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Capítulo 3

Author: Cipreste Gema
Inês pareceu assustada, incrédula:

— Filha... como você pode acusar a mamãe assim?

Vendo o olhar magoado de Inês, Ibsen achou que a filha estava mentindo.

Ela fazia isso para defender Dionísia, por isso manchava o nome de Inês de propósito.

Afinal, que mãe faria mal aos próprios filhos?

Ibsen repreendeu:

— Norah, crianças não podem mentir. Além do mais, ela não é uma estranha, é a mãe biológica sua e do seu irmão. Sem ela, vocês não existiriam.

— Eu não estou mentindo!

Com lágrimas misturadas ao sorriso, Inês apressou-se em acalmar Ibsen:

— Não tem problema, crianças não mentem, só querem proteger quem amam. Não faz mal. Eles gostam da Sra. Pinto, isso mostra que ela trata bem as crianças, e isso me deixa feliz.

Sim, crianças não mentem.

Então foi Dionísia que deliberadamente ensinou a filha a dizer aquilo.

Olhando para a tristeza e a sensação de injustiça nos olhos de Inês, Ibsen ficou ainda mais irritado por um momento:

— Onde está a babá?

A babá entrou apressada.

Ibsen encarou Dionísia:

— Leve as crianças embora.

Isso significava que queria afastar as crianças de Dionísia!

Assim que a babá levou os dois filhos, Ibsen saiu, ainda irritado, levando Inês consigo.

Dionísia ficou sozinha, parada no mesmo lugar.

Afinal, um era o pai biológico, a outra era a mãe biológica.

Que direito ela tinha de dizer algo?

Olhando para o cotonete manchado de sangue ao lado, seu coração doía.

Mas o que ela sentia ainda mais era decepção.

Seis anos de casamento, ela cuidou da casa e das crianças, permitindo que ele se dedicasse ao trabalho sem preocupações.

Ela achava que era alguém especial, afinal, nesses anos Ibsen nunca foi inconstante, sempre foi atencioso com ela, cumprindo seu papel de marido.

Mas tudo isso só enquanto Inês não aparecia.

Só naquela noite, Ibsen defendeu Inês mais do que havia defendido Dionísia em seis anos.

Isso fez com que o pouco de carinho que ele demonstrava por ela parecesse até ridículo.

-

Caiu a noite.

Dionísia tomou banho e foi se deitar, logo depois, ouviu passos se aproximando.

Ibsen, também já banhado, deitou-se do outro lado da cama, ambos de costas um para o outro.

Após algum tempo, Ibsen disse:

— Inês só estava com saudades das crianças, veio vê-las. Você não precisava tratá-la assim, nem ensinar as crianças a mentirem. O que aconteceu hoje não pode se repetir.

Não pode se repetir?

Dionísia mordeu levemente os lábios:

— Eu cuidei deles por seis anos, desde que eram bebês era eu quem cuidava deles. Ninguém mais do que eu deseja que eles cresçam saudáveis e corretos. Como você pode dizer que fui eu quem os ensinou a mentir?

— Se não foi você, seria Inês? — Ibsen respondeu friamente. — Preciso te lembrar que Inês é a mãe biológica deles?

Junto com a voz dele, despencou também o coração de Dionísia, como se flechas a atravessassem!

Seis anos de dedicação, e ainda assim não superou uma noite de lágrimas de Inês.

Então, o que significaram esses anos para ela?

A noite passou em silêncio.

Na manhã seguinte.

Quando Dionísia acordou, Ibsen já não estava.

Era fim de semana, dia de família, Ibsen não trabalhava, ficava em casa com as crianças.

Ela desceu as escadas.

— Senhora, o café da manhã... está pronto. — O mordomo Fábio hesitou ao falar.

Só ao entrar no salão de jantar Dionísia entendeu o motivo.

Inês havia preparado o café da manhã, que estava farto e variado.

— Sra. Pinto, você acordou, venha tomar café. — O sorriso de Inês era realmente gentil.

Mas, aos olhos de Ibsen, parecia que Inês estava tentando agradar Dionísia.

Ele não conseguiu se conter:

— Não precisa fazer isso, esta é a casa dos seus filhos. Você pode morar aqui com toda tranquilidade.

Dionísia parou de andar, sentindo o rosto arder, como se tivesse levado um tapa.

Inês sorriu:

— Está bem.

Quando Dionísia se sentou, Inês disse:

— Prove isto, este pastel eu sempre fiz muito bem, Ibsen adora, pensei em preparar para você e as crianças experimentarem.

De fato, Ibsen adorava pastel.

Ele elogiou sem restrições:

— Sua habilidade está ainda melhor que antes. Obrigado pelo esforço. Da próxima vez, não precisa fazer pessoalmente, Dionísia também sabe preparar.

Obrigado pelo esforço...

Dionísia também sabe...

Então Inês não precisava mais cozinhar, deixando isso para Dionísia?

Dionísia olhou silenciosamente para o mingau em sua tigela. Lembrou-se de quando cuidou de Carlos doente por dois dias e duas noites, os olhos cheios de veias vermelhas, mas naquela época, Ibsen nunca lhe dissera "obrigado pelo esforço".

Ela conteve o desejo de rebater, pensando que Ibsen só tratava Inês com cortesia, como uma convidada.

Dionísia levantou a cabeça:

— Sim, eu também sei preparar. E, além disso, Norah é alérgica a caranguejo, não pode comer.

Inês se surpreendeu:

— Alérgica? Ibsen, essas alergias nas crianças vêm por não terem sido bem cuidadas desde pequenas. Não se deve proteger as crianças excessivamente, é importante expô-las a diferentes bactérias para fortalecer a imunidade.

Ibsen hesitou e olhou para Dionísia.

Na verdade, Dionísia sempre cuidara das crianças sem um único erro nestes anos.

Por isso, desta vez, ele não continuou apoiando as palavras de Inês.

Inês percebeu o silêncio de Ibsen e mudou de assunto:

— Quero levar as crianças para passear. Ibsen, você vai conosco?

Depois, voltou-se para Dionísia:

— Sra. Pinto, venha conosco também?

Ibsen de repente disse:

— Pode chamá-la de Dionísia.

Inês prontamente corrigiu:

— Certo, Dionísia.

Os dois conversavam entre si, sem sequer perguntar a opinião de Dionísia.

Dionísia nem chegou a tomar o mingau:

— Podem ir, eu não vou. Tenho um encontro com uma amiga hoje.

Ibsen perguntou automaticamente:

— Que amiga você tem?

Dionísia abriu a boca:

— Uma amiga antiga, ela se mudou para a Capital, vou visitá-la.

Ela tinha muitos amigos, mas, desde que se casou com Ibsen e mudou para a Capital, quase não mantinha contato, afinal, todos estavam em Cidade do Mar.

Ibsen não disse mais nada, apenas recomendou:

— Volte cedo e se cuide.

Dionísia virou-se e subiu as escadas.

Deixando isso de lado, Ibsen serviu Inês:

— Já está recuperada?

Inês assentiu, sorrindo:

— Já sim, pode ficar tranquilo.

Ele disse:

— Que bom. Imagino que você tenha passado por muitas dificuldades nesses anos?

Inês baixou os olhos, com um olhar triste:

— Não foi tão ruim. Agora tudo melhorou, não é?

Na verdade, ela não havia sofrido, até viveu bem.

Só não podia comentar sobre o passado.

-

Quando as crianças acordaram, Dionísia as ajudou a preparar tudo para o passeio.

Garrafinhas de água, lenços umedecidos, câmera infantil, roupas extras.

— Hoje a mamãe não vai com vocês. Quando saírem, ouçam o papai e não saiam correndo sozinhos.

Dionísia agachou-se para arrumar as roupas dos dois.

Carlos fez beicinho:

— Então quem vai com a gente?

— O papai e... — Dionísia hesitou. — A mãe biológica de vocês.

— Não queremos! — Norah fez birra. — Como você não pode ser nossa mãe de verdade? Aquela mulher que mente, nunca vimos ela!

Dionísia tentou explicar:

— Norah, ela realmente é a mãe biológica de vocês. Se vocês rejeitarem ela, o papai vai ficar chateado.

As crianças não ficaram felizes, mas obedeceram à Dionísia.

Elas não conseguiam aceitar que Dionísia não era sua mãe biológica, o que só aumentava a resistência a Inês.

Quando desceu, Dionísia deixou um papel sobre a mesa de jantar:

— Anotei os hábitos alimentares das crianças e os alimentos que causam alergia.

Depois disso, não ficou mais, trocou de roupa e saiu.

Até o entardecer, Dionísia ficou no bar de Vanessa.

— Dia de família, é raro você passar quase o dia inteiro aqui. — Vanessa trouxe uma bandeja de frutas.

Dionísia sorriu levemente, com uma pitada de autodepreciação:

— Eles saíram para se divertir em família, o que eu poderia fazer?

— Você poderia investir na sua carreira.

Dionísia balançou a cabeça devagar:

— Minha carreira, aqui na Capital, não existe.

Ela era formada em Venture Capital, mas, na Capital, as empresas de manufatura eram de médio porte, sem grandes projetos bilionários para integrar ou captar investimentos.

A única que poderia crescer era justamente a empresa de Ibsen.

Afinal, o Grupo Pinto já era considerado o mais forte da província.

Mas Dionísia nunca se envolvia nos negócios dele.

— Você desperdiça todo o seu talento. — Vanessa lamentou.

Dionísia, desde pequena, fora influenciada pelo pai e pelos irmãos. Aos 17 anos, já acompanhava o pai nos investimentos e, ainda jovem, tinha uma visão aguçada, ajudando a família Melo a ganhar muito dinheiro.

Por isso, sendo uma jovem de família poderosa, quando Dionísia decidiu se casar com Ibsen, um homem solteiro com dois filhos, a família Melo se opôs fortemente, chegando a romper relações.

Mas o menino que ela amava desde a época de estudante agora era seu marido. Naturalmente, ela se dedicava de corpo e alma, e Vanessa não podia criticá-la.

Só que tudo isso Ibsen não sabia.

Ele achava que Dionísia vinha de uma família comum, distante e isolada, por isso seus pais nunca haviam aparecido.

Dionísia começou a se sentir tonta:

— Não vou beber mais, já vou...

De repente, o telefone tocou, interrompendo suas palavras.

Era Ibsen.

Dionísia pensou que deveria ser algo com as crianças, do contrário, Ibsen quase nunca ligava, normalmente falavam pelo WhatsApp.

Ela atendeu:

— Alô?

A voz de Ibsen era fria e tensa:

— Venha rápido ao hospital infantil!

Dionísia nem teve tempo de se despedir de Vanessa e saiu correndo.
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