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Capítulo 4

Author: Cipreste Gema
Hospital infantil, setor de emergência.

— O que aconteceu?! — Dionísia chegou ofegante, respirando com dificuldade.

— Carlos teve uma reação alérgica a alguma coisa que comeu. — Respondeu Ibsen, com a voz cheia de ansiedade.

Dionísia estava aflita:

— Alérgico? Eu não anotei todos os alimentos que causam alergia? Vocês não prestaram atenção?

Inês apressou-se a se desculpar:

— A culpa foi minha, eu não imaginei que só um pouco de manga já deixaria o Carlos assim... Me desculpa, me desculpa mesmo...

— Inês só queria ajudar. — Disse Ibsen. — Além disso, o papel onde você escreveu acabou se perdendo, talvez você não tenha especificado direito.

— Eu não escrevi direito? — Dionísia sentiu a raiva subir, indignada.

Ela sabia de cor tudo o que as crianças não podiam comer!

Antes de entregar a lista de observações, ela ainda revisou tudo, para não esquecer nada, como poderia não ter deixado claro?

E agora ainda haviam perdido o papel?

De repente, Ibsen sentiu cheiro de álcool:

— Você bebeu? Mesmo com as crianças assim, ainda tem cabeça pra beber?

Dionísia, tomada de fúria, respondeu:

— Quem estava com as crianças eram vocês! Agora vai me culpar...

— Dionísia! — O olhar de Ibsen era tão profundo que assustava, e ele disparou: — O que você deveria fazer agora é ver como está a criança, não ficar aqui tentando se eximir da responsabilidade. Madrasta é sempre madrasta, no fim das contas.

Um sentimento de ruptura clara atravessou o coração de Dionísia.

Ela não conseguia acreditar que aquelas palavras saíram da boca de Ibsen.

Dionísia, de consciência limpa, não podia dizer que era perfeita com as duas crianças, mas já havia se dedicado de corpo e alma.

E agora, para proteger os sentimentos de Inês, ele a feriu com aquelas palavras, como se fosse ela a culpada pela alergia de Carlos.

Aos olhos dele, ela não passava de uma madrasta incompetente?

A mágoa se acumulou em seu peito, sem poder ser extravasada.

— Parentes do Carlos? Por favor, entrem. — Chamou subitamente a assistente médica.

Os três entraram juntos no consultório.

A médica responsável era uma senhora de cerca de cinquenta anos, que perguntou:

— Quem são os pais da criança?

— Nós somos! — Inês imediatamente puxou Ibsen para a frente, demonstrando preocupação materna.

Dionísia ficou atrás dos dois, sem ânimo para se importar com a situação, só queria saber o estado da criança.

A médica disse:

— Ele já tem seis anos, vocês não sabem o que ele pode ou não comer? Não tratem alergias como brincadeira, algumas podem realmente ser fatais. Felizmente, ele não comeu muito hoje, caso contrário poderia ter sido tarde quando chegou ao hospital.

Após a bronca, Inês pediu desculpas:

— Foi descuido meu.

— Você, como mãe, também tem culpa. — A médica demonstrou clara reprovação diante da negligência dos pais.

Inês, sentindo-se culpada e ansiosa, disse:

— Eu... Eu não cresci com eles, não sabia da alergia. Além disso, eles vivem tendo reações, será que não é culpa do ambiente em que cresceram?

A pergunta soava como uma tentativa de culpar Dionísia pela criação das crianças.

A médica respondeu:

— Existem vários fatores para alergia em crianças: ambiente, genética etc. Mas o mais importante é o que a mãe consome durante a gestação.

Inês abaixou a cabeça, constrangida.

Na época em que estava grávida, a família sofreu uma tragédia, ficou emocionalmente abalada, e nunca se preocupou com restrições alimentares, até bebeu álcool em algumas ocasiões.

A médica, experiente, percebeu algo e perguntou:

— Vocês são divorciados? Quem cuida das crianças?

Ibsen olhou para Dionísia.

Dionísia adiantou-se:

— Doutora, eu sou... sou a madrasta das crianças.

A médica lançou um olhar a Dionísia e, após um instante, perguntou:

— Você não sabia da alergia da criança?

Dionísia apertou as mãos, de repente sem vontade de assumir a responsabilidade:

— Eu sabia. A mãe deles os levou para sair, eu escrevi todos os cuidados, mas o bilhete acabou sendo perdido.

Ibsen franziu levemente a testa.

Parecia não gostar que Dionísia jogasse a culpa para Inês.

Mas Dionísia não tinha tempo para se preocupar com o que ele sentia, e perguntou ansiosa à médica:

— O caso é grave? Ele vomitou? Está com febre?

Pela preocupação nas perguntas, a médica percebeu que aquela madrasta realmente se importava com as crianças.

Já a mãe biológica, até então, sequer havia perguntado como o filho estava.

A médica então levou Dionísia para perto e deu todas as recomendações, por fim dizendo:

— Ele precisa de soro e vai ficar em observação, mas se não houver mais problemas, logo pode ir para casa.

— Está bem. — Dionísia finalmente respirou aliviada.

A médica não teve a menor consideração pelos outros dois:

— Se não sabem cuidar, não tentem bancar os responsáveis. Achar que criar uma criança é fácil, como soprar uma vela?

Inês, envergonhada e com lágrimas nos olhos, virou-se e saiu.

No caminho para o quarto, ela estava cheia de culpa:

— Ibsen, eu realmente sou uma mãe incompetente, por minha distração nosso filho ficou assim.

Ibsen a consolou:

— Não foi sua culpa, você não sabia da alergia, e a médica disse que não é grave.

Os três entraram juntos no quarto.

Dionísia queria ver Carlos, mas Inês se adiantou até a cama.

Ela e Ibsen ficaram um de cada lado, protegendo Carlos, num quadro de harmonia e ternura.

— Carlos, foi culpa do papai, da próxima vez vou prestar mais atenção, me perdoa. — Ibsen segurou a mão do filho, cheio de preocupação.

Carlos fez beicinho, insatisfeito com a presença de Inês, e não respondeu ao pai.

Ele queria a mãe com ele.

Vendo os dois ao lado de Carlos, Dionísia saiu do quarto levando Norah.

Dionísia sentou-se numa cadeira do corredor e Norah abraçou seu pescoço:

— Mamãe, não fica triste, tá? Se papai não fica com você, a Norah fica.

Aquilo fez a tristeza de Dionísia crescer ainda mais:

— Mamãe não está triste.

No quarto.

Inês olhava para Carlos com doçura nos olhos:

— Sempre dizem que filho se parece com a mãe. Olha os olhos do Carlos, são idênticos aos meus. E o jeito da Norah... completamente minha herança. Olhando para eles, parece que vejo minha infância de novo.

Ibsen não pôde evitar lembrar do temperamento forte e destemido de Inês quando eram jovens.

A filha era praticamente uma cópia reduzida de Inês.

Ele assentiu:

— Realmente, são muito parecidos.

Inês abaixou a cabeça:

— Pena que todas aquelas fotos da infância se perderam.

Com a falência da família, a mansão foi vendida às pressas, e a família Alves mal conseguiu sair com alguns documentos e roupas, não restando quase nada.

Ibsen jamais esqueceu aqueles tempos difíceis.

— Não faz mal, podemos tirar outras fotos no futuro.

Com lágrimas nos olhos, Inês disse:

— Lembro de quando descobri que estava grávida, você até tentou fazer massa pra mim, ficou uma delícia.

A lembrança tocou Ibsen por um instante:

— Você quer comer de novo?

— Não precisa, já passou. — Inês enxugou o nariz, desviou o rosto: — Vou ao banheiro.

Mas nem deu dois passos e acabou batendo na parte de trás da cama.

— Inês! — Ibsen foi rápido em segurá-la: — O que houve?

Os lábios de Inês estavam pálidos:

— Não é nada, só fraqueza mesmo, anos de má alimentação.

Ibsen franziu o cenho:

— Então não se force. Vou te levar pra casa.

— Não precisa, esqueceu que combinamos jantar com o Sávio e os outros hoje? Já está tarde, não convém cancelar, vai você, eu fico para cuidar das crianças.

Ibsen pensou em cancelar o encontro, mas Inês insistiu:

— Não se atreva a faltar, senão vão pensar que fui eu quem não quis ir. Manda um abraço por mim, e depois, quando for receber os convidados, traz minhas coisas de higiene, por favor?

Isso era fácil de resolver.

Ibsen lembrou de como Inês era extrovertida e se dava bem com seus amigos, e agora...

Ele concordou:

— Então vou lá por um momento.

— Está bem.

Assim que saiu do quarto, avisou Dionísia, que estava com Norah no colo:

— Marquei um jantar com o Sávio e outros amigos, são muitos, não posso faltar. Volto rápido.

Dionísia entendeu que era apenas um aviso e assentiu.

Depois que ele saiu, Dionísia voltou ao quarto com Norah.

Sem o pai, Carlos ficou mais corajoso e expulsou:

— Não preciso que você cuide de mim, pode ir embora, minha mãe cuida de mim.

O modo como Carlos se referiu à mãe deixou Inês profundamente magoada, mas ela se conteve:

— Carlos, a mamãe está muito preocupada porque você ficou doente.

Quando Carlos ia responder, Dionísia se aproximou:

— Carlos, descanse um pouco.

Carlos apertou os lábios, fechou os olhos e não disse mais nada.

Depois disso, ninguém mais falou no quarto. Norah ficou agarrada ao braço de Dionísia, demonstrando grande proximidade entre mãe e filha.

Enquanto isso, Inês olhava o tempo todo para o celular, que vibrava sem parar.

Norah então levantou a cabeça:

— Você pode ir cuidar dos seus assuntos, não precisa ficar aqui com o Carlos.

Aos seis anos, as crianças ainda não compreendiam a diferença entre mãe biológica e madrasta.

Só sabiam que Dionísia sempre esteve com eles.

Agora, com a felicidade e a mãe querida ameaçadas, rejeitavam instintivamente a presença repentina de Inês.

Ouvindo a filha, Inês respondeu delicadamente:

— Não estou ocupada, é só o papai me mandando mensagem. Pedi para ele trazer minhas coisas de higiene, ele está perguntando pra mamãe.

Depois disso, ela ainda mostrou o celular para Norah.

Naquele instante, o coração de Dionísia estremeceu, sentiu um aperto.

Norah e Dionísia estavam sentadas lado a lado, mesmo sem querer, Dionísia viu de relance uma mensagem, percebendo o carinho e atenção de Ibsen, mas não para ela.

Um minuto depois, Inês, com as bochechas levemente coradas, falou, meio constrangida:

— Desculpe, Dionísia, o Ibsen não consegue achar, tem umas coisas mais íntimas que ele não entende. Vou até em casa rapidinho buscar, volto logo. Desculpa te deixar sozinha aqui.
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