvore. Por que ele deveria pagar para que vocês duas continuem vivendo como parasitas às custas dele?

Implorei para que minha melhor amiga salvasse minha mãe, mas Olivia apenas me lançou um sorriso de desprezo.

— Melhor amiga? Eu não sou melhor amiga de uma amante imunda. Agora, Alice é minha verdadeira melhor amiga. Você passou a vida inteira tentando ser melhor do que eu. Sempre foi mais bonita, tirava notas melhores e até conseguiu um namorado melhor que o meu. Esse seu teatrinho de santa superior a todos sempre me deu nojo. Ninguém quer a sua caridade. Tudo o que está acontecendo com você agora é exatamente o que merece!

Cambaleei um passo para trás, com os ouvidos zumbindo.

Durante todo aquele tempo, Olivia considerou tudo o que fiz por ela uma simples caridade.

Eu pensava que éramos amigas. Mas, para ela, sempre fomos inimigas.

Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, as duas me derrubaram e me imobilizaram no chão. Sem conseguir me mover, só pude assistir à minha mãe começar a se debater violentamente sobre a cama.

No monitor cardíaco, seus batimentos assumiram um ritmo frenético e irregular. E, aos poucos, se transformaram em uma única linha verde contínua.

Minha mãe tinha partido.

Algo dentro de mim se rompeu. Me libertei à força das mãos delas, agarrei a faca que minha mãe sempre usava para descascar maçãs para mim e avancei contra as duas.

Elas pagariam pela vida da minha mãe com as próprias vidas.

— Nora, você perdeu a cabeça?!

Chase irrompeu pela porta a tempo de ver apenas o final da cena, sem saber de nada do que aconteceu antes.

Com um rugido, ele avançou sobre mim e se colocou entre mim e Alice sem demonstrar o menor medo, usando o próprio corpo como escudo.

Uma fração de segundo antes que a lâmina atingisse seu peito, girei o pulso no último instante.

A faca se enterrou no meu próprio peito e o sangue espirrou sobre o rosto de Chase.

Ele me apertou contra o corpo e soltou um grito dilacerante:

— Nora!
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